quarta-feira, 8 de abril de 2026

Insetos ou Nadas

Grandes senhores da guerra

Já perceberam que a fila da morte anda?


Menos que um cão

Menos que um garo

Menos que um rato

Ou uma barata

Pensamos que pensamos e nem pensamos...


Absolutos donos do capital

Existe alguma mortalha que tenha bolso?


Menos que um milhão

Menos que mil

Menos que cem

Ou uma simples moeda

Achamos que é nosso aquilo que não é...


Proprietários de castelos

Não são as mesmas as necessidades fisiológicas?


Menos que o rei

Menos que a rainha

Menos que o bispo

Nem sempre até o peão

Pensamos que a nossa vontade prevalece e não...


Os insetos caminham sem nossas correntes

Mesmo que depois sejam devorados por outros...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 3 de abril de 2026

É Melhor Não Enxergar Do Que Ser Cego

 

Flamingos sonoros. Paper arisco.

Maria Balalaica acaba de sorrir.

Jogaremos dados com nossos pés.

Uma tranquila calma luciferiana.

Ela só se veste com a sua nudez.

Gases sólidos. Brinquedos aéreos.

Tudo que aconteceu foi já ontem.

Estou sentido com meus sentidos.

O jardim não produz mais bicicletas.

Aranhas em telas. Lusas eminências.

Ferimentos invisíveis. Balões fatais.

Moedas de troco. Orgias de ogivas.

Ele possui cáries tão sorridentes.

Foi apenas mais um destes splishs.

Muretas caladas. São Paulo vazio.

Mudem a muda. Atanília guerreou.

Abóboras e melancias falam tudo.

O nosso futurismo é coisa do passado.

Meu riso é sério. Minha mudez grita.

Estalo de dedos. Sopro de vela.

Faltam as violas. A violência sobra.

Dói esse meu calo. Quase sempre.

Sombra boxeadora. Anis estalado.

A costela nunca precisou de Adão.

Toda moeda é apenas claro enigma.

Lido e relido. Visto e não-visto.

Nada muda até que haja a mudança.

Lindos pés. Argumentos infalíveis.

Circo fechado. Clowns claudicantes.

Até certos espirros são afinados.

E pedras delicados travesseiros.

É melhor não enxergar do que ser cego...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 30 de março de 2026

Eu Estarei Lá (Obscuridade Brilhante)

Quando tantos idos não forem mais idos

E as músicas sem propósito pararem de tocar

Quando as respostas pararem seus sentidos

E todas as estrelas pararem o seu brilhar

E os espelhos tiverem todos já partidos

Eu estarei lá! Eu estarei lá! Eu estarei lá...


Quando os versos forem todos então lidos

E a plateia para aplaudir então se levantar

E houverem beijos públicos e até escondidos

Como os que ela nunca quis antes me dar

Quando cessarem esses ruídos nos ouvidos

Eu estarei lá! Eu estarei lá! Eu estarei lá...


Quando meus ossos mesmo se carcomidos

Alguma lembrança ainda poderem te dar

E alguns lances que foram mais divertidos

Vierem em nossa mente para poder brincar

Não chore por eu ter então apenas morrido

Eu estarei lá! Eu estarei lá! Eu estarei lá...


(Extraído do livro "Leonardo e O Chão" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Fundo Musical

Sem partituras

Apenas ruídos impactantes

E o primeiro pássaro do dia

Cantando do lado de fora.

Tudo estará azul

Até os lilases conflitantes

Que vão acompanhar

Tantos réquiens sem tino.

Eu engulo tudo

A minha saliva amarga

E todos estes versos

Que afinal nunca fiz.

Nenhuma pergunta

Todas as afirmações

Com dúvidas

Que existem sempre.

Um dia serei raiz

De uma pobre planta

Que nasceu por aí

E também morrerá.

Eis um menino na calçada

Tocando seu instrumento

Enquanto seu cãozito

Agradecia as moedas...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 28 de março de 2026

Pois Eu Sou O Filho

Pois eu sou o filho do passado

Que só acontecerá hoje...

Mastigo alguns cacos de vidro

Com a veemência de quem

Tatuou a fome em sua pele...

Ela era tão linda antes das rugas...

Agora o jornal amarelou de vez...

De que me adiantam as chaves

Se não existem mais portas?

Vou comprar uma corrente na esquina e já volto...

Permite-me uma observação?

Nunca guarde sorrisos para depois...

A fumaça nunca se prende em garrafas...

Por que os cães vivem tão pouco?

Isso é lógico! Não precisa nem perguntar...

Por que somos tão miseráveis?

Isso é basico! Qualquer resposta é excesso...

Esse barulho silencioso

Acaba ferindo meus pobres ouvidos...

Só roubarei beijos se forem emprestados...

Qualquer hora dessas voarei sem asas...

Ou será melhor usar pelo menos um par?

Todas as frutas acabam gostando do chão...

Ali em frente ao mar

Existem mesas de cimento gastas

Para o nosso maior desconsolo...

Só os que puderam envelhecer

É que pagaram o preço da vida...

Eu aceno distraidamente 

Como quem pede notícias vãs...

Acordei quase agora

Do sono profundo que não tive!

Masco chicletes imaginários

Que quase não me fazem falta...

Cada minuto é uma lâmpada queimada...

Estamos festejando o fim do mundo

Já faz é muito tempo!

Quer me conhecer realmente?

Me dê de presente outro terninho azul...

Ou aquele cocar de tantos carnavais...

Pois eu sou o filho do passado

Que só acontecerá hoje...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 27 de março de 2026

Babilônialá

A lua correu nua pela rua...

Loucura geral,

Guerra de quintal,

Enterro no carnaval...


O passo foi o embaraço do espaço...

Caiu sentado,

Correu deitado,

Morreu à nado...


Com nome passou fome sem sobrenome...

Quase tudo,

Quase mudo,

Não me iludo...


Nunca mais tentar ter paz será demais...

Muita maldade,

Quase saudade,

Pouca verdade...


A lua correu nua pela rua...

Procura geral,

Folia de quintal,

Erro no carnaval...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de  autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 25 de março de 2026

Babilôniali

Minha cabeça não está confusa,

É a minha alma que agora está...

Por que a vida dá gritos chamando

Se a morte nos levará qualquer dia?

Esta nossa conta nunca acerta,

Mesmo quando aprendemos...

Por que há tanta comida por aí

E são tão poucos os que comem?

Meu sono nunca se faz tranquilo,

É povoado de banais pesadelos...

Que destino é esse que nos maltrata

Se nem ao menos pudemos escolher?

Minhas feridas nunca irão fechar,

As cicatrizes são como lembranças...

Mas quem foi que apagou essa luz

Se nós ainda permanecemos na sala?

O sofrimento é uma piada sem graça

Que faz até os palhaços chorarem...

Que teoria louca poderá nos explicar

Exatamente o que não tem explicação?

Todos os carros agora passam apressados

Como se o tempo se importasse com isso...

Nesses dias de hoje não enxergam mais

Que certas pressas só causam desastres?

Minha cabeça não está confusa,

É a minha alma que agora está...

Por que a vida dá gritos chamando

Se a morte nos levará qualquer dia?...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Insetos ou Nadas

Grandes senhores da guerra Já perceberam que a fila da morte anda? Menos que um cão Menos que um garo Menos que um rato Ou uma barata Pensam...