terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A Morta

 


A morta

Vem ela de perna torta...


Vem ela de tempo curto

Correndo atrás do meu surto

Vem logo pedir cigarro

Se pode para o meu carro

Quer dar beijo na boca

Que louca, que louca!


A morta...

Ela quase não me suporta...


Vem ela fazendo bico

Botando fogo no circo

Estranha mas conhecida

Tá sempre puta da vida

Tem sempre a cabeça oca

Que louca, que louca!


A morta...

Se esconde atrás da porta...


Vem ela pedindo abrigo

Trazendo mais um perigo

Que nem alguns anos atrás

É coisa que nem lembro mais

Desgraça é coisa pouca

Que louca, que louca!


A morta...

Agora nada mais importa...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Rosa Ilógica ( É Que Eu Nunca Sei )

aquele sorriso que você não me deu

naquela praça que nunca existiu...

sonoridades que só o silêncio pode dar

num mar parado com todas ondas que há...

um grande poema sem ter verso algum

escrito num muro que não existe mais...

um grande beijo que eu não pude roubar

numa boca que nunca esteve por aqui...

é que eu nunca sei aquilo que quero

como se fosse uma ereção involuntária...


o colorido mais que súbito e imaginado

na velha televisão que era preto-e-branco...

a inusitada notícia de que nada aconteceu

neste último minuto que o mundo girou...

aquele doce que era o mais azedo deles

dentro da boca sem uma saliva alguma...

a mentira mais verdadeira que existiu

proferida pelo meu filho que não nasceu...

a violência que acabei nunca praticando

e que me deixou com inúmeras cicatrizes...


hoje só querem pratos mais enganosos

de um otimismo barato e sem gosto algum...

ficarem de joelhos em preces tão inúteis

até que as suas carnes comecem a doer...

o meu cão agora está roendo um osso

que fala mais do que qualquer um epitáfio...

aconteceu tudo aquilo que não deveria

num ineditismo totalmente programado...

é que eu nunca sei aquilo que quero

como numa cena pornográfica mais inocente...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Mortos Não Querem Palmas

 


Em qualquer lugar... Em qualquer lugar...

A plateia está vazia? Nada posso fazer...

Nada esperava mesmo... Nada mesmo...

Quando muito o menino um dia sonhava

Com alguns sonhos que hoje pesadelos...

Toquem uma canção qualquer aí!

Quem sou eu para ligar qual seria?

Ainda há um gole de refrigerante no copo

Está doce mas o seu gás acabou fugindo...

Alguns mosquitos ainda dançam no ar

E antes eu possuía a melhor das intenções...

Cadê a bailarina? Não fugiu com o palhaço...

Escutem esse choro bem baixinho que é meu...

Antigos rostos agora estão em suas fileiras...

Imóveis como velhas garrafas nas prateleiras

Onde o pó do tempo se acumula malvado...

Eu pensava em coisas mirabolantes tão

Mas não ganhei e nunca ganharei o prêmio...

Agora descobri a mais crua das verdades:

O cego ria da cegueira de quem enxergava...

Não preciso de ter calma alguma, não preciso...

Um simples aperto de botão acabará com tudo...

Quem magoou o passado e cuspiu no presente

Não merece mais ter algum futuro algum...

Quebrem todos os metais em paredes de água...

Fumem seus cigarros até que lhes falte o ar...

Cada nome é o que basta para cada epitáfio...

Cada passo que dou é apenas mais um deles...

Já estamos fartos de belas mentiras piedosas

Mas teimamos em darmos conta de tal fato...

O pão de hoje não irá para a boca dia seguinte...

Todos os poetas que agora estão deitados sabem:

Mortos não querem palmas, em qualquer lugar...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Invencionário Puético Paira Us Quasi Sãus

 


É Nainuque nui fuck-truck.

Coincurso interplainetário di meleicas.

Queim peidari mai gainha.

Deisepero de cairnaval de moistrar a buinda.

Sivirina Xoque-Xoque laivoiu ia gaitia.

A serpeinte sói quier maimão à milaneisa.

But-But sói uisa bute. 

Na bairraca de Manéli Mindiguinho sói tai sóizinho.

Nóive cum mai nóive ié noveinta i nóive.

Tai tuido bileza foira eissa meirda toida?

Vaineca sói goista di laimber perereica.

Uim, doi, doi, viai cumer arroiz.

Quaitro, ciinco, sieis, viai cumer traiz veiz.

I chaima nai boica du caichorru.

Teirizinha Pauu Grandi nãoi mi einchi u saico.

Tadim eile isticou u peirnil.

Sii tui nuim saibi ié sói iri apreindeindo.

Tui ié mai baibaca qui u baicaca mai baibaca.

Teineco ié pirigoisu deipois qui dái uim teico.

Filícia tái siempre filiz cum ia dilicia.

Paipai mei dái uim paipel deisse.

Nui raibo du taitu teim taitu.

Ahi piriguiba di manchueia teneibru saifadico.

É Nainuque nui fuck-truck...


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Só Um Corpo

 

Tudo é apenas um ritual...

Um ritual desesperado, mas um ritual...

(Desculpem se abuso das reticências...)

Tudo é apenas um vento leve...

Não sei de onde veio, mas pode aumentar

E ser o furacão de amanhã...

Tudo é uma fake news...

A língua maliciosa falou, falou sim

E o desastre foi inevitável...

Tudo é apenas um carnaval...

Temos novas multidões de solitários...

As mais coletivas das solidões...

Tudo é mais uma das contradições...

Até hoje só tivemos isto...

Toda eternidade um dia acaba morrendo...

Tudo aquilo que eu queria dizer...

Por agora, só há isso...

Somente um corpo, nada mais...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Joy

 

Esperar com ansiedade um novo encontro

Com a pressas das gotas caindo do céu

Mesmo quando não possamos pegá-las

Com a mesma frequência que foi antes...


Nem liguemos mais para este frio que vem

E o nosso desconhecimento de certos risos...


Tudo que é simples pode ser mais complicado

Mas mesmo assim a teimosia contribui conosco

Para que certos passos aconteçam de vez

Mesmo que não saibamos até o quando será...


Um nome qualquer para ser sempre dito

Mesmo sem palavras e com a boca fechada...


Quero desconhecer qualquer norma estética

Descumprindo todos os compromissos possíveis

Se isso for o que mais seja o mais necessário

Assim como todos os rios decidem ir ao mar...


Escolhamos as cores mais absurdas que existem

E mesmo assim com elas pintemos qualquer céu...

De Venenos & Sons

 

Estou rindo freneticamente:

Como um filho-da-puta qualquer

Que escutou um barulho na madrugada

Mas que já estava acordado

Quando o seu cão latiu...


Quem me dera não pensar nada

Já que pensamentos trazem saudade

E eu nunca fui e nem serei cavalheiro

E os meus pés às vezes desobedecem

Minhas ordens de comando...


Acredito piamente nas mentiras

Desde que com alguma cobertura doce

E um sorriso da mais pura maldade

Como quem acha que a fila é pequena

E o sacrifício necessário...


O circo nem chegou na cidade

E eu já preparo as mais tolas palmas

Achando que tudo está em seu lugar

Porém faltas peças neste quebra-cabeças

E todo engano é tão tolo...


Toda madrugada tentou ser azul

E qualquer merda que se diga poema

Tem direito a pelo menos um cigarro

Antes de encostar no triste paredão

Antes que seja executado...


Vivamos o mais velho inédito

Antes da próxima chuva no deserto

E antes que a fogueira se apague

Não somos velozes e nem furiosos

O tempo é que sempre o foi...


Estou rindo freneticamente?

Escuto a antiga canção com atenção

É que me lembrei dela quase agora

Mesmo que o som seja baixo demais

Como meu usual desespero...

A Morta

  A morta Vem ela de perna torta... Vem ela de tempo curto Correndo atrás do meu surto Vem logo pedir cigarro Se pode para o meu carro Quer ...