Não há diferença
entre um santo iogue
e um simples hot-dog
entre um poema
e o velho problema,
não há, não há...
Não há diferença
entre os teus lábios
e conselhos sábios
entre garotos de aluguel
e barcos de papel,
não há, não há...
Não há diferença
entre a comida boa
e o balanço da canoa
entre o susto do eco
e a cana no boteco,
não há, não há...
Não há diferença
entre essa inocência
e a nossa indecência
entre a sua entrepernas
e as penas eternas,
não há, não há...
Não há diferença
entre a cortina de aço
e a falta do abraço
entre vento do norte
e a fraqueza forte
não há, não há...
Não há diferença
entre o corpo de delito
e a pata do cabrito
entre a pata choca
e a cara do boboca
não há, não há...
Não há diferença
entre a bunda de pandeiro
e o saco de dinheiro
entre a ida para Marte
e a carta do descarte
não há, não há...
Não há diferença
não há, não há...
(Extraído do livro "Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Nenhum comentário:
Postar um comentário