Minha IA tirou seu time de campo faz tempo
Mastigo pétalas de rosa como se fosse pedra
Respiro o ar sujo e quente de manhãs noturnas
O que será que será que não foi e não será?
Sujo minhas mãos sem água para lavá-las
Falo por enigmas para serem descobertos
A minha única pressa é de ter alguma pressa
Por que o cachimbo entorta a boca e não o ar?
Minhas veias um dia acabarão perdendo a pressa
Vou andar sobre as águas atravessando todo mar
Tudo não passa de uma ficção científica caipira
Aceitam aí mais um quadro de porcelana de água?
O rato roeu a roupa do nosso presidente da república
Afinal era a final de jogos de buraco dentro do vulcão
Caprichamos na nossa mais célebre idiotice tão vã
Os camarões agora usarão suas cobertas de pastel?
Comida caseira só a que é fabricada em série agora
Minha antipatia tem seus motivos feitos de exatidão
Toda vez que vou espirrar antes tenho que pedir licença
Um dia irão finalmente descobrir a cura para o nada?
Incrivelmente todos os mortos um dia assim morreram
Preciso urgentemente de uma cama feita só de vidro
E aquele sabão caseiro feito por fadas todas estrábicas
Posso beber este garrafão de vinho só comigo mesmo?
O papa bebeu um fino licor de anis até cair durinho...
(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).






