sábado, 11 de julho de 2026

A Ponte, A Ponte, A Ponte


Nesse velório teremos que ir

Gostando ou não gostando,

Não iremos ao menos cair

E nem iremos chorando...


Os outros chorarão por nós,

Um choro falso ou verdadeiro,

Gritando ou sem ter voz,

Para sempre ou derradeiro...


Não nos cansaremos novamente,

Seremos apenas carregados,

Tanto o covarde quanto o valente,

Todos os ricos e os desgraçados...


Este que roubou todo o mundo

Ou aquele que não roubou nada,

O trabalhador ou o vagabundo,

Aquela que amou ou foi amada...


Todos atravessaremos a ponte,

Queiramos ou queiramos não,

Por mais que o destino apronte,

Um dia chega a nossa eaxustão...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Reflexões Irrefletidas

Quero apenas o perfume mais caro que houver.

Todo violino é mudo até que chegue um arco.

Nada é mais difícil do que a tal facilidade.

Amanhã certamente não vão chover morangos...


O último velório que irei certamente será o meu.

Todo meio-dia acaba sendo cortado bem no meio.

A nudez dela acaba me dando calafrios de tesão.

Inventaremos um novo idioma sem ter palavras...


Nossa fama não consegue chegar nem na esquina.

Meus óculos estão cansados da mesma rotina suja.

Quando beber é bom que comece logo pelo começo.

Alguns dos seus pelos pubianos não assustam mais...


Todas as minhas ideias estão espalhadas pelo chão.

Tristemente eu ainda gosto destas modas de viola.

Eu sou de um tempo que ainda havia tempo pra tudo.

E rasgar seda poderia ser também uma outra coisa...


Vamos nos divertir fazendo dinossauros de papel.

Geralmente só poderemos gritar se for na geral.

Tantos foram embora e ainda há tantos por aqui.

O único preconceito que tenho é contra os mesmos...


Toda vez que sonho com águas penso em escadas.

A minha imaginação ainda sabe muito bem galopar.

É que eu sou mais um influencer destes por aqui.

O bobo da corte deu mais um corte no baralho...


Eu nem sei mais aquilo que prefiro ou não prefiro.

Há muitas noites que não são caladas e gritam.

Cada verso é um corte de lâmina em minha carne.

O inimigo do meu inimigo pode ser meu inimigo...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Nem Tudo

Nem tudo que dá certo está certo,

Nem tudo que dá errado está errado,

O peito poderá estar como um deserto

Enquanto a felicidade está ao lado.


Nem tudo o que é bonito lhe faz bem,

Nem todo remédio acaba nos curando,

A alegria não é mais uma nota de cem,

Mas pode ser mais um criança brincando.


Nem toda dor pode ser uma grande lição,

Nem todo o desvario pode ser insanidade,

Encontraremos solidão em meio à multidão,

Isto pode acontecer no centro da cidade.


Nem toda bondade poderá nos salvar,

Nem toda maldade acaba indo pela culatra,

Um grande romance pode ser sem se amar

E a maior loucura não precisa de psiquiatra.


Nem todo papel com o tempo amarela,

Nem toda riqueza traz junto só alegria,

Aquele sol que vem invadindo a janela

Não é o mesmo que vem trazendo poesia.


Nem sempre fazendo errado que se erra,

Nem sempre o que nos protege é escudo,

Às vezes o meu silêncio é aquilo que berra,

Nem tudo, nem tudo, nem tudo...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

ImaginaCão


Perfeito cidadão pisando em ovos

Querendo ser burguês que nunca foi 

Querendo enganar e sendo enganado

Achando que se deu bem e se deu mal

Sendo solidário apenas consigo mesmo...


Admirável cidadão pisando em brasas

Amando a figura que vê no espelho

Amando o amor que o tesão lhe trouxe

Entendendo tudo como um idiota

Seguindo ordens como um marionete...


Formidável cidadão dançando em vidro

Desejando coisas que nunca irá ter

Desejando viver eternamente e vai morrer

Gastando seu tempo em construir castelos

Enquantos os ventos acabam chegando...


Maravilhoso cidadão andando sobre as águas

Cumprindo o horário como manda o patrão

Cumprindo a sentença de não fazer nada

Como todo o ser humano que inútil que é

E apenas imagina que está enfim existindo...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

domingo, 28 de junho de 2026

Poema Estilhaçado

Pois esse poema está estilhaçado,

Acabou escapando da minha mão,

Foi num momento mal calculado,

Voou sem ter asas, caiu no chão...


Quase não vi a sua trajetória,

Haviam lágrimas no meu olhar,

É sempre assim, a mesma história,

Até o amor também faz chorar...


Não se preocupem, não há mais jeito,

Eu guardo os cacos, não jogo fora,

Nesse depósito que chamo de peito,

Tudo vai comigo quando for embora...


Pois esse poema está todo partido,

Está quebrado, para todo o sempre,

Mas quem sabe, seja enfim parido,

Em outra mente, em um outro ventre...

Nunquice

Brigo com a minha própria sombra. Quem irá separar?

Em dias frios e malvados como estes, estou só, como quem sobe no alto do arranha-céu para mergulhar de lá. Serei apenas mais um fato corriqueiro numa dessas redes sociais...

Reflito como foram meus dias. Como foram mesmo?

Travei muitas batalhas com os espelhos, perdi todas elas, o velho combatente riu da minha cara. As manchas do tempo eram assim e continuarão a ser...

Cada dia é um dia nenhum. Por que todos eles acabam?

Num livro achado no lixo, as histórias mais tristes, absurdas, descoloridas. Uma mistura entre o bem e o mal acaba sendo a mais indigesta que podemos engolir...

Daqui até lá é mais um passo. A realidade é a mais irreal?

Tudo aquilo que fizemos, fizemos, sejam erros ou sejam acertos. Cada rosto é um lago de águas tão turvas, mas a pele foi feita para esconder tal acontecimento...

Cada moeda é mais uma moeda. Para onde irão todas elas?

Nossas dificuldades são nossas dificuldades, sempre foi e será assim. Em jardins abandonados crescem algumas flores, mas somente algumas...

Nem todas as estrelas acabam brilhando. Isso se chama destino?

Façamos poemas estilhaçados, serão como cacos de vidro. O fogo sabe queimar com crueldade, mas também possui brilho pelas noites que existe...

Era mais uma das muitas brincadeiras. Posso isso de chamar caleidoscópio?

Não são apenas os olhos que são míopes, minha alma é até mais. Ela tateia por um mundo de grandes perigos, o maior deles sou eu mesmo...

Não se sabe qual a próxima parada. Isso por acaso é uma questão de importância?

Nossos mortos foram passear, não voltaram mais. Cada castelo de cartas vai cair, isso também é uma certeza...

Brigo com a minha própria sombra. Quem irá separar?...

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Ao Rei do Nada

Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

Dizem que veio do macaco, 

Mas não quer só banana;

Dizem que habitou as cavernas,

Mas agora quer uma cobertura;

Dizem que é o herói da trama,

Mas não passa de um vilão...


Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

Dizem que tem uma alma,

Mas a mata por qualquer moeda;

Dizem que é muito inteligente,

Mas foi ele quem inventou a guerra;

Dizem que ele sabe amar,

Mas faz do desamor sua companhia...


Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

Dizem que ele é totalmente livre,

Mas é escravo do seu próprio sistema;

Dizem que é sabio em suas decisões,

Mas faz da tolice sua vestimenta;

Dizem que é belo na aparência,

Mas traz as rugas da tristeza...


Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

Dizem que é muito corajoso,

Mas corre no primeiro tiro;

Dizem que tem plenas convicções,

Mas nem sabe qual o seu lado;

Dizem que possui respeito,

Acaba faltando todo e qualquer...


Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

Dizem que é muito sincero,

Mas seus segredos estão atrás das portas;

Dizem que é auto-suficiente,

Mas está sempre com fome;

Dizem que conhece a moral,

Mas tem cio o ano inteiro...


Pois é, ele é o rei do nada, se chama homem...

A Ponte, A Ponte, A Ponte

Nesse velório teremos que ir Gostando ou não gostando, Não iremos ao menos cair E nem iremos chorando... Os outros chorarão por nós, Um chor...