domingo, 2 de agosto de 2026

Um Segredo


Não há mais segredo que se conte

Nem há mais dedo que se aponte

Abriram a temporada de caça aos patos

E são apenas estes os tais fatos

Que andam pelas redes sociais

Não há mais minas e nem há gerais...


Morreu quase todo mundo morreu

Só falta agora você mais eu

Só falta no jardim não ter mais flor

E a luz desse tal de sol mudar de cor

Ficar de um cinza meio desbotado

No nosso desespero foi engraçado...


Não há mais peça que se substitua

Pois a verdade é só mais crua

Mesmo acompanhado eu tou sozinho

Mesmo sem dor eu tenho espinho

Os homens fazem seus versos

Mas afinal todos são perversos...


A minha criança dorme e dorme

Mesmo quando seu medo é enorme

O vinho azedou virou vinagre

No mercado não tem mais milagre

Só existe arremedo da vida

E toda fera um dia será ferida...


Não há mais segredo que se conte

Era domingo mas caiu a ponte

E eu não sinto mais a paz profunda

São os feriados com cara de segunda

São os meus olhos sempre tortos

Que até parecem que estão mortos...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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