Escapei foi de uma chave
Dessas do dogão feito na panela
Lá pras terras do Mujeripe-Açú...
De hoje me diante fica proclamado
Que o ontem só pode ser amanhã
Se for dia de anteontem e sim...
Sou sábio feito um jumento
E é muito caro o meu cachê:
Vale meia titica na riba do rabo...
Já pensaram numa pendenga gostosa?
Façam de tuia, meus cornos, de tuia
Daquelas que pegam fogo no cuspe...
Faleco sim, faleco não, meu bão,
Desde dos tempos de antonte
Quando só dos olhos palavras...
Da Rita só me sobrou a rota
(Se me permite a renha, barão)
Isso lá nos tempos do cuscuz...
Foi lá na retranca sem mula
Que o bacurau fazia a hora extra
Duns patacos assim bengrandes...
Na pitala de bimba quase-seco
Eu me pulei bem, bem que bem
Em mussuco que batulelei indo...
Magafudo de festa de trenca-cega
Eu pulo bem mais que macaqueira
Duns desses gufungos desses aí...
Um picuchu, dez picuchu, nenhum
Feito reza de brabeza quase mansa
Que fosse uma camisa quebrada...
Perego bom mesmo é o manuco
Que chama na chincha até ratinho
E até faz a gente se esquecer...
Os Irmãos Pepungo apresentam
Apresentam seu grande show de bulagem
Trocando de dedo até se cansarem...
Timiririco gosta mesmo de um fulejo
E ainda assim encontra um tempinho
Pra comer um dedo de bolacha pelo nariz...
Meu fogão vive cantando ópera feliz
Com tanto borrego que mora na laje
Até que o final dos tempos venha logo...
Fala aí, ô seu Zé Curumba!
Rapa no fundo de prato é qualidade
Ainda mais com esse tamanha de manha...
A novinha tá assim desde que era nova
E hoje o rio já comeu as margens
Ficando apenas o bagaço do miolo...
Fiz ontem aquele chapéu feito de telha
Pra pedir barão e meio pro vento
Com uma caixa de fósforos e apenas...
Vou viajar quase agorinha e não mais...
(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).