domingo, 28 de junho de 2026

Poema Estilhaçado

Pois esse poema está estilhaçado,

Acabou escapando da minha mão,

Foi num momento mal calculado,

Voou sem ter asas, caiu no chão...


Quase não vi a sua trajetória,

Haviam lágrimas no meu olhar,

É sempre assim, a mesma história,

Até o amor também faz chorar...


Não se preocupem, não há mais jeito,

Eu guardo os cacos, não jogo fora,

Nesse depósito que chamo de peito,

Tudo vai comigo quando for embora...


Pois esse poema está todo partido,

Está quebrado, para todo o sempre,

Mas quem sabe, seja enfim parido,

Em outra mente, em um outro ventre...

Nunquice

Brigo com a minha própria sombra. Quem irá separar?

Em dias frios e malvados como estes, estou só, como quem sobe no alto do arranha-céu para mergulhar de lá. Serei apenas mais um fato corriqueiro numa dessas redes sociais...

Reflito como foram meus dias. Como foram mesmo?

Travei muitas batalhas com os espelhos, perdi todas elas, o velho combatente riu da minha cara. As manchas do tempo eram assim e continuarão a ser...

Cada dia é um dia nenhum. Por que todos eles acabam?

Num livro achado no lixo, as histórias mais tristes, absurdas, descoloridas. Uma mistura entre o bem e o mal acaba sendo a mais indigesta que podemos engolir...

Daqui até lá é mais um passo. A realidade é a mais irreal?

Tudo aquilo que fizemos, fizemos, sejam erros ou sejam acertos. Cada rosto é um lago de águas tão turvas, mas a pele foi feita para esconder tal acontecimento...

Cada moeda é mais uma moeda. Para onde irão todas elas?

Nossas dificuldades são nossas dificuldades, sempre foi e será assim. Em jardins abandonados crescem algumas flores, mas somente algumas...

Nem todas as estrelas acabam brilhando. Isso se chama destino?

Façamos poemas estilhaçados, serão como cacos de vidro. O fogo sabe queimar com crueldade, mas também possui brilho pelas noites que existe...

Era mais uma das muitas brincadeiras. Posso isso de chamar caleidoscópio?

Não são apenas os olhos que são míopes, minha alma é até mais. Ela tateia por um mundo de grandes perigos, o maior deles sou eu mesmo...

Não se sabe qual a próxima parada. Isso por acaso é uma questão de importância?

Nossos mortos foram passear, não voltaram mais. Cada castelo de cartas vai cair, isso também é uma certeza...

Brigo com a minha própria sombra. Quem irá separar?...

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Ao Rei do Nada

Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

Dizem que veio do macaco, 

Mas não quer só banana;

Dizem que habitou as cavernas,

Mas agora quer uma cobertura;

Dizem que é o herói da trama,

Mas não passa de um vilão...


Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

Dizem que tem uma alma,

Mas a mata por qualquer moeda;

Dizem que é muito inteligente,

Mas foi ele quem inventou a guerra;

Dizem que ele sabe amar,

Mas faz do desamor sua companhia...


Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

Dizem que ele é totalmente livre,

Mas é escravo do seu próprio sistema;

Dizem que é sabio em suas decisões,

Mas faz da tolice sua vestimenta;

Dizem que é belo na aparência,

Mas traz as rugas da tristeza...


Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

Dizem que é muito corajoso,

Mas corre no primeiro tiro;

Dizem que tem plenas convicções,

Mas nem sabe qual o seu lado;

Dizem que possui respeito,

Acaba faltando todo e qualquer...


Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

Dizem que é muito sincero,

Mas seus segredos estão atrás das portas;

Dizem que é auto-suficiente,

Mas está sempre com fome;

Dizem que conhece a moral,

Mas tem cio o ano inteiro...


Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Teoria da Teoria


 Um copo cheio

Quase vazio,

Sou brasileiro

E americano,

Sou carioca

E quase mineiro.

Dou voltas sem sair do lugar,

Não preciso de asas e sei voar.


Eu amo tudo,

Não amo nada,

Acompanho a solidão

Por qualquer caminho.

Não tenho regras,

Essa é a regra.

Faço poemas em papel de pão.

Cadê o pão?

Já foi embora pela manhã.


Me irrito calmo,

Não sei mais nada,

Livre com minhas correntes.

Aqui tá frio,

No meio do fogo.

Ai quem me dera

Só mais uma quimera.

Vamos caprichar na mitologia.


Sem reticências.

Só interrogações 

E certamente pontos finais.

Tudo é procura,

Mesmo quando não é.

Ontem foi hoje,

Disso eu entendo feito louco.

Fico em silêncio,

Meus gritos acabaram de dormir.


Falo o que quero,

Foda-se a lógica.

Qualquer neologismo

É um filho que acaba de nascer,

Fora da maternidade.

Não escolho a bandeira

Que carrego

Mesmo em tempos idos.


Já chega disso,

Quero um cigarro

E se ele me matar será favor.

Sou um rio eletrônico

De cor mais indefinível.

Tudo é um bom dia.

Sou campeão de beijos

Mesmo faltando a boca

Para poder beijar.


Guarde pra você,

Os seus fracassos, suas vitórias,

Na gaveta da velha cômoda.

Chame logo esse Uber,

Preciso ir não sei aonde

Fazer não sei o quê

Só não sei quando.

Tudo é uma velha teoria.

Ruas de Miguel Couto (Miniconto)

Ruas de Miguel, de tempos idos, mortos ou matados. Quatro ou mais décadas, coisa que nem todos viveram, mastigaram, chicletes intermináveis. Cuja única perspectiva era o não existir, existindo só em fantasias. Passos sim, tecnologia não. Risos sem motivo alguma, mas risos. Quem te levou embora? Foi o vento ou foi o acaso mais que planejado? Quem te envelheceu? O tempo ou a maldade dos bons? Tantas covas ou agora nenhuma, nomes esquecidos ou lembrados de vez em quando. Adeus, até logo, até já. Aqui estou, continuo vivo... 

domingo, 21 de junho de 2026

O Mais Engraçado

O mais engraçado é que não

haja mais graça nenhuma

Nossos risos são choros disfarçados

enquanto somos registrados...


O homem é o mosquito do homem

Incomoda ou adoece

Mas também pode ser esmagado...


O mais engraçado é que todo dia

acontece mais um luto

Alguém nasce para o sofrimento

ou simplesmente morrerá...


O homem é o lobo do homem

Presa ou caçador

Mas sempre terá um final...


O mais engraçado é que a piada

pode dar outro efeito

Enquanto o palhaço ficou puto

e xingou toda a plateia...


O homem é o rato do homem

Dádiva ou armadilha

Tudo pode então acontecer...


O mais engraçado é que não

existe mais clown algum

Nossos risos são agora choro...

Palmas! Por, favor, palmas!

sábado, 20 de junho de 2026

Um Casal do Fim do Mundo (Miniconto)

I. e I. não se gostavam. Mas não conseguiam se  separar. O motivo? E hoje em dia se precisa de motivo? Estavam juntos e pronto... Ele nem gostava só de mulheres, mas acabaram ficando juntos. Vivem de quê? Ah, isso é meio complicado... Vivem do que conseguem: uma vez dado, outra vez pedido, outra vez pelo pouco que trabalham. Moram aonde? Uma vez aqui, outra vez ali, alugam um local bem pobrinho e ficam lá enquanto podem pagar ou enquanto não podem, até serem expulsos e parar na rede social onde é exposta sua sujeira. Limpos? Nem pensar! O tempo que gastariam com a higiene do lar é aproveitado para suas bebidas e suas drogas. Bendita seja a internet que ela consegue uns trocados com seus nudes! Agora está grávida, é a segunda vez. Na primeira perdeu o que era não dele, mas do gay que já faleceu que pagava alguma bebida. Talvez esse venha, talvez seja dele e seja mais um vivendo de forma irregular, mais um infeliz nesta grande lista... 

Poema Estilhaçado

Pois esse poema está estilhaçado, Acabou escapando da minha mão, Foi num momento mal calculado, Voou sem ter asas, caiu no chão... Quase não...