quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Teoria do Impossível

Só o impossível acontece...

Grande mistura de tempos e figuras. De sóis sem donos em manhãs mais do que vadias. Poetas velhos e velhos poetas numa exposição iconográfica de pesadelos mais do que fixos. Tudo pode não acontecer...

Só o improvável acontece...

Não sou bom e não sou mau. Uma mistura antagônica acontece em meu ser. Quando nasci prendi o tempo em uma triste gaiola sem pássaro algum. Quando se abrirá a porta da cela nunca se sabe...

Só o insólito acontece...

Notícia que ninguém estava aguardando. Manchete inútil pelas redes espalhadas em telas. Mentiras descabidas de uma elite suja de falsos profetas. Quem viver, não vai querer ver mais nada...

Só o desinteressante acontece...

Tombos programados de infelizes embriagados. Nudez decorrente das putas de plantão. Coprolalia consagrada em paredes dos mais sujos banheiros. Passagens compradas para um trem que irá ao inferno e acabou de chegar na estação...

Só o desesperante acontece...

Ameaças de bombardeios capitalistas. Cultura bizarra que atrai as multidões como moscas no mel. Esterco de porcos que sabem voar. Jogo das cadeiras sem cadeira alguma. Felicidade manca de conselhos inúteis...

Só o delirante acontece...

Histórias aberrantes com frágeis testemunhas. Memórias que nem todas as águas consegue lavar. Os sonhos acabam incomodando mais do que as moscas. E o mato teima em crescer pelos quintais. Toda poesia morre envenenada pela mediocridade...

Só o impossível acontece...

 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Carliniana CXXVI ( Redes Sem Sociais )

Eu próprio me desconheço

Nem sei mais o meu endereço...


Isolado numa multidão

Pobre do meu pulmão

Só para ele apenas um caixão...


Eu próprio me desconheço

Virei apenas um adereço...


Pulando carnaval sozinho

Não é rosa nem espinho

É apenas outro caminho...


Eu próprio me desconheço

De mim não tenho apreço...


Querendo uma nova ideia

Existem vaias na plateia

Não temos uma panaceia...


Eu próprio me desconheço

Se subo ou se desço...


Uma rede na varanda

Começou a nova ciranda

O que não voa - anda...


Eu próprio me desconheço

Não sei se é fim ou começo...

A Morta

 


A morta

Vem ela de perna torta...


Vem ela de tempo curto

Correndo atrás do meu surto

Vem logo pedir cigarro

Se pode para o meu carro

Quer dar beijo na boca

Que louca, que louca!


A morta...

Ela quase não me suporta...


Vem ela fazendo bico

Botando fogo no circo

Estranha mas conhecida

Tá sempre puta da vida

Tem sempre a cabeça oca

Que louca, que louca!


A morta...

Se esconde atrás da porta...


Vem ela pedindo abrigo

Trazendo mais um perigo

Que nem alguns anos atrás

É coisa que nem lembro mais

Desgraça é coisa pouca

Que louca, que louca!


A morta...

Agora nada mais importa...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Rosa Ilógica ( É Que Eu Nunca Sei )

aquele sorriso que você não me deu

naquela praça que nunca existiu...

sonoridades que só o silêncio pode dar

num mar parado com todas ondas que há...

um grande poema sem ter verso algum

escrito num muro que não existe mais...

um grande beijo que eu não pude roubar

numa boca que nunca esteve por aqui...

é que eu nunca sei aquilo que quero

como se fosse uma ereção involuntária...


o colorido mais que súbito e imaginado

na velha televisão que era preto-e-branco...

a inusitada notícia de que nada aconteceu

neste último minuto que o mundo girou...

aquele doce que era o mais azedo deles

dentro da boca sem uma saliva alguma...

a mentira mais verdadeira que existiu

proferida pelo meu filho que não nasceu...

a violência que acabei nunca praticando

e que me deixou com inúmeras cicatrizes...


hoje só querem pratos mais enganosos

de um otimismo barato e sem gosto algum...

ficarem de joelhos em preces tão inúteis

até que as suas carnes comecem a doer...

o meu cão agora está roendo um osso

que fala mais do que qualquer um epitáfio...

aconteceu tudo aquilo que não deveria

num ineditismo totalmente programado...

é que eu nunca sei aquilo que quero

como numa cena pornográfica mais inocente...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Mortos Não Querem Palmas

 


Em qualquer lugar... Em qualquer lugar...

A plateia está vazia? Nada posso fazer...

Nada esperava mesmo... Nada mesmo...

Quando muito o menino um dia sonhava

Com alguns sonhos que hoje pesadelos...

Toquem uma canção qualquer aí!

Quem sou eu para ligar qual seria?

Ainda há um gole de refrigerante no copo

Está doce mas o seu gás acabou fugindo...

Alguns mosquitos ainda dançam no ar

E antes eu possuía a melhor das intenções...

Cadê a bailarina? Não fugiu com o palhaço...

Escutem esse choro bem baixinho que é meu...

Antigos rostos agora estão em suas fileiras...

Imóveis como velhas garrafas nas prateleiras

Onde o pó do tempo se acumula malvado...

Eu pensava em coisas mirabolantes tão

Mas não ganhei e nunca ganharei o prêmio...

Agora descobri a mais crua das verdades:

O cego ria da cegueira de quem enxergava...

Não preciso de ter calma alguma, não preciso...

Um simples aperto de botão acabará com tudo...

Quem magoou o passado e cuspiu no presente

Não merece mais ter algum futuro algum...

Quebrem todos os metais em paredes de água...

Fumem seus cigarros até que lhes falte o ar...

Cada nome é o que basta para cada epitáfio...

Cada passo que dou é apenas mais um deles...

Já estamos fartos de belas mentiras piedosas

Mas teimamos em darmos conta de tal fato...

O pão de hoje não irá para a boca dia seguinte...

Todos os poetas que agora estão deitados sabem:

Mortos não querem palmas, em qualquer lugar...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Invencionário Puético Paira Us Quasi Sãus

 


É Nainuque nui fuck-truck.

Coincurso interplainetário di meleicas.

Queim peidari mai gainha.

Deisepero de cairnaval de moistrar a buinda.

Sivirina Xoque-Xoque laivoiu ia gaitia.

A serpeinte sói quier maimão à milaneisa.

But-But sói uisa bute. 

Na bairraca de Manéli Mindiguinho sói tai sóizinho.

Nóive cum mai nóive ié noveinta i nóive.

Tai tuido bileza foira eissa meirda toida?

Vaineca sói goista di laimber perereica.

Uim, doi, doi, viai cumer arroiz.

Quaitro, ciinco, sieis, viai cumer traiz veiz.

I chaima nai boica du caichorru.

Teirizinha Pauu Grandi nãoi mi einchi u saico.

Tadim eile isticou u peirnil.

Sii tui nuim saibi ié sói iri apreindeindo.

Tui ié mai baibaca qui u baicaca mai baibaca.

Teineco ié pirigoisu deipois qui dái uim teico.

Filícia tái siempre filiz cum ia dilicia.

Paipai mei dái uim paipel deisse.

Nui raibo du taitu teim taitu.

Ahi piriguiba di manchueia teneibru saifadico.

É Nainuque nui fuck-truck...


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Só Um Corpo

 

Tudo é apenas um ritual...

Um ritual desesperado, mas um ritual...

(Desculpem se abuso das reticências...)

Tudo é apenas um vento leve...

Não sei de onde veio, mas pode aumentar

E ser o furacão de amanhã...

Tudo é uma fake news...

A língua maliciosa falou, falou sim

E o desastre foi inevitável...

Tudo é apenas um carnaval...

Temos novas multidões de solitários...

As mais coletivas das solidões...

Tudo é mais uma das contradições...

Até hoje só tivemos isto...

Toda eternidade um dia acaba morrendo...

Tudo aquilo que eu queria dizer...

Por agora, só há isso...

Somente um corpo, nada mais...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Teoria do Impossível

Só o impossível acontece... Grande mistura de tempos e figuras. De sóis sem donos em manhãs mais do que vadias. Poetas velhos e velhos poeta...