Mesmo quando meu coração pequeno e escuro parar de uma vez, cismado com tempo, cismado com o tempo...
E o tempo for malvado ao ser indiferente, não ligar pelos meus apelos inúteis de mais um pouco, mais um pouco, mais um pouco...
Mais um pouco de vida, deixe-me recupar das mortes que tive enquanto vivo, mesmo doendo, doendo, doendo...
E a dor é a mestra de todas as coisas, algumas boas, outras ruins, mas coisas que mesmo cegos, enxergamos, mesmo no escuro, no escuro, no escuro...
Anoiteceu em minha alma, noite grande, noite absoluta, noite eterna, sem a graça das estrelas, nem sequer os virilampos sobreviventes e nem sequer postes vadios...
Eu sou o mesmo vadio, percorrendo o mundo com pés e asas, procurando rosas de cores inexistentes para comprar aquele beijo que nunca dei, tardes escondidas de quase amor, quase amor, quase amor...
Mas se hei de viver o amor no desamor, pensando bem, quem sabe chegou a hora em que eu repita o pulo no abismo esquecendo de colocar minhas asas, ando muito esquecido, é a idade, a idade, a idade...
E nessa idade esse meu mundo não é mais meu, os que gostava, a maioria já foi embora e meu medo maior, é não poder mais os encontrar e até não descobrir que era ilusão, ilusão, ilusão...
Poderá ser uma ilusão, pensar que estou por aqui, mas faz muito, muito tempo mesmo que respirar seja mais pela força do hábito, talvez um zumbi que as carnes aindam continuam as mesmas, sem o coração...
Mesmo quando meu coração pequeno e escuro parar de uma vez, cismado com tempo, cismado com o tempo...
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