quarta-feira, 24 de junho de 2026

Ao Rei do Nada

Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

Dizem que veio do macaco, 

Mas não quer só banana;

Dizem que habitou as cavernas,

Mas agora quer uma cobertura;

Dizem que é o herói da trama,

Mas não passa de um vilão...


Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

Dizem que tem uma alma,

Mas a mata por qualquer moeda;

Dizem que é muito inteligente,

Mas foi ele quem inventou a guerra;

Dizem que ele sabe amar,

Mas faz do desamor sua companhia...


Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

Dizem que ele é totalmente livre,

Mas é escravo do seu próprio sistema;

Dizem que é sabio em suas decisões,

Mas faz da tolice sua vestimenta;

Dizem que é belo na aparência,

Mas traz as rugas da tristeza...


Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

Dizem que é muito corajoso,

Mas corre no primeiro tiro;

Dizem que tem plenas convicções,

Mas nem sabe qual o seu lado;

Dizem que possui respeito,

Acaba faltando todo e qualquer...


Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

Dizem que é muito sincero,

Mas seus segredos estão atrás das portas;

Dizem que é auto-suficiente,

Mas está sempre com fome;

Dizem que conhece a moral,

Mas tem cio o ano inteiro...


Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Teoria da Teoria


 Um copo cheio

Quase vazio,

Sou brasileiro

E americano,

Sou carioca

E quase mineiro.

Dou voltas sem sair do lugar,

Não preciso de asas e sei voar.


Eu amo tudo,

Não amo nada,

Acompanho a solidão

Por qualquer caminho.

Não tenho regras,

Essa é a regra.

Faço poemas em papel de pão.

Cadê o pão?

Já foi embora pela manhã.


Me irrito calmo,

Não sei mais nada,

Livre com minhas correntes.

Aqui tá frio,

No meio do fogo.

Ai quem me dera

Só mais uma quimera.

Vamos caprichar na mitologia.


Sem reticências.

Só interrogações 

E certamente pontos finais.

Tudo é procura,

Mesmo quando não é.

Ontem foi hoje,

Disso eu entendo feito louco.

Fico em silêncio,

Meus gritos acabaram de dormir.


Falo o que quero,

Foda-se a lógica.

Qualquer neologismo

É um filho que acaba de nascer,

Fora da maternidade.

Não escolho a bandeira

Que carrego

Mesmo em tempos idos.


Já chega disso,

Quero um cigarro

E se ele me matar será favor.

Sou um rio eletrônico

De cor mais indefinível.

Tudo é um bom dia.

Sou campeão de beijos

Mesmo faltando a boca

Para poder beijar.


Guarde pra você,

Os seus fracassos, suas vitórias,

Na gaveta da velha cômoda.

Chame logo esse Uber,

Preciso ir não sei aonde

Fazer não sei o quê

Só não sei quando.

Tudo é uma velha teoria.

Ruas de Miguel Couto (Miniconto)

Ruas de Miguel, de tempos idos, mortos ou matados. Quatro ou mais décadas, coisa que nem todos viveram, mastigaram, chicletes intermináveis. Cuja única perspectiva era o não existir, existindo só em fantasias. Passos sim, tecnologia não. Risos sem motivo alguma, mas risos. Quem te levou embora? Foi o vento ou foi o acaso mais que planejado? Quem te envelheceu? O tempo ou a maldade dos bons? Tantas covas ou agora nenhuma, nomes esquecidos ou lembrados de vez em quando. Adeus, até logo, até já. Aqui estou, continuo vivo... 

domingo, 21 de junho de 2026

O Mais Engraçado

O mais engraçado é que não

haja mais graça nenhuma

Nossos risos são choros disfarçados

enquanto somos registrados...


O homem é o mosquito do homem

Incomoda ou adoece

Mas também pode ser esmagado...


O mais engraçado é que todo dia

acontece mais um luto

Alguém nasce para o sofrimento

ou simplesmente morrerá...


O homem é o lobo do homem

Presa ou caçador

Mas sempre terá um final...


O mais engraçado é que a piada

pode dar outro efeito

Enquanto o palhaço ficou puto

e xingou toda a plateia...


O homem é o rato do homem

Dádiva ou armadilha

Tudo pode então acontecer...


O mais engraçado é que não

existe mais clown algum

Nossos risos são agora choro...

Palmas! Por, favor, palmas!

sábado, 20 de junho de 2026

Um Casal do Fim do Mundo (Miniconto)

I. e I. não se gostavam. Mas não conseguiam se  separar. O motivo? E hoje em dia se precisa de motivo? Estavam juntos e pronto... Ele nem gostava só de mulheres, mas acabaram ficando juntos. Vivem de quê? Ah, isso é meio complicado... Vivem do que conseguem: uma vez dado, outra vez pedido, outra vez pelo pouco que trabalham. Moram aonde? Uma vez aqui, outra vez ali, alugam um local bem pobrinho e ficam lá enquanto podem pagar ou enquanto não podem, até serem expulsos e parar na rede social onde é exposta sua sujeira. Limpos? Nem pensar! O tempo que gastariam com a higiene do lar é aproveitado para suas bebidas e suas drogas. Bendita seja a internet que ela consegue uns trocados com seus nudes! Agora está grávida, é a segunda vez. Na primeira perdeu o que era não dele, mas do gay que já faleceu que pagava alguma bebida. Talvez esse venha, talvez seja dele e seja mais um vivendo de forma irregular, mais um infeliz nesta grande lista... 

Os Copos

A vida é uma charge que pinga sangue.

Onde estiverem dois ou três em meu nome

Pode acreditar que eu já fui embora.

Manoel para onde foi dispensa sapatos.

Aves modernas desconhecem gorgeios

Por receio de virarem o prato do dia.

A vida é uma sinuca de bico de pato.

Hoje as laranjas são de azul-marinho

E os cabides sabem dançar um frevo.

Escondi o remédio sob minhas axilas.

Vamos para a lua fazer aquele protesto

Porque nos faltam margaridas puladoras.

Em Cuzco agora estão distribuindo cuscuz.

Só ficaremos pelados se todos vestidos

E com anéis de plástico destas caixinhas.

Tem quem tenha domínio sobre o dominó.

A solidão vem vindo num trem muito lotado

E ninguém lembra de ter comprado bilhete.

Todo motivo agora poderá ser dispensado.

Caiu um cisco bem grande no olho do furação

E até escorreu dele aquela singela lágrima.

Eis os copos no balcão sujos de cerveja...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Serenamente

Onde chego. Onde vou.

O caminho é meu mesmo desconhecendo

Onde eu irei chegar...


A chuva cai. Isso faz parte.

O choro e o riso são dois irmãos

Que brincam em meu rosto...


Onde está o jardim? Aqui ou ali?

Sei que as flores são teimosas

E que nunca param de nascer...


Eu tenho medo. E tenho tanto.

Mas até o medo tem medo

Quando o amor chega sorrindo...


O sonho é tudo. O sonho é nada.

Qualquer ferida acaba

E tudo há de fechar um dia...


O sono chega. O sono chegou.

Só não sei se dormirei

Com tanto barulho em meu peito...


Desculpe aí. Desculpe mesmo.

Prometo serenamente

Tentar não errar de novo...

Ao Rei do Nada

Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem... Dizem que veio do macaco,  Mas não quer só banana; Dizem que habitou as cavernas, Mas agora q...