É que pedimos água em altos brados
Nossa insensatez é quase sensata
Toda riqueza tem mais de mil olhos
Mas o concerto de piano foi legal
Quem sabe um dia eu me encontro?
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A necessidade dispensa explicações
Gritos de guerra são sempre assim
Toda desonestidade bate palmas
Meu medo é um grande artífice
A laranja ficou ruborizada de tesão
Vendiam-se sardinhas na praça
Tudo é tão comum como era antes...
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Na hora que aconteceu
Eu nem estava falando...
Foi o vento quase malvado...
Não me deram bombons...
O mingau acabou de vez...
A velhice é um fardo...
As fotografias morrem...
E tudo amarela de vez...
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Nunca esquecerei das duas
Naquela tarde-noite lá longe
Músicas no som antigo
E todo tempo era antigo até
Estarão por aí ainda?
Toda dúvida é triste também
Nunca esquecerei dos dois...
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Escrever até não poder mais,
Até os olhos falharem,
As mãos tremerem em excesso,
A mente não querer mais nada,
A fantasia esquecer-se de mim,
O sentimento estar falido,
A técnica rir da minha cara,
Os versos desapacerem,
Mas até lá, ir teimando...
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Já me cansei de cafés pequenos
De indecisões apenas rotineiras
Lembranças mais duvidosas
Meu tempo (todo tempo) é pouco
Voar sob alguns belos riachos
É o que mais me importa agora...
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Sou como os finais de festa
Balões que caíram pelas noites
Fogueiras debaixo de chuvas
Talvez me importe talvez não
De esquecer virgúlas e pontos
Quero apenas poder assoviar
Como nunca antes pude fazer...






