Não há mais segredo que se conte
Nem há mais dedo que se aponte
Abriram a temporada de caça aos patos
E são apenas estes os tais fatos
Que andam pelas redes sociais
Não há mais minas e nem há gerais...
Morreu quase todo mundo morreu
Só falta agora você mais eu
Só falta no jardim não ter mais flor
E a luz desse tal de sol mudar de cor
Ficar de um cinza meio desbotado
No nosso desespero foi engraçado...
Não há mais peça que se substitua
Pois a verdade é só mais crua
Mesmo acompanhado eu tou sozinho
Mesmo sem dor eu tenho espinho
Os homens fazem seus versos
Mas afinal todos são perversos...
A minha criança dorme e dorme
Mesmo quando seu medo é enorme
O vinho azedou virou vinagre
No mercado não tem mais milagre
Só existe arremedo da vida
E toda fera um dia será ferida...
Não há mais segredo que se conte
Era domingo mas caiu a ponte
E eu não sinto mais a paz profunda
São os feriados com cara de segunda
São os meus olhos sempre tortos
Que até parecem que estão mortos...
(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Nenhum comentário:
Postar um comentário