segunda-feira, 27 de julho de 2026

Apenas Janela


Apenas um triste quadrilátero na parede

Onde alguma luminosidade invade

Mais um quarto desse velho solitário

Olhem! O sol vem chegando aos poucos

Mas não promete se alegria virá também...


Vejam! O tempo corre em sombras

E suas novidades só chegam escondidas...


Sons múltiplos chegam da rua

Por mais extraordinários que aparentem ser

São apenas mais alguns sons banais

E enquantos os veículos passam metálicos

Cada um anda para o seu próprio final...


Não! Eu sou apenas mais um vão sobrevivente

Que dança sem saber quais os seus passos...


Escondo todos os meus males de mim mesmo

Com a avareza típica dos desesperados

Enquanto alguns pássaros estão indiferentes

Mas servem para enfeitar o ar que está em torno

E os insetos vão cumprindo suas tarefas...


Ondas vêm vindo! Os barcos nem se importam

Eles sabem seu destino e nunca saberemos os nossos...


Apenas um triste quadrilátero na parede

Onde alguma treva mais tarde chegará

Mais um quarto desse velho solitário

Olhem! As estrelas vêm me dar boa-noite

Mas não esperam se eu irei responder...

Alguns Poemetos Sem Nome N° 367 *

 

Acabei de inventar agorinha mesmo:

Não é nenhum poemeto, é um poemico...

Algo tão pequeno que caiba na mão

E ao mesmo tempo maior que o espaço,

Mais velho que o próprio tempo...

Quantos versos ele tem? Sei lá...

Poetas não sabem quase nada, 

Apenas sabem sentir e sentir,

As palavras é que mandam sempre...


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Sinto falta, muita falta sim,

De velhos rostos que foram embora...

E dos amores que nunca tive?

Partiram e deixaram espinho em mim...

Tudo é o que é, simples nuvens,

Daquelas que acabaram caindo...

Sinto falta, muita falta sim,

Do velho menino que fui e sorria...


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Meus pés acabam fraquejando,

Eu sei que a culpa não é deles,

Foi esse malvado tempo viciado em andar...

Qualquer dia eu caio de vez,

Não conseguirei me levantar mais...

Nesse dia eu pego minhas asas de volta...


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Cantar é um nobre ofício,

Tocar um instrumento também,

Dançar é algo divino, eu sei...

Mas escutar é mais, muito mais...

Escutar com os olhos

Para que a alma possa entender...


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Aprofundei-me na arte de ser teimoso.

Pretendo viver cada segundo meu.

Se bom ou mal, isto é outra história.

Calado ou berrando, isto tanto faz.

Na escuridão ou no meio do fogo, simples opção.

Talvez até fique contando lendas antigas.

Carrego apenas uma verdade comigo:

Eu ainda amo a menina bonita que era...


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Meu pior inimigo? Eu mesmo...

Meu pior desacerto? Respirar...


Aquele amor que nunca existiu

Me trouxe medos imaginários

Que um dia hão de me matar...


Aquele choro que escutei

Mesmo sem barulho algum

Hão de me deixar doente de vez...


Meu maior erro? Essa estética louca...

Meu pior veneno? A esperança teimosa...


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Pelas manhãs,

Quase nunca as de setembro,

Mas as manhãs,

Faço perguntas 

Sem querer as respostas...

Ora, a curiosidade

Não tem tamanho,

Mas o gato permanece vivo...

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Avis Rara XXXIII (Exército de Memórias)

Una explosão de estrelas...

É o que temos, não mais...

Eu me firo pelas vinte e cinco horas do dia...

Todos vestimos uniformes...

Assistimos comerciais, sinhô...

Acordar em ereção sem saber no meio da noite...

Todos os desenhos sumiram...

Faço perguntas mais óbvias...

As paredes dos banheiros são os reais painéis...

Minhas mãos agora tremem...

Sua quase submissão agrada...

A louça espera com calma ser lavada na pia...

Os patos andam na sua dança...

Não vi mais agulhas sem ponta...

É tudo aquilo que deveria ter feito e não fiz...

O velho maluco chegou agora...

O velho safado ainda é beberrão...

A poesia me faz carícias que nunca terminam...

O meu primeiro boné desapareceu...

Aquele terninho tão lindo também...

O meu medo obsessivo de escadas ainda continua...

Não escuto o galo como antes...

Até as cigarras sumiram daqui...

Cada passo era para subir o morro inúmeros vezes...

Um segundo apenas para que mude...

O tempo é que sabe despetalar a rosa...

Nesse teatro só existem atores que são amadores...

As marionetes também existem...

E até as sombras sabem caminhar...

Quase tive um amor, isso foi quase ontem agora...

Acabou aquele nosso estoque...

Há várias formas de ensinar...

Mas já aprender é um tanto mais que difícil...

Estamos cada dia mais desacertando...

E nem contamos esses nossos erros...

Apenas temos em nós um exército de memórias...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Avis Rara XXXII (Dissonância Cognitiva)

O perfume que a Crystal usava em outros times

Mesmo quando cheirando à cloro bem forte...

Qualquer coqueleteira fica mais chique

E um rabo-de-arraia acaba enfeitando...

Ele come aquele sushi de garfo-e-faca...

Palito meus dentes nesta jazz-band...

Os seus olhos são do tamanho certo

Para desespero de alguns fregueses...

As penas do pavão caíram todas...

Eu sou apenas mais um feiticeiro

Que tecla com algum desses vapores...

Tudo é a mais pura das ficções...

Ela vai se casar no próximo século...

O coelho faz a barba com vegetais

Enquanto as maçãs gritam nos leilões...

A casa é minha enquanto ela for...

Estudos cínicos estão na nova moda...

Quero ficar nu em cadeia nacional

E acender velas nas palmas das mãos...

Qualquer complexo é meio complicado

Assim como sanduíche de pão com pão...

Por ironia do destino não há destino...

Cobras e lagartas são o nosso menu de hoje...

Nosso garden queimou era bem de tarde

E lá na vila os jovens brincavam na fogueira...

Metais e tatus se combinam muito bem...

A pimenta do cantor agora não arde mais...

Servirão doses de capilé no Mac Ronald's...

A porrada sempre come no baile do pier

E não faltam aplausos para tal façanha...

Prefiro botas de cano longo do que sem canos...

Viver muito é quase o oposto de viver pouco...

Aquela psicografia acabou numa boa pizza

Só que faltou um bom bife para seu término...

Meu celular reclamou seus direitos autorais...

Não sei se em cabelos castanhos dão castanhas

Mas a cabeça dele vive no meio de minhas pernas...

Meu karma é dançar maxixe em um trem cheio

Gritando as novas de um mais falso evangelho...

A largatixa nunca mais irá me largar de vez

Enquanto meus sustos forem os mais prementes...

Eu ranco sangue dos meus toda vez que choro

E dona Geny faz bolinhos com seu trigo velho...

O importante é que se tenha alguma importância

Mesmo sendo proprietário de biscoitos velhos...

Toda a imoralidade do mundo cabe em um olhar...

Um aquário sem água é mesmo assim aquário

Mas um deserto sem seca não é mais deserto...

O perfume que a Crystal usava em outros times

Mesmo quando cheirando à  cloro bem forte...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades de autoria de Carlinhos de Almeida). 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Roupa Rasgada

Bebendo café sem açúcar

Fumando cigarros caseiros

Olhando o dia que se mata

Toda surpresa nos assusta...

Esqueci a senha...

Perdi meu lugar na fila...

Comendo o pão sem Diabo

Mosquitos chatos voando

Toda fantasia vale algo

Mesmo que não saiba o que...

Sem ter razão...

Rindo e chorando sempre...

Queimei minha pobre pele

Aquela febre aumentou

Deve ser um novo vírus

Que agora é a nova onda...

Desfile sem público...

Águas de março em abril...

Imitando alguma carpideira

Com um nome bem estranho

Apenas de uma vogal apenas

Hoje há festa no cemitério...

Todos vão na padaria...

Discutir questões filosóficas...

Meia hora é bem mais de trinta

Todos sabem disso e nem sabem

Passamos com um prato na mão

Enquanto nos jogam as moedas...

Somos amigos sem ter fé...

Há um cheiro de cadilac pelo ar...

Ele tem várias funções e nenhuma

Mesmo quando de nada sabemos

E o que interessa é não interessar

Espadas pelo ar em trêmulas mãos...

Gotículas de água no ar...

Resoluções como se soluços...

Na sombra do dia amparei choros

Pequenos poemas sem ter forma

Meu pobre estômago é um vazio

Um novo idioma está inventado...

Essa roupa está rasgada...

E a linha toda está acabada...

Not Paradise

Agora teremos relógios atômicos desnecessários

Pois a precisão caiu no chão feito um balão

E aquele doidivanas gritava com todas as letras...

À ferro e à fogo... À ferro e à fogo...


Os anjos servem café em bordéis suecos em Milão

Pois a exaustão veio na mão junto ao tufão

E o cara se atirou do andar térreo para as Marianas...

Conhaque de mel... Conhaque de mel...


A marcha continua porque pelos dias há miseráveis

Pois um pão vale um milhão para a multidão

E a nudez dela é mais moralista do que um hábito...

Churrasco grego... Churrasco grego...


A alma é a propaganda de qualquer um negócio

Pois a escuridão cessa a visão desta estação

E os mísseis se parecem com modernos brinquedos..

Tiroteio na favela... Tiroteio na favela...


Um sol virá cansado, mas mesmo assim vai vir

O destino diz não, mas a razão faz questão

Que as palavras sejam que nem certas fagulhas...

Not paradise... Not paradise...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 18 de julho de 2026

Fraqueza de Cada Um de Nós


Coisas comuns é o que nos cercam,

Gostaria de tomar um café, mas não há...

Geralmente eu perambulo pelos dias frios

E nem consigo divisar onde está o sol...

Algum bacurau deve ter passado por aqui

Aproveitando que as férias já chegaram...


Dúvidas atrozes acabam corroendo,

Bem mais do que estes grandes enigmas...

Saboreio cada palavra que pode haver,

Mesmo quando neste céu sem ter boca...

Quero apenas mais um pouco do tempo,

Até quando minha urbanidade assim nega...


Às vezes me sinto um desenho animado antigo,

Um daqueles decalques colados na geladeira...

Fui testemunha ocular de certas festas mortas,

Andava na roda-gigante dos parques na praia...

Quem me dera que encontrasse as minhas asas,

Mas ainda existem muitos abismos por aí...


De cada quatro ações, cinco estão mais erradas,

Só as pedras sabem contar direito suas histórias...

No meio desta matilha, eu me sinto mais seguro,

Principalmente quando uivamos pelas imensidões...

Não repare, por favor, esta minha roupa rasgada,

O choro é mais ainda, mas este é obrigatório...


Vamos caçar mais alguns ventos mesmo que distantes,

As ondas do mar, também serão muito bem vindas...

O cara caiu no meio da multidão que ia protestando,

Mas tudo não passou de mais que um mero detalhe...

Um simples estalar de dedos, um passe de mágica,

Toda a história vai ser recontada com um final feliz...

Apenas Janela

Apenas um triste quadrilátero na parede Onde alguma luminosidade invade Mais um quarto desse velho solitário Olhem! O sol vem chegando aos p...