A minha inocência foi embora e não foi...
Um díptero zuniu no meu ouvido a noite inteira...
A velhice fez em cacos qualquer vaidade...
Nem ervas aromáticas salvaram a vítima...
O pajé estava de folga em seus deleites vãos...
Vamos fazer um condomínio destes ninhos...
O vento de ontem acabou se cansando demais...
Luz lenta e cheia de manias excêntricas...
Toda fatalidade acaba querendo um disfarce...
Aqui e ali não percebemos nenhuma diferença...
Os burgueses defecam na praça de alimentação...
Todo comum sonha em ser o mais excepcional...
As palavras acabam entortando em seu trajeto...
O canibalismo é uma forma de paixão louca...
A sombra tem seus direitos legais adquiridos...
Quando surge meio século meio medo chega...
Qualquer som na madrugada é novo carnaval...
Vamos comer pedaços de vidro com molho...
O morto prometeu não contar mais anedotas...
Toda ruína ontem não foi e nem sabia se seria...
Jogaram a cultura no vaso e deram descarga...
O dandy ficou pelado e saiu passeando na rua...
Eu sou a própria contradição mais lógica...
Recentemente certas antiguidades deram certo...
Amido de milho um dia foi um nosso paraíso...
O poeta sabe tremer suas carnes e os ossos...
Agradeço por todos os socos que levei na cara...
Darei outros em troca logo assim que puder...
Nesta grande liquidação os preços aumentados...
Não temos relógio e nem o dinheiro da condução...
Nem tudo aquilo que é vai ser no dia seguinte...
A fama é apenas um erro que assim foi cometido...
Ela meteu a cara na latrina e nem viu isso...
A pobreza é apenas a riqueza que não deu certo...
Deu sono e a culpa não foi exatamente minha...
Eu já tive uma espada de plástico e me bastou...
Tive também muitas Espanhas e algumas flores...
A minha inocência foi embora e não foi...






