Blog do Carlinhos
Perdido como hão de ser os pássaros na noite, eternos incógnitas... Quem sou eu? Eu sou aquele que te espreita em cada passo, em cada esquina, em cada lance, com olhos cheios de aflição... Não que eu não ria, rio e muito dos homens e suas fraquezas, suas desilusões contadas uma à uma... Leia-me e se conforma, sou a poesia...
sábado, 20 de junho de 2026
Um Casal do Fim do Mundo (Miniconto)
Os Copos
A vida é uma charge que pinga sangue.
Onde estiverem dois ou três em meu nome
Pode acreditar que eu já fui embora.
Manoel para onde foi dispensa sapatos.
Aves modernas desconhecem gorgeios
Por receio de virarem o prato do dia.
A vida é uma sinuca de bico de pato.
Hoje as laranjas são de azul-marinho
E os cabides sabem dançar um frevo.
Escondi o remédio sob minhas axilas.
Vamos para a lua fazer aquele protesto
Porque nos faltam margaridas puladoras.
Em Cuzco agora estão distribuindo cuscuz.
Só ficaremos pelados se todos vestidos
E com anéis de plástico destas caixinhas.
Tem quem tenha domínio sobre o dominó.
A solidão vem vindo num trem muito lotado
E ninguém lembra de ter comprado bilhete.
Todo motivo agora poderá ser dispensado.
Caiu um cisco bem grande no olho do furação
E até escorreu dele aquela singela lágrima.
Eis os copos no balcão sujos de cerveja...
(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).
quarta-feira, 17 de junho de 2026
Serenamente
Onde chego. Onde vou.
O caminho é meu mesmo desconhecendo
Onde eu irei chegar...
A chuva cai. Isso faz parte.
O choro e o riso são dois irmãos
Que brincam em meu rosto...
Onde está o jardim? Aqui ou ali?
Sei que as flores são teimosas
E que nunca param de nascer...
Eu tenho medo. E tenho tanto.
Mas até o medo tem medo
Quando o amor chega sorrindo...
O sonho é tudo. O sonho é nada.
Qualquer ferida acaba
E tudo há de fechar um dia...
O sono chega. O sono chegou.
Só não sei se dormirei
Com tanto barulho em meu peito...
Desculpe aí. Desculpe mesmo.
Prometo serenamente
Tentar não errar de novo...
terça-feira, 16 de junho de 2026
O Que Eu Não Comi Hoje Deixei Para Comer Ontem
Espadas e escudos vendidos na sucata
Versões em inglês de velhos hits lusitanos
Onde andaremos agora sem nossos pés?
Necrofagia deletada do nosso cardápio
Nada mais que o nada mesmo se apresenta
Posso colecionar imagens de mim mesmo?
Toda flexão verbal é um dilema estonteante
Todo nome proferido é um novo despertar
Onde estava a cárie que salvou o dente?
Minha memória se amasiou com a amnésia
Beber no gargalo pode ser uma maratona
Minha liberdade agora usa de correntes?
Biscoitos sabor bacon são tal uma heresia
O menino na verdade sempre foi um velho
O destino é um novo palavrão no vocabulário?
Travestis lutando na segunda guerra mundial
Jogamos boliches com novas bolas de cristal
O prato preferido da distância é a tortura?
Meu borderline apareceu ontem na televisão
É um novo golpe publicitário ser tão sincero
Posso agora queimar o ultrapassado bigode?
Ganhei uma lanterna de presente no natal
Só rezo de joelhos se for por cima das brasas
Quem garante que esse vinho é mais barato?
Eva e Lilith foram passear pelo shopping
Todo burguês acaba detestando o dinheiro
Qualquer dia vou na Bahia por apenas um dia?
Todo elogio acaba sendo como uma ofensa
Na fila dos míopes acho que fui o primeiro
Por que o açúcar está com preço tão salgado?
Vamos brincar de disparar mísseis atômicos
A indecifrável ladyboy masca apenas pedras
Estará na hora de que a hora será a hora?...
(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).
sábado, 13 de junho de 2026
Panis Et Panis
Se não tem pão, roam ossos
Se não tem razão, são nossos...
Viver é estar numa arena,
Viver é estar quase morrendo,
Com a alma tão pequena,
Com cada dia escurecendo...
Se não tem pão, façam jejum
Se é sem explicação, seja comum...
Viver é não resolver um problema,
Viver é estar sempre correndo,
Entrar de gaiato no esquema,
É sem preço estar se vendendo...
Se não tem pão, vá no que resta,
Se não é o fim, faça uma festa...
Viver não é escrever um poema,
Viver é não ver o que está vendo,
Viver é tentar comprovar um teorema
Com um cálculo que está batendo...
Se não tem pão, roam ossos,
Se não tem razão, são nossos...
(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).
quinta-feira, 11 de junho de 2026
Diálogo de Porra Nenhuma III
- Qui qui qui quá quá quá,
Hoje tem peixe podre pra mode a gente lanchá! -
Gritava Serapião Perna-de-Formiga
Enquanto tirava a mais nova meleca das fuças...
- Quá quá quá qui qui qui,
Misturei um monte de areia no meu açaí! -
Respondeu João Luxo do Lixo
Cheirando um par de meias que achou na rua...
E aí começou a conversa:
- Fala aí, boca de lata! -
Gritou Serapião arrancando um cílio -
Quando que tu vai morrer disgramado?
- Quando o corisco dar um nó! -
Respondeu o outro tranquilamente
Enquanto comia uma farinha com pinga.
- E que mais, seu zóio de corno?
- Que mais o que seu seca-peste?
- Sei lá mais o que, seu bunda rachada...
- Ah, tá, agora entendi memória de leitão...
É assim mesmo esse mundo:
Um dia rasga a calça, noutro caga nela...
- Acertou no sol da lua!...
- Arrodeado de pudim quase seco...
- Vamo lá na birosca do Brecola?
Pra dar um peido e pedir esmola?...
- Ih, hoje não vai dar...
Tem meia dúzia de putrunco pra morrer...
- Ah, coisa boa! Boa demais!
Melhor que isso só pancada no coco
Com uma sexta-feira bem pesada...
- E tu tem visto o Índio?
- Que Índio?
- Aquele que mora na rua de trás
E que fuma maconha até pelo zóio...
- Nunca mais, desde ontem...
- Pois isso é deveras preocupante...
- Preocupante por que?
- Porque quem não aparece merece
Dois dedos de cana e uma prece...
- Pois que se foda!
- Fale esse não, cara de mamão...
- Pois eu falo e repito, cu de mosquito!
Meu nome é Name, entendeu? Name!
- Quase entendi, quase que não...
- Isso então, seu praga de madrinha...
- E você? Pesadelo de Satanás...
- Pois que tomara que tomara,
Gozaram na tua cara...
- Ontem nasceram e bateram as botas.
- Esticaram o pernil também.
- E não é que é, juro pelo Zé Mané!
- Pois bem, a conversa tá boa, mas vou-me...
- Pois então, seu fulaca de banda, vai que lá...
- Até o próximo milênio vindouro...
- Até dente-de-pedra choca...
E acabou a conversa...
(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Um Dia A Terra Explode
Qualquer dia desses, qualquer dia desses,
A terra acaba se explodindo por inteira
Enquanto os tiranos comem empadinhas...
O noia sem querer bebeu água e morreu...
Há muita diferença entre toda indiferença
E Pascoal comeu acabou com a lata de feijão
Enquanto tomava sua cerveja pelo nariz...
O elefante está usando seu cabelo asa-delta...
Pois a apresentadora de programa infantil
Teve sua moderna crise pela milésima vez
E se masturbou com os seus dedos dos pés...
Tomarei mais um conhaque logo que dormir...
A maior fama que um desconhecido pode ter
É o mais belo chute no cu e uma porrada
Em que possam voar todos os dentes da boca...
Os gatos entraram em greve e são vegetarianos...
Hoje teremos pro almoço angu com angu
E aquele delicioso molho feito só de angu
Para todos aqueles que odeiam comer angu...
A lei do silêncio começou a gritar de madrugada...
Aquela roupa que eu sonhava em comprar
Toda suja e toda rasgada está em liquidação
Na exposição internacional de sapos empalhados...
Hoje em dia a nudez tem medo de ter uma gripe...
Qualquer dia desses, qualquer dia desses,
A terra acaba se explodindo por inteira
Enquanto os tiranos comem empadinhas...
(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).
Um Casal do Fim do Mundo (Miniconto)
I. e I. não se gostavam. Mas não conseguiam se separar. O motivo? E hoje em dia se precisa de motivo? Estavam juntos e pronto... Ele nem go...
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Imersos no tempo Queremos ser o que não somos... Rindo de qualquer piada Para que o coração não esmoreça... Amando todo o perigo Para nossa ...
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É que nem um rio dentro de um envelope Que hoje o carteiro não trouxe nem ontem... Quase um enigma sem segredo existente Que qualquer bêbad...
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Tão p erto demais das tormentas Destes ventos, destes temporais, Das guerras, das coisas violentas, Espero em vão outros carnavais Me...





