segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Quantas Vezes Já Morremos Juntos?

Quantas vezes já morremos juntos?

Quantas vezes já morremos juntos, meu amor?


Em cada rua, em cada praça, em cada esquina

Esses nossos corpos jazem sob o sol inertes

Enquanto as moscas pousam sobre nós...


Quantas vezes já morremos juntos?

Quantas vezes já morremos juntos, paixão minha?


Em cada hora, em cada minuto, em cada segundo

Estávamos sem relógio para prevermos isso

Mas a morte não tem culpa alguma...


Quantas vezes já morremos juntos?

Quantas vezes já morremos juntos, minha amada?


Em cada sorriso, em cada riso, em cada gargalhada

Fizemos a última e derradeira brincadeira

E ninguém acabou percebendo esta peça...


Quantas vezes já morremos juntos?

Quantas vezes já morremos juntos, minha linda?


Em cada gole, em cada tragada, em cada overdose

Fomos apenas mais um número estatístico

O fim de cada ritmo vivente e fisiológico

Como duas pedras que param de rolar...


Quantas vezes já morremos juntos?

Quantas vezes já morremos juntos, meu amor?

Talvez vidas futuras sejam nossa redenção...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Alguns Poemetos Sem Nome N° 371 *

O ventilador zune na sala

Os mosquitos zunem em meus ouvidos

Uma noite ternamente lúgubre

Sussura maldições para mim

O laço de fita que ela não usa mais

Jaz adormecido no canto da cama

Só posso pedir socorro às paredes...


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Nunca seremos mais os mesmos

Cada segundo dá sua contribuição

Normalmente não há nada normal

Eu engulo as notícias como saliva

Gostaria de não pensar em nada

Porque as estatísticas nos mostram

Que a encomenda da salvação

Acabou atrasando no correio...


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Cada destilado que bebi

Foi mais uma simples descoberta

Cada trago que dei no cigarro

Foi um simples pulo no abismo

Eu tenho cá certas manias

Que acabam fazendo história

Cada amor que tentei em vão

Foi prova de minha insanidade

Cada mentira que tentei contar

Enganou foi à mim mesmo

Nunca nada foi mais doce

Do que esse amargo na boca.


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Enquanto um estômago está cheio

O outro estômago está vazio

Enquanto um rosto ri demais

O outro é um pântano lacrimoso

Enquanto a bondade tenta andar

A maldade sobrevoa as casas

Não se trata de maniqueísmo

Se trata de olhar apenas o que há...


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Eu parei o ar! Congelei o tempo!

Os velhos decalques na geladeira 

Acabam partindo pra não sei onde...

Eu olhei tuas curvas! Queria mais!

Minha líbido gira pelo ar turvo

Como moscas que enlouquecem

E mergulham em direção às teias...

Eu não disse nada! Foi mais que tudo!

Certas revelações nos ferem

Mais que qualquer agulha imaginária...


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Tudo que vive, acaba morrendo

Até o inédito cheira à normal

Faltam novidades para ver

Faltam mentiras para ouvir

Carpideiras também folgam

Todos os passos acabm lentos

E os carnavais vão se repetindo...


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Eu não procuro a beleza

Eu procuro a arte

A beleza nunca foi

Atributo obrigatório dela

A arte é apenas cruel

Mas redentora

Mistura-se com o sonho

Feito café com leite...

Da Natureza das Almas

 

Sem a quase insolitez de velas acesas

Ando em rios de nuvens com cores inventadas

(Gostaria que fossem de rios de água mesmo

Mas eles hoje estão em falta no mercado...)


Minha alma é uma ave que não sabe voar

E que insiste em orações nunca ouvidas

(Haverão ídolos de barro e gesso caindo

De cima de altares sem altura alguma...)


Passo noturnamente por todas encruzilhadas

Sentindo o medo que me persegue sempre

(Talvez o meu maior medo seja eu mesmo

Mas quando descobrir isso talvez seja tarde...)


Faço carnavais fora de hora ou fora de dia

Com antigas fantasias que agora encontrei

(Só não precisarei de colocar máscara alguma

Neste circo eu sou mais que um palhaço...)


Quando vejo alguns comerciais antigos

Tudo em volta treme de uma pura saudade

(O carro antigo foi sem destino correto

Passear entre flores antes nunca plantadas...)


Entre os dentes que hoje me fazem falta

Aos cabelos que o tempo tornou brancos

(Ainda continua tudo da mesma forma

Assim como o sol todos os dias vive...)...

domingo, 2 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 370 *


É quase suficiente respirar,

Olhar as nuvens e sonhar,

Sorrir de um modo secreto,

Sentir dor por puro afeto,

Gemer por quase ternura,

Andar ou voar nesta altura...


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E as espadas caíram das mãos dos soldados

E as bombas falharam na hora "H"

E os burgueses se arrependeram de seus atos

E a natureza nos deu mais uma chance

E o dinheiro acabou caindo pelos chãos

E o armistício foi assinado entre os povos

E os beijos foram liberados em feriado nacional

E o contentamento voltou aos olhos dos poetas...


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Meu cão é um grande sábio...

Talvez mais filósofo que muitos...

Não sabe pronunciar uma palavra...

Desconhece o que é uma letra...

Não sabe escrever um verso...

Nem sabe o que é rede social...

Não tem ações na bolsa...

Nem se preoculpa com os dias...

Mas conhece bem a gratidão...

E sabe ser feliz por isso...


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Havia um menino que só falava verdades

Catava conchinhas na praia como tesouros

Fazia desenhos com as nuvens lá do céu

Chorava por querer novos brinquedos...


Havia um menino que queria um grande amor

Seus feitiços eram sóis desenhados na areia

Suas alegrias eram quase como em supermercados

Já foi embora faz tempo e diz que não volta mais...


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Bolas de gude

Mundos de vidro

Tecos incertos

Talvez nem sei

Apenas contar

E assim ser feliz...


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Sou um homem de poucas palavras

(Parece ser ao contrário, mas não é...)

Sou um homem de nenhuns amores

(Todos os que tentei, deram errado...)

Sou um homem de nenhum ímpeto

(Me acostumei com certos abismos...)

Sou um homem que ama multidões

(No entanto vive só mesmo acompanhado...)

Sou um homem quase paradoxal

(Que vive rindo mesmo sem carnavais...)...


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Ter todos os pecados e nenhum deles

Você por acaso gosta de mim?

Lembra do beijo que nunca demos?

Eu guardo segredos segredos entre nós

Nunca mais seremos os mesmos

Não foi escolha minha foi sua

Viver uma vida sem sal e sem sonhos...



Ciência de Lábios...

Os lábios dele, os lábios dela

O teto, o chão, a porta e a janela

Cadê a parede? Cadê a parede?

Acho que morreu foi de sede...


Mile me beijando, não beija mais

O tempo acabou levando, lá atrás

Foi só apenas um beijinho?

Não era tesão e era carinho...


Joyce não beijou, beijou não

Nas minhas tardes de aflição

Era ela a mais bonita?

Agora é apenas uma maldita...


Nunca fui bom, nunca fui mau

Essa vida é apenas carnaval

Cadê a porta? Cadê a porta?

Acho que caiu foi morta...


(Extraída do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Um Segredo


Não há mais segredo que se conte

Nem há mais dedo que se aponte

Abriram a temporada de caça aos patos

E são apenas estes os tais fatos

Que andam pelas redes sociais

Não há mais minas e nem há gerais...


Morreu quase todo mundo morreu

Só falta agora você mais eu

Só falta no jardim não ter mais flor

E a luz desse tal de sol mudar de cor

Ficar de um cinza meio desbotado

No nosso desespero foi engraçado...


Não há mais peça que se substitua

Pois a verdade é só mais crua

Mesmo acompanhado eu tou sozinho

Mesmo sem dor eu tenho espinho

Os homens fazem seus versos

Mas afinal todos são perversos...


A minha criança dorme e dorme

Mesmo quando seu medo é enorme

O vinho azedou virou vinagre

No mercado não tem mais milagre

Só existe arremedo da vida

E toda fera um dia será ferida...


Não há mais segredo que se conte

Era domingo mas caiu a ponte

E eu não sinto mais a paz profunda

São os feriados com cara de segunda

São os meus olhos sempre tortos

Que até parecem que estão mortos...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Desalegria, Desalegria

 

O cidadão perdeu a razão

Em plena Ipanema

E assim vamos

Enquanto choramos...


Hoje não tem vatapá

Hoje não tem caruru

Acabou o que fumá

Acabou tem nenhum...


A cidadã perdeu o amanhã

Na insana Copacabana

E assim estamos

E nos profanamos...


Hoje só tem besta-fera

Hoje só tem a rotina

A vergonha já era

Tá que nem cocaína...


O cidadão caiu de exaustão

No Leblom perdeu o Tom

E assim cantamos

Nos desesperamos...


Alegria, alegria, alegria

Não tem louça na pia,

A geladeira está vazia

Mas quem diria?...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).


Quantas Vezes Já Morremos Juntos?

Quantas vezes já morremos juntos? Quantas vezes já morremos juntos, meu amor? Em cada rua, em cada praça, em cada esquina Esses nossos corpo...