quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Carnaval de Ventos

Agora sim! Veio o não...

Quem me dera uma falha mecânica

Nesse meu coração...


E o vento rasgando tudo

Não deixando uma roupa no varal

Gritando e gritando mudo

Invadindo esse meu e nosso quintal...


Agora sim! Veio o não...

São séculos de fiel espera

Por essa minha paixão...


E o vento dançando balé

Trazendo o bem e trazendo o mal

Sem dizer ao menos que é

Dono de todo e qualquer temporal...


Agora sim! Veio o não...

Eu quase me peguei chorando

Era da mais pura emoção...


E o vento tremendo de frio

Mesmo assim dando um salto mortal

Mesmo que seja por um fio

Venha logo esse meu e nosso carnaval!


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

 

Solene

 


Para isso não se precisam de rimas

Basta que a flecha atravesse o ar

Mesmo que não contemos os segundos...


Para isso precisamos de mãos e pés

E ainda de algum fogo que seja aceso

Mesmo que não sintamos mais seu calor...


Para isso não se precisam de sinos

Dobrados ou não pouco nos importam

As chaves do carnaval abriram portas...


Para isso precisamos de sonhos alguns

Desejando que a noite vá embora de vez

Mesmo para a manhã com olhos fechados...


Para isso não se precisam de rezas

Uma grande profundidade de até águas

Acaba sendo apenas um só brinquedo...


Para isso precisamos de algum amor

Pode ser daqueles que saiam correndo

Usaremos nossas asas para persegui-lo...


Para isso não se precisam de espinhos

Nossa preferência é mesmo pelas rosas

Servem até aquelas que vivas já morreram...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

A Culpa É do Sol

A culpa é do sol?

É... É... É!


Nocaute perigoso

Onde sensações bailam sem noção

Entre alucionações tão lúcidas até

Moscam que não caem sem ter sopa...


A culpa é do sol?

É... É... É!


Espetáculo cancelado

Tentativa frustado de apenas mais um

Sem noção alguma de que é o adiante

Estrada abandonada de vis peregrinos...


A culpa é do sol?

É... É... É!


Desconhecida palavra

Que entra pela boca e desce na goela

Pedaço de vidro sem ter valor comercial

Mas que mesmo assim continua brilhando...


A culpa é do sol?

É... É... É!


Correntezas delirantes

Feitiços que não deram nenhum efeito

À não ser o brilho de todas as estrelas

Tão longe e perto dos nossos pobres olhes...


A culpa é do sol?

É... É... É!...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Direct

 


Destemíveis covardes sem bando

Faltou açúcar para o nosso café

Quanto menos mais doce...


Estudamos o que não se aprende

Os barões já estão todos mortos

O cal jogado aos poucos...


Dias nublados para sóis quentes

Toda a nossa estação não procede

Nem temporada de caça...


Eis que roubam esse nosso tempo

Com sandices importadas à granel

Podridão pelas ruas...


Nada mais quero que a própria vida

Mesmo que ela seja pertence da morte

Essa que nunca falha...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

domingo, 30 de agosto de 2026

Sob O Mesmo Teto

 

Sob o mesmo teto,

Sob o mesmo frio,

Sob o mesmo desafeto,

A mesma falta de brio


Vamos sofrer sem fazer alarde,

Não importa se seja cedo ou tarde,

Se faltou comida, se a casa desabou,

Se trocaram a rima, o poeta errou


Sob o mesmo teto,

Sob o mesmo vazio,

Sob o mesmo direto,

Agora chegou o cio


Vamos rezar para um deus nenhum,

Vamos parar de beber e ficar bebum,

Se aconteceu briga, a família acabou,

Se não sou nada, nem sei que eu sou


Sob o mesmo teto,

Sob o mesmo vadio,

Sob o mesmo concreto,

Não sei se choro ou rio...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 29 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 378 *

Estou sob delírios sempre...

Delírios sem febre, pois não?

Estou vivo sem motivo algum...

Para viver se precisa deles?

Estou embriagado sem álcool...

São apenas necessários sonhos?...


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O velho relógio da torre está cansado,

Seus ponteiros testemunharam muitos dramas

(Mesmo não parando para poder vê-los),

As ondas do mar já estão cheias de enfado,

Estão indo e voltando por incontáveis dias

(Assim foi desde o princípio e será até o fim),

Este velho poeta aqui está cansado e muito,

Não tenho noção de até quando serei forçado

(Mesmo quando não lidos meus versos se exibem)...


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Tenha cuidado, amigo, muito cuidado...

Mesmo vivendo no agora, no dia de hoje,

Tenha cuidado com os vícios de nosso tempo...

Não engula seu tempo como muitos fazem,

O tempo acabará como para todos acaba...

Não tenha medo da morte, isso não adianta,

Correr no meio da noite escura não a impede...


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Já cansei de fazer perguntas sem respostas,

Mesmo que pareça que elas sumam, não somem,

Ficam flutuando pelo ar, em torno de mim,

Mais do que a própria fumaça de um incêndio...


Já cansei de amar amores mais que vazios,

Nenhum sofrimento é bom, não há causa que valha,

Não posso esquecer nunca de meu amor-próprio,

Não é questão de egoísmo, mas de sobrevivência...


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Por que não asas?

Melhor do que passos que doem,

Melhor do que sonhos malvados,

Melhor ficar entre as nuvens,

Contar as estrelas assiduamente,

Rir com motivo ou sem ele...

Por que não asas?


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Assim como os dias nascem e morrem

Os sonhos também o fazem...

Assim como os amores que vêm e vão

São parecidos com as ondas...

Assim como os meus versos teimosos

Que aqui estão enquanto lembro...


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Talvez um dia não exista mais talvez

E os meus olhos vejam tudo o que há...

Talvez uma noite não tenha mais senão

Porque a lua acabou iluminando a rua...

Ah! Esta rua que ainda me recebe 

Com o silêncio que só gatos e tristes têm...

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Dolo de Tolo


 

Mesmo quando meu coração pequeno e escuro parar de uma vez, cismado com tempo, cismado com o tempo...

E o tempo for malvado ao ser indiferente, não ligar pelos meus apelos inúteis de mais um pouco, mais um pouco, mais um pouco...

Mais um pouco de vida, deixe-me recupar das mortes que tive enquanto vivo, mesmo doendo, doendo, doendo...

E a dor é a mestra de todas as coisas, algumas boas, outras ruins, mas coisas que mesmo cegos, enxergamos, mesmo no escuro, no escuro, no escuro...

Anoiteceu em minha alma, noite grande, noite absoluta, noite eterna, sem a graça das estrelas, nem sequer os virilampos sobreviventes e nem sequer postes vadios...

Eu sou o mesmo vadio, percorrendo o mundo com pés e asas, procurando rosas de cores inexistentes para comprar aquele beijo que nunca dei, tardes escondidas de quase amor, quase amor, quase amor...

Mas se hei de viver o amor no desamor, pensando bem, quem sabe chegou a hora em que eu repita o pulo no abismo esquecendo de colocar minhas asas, ando muito esquecido, é a idade, a idade, a idade...

E nessa idade esse meu mundo não é mais meu, os que gostava, a maioria já foi embora e meu medo maior, é não poder mais os encontrar e até não descobrir que era ilusão, ilusão, ilusão...

Poderá ser uma ilusão, pensar que estou por aqui, mas faz muito, muito tempo mesmo que respirar seja mais pela força do hábito, talvez um zumbi que as carnes aindam continuam as mesmas, sem o coração...

Mesmo quando meu coração pequeno e escuro parar de uma vez, cismado com tempo, cismado com o tempo...

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Carnaval de Ventos

Agora sim! Veio o não... Quem me dera uma falha mecânica Nesse meu coração... E o vento rasgando tudo Não deixando uma roupa no varal Gritan...