Na hora que acontecer está acontecido
(Nem posso escolher as palavras que falo)
Minhas mágoas me perseguem como moscas
E a minha arquitetura não vale uma moeda
Nem consigo dormir de tanta preocupação
A mídia acaba dando um tiro no próprio pé
Duvido que alguém faça mais sandices que eu
É só me dar um lápis que saio riscando paredes
Banheiros sujos de bares nos ensinam coisas
Quero ser libertino para ir em todos os bairros
Certos autógrafos servem para limpar a bunda
Não sou obrigado a gostar de qualquer música
A simplicidade gosta de andar nos labirintos
Meus sobrenomes são os mais comuns que têm
Para escrever poesia não se precisa de motivo
Para apagar uma estrela basta dar um sopro
Vila Nova nem sempre é de Gaya e está bom
Dançaremos sobre os escombros dos gigantes
Já fumei mais de uma folha de caderno hoje
Guarde suas desculpas para a próxima vítima
Nos esgotos também existem alguns riachos
Minhas bandeiras estão escritas: desespero
Agora os fantasmas acabam usando a internet
A antiguidade agora é tão veloz quanto o futuro
Coçar as orelhas com o nariz é bem mais fácil
As manias acabam usando sempre auto-falante
Misturemos todas as cores em uma cor somente
Na hora que acontecer está acontecido
(Nem posso escolher os gritos que dou)...
(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).






