quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Com Máscara

Em muitos lares milhares de tragédias gregas.

Em cada telefonema a preocupação ou a banalidade.

O fogo foi descoberto quase anteontem na esquina.

Só não mataram o cara porque não era a hora dele.

Você já contou quantas rugas tem na sua cara?

A satifação abre as pernas para qualquer mortal.

O que mais engana é o nome de todas as coisas.

Garantimos que nessa merda não há garantia alguma.

A certeza é a coisa mais incerta que inventaram.

Notou que tirar meleca do nariz virou mais um ritual?

Ficaremos embriagados quando não houver álcool.

Só nasce um filho-da-puta em cada minuto existente.

Estou precisando urgentemente de um novo par de asas.

A esperança é uma invenção nova que não resultou.

Em que ruínas estarão agora aqueles meus velhos sonhos?

Meus pulmões doem quando vejo antigas propagandas.

Tenho saudades de várias casas que não existem mais.

Junto coisas anormais para compor minha anormalidade.

No passado não distinguia entre as pedras e os metais.

Por que o óbvio nos incomoda de uma forma debochada?

A nossa imparcialidade está parcialmente machucada.

Ganhamos dores em uma promoção de belos presentes.

Qualquer faltalidade vem embrulhada em papel colorido.

Somos convidados para um balé e acabaram as nozes.

Em muitos lares milhares de traições iguais à Judas...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Sem Máscara

 


Ratos por todos os cantos da velha casa.

Procurando a comida que nem não existe.

Não escolhemos nem o nome para essa nossa infelicidade...

A coceira é o resto da dor que veio logo.

A cara da puta é a mais inocente que há.

Se atirar do alto da escada é a nossa maior brincadeira...

Todos nós somos os advogados do Diabo.

O perdão é aquilo que carregamos no bolso.

A morte é quem vence todas as disputas que temos por aí...

Tentar ser bom é o maior dos desperdícios.

A justiça é um cão que abana sempre a cauda.

Conhece-te a ti mesmo e assim verás quem é mais perigoso...

Temos entrada grátis para toda esta futilidade.

Ficando fora da geladeira acabou-se o sonho.

Toda a normalidade é um filme pornográfico não exibido...

A regra da sensatez é ser mais canalha que pode.

O rico e o pobre cagam do mesmo jeito sempre.

Só possuímos aquilo que iremos perder logo e sempre...

Água suja e água limpa: todas as duas são águas.

O tamanho da bunda é aquilo que decide o chute.

Milhões de borboletas estão procurando seus cadáveres...

Falar de boca fechada é sempre o que é melhor.

Cada mês apresenta suas desgraças com gosto.

Nem todas as coisas belas possuem a beleza exata...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 377 *

Nada está no seu lugar, o cantor cantou errado, certamente embriagado em seu piano. Quem quiser agradecer por isso, agradeça, eu não. Tento fechar meus olhos para um sol que apenas veio conferir se sofro, depois de uma noite medíocre como tantas outras que já vivi... 


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Não tenhamos medo, nunca. Abismos existem para serem superados. Mares bravios para serem navegados. Sombrios enigmas para serem desvendados. Amores traiçoeiros para serem amansados. Abraços ternos para serem dados. Caminhos longos para serem caminhados. Nunca tenhamos medo, não...


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Foi um monte de coisas que não fiz, não aprendi como fazer. Seria muito bom andar de bicicleta, mas se não consegui, contento-me com aquelas duas rodas que existem no céu - o sol e a lua. Seria ótimo saber jogar gude, mas se não aprendi, basta pelo menos dar certas jogadas e conseguir vencer alguma coisa nesse mundo de armadilhas. Ótimo deve ser fazer acrobacias com a pipa pelo ar, mas como não sei, uso as asas da imaginação e vou voar perto delas. Há,enfim, muitas outras coisas simples, que não aprendi e nunca irei aprender. Mas sonhar com elas, é muito fácil, muito fácil mesmo...


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Eu comeria... Cada pedacinho do sol até não sobrar mais nada... É tão bom... Não tem o gosto aguado de tristes dias de chuva que mais se parecem com choros... Seu açúcar me lembra alguns carnavais tão bons que já passaram... Ele convida pássaros e nuvens para comporem uma aquarela bem suave de cores bem claras... Os meninos podem sair de casa e fazerem do quintal um mundo tão divertido... Os amantes poderiam ir para as praças darem seus suspiros mais apaixonados tendo a visão dos olhos de suas amadas... Eu comeria... Cada pedacinho do sol até não sobrar mais nada...


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Tudo que passou, passou. A moda é um grande cemitério de corpos sepultados em absoluto silêncio como qualquer outro. Não tenhamos medo... Esses são mortos diferentes. Poderão nos trazer saudades olhando velhas fotografias ou ainda, simples lembranças repetinas. Nada mais nos resta, tudo é assim mesmo, passa e nem se despede...


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Certos perigos passamos e, como a maioria deles, só notamos quando é tarde demais. A queda do alto nos arremessa ao chão, o mergulho mal dado acaba nos afogando, a canção cantada fora do tom recebe vaias da plateia, a cor escolhida errada tira a beleza da obra, o sucesso mal  utilizado nos conduz ao fracasso. Mas mesmo assim continuaremos, errando ou não.


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Cada dia uma ilusão, um erro bonito bem açucarado. O luto com cores que atenuam a dor. Um conselho terno para seguirmos ao tombo sem quem nos levante. Cada dia uma farsa, valores opostos ao que deveria pelo menos ser. Enquanto isso a morte continua sua tarefa, mesmo quando forçada por abomináveis guerras...

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 376 *

Por que esperar o que não virá? A esperança é um dom ou um vício, depende de quem a tenha... Por que amar quem não nos ama? O amor tem dessas maldades, nos contentar e, ao mesmo tempo nos ferir... Por que sonharmos se amanhã acordaremos? Muitas vezes os pesadelos são aquilo que são, nem percebemos... Algumas vezes, mesmo sem nos darmos conta disso, o medo nos acompanha por todos os lugares...


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- Faz tempo que eu não choro...

- Secaram todas as lágrimas ou aprendeu a ser somente feliz?

- Aí que está, estou em dúvida...

- Já sofreu muito nesta vida ao ponto de se insensibilizar?

- Sou um cara normal. Quem nunca passou por isso?

Só sei de uma coisa: Faz tempo que eu não choro...


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Cada pedaço de mim segue adiante. Mesmo que não perceba, assim é. Não falo de pedaços do meu pobre corpo, ele terá a hora de sua consumação final. Também não me refiro aos pedaços de minha alma infeliz, os pedaços que vão, na verdade, não me fazem tanta falta assim. Falo de outra coisa, coisa que me fere ainda mais e mais, falo das lembranças de seres e de coisas que eu amei um dia. Seguiram adiante sem sequer um adeus...


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Se não puder se calar, fale o menos possível que conseguir. Das sombras que te seguem pela vida, trazendo o medo e a decepção. Da dor da derrota por tanta banalidade, somos feitos de pequenos contentamentos e de grandes decepções. Da maldade de todos os homens, somos alguns deles e também cometemos as nossas com o perdão já pronto. Tente sim, o máximo possível, mesmo que isso canse a tua voz, falar de coisas simples, as mais simples possíveis como o encanto de um jardim ou da brincadeira serena das nuvens lá em cima...


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Faz parte de nós mentirmos, dizermos que está tudo bem enquanto nada está. Encenarmos uma peça ou fazermos uma novela com um final feliz que não acontecerá. Dizermos que tudo é uma grande festa, mas o luto que cobre nossos dias. Na verdade, levamos toda nossa curta existência tentando aprender a mais difícil de todas as lições - a felicidade não nos pertence, mas podemos pegar os momentos felizes e guardá-los em nossos bolsos...


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Tudo acaba confundindo nosso juízo. Tudo o que acontece parece acontecer diante de um espelho. São duas faces parecidas, mas opostas. Aquilo que fazemos tem perdão, aquilo que nos fazem nunca será perdoado. A ferida que temos não será fechada, a que causamos deverá ter pronta cura. É por isso que somos humanos, os seres mais deploráveis desta tal de criação...


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Tenho certas manias, para que negar? Aprendi a dar socos em pedras, sou cheio da falsa esperança que uma hora elas quebrem... Aprendi geralmente a amar quem não me ame, isso faz parte de minha natureza que teima em me castigar por aquilo que nem fiz... Aprendi a esperar por certas estações que acabarão não vindo, nem sempre o sol quer nos obedecer... Aprendi a querer contar os dias, aflito para o próximo carnaval, ele poderá chegar atrasado ou se perder pelo caminho... Tenho certas manias, para que negar?

domingo, 16 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 375 *

Com açúcar, sem café,

Com perguntas, sem fé,

A vida é aquilo que é...


Com amor, sem razão,

Com canto, sem afinação,

Todo sonho é ilusão...



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Não quero falar dos que já foram. Nem das alegrias ou das tristezas que me deram. Todos já foram, simplesmente isso. Para onde? Isso eu não sei, isso ninguém sabe afinal. A morte é a última pergunta para ser respondida. Se alguém responder, não haverá quem ouça a resposta...


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A velhice não é uma tragédia, nunca foi. Tragédias acontecem com poucos. A velhice só acontece com quem acontece. Alguns novos vão na frente (isto é triste), mas fez parte do destino desses. Há muitos sóis esperando para vir e eu pretendo ainda ver alguns deles...


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Quem corria, agora está parado. O rebelde de ontem, tenta hoje ser o burguês. A beleza não dura para sempre, só a alma permanece. Quem gritava, hoje engole o silêncio. O rádio enguiçou, a música parou de tocar. Tudo se parece no fim...


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Mesmo ferindo minhas mãos, tentarei. Tentarei plantar flores para que o jardim não permaneça abandonado. Mesmo cansando meus pés, caminharei. Caminharei pela estrada que é minha até que não dê em nada. Isso é apenas um detalhe...


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Quando olho no espelho, choro. Às vezes tento evitar isso, não consigo. Todos nós temos um quê de masoquista. Isso é apenas natural. Quando olho para o dia, tenho medo. Nunca saberemos o que ele nos trará, alegrias ou tragédias. Nada no destino, depende diretamente de nós. Quando olho na noite, me dá mais medo ainda. Mas mesmo assim tento que ela me console, o sono venha logo...


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Se eu a amasse ou se ela me amasse, tudo seria tão diferente... Aconteceriam coisas que nunca aconteceram. Muitas rosas dariam no jardim que nunca plantamos, talvez alguns de nossos filhos correriam por entre as roseiras. Apesar de algum choro, haveriam mais risos do que os que realmente tivemos... Mas ela não me amou e nem eu a amei mais...

My Poetry I

Poesia barata... Afogada em uma multidão...

De um bissexualismo estético sem pedir perdão...

De uma cabeça louca sem ter nenhuma noção...


Carnaval fodido... Que foi embora saiu correndo...

De uma contagem de minutos que estará morrendo...

De um ódio surdo que só está assim crescendo...


Sim senhor meu capitão... Não tenha pena de eu não...

Cada milagre que existe vale bem menos que um pão...

Quanto mais tento ser honesto sou apenas ladrão...


Foi um show legal... Sem os pés fazendo sapateado...

Ou com tanta da roupa e só andando na rua pelado...

As coxinhas na vitrine e os olhos da fome do tarado...


Cerveja está choca... Que porra acaba sendo maldição...

Os meus osssos acabam sendo tal os ossos do barão...

Pegou fogo na noite ou pegou foi nesse nosso balão...


Metrificar?... Essa porra é pra aquele que isso sabe...

Vamos subir no alto do prédio rezando pra que desabe...

Vamos pular dentro da fogueira antes que ela acabe...


São muitas pulgas... Mas apenas o pobre de um cão...

O rico também é um miserável que morre de inanição...

Só dançaremos xaxado viajando num belo de um avião...


Poesia barata... Eu sozinho em uma multidão...

De um neocanibalismo estético sem pedir perdão...

De uma cabeça louca sem ter nenhuma estação...

Poema Em Extinção


O poema é bicho em extinção...


Os caçadores malvados chegaram

Mesmo fora da temporada de caça

Com suas armas de canos reluzentes

E seus dólares em contas milionárias

Para poder matá-lo...


O poema é bicho em extinção...


A mídia veio com seu sorriso amarelo

Transformá-lo num monstro tentacular

Provido de uma mais falsa empatia

Para engolir todas as suas vítimas

Sem nem colocar sal...


O poema é bicho em extinção...


Faremos milhares de poetas medíocres

Dentro de uma cultura(?) nanica e suja

Apenas para isso bastanto um celular

Algum crédito e uma rede social maligna

Para o bem do capitalismo...


O poema é bicho em extinção...


Os clássicos agora estão aposentados

Os modernistas já viraram caretas

Os românticos perderam seu açúcar

E os rebeldes de preocupam com o pix

A poesia se enterrou viva...


O poema é bicho em extinção...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Com Máscara

Em muitos lares milhares de tragédias gregas. Em cada telefonema a preocupação ou a banalidade. O fogo foi descoberto quase anteontem na esq...