quarta-feira, 22 de julho de 2026

Avis Rara XXXII (Dissonância Cognitiva)

O perfume que a Crystal usava em outros times

Mesmo quando cheirando à cloro bem forte...

Qualquer coqueleteira fica mais chique

E um rabo-de-arraia acaba enfeitando...

Ele come aquele sushi de garfo-e-faca...

Palito meus dentes nesta jazz-band...

Os seus olhos são do tamanho certo

Para desespero de alguns fregueses...

As penas do pavão caíram todas...

Eu sou apenas mais um feiticeiro

Que tecla com algum desses vapores...

Tudo é a mais pura das ficções...

Ela vai se casar no próximo século...

O coelho faz a barba com vegetais

Enquanto as maçãs gritam nos leilões...

A casa é minha enquanto ela for...

Estudos cínicos estão na nova moda...

Quero ficar nu em cadeia nacional

E acender velas nas palmas das mãos...

Qualquer complexo é meio complicado

Assim como sanduíche de pão com pão...

Por ironia do destino não há destino...

Cobras e lagartas são o nosso menu de hoje...

Nosso garden queimou era bem de tarde

E lá na vila os jovens brincavam na fogueira...

Metais e tatus se combinam muito bem...

A pimenta do cantor agora não arde mais...

Servirão doses de capilé no Mac Ronald's...

A porrada sempre come no baile do pier

E não faltam aplausos para tal façanha...

Prefiro botas de cano longo do que sem canos...

Viver muito é quase o oposto de viver pouco...

Aquela psicografia acabou numa boa pizza

Só que faltou um bom bife para seu término...

Meu celular reclamou seus direitos autorais...

Não sei se em cabelos castanhos dão castanhas

Mas a cabeça dele vive no meio de minhas pernas...

Meu karma é dançar maxixe em um trem cheio

Gritando as novas de um mais falso evangelho...

A largatixa nunca mais irá me largar de vez

Enquanto meus sustos forem os mais prementes...

Eu ranco sangue dos meus toda vez que choro

E dona Geny faz bolinhos com seu trigo velho...

O importante é que se tenha alguma importância

Mesmo sendo proprietário de biscoitos velhos...

Toda a imoralidade do mundo cabe em um olhar...

Um aquário sem água é mesmo assim aquário

Mas um deserto sem seca não é mais deserto...

O perfume que a Crystal usava em outros times

Mesmo quando cheirando à  cloro bem forte...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades de autoria de Carlinhos de Almeida). 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Roupa Rasgada

Bebendo café sem açúcar

Fumando cigarros caseiros

Olhando o dia que se mata

Toda surpresa nos assusta...

Esqueci a senha...

Perdi meu lugar na fila...

Comendo o pão sem Diabo

Mosquitos chatos voando

Toda fantasia vale algo

Mesmo que não saiba o que...

Sem ter razão...

Rindo e chorando sempre...

Queimei minha pobre pele

Aquela febre aumentou

Deve ser um novo vírus

Que agora é a nova onda...

Desfile sem público...

Águas de março em abril...

Imitando alguma carpideira

Com um nome bem estranho

Apenas de uma vogal apenas

Hoje há festa no cemitério...

Todos vão na padaria...

Discutir questões filosóficas...

Meia hora é bem mais de trinta

Todos sabem disso e nem sabem

Passamos com um prato na mão

Enquanto nos jogam as moedas...

Somos amigos sem ter fé...

Há um cheiro de cadilac pelo ar...

Ele tem várias funções e nenhuma

Mesmo quando de nada sabemos

E o que interessa é não interessar

Espadas pelo ar em trêmulas mãos...

Gotículas de água no ar...

Resoluções como se soluços...

Na sombra do dia amparei choros

Pequenos poemas sem ter forma

Meu pobre estômago é um vazio

Um novo idioma está inventado...

Essa roupa está rasgada...

E a linha toda está acabada...

Not Paradise

Agora teremos relógios atômicos desnecessários

Pois a precisão caiu no chão feito um balão

E aquele doidivanas gritava com todas as letras...

À ferro e à fogo... À ferro e à fogo...


Os anjos servem café em bordéis suecos em Milão

Pois a exaustão veio na mão junto ao tufão

E o cara se atirou do andar térreo para as Marianas...

Conhaque de mel... Conhaque de mel...


A marcha continua porque pelos dias há miseráveis

Pois um pão vale um milhão para a multidão

E a nudez dela é mais moralista do que um hábito...

Churrasco grego... Churrasco grego...


A alma é a propaganda de qualquer um negócio

Pois a escuridão cessa a visão desta estação

E os mísseis se parecem com modernos brinquedos..

Tiroteio na favela... Tiroteio na favela...


Um sol virá cansado, mas mesmo assim vai vir

O destino diz não, mas a razão faz questão

Que as palavras sejam que nem certas fagulhas...

Not paradise... Not paradise...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 18 de julho de 2026

Fraqueza de Cada Um de Nós


Coisas comuns é o que nos cercam,

Gostaria de tomar um café, mas não há...

Geralmente eu perambulo pelos dias frios

E nem consigo divisar onde está o sol...

Algum bacurau deve ter passado por aqui

Aproveitando que as férias já chegaram...


Dúvidas atrozes acabam corroendo,

Bem mais do que estes grandes enigmas...

Saboreio cada palavra que pode haver,

Mesmo quando neste céu sem ter boca...

Quero apenas mais um pouco do tempo,

Até quando minha urbanidade assim nega...


Às vezes me sinto um desenho animado antigo,

Um daqueles decalques colados na geladeira...

Fui testemunha ocular de certas festas mortas,

Andava na roda-gigante dos parques na praia...

Quem me dera que encontrasse as minhas asas,

Mas ainda existem muitos abismos por aí...


De cada quatro ações, cinco estão mais erradas,

Só as pedras sabem contar direito suas histórias...

No meio desta matilha, eu me sinto mais seguro,

Principalmente quando uivamos pelas imensidões...

Não repare, por favor, esta minha roupa rasgada,

O choro é mais ainda, mas este é obrigatório...


Vamos caçar mais alguns ventos mesmo que distantes,

As ondas do mar, também serão muito bem vindas...

O cara caiu no meio da multidão que ia protestando,

Mas tudo não passou de mais que um mero detalhe...

Um simples estalar de dedos, um passe de mágica,

Toda a história vai ser recontada com um final feliz...

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Muito Sal

 


Muito sal, muito igual, muito mal.

Não sabemos de onde viemos, porque nascemos, porque morremos. É tudo um samba-enredo mal ensaiado, que nos dá medo, caso encerrado...

Muito sal, muito cabal, muito anormal.

Não queremos o que comemos, mas comemos, é tudo o que temos. É tudo uma lição que não se aprende, só o sonho insiste e não se rende...

Muito sal, muito legal, muito boçal.

Não espera a nossa espera, apenas desespera essa quimera, sem primavera. Nossos pés estão doendo, nada mais estamos vendo, fico quase cego e não nego...

Muito sal, muito geral, muito global.

Não se mata, nem se morre, apenas é o herói que corre. Nossa alegria, valentia ou covardia, estamos no escuro, atrás do muro, acenda logo o dia...

Muito sal, muito mingau, muito canal.

Não há dança, só há esperança, que algo alcança, não mais criança. Fazemos rima, abaixo ou acima, quase nada prima, às vezes desanima, mas é que tem, quando vem...

Muito sal, muito animal, sem carnaval...

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Labirinto Sem Voltas

 

Nada demais,

Só a biologia cumprindo seu papel,

O que somos - mais um enigma barato,

Mais um conjunto de planos falhos,

Eis a respiração de várias poeiras,

Nem se sabe o que deveria acontecer...


Nada demais,

Fotografia inerte de alguma lápide,

Samba-enredo em forma de epitáfio,

Comédia que faltou todas as risadas,

Um reino vago sem rei e sem súditos,

Uma pergunta pra não ser respondida...


Nada demais,

Quarto vazio que a poeira invadiu,

Prato quebrado esperando a comida,

Bunda de fora que quase ninguém notou,

Realidade baseada em fatos irreais...


Nada demais,

A ida pela contramão quase sempre,

Dias de chuva pra quem ia passear,

O gás acabou logo na hora da janta,

Eu acabei esquecendo qual o meu nome,

A internet caiu na hora que precisava...


Nada demais,

A mosca estava dentro do copo e brindamos,

Todo feriado acaba vindo com sua tristeza,

Há muitas coroas de lata coroando por aí,

Estrelas de cinema vindo do céu aos montes,

Um grande vazio pode estar cheio de nada...


Nada demais,

Piratas que possuem alergia ao oceano,

Canalhas ajeitando o nó da gravata sorrindo,

Distribuição de peixe podre pelo candidato,

A baiana do acarajé caprichou no óleo de soja,

Só consigo dormir quando estou acordado...


Nada demais... Nada demais...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Faça Um Poema

Faça um poema

Do teu problema

Fora do esquema...


Palavra dita. Laço de fita.

Dança antiga. Mão inimiga.

Velho retrato. Vinho barato.

Cigarro aceso. Soltem o preso.


Faça um poema

Quase cinema

Um velho dilema...


Pão dormido. Oitavo sentido.

Festa na rua. Carne crua.

Barulho mudo. Pedra de veludo.

Liquidação cara. Vulgaridade rara.


Faça um poema

Sem um emblema

Com qualquer tema...


Palavrão chinês. Bala da vez.

Mamoeiro atômico. Jabuti icônico.

Mocinha feia. Castelo de aveia.

Bordel moralista. Crime na pista.


Faça um poema

Sem teorema

Tire a algema...


Faça um poema...


(Extraído do livro "´Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Avis Rara XXXII (Dissonância Cognitiva)

O perfume que a Crystal usava em outros times Mesmo quando cheirando à cloro bem forte... Qualquer coqueleteira fica mais chique E um rabo-d...