Em qualquer lugar... Em qualquer lugar...
A plateia está vazia? Nada posso fazer...
Nada esperava mesmo... Nada mesmo...
Quando muito o menino um dia sonhava
Com alguns sonhos que hoje pesadelos...
Toquem uma canção qualquer aí!
Quem sou eu para ligar qual seria?
Ainda há um gole de refrigerante no copo
Está doce mas o seu gás acabou fugindo...
Alguns mosquitos ainda dançam no ar
E antes eu possuía a melhor das intenções...
Cadê a bailarina? Não fugiu com o palhaço...
Escutem esse choro bem baixinho que é meu...
Antigos rostos agora estão em suas fileiras...
Imóveis como velhas garrafas nas prateleiras
Onde o pó do tempo se acumula malvado...
Eu pensava em coisas mirabolantes tão
Mas não ganhei e nunca ganharei o prêmio...
Agora descobri a mais crua das verdades:
O cego ria da cegueira de quem enxergava...
Não preciso de ter calma alguma, não preciso...
Um simples aperto de botão acabará com tudo...
Quem magoou o passado e cuspiu no presente
Não merece mais ter algum futuro algum...
Quebrem todos os metais em paredes de água...
Fumem seus cigarros até que lhes falte o ar...
Cada nome é o que basta para cada epitáfio...
Cada passo que dou é apenas mais um deles...
Já estamos fartos de belas mentiras piedosas
Mas teimamos em darmos conta de tal fato...
O pão de hoje não irá para a boca dia seguinte...
Todos os poetas que agora estão deitados sabem:
Mortos não querem palmas, em qualquer lugar...
(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).






