quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Dolo de Tolo


 

Mesmo quando meu coração pequeno e escuro parar de uma vez, cismado com tempo, cismado com o tempo...

E o tempo for malvado ao ser indiferente, não ligar pelos meus apelos inúteis de mais um pouco, mais um pouco, mais um pouco...

Mais um pouco de vida, deixe-me recupar das mortes que tive enquanto vivo, mesmo doendo, doendo, doendo...

E a dor é a mestra de todas as coisas, algumas boas, outras ruins, mas coisas que mesmo cegos, enxergamos, mesmo no escuro, no escuro, no escuro...

Anoiteceu em minha alma, noite grande, noite absoluta, noite eterna, sem a graça das estrelas, nem sequer os virilampos sobreviventes e nem sequer postes vadios...

Eu sou o mesmo vadio, percorrendo o mundo com pés e asas, procurando rosas de cores inexistentes para comprar aquele beijo que nunca dei, tardes escondidas de quase amor, quase amor, quase amor...

Mas se hei de viver o amor no desamor, pensando bem, quem sabe chegou a hora em que eu repita o pulo no abismo esquecendo de colocar minhas asas, ando muito esquecido, é a idade, a idade, a idade...

E nessa idade esse meu mundo não é mais meu, os que gostava, a maioria já foi embora e meu medo maior, é não poder mais os encontrar e até não descobrir que era ilusão, ilusão, ilusão...

Poderá ser uma ilusão, pensar que estou por aqui, mas faz muito, muito tempo mesmo que respirar seja mais pela força do hábito, talvez um zumbi que as carnes aindam continuam as mesmas, sem o coração...

Mesmo quando meu coração pequeno e escuro parar de uma vez, cismado com tempo, cismado com o tempo...

***

Tem Certeza Jacuíba?

Vamos dar champanhe aos macacos e cerveja aos flamingos.

Nesse mistério explícito ainda temos alguns tabus. Se meus travesseiros falassem, ainda assim, ficariam de boca calada. Preciso urgentemente dos meus venenos.

Nas praças públicas teremos crimes passionais e mandingas.

Hoje de manhã, a manhã ainda pensava que era noite. Até os galos usam cachecóis em seus poleiros anatômicos, com toda a certeza. A puta recobrou sua inocência.

A lâmpada do gênio queimou e por isso ele quer outra de led.

Em todos os obtuários existem somente os que não respiram. Vamos ter medo de antigas histórias dos gibis de terror. Tudo acaba passando mesmo sem os velhos ferros que usaram muito.

São muitas batalhas efetuadas e nenhuma delas com razão.

Não tenho mais nada nesse mundo, não sei se isso é certo ou é errado. Até gregos e mundanos tomam seus sorvetes com ar meio indiferente. Eram tantas as cachaças servidas em taças de cristal.

Não queremos mais novidades se está tudo tão velho.

Tocar pandeiro é para os fracos, quero tocar na parte mais alta do Everest. Se tudo der certo, pregaremos o oposto daquilo que foi um dia. Mas com a mesma máscara de santidade de antes.

Tudo é permitido e até o que é proibido cai no samba.

Se fizer fumaça já está bom, já diziam os que andavam de tapete voador. Nem todos os ratos querem queijo. Alguns até preferem a maçã da Branca de Neve.

Entrei na fila da vida e era para pedir algum socorro.

Deste meu pântano não escutei mais notícia do mundo externo, nem sem ou com alguns etceteras. Queremos alguns carinhos feitos de espinhos. Nosso luto é rosa como todos os mamões do pomar.

Há algumas chuvas que são opostas e as gotas sobem.

Meu impotente tesão precisa de umas histórias para dormir, mesmo que seja em cobertas de macarrão. E sou resultado de uma conta que deu errado. E duma genética que estava delirando no dia da minha concepção.

Vamos dar champanhe aos macacos e marafo aos flamingos...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Barro Sintético Em Caixas Coloridas de Um Fino Anis Cercado de Religiosidade

Minha IA tirou seu time de campo faz tempo

Mastigo pétalas de rosa como se fosse pedra

Respiro o ar sujo e quente de manhãs noturnas

O que será que será que não foi e não será?


Sujo minhas mãos sem água para lavá-las

Falo por enigmas para serem descobertos

A minha única pressa é de ter alguma pressa

Por que o cachimbo entorta a boca e não o ar?


Minhas veias um dia acabarão perdendo a pressa

Vou andar sobre as águas atravessando todo mar

Tudo não passa de uma ficção científica caipira

Aceitam aí mais um quadro de porcelana de água?


O rato roeu a roupa do nosso presidente da república

Afinal era a final de jogos de buraco dentro do vulcão

Caprichamos na nossa mais célebre idiotice tão vã

Os camarões agora usarão suas cobertas de pastel?


Comida caseira só a que é fabricada em série agora

Minha antipatia tem seus motivos feitos de exatidão

Toda vez que vou espirrar antes tenho que pedir licença

Um dia irão finalmente descobrir a cura para o nada?


Incrivelmente todos os mortos um dia assim morreram

Preciso urgentemente de uma cama feita só de vidro

E aquele sabão caseiro feito por fadas todas estrábicas

Posso beber este garrafão de vinho só comigo mesmo?


O papa bebeu um fino licor de anis até cair durinho...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Licores Subversivos

Cada pão é um não

Cada vão é um tão...


Eu não sou aparentado

Do cavalheiro ao lado

De rima mais enganosa

Nem da cachaça de rosa

Vendida lá na lagoa

Para se comer com broa...


Cada sim é um fim

Cada assim é um mim...


Eu não sou apimentado

Como esse feijão aguado

De rima mais horrorosa

Que não tem versiprosa

Vendida lá no sertão

Pra se comer com mão...


Cada pum é um boom

Cada zoom é um um...


Eu não sou apavorado

Nem andando de lado

De rima mais ingloriosa

Vereda mais pedregosa

Vendida lá na esquina

Mais do que a cafeína...


Cada grão é um bão

Cada são é um cão...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

 

terça-feira, 25 de agosto de 2026

No Sertão de Cai-Có

É pulejo, é pulejo, é pulejo

Quem olha tua bunda dá um beijo...


Eu bode cantador de palavra muda

Quem tem fé Deus não ajuda

Ando na feira assim me arrastando

E só com água é que vou temperando...


Siá Cota, siá Cota, siá Cota

Que saudade dessa tua xota...


Olha o Piteleco andando pelo boteco

Estômago vazio é que dá até eco

A margarida anteontem se escondeu

E se você não entendeu muito menos eu...


Peribambo, Peribambo, Peribambo

Toda vez que eu me peido eu sambo...


O xaxadeiro pegou no fuzil primeiro

Pobre comemora o natal em janeiro

Levei no ortopedista a mula manca

Olha que a esposa do funk é a funka...


É fatonice, é fatonice, é fatonice

Do jeito que Zé Mudinho sempre disse...


Já ouvi falar que em Brotas tudo brotas

Tem menino por aí que bateu as botas

Lolo com aquele cabelão parecia Lolita

E colocava em cada pentelho laço de fita...


É pulejo, é pulejo, é pulejo

Não quero mais e só tenho desejo...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

No Piriri, No Pirirá

No piriri, no pirirá

Pobre não toma café nem chá...


Pobre só anda de ré,

Que nem passarim andando à pé,

Sem sapato, mas com chulé!


No piriri, no pirirá

Cabei de comer e já vou cagá...


Vou me cagar até que doa,

Que não tenha mais roupa boa,

Sou um matuto que anda à toa!


No piriri, no pirirá

Essa mulé maluca qué me roubá...


Olha a sopa de pandeiro,

Custa muito e pouco dinheiro,

É o artificial mais que verdadeiro!


No piriri, no pirirá

Vou fazer uma festa só de cambucá!


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Cansado de Cansadeira

Cansei de me cansar de estar cansado...


Só acerto se eu erro

Só me calo se berro

Muito linda a Dama de ferro...


Cansei de me cansar de estar cansado...


Só quero se não quero

Só acalmo se desespero

Cada um com seu lero-lero...


Cansei de me cansar de estar cansado...


Só vou se ninguém foi

Só dou tchau se dão oi

Nem é a vaca e nem é o boi...


Cansei de me cansar de estar cansado...


Só rastejo se voando

Só acerto se errando

O meu ódio chega amando...


Cansei de me cansar de estar cansado...


Só peço se estou fodido

Só quero se for imerecido

Morrer ou não ter nascido...


Cansei de me cansar de estar cansado...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Dolo de Tolo

  Mesmo quando meu coração pequeno e escuro parar de uma vez, cismado com tempo, cismado com o tempo... E o tempo for malvado ao ser indifer...