segunda-feira, 18 de maio de 2026

Poemisco (Poesia Experimental)

 

Eu corro risco

De ficar arisco

Feito um pitbull

Eu perco feio

Caí bem no meio

Desse only you


Eu corro risco

De chorar com cisco

Lá na Zona Sul

Eu sou bem feio

Não tem nem meio

Vai tomar no cu!


(Extraído da obra "O Livro dos Méritos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Alguns Poemetos Sem Nome N° 366 *

Toda negação é fria,

Toda denúncia é vazia,

Nós nem sabemos

Aquilo que escolhemos...


Toda espiral é reta,

Toda fumaça é concreta,

Nós nem sabemos

Se vivos ou morremos...


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Estou pra lá de pra lá. Me embriaguei de todos os versos possíveis. Fiquei até meio zonzo. Fumei os sonhos mais insólitos todos de uma vez. Quase tropecei e caí na rua. Aspirei todos os aromas possíveis e não deixei escapar tempo nenhum. Estou pra lá de pra lá...


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Que a terra lhe seja leve,

Que a guerra lhe seja breve,

Muitas cores,

Poucas dores,

Alguns amores,

Que a terra lhe seja breve,

Que a guerra lhe seja leve...


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Comercial bem sincero é esse:

Eu vendo o que você não quer,

Para o que você não precisa,

Por uma grana que você não tem,

Custa o tempo que você perdeu,

Por uma oportunidade que não existe,

Compra aí, seu idiota...


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Foi num tempo em que tudo era bem diferente. Era bem diferente sim, isso era. O pouco que me lembro, já me basta para lembrar. A idade era bem menor, a inocência mais um pouco, era mesmo, mas o medo, esse sim, já existia e, se não era do tamanho que é hoje, mesmo assim, ia crescendo. Às vezes devagar, às vezes não. Era melhor, era pior? Não, era apenas diferente...


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É a era que estamos...

Quanto pior? Gostamos...

Nem sabemos escrever direito...

Toda qualidade? Agora é defeito...

Registramos toda a vergonha...

E que nos cura? A peçonha...

É a era que estamos...

E nem mais pensamos...


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Um rio cortado ao meio

Não irá mais até o mar

Ficará por aqui mesmo

Em terras que não são suas...

Um amor interrompido

Só trará mais mágoas

Choros virados para a parede

Noites insones e intermináveis...

Um sonho quebrado no chão

Um nova estrela que caiu

O fim de toda a esperança

Como um aborto malvado...

domingo, 17 de maio de 2026

Caverna de Modernidades

Quanto mais para frente, mais para trás...

(E os domingos são segundas! São sim!)

É hora de desaprendermos quase tudo

Assim como aumentarmos o nosso medo

E inventarmos mais necessidades vitais...


Quanto mais bondosos, mais malvados...

(E o amanhã é ontem reciclado! Pois não!)

A ciência foi feita para os que possuem

E tudo que será uma hora mais obsoleto

Será usado pela multidão feita dos tolos...


Quanto mais pacíficos, mais violentos...

(Hoje comeremos a pomba da paz! Comeremos!)

Cada rua é mais um novo e perigoso desafio

Para isso são dispensados todos os relógios

E todas as convenções serão jogadas no lixo...


Quanto mais comuns, mais inéditos...

(Hoje teremos pão! Ou não teremos nenhum!)

O Diabo sambou em cima do caco de vidro

E todos os enfeites que haviam nos jardins

Agora estão numa caverna escura de modernidades...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Inexplicáveis

Vamos dançar com pés de nuvens

Sobre esse tapete de cacos de vidro?

Por quanto tempo iremos dançar?

Toda a eternidade menos um segundo...


Iremos nos beijar com náufragos

Nos afogando em oceanos de saliva?

Isso nos levará até em que terras?

Em qualquer país que esteja bem ali...


Um par de asas será assim suficiente

Para que possamos andar pelas ruas?

Seremos gatos e não sabemos disso?

Todo sol nos faz qualquer uma falta...


Tomaremos uma taça de chá de cicuta

Rindo da última besteira da estação?

Por que os tiros não nos atingem mais?

Nossos peitos são de vidro inquebrável...


Quantas peneiras essa luz vai precisar

Até que a noite finalmente chegue aqui?

São necessárias quantas rosas de açúcar?

Sinto falta de alguns velhos carnavais...


Abro os braços feito mártir de mim mesmo

Onde cada susto faz parte dessa mesma rotina?

Até quando meus nervos irão então implodir?

Quando a história virar apenas um número...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 9 de maio de 2026

A Culpa Não É dos Olhos

 A culpa não é dos olhos,

Nunca foi,

Sempre estiveram lá,

No mesmo lugar...


Foram testemunhas dos crimes

E de tudo mais que nos feriu...

Foram eles que salgaram sempre

Por ordem do nossso coração...

Acordaram com todo o medo

Nas noites mais escuras possíveis...

Enxergaram em sujos espelhos

O nosso caminho para o nada...

Comeram mais do que a boca

Obedecendo nossa insensatez...

Andaram por todas as terras

Mesmo quando não haviam...

Fecharão num dia final

Junto com a nossa respiração...


A culpa não é dos olhos,

Nunca foi,

Sempre estiveram lá,

No mesmo lugar...

Até fecharem de vez...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).


sexta-feira, 8 de maio de 2026

And So All The Walls Fell Down

Não cai agora.

Não é pra cair.

É pra manter a ilusão que está seguro

Mas não está...


Olhe só o marionete!

O escravo do sistema.

O pedinte com dinheiro.

O amado sem amor...


Não vai agora.

Feito pra sofrer.

É pra pensar que tem alguém

Mas não tem...


Olhe só a liquidação!

O bobo sem corte.

A piada sem graça.

Sonhando nenhum sonho...


Não voa agora.

Verme se arrasta.

Se nasce pra servir de alvo

E acaba se servindo...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quinta-feira, 30 de abril de 2026

No Teto, No Chão

No teto

Sem afeto

Quase secreto

Se joga de lá

Vai cair não vai voar

É apenas ilusão

O teto é o chão...


No teto

Tão abjeto

Sem projeto

Desista logo

A vida não tem diálogo

É só solidão

O teto é o chão...


No teto

Tão concreto

Sem direto

Não adianta nem pedir

O próximo não está nem aí

É só ilusão

O teto é o chão...


(Extraído do livro "Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Poemisco (Poesia Experimental)

  Eu corro risco De ficar arisco Feito um pitbull Eu perco feio Caí bem no meio Desse only you Eu corro risco De chorar com cisco Lá na Zona...