quarta-feira, 18 de março de 2026

Não Há Paredes

Não há paredes para minha liberdade

Nem há muros para meus sonhos sequer

Eu engoli o tristeza em um gole só

E fiz da minha sombra boa companhia...


Até o amor não me machuca mais

Com sua partida sem me dizer um adeus

A única realidade mais que possível

São os dedos frios da morte me acariciando...


Saio da frente desta mais cruel tela

Sendo apenas mais eu e nada mais

De tanto pensar acabei descobrindo segredos

E nenhuma crueldade será mais novidade...


Não há paredes para os meus versos

E eles me seguirão nos caminhos que for

Se serão lidos ou não não são problema meu

O último deles será como o fim da chuva...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 10 de março de 2026

Pois Na Cidade Também Há Solidão

Eu sei,

Você sabe,

Ele sabe,

Todos nós sabemos,

Que na cidade também há solidão,

Em cada mercado tão cheio,

Em cada praça mais lotada,

No meio do bloco no domingo,

Na hora do rush na Central,

Somos feito pombos disputando os grãos...


Eu quero,

Você quer,

Ele quer, 

Todos nós queremos,

Que a morte perca o último ônibus,

Que o amor se canse e não parta mais,

Que a maldade caia no chão e quebre,

Que a esperança venha que nem febre,

Que a dúvida sorria do canto da boca,

Somos como bêbados de alguma alegria...


Eu tenho,

Você tem,

Ele tem,

Todos nós temos,

Um mesmo medo no fundo da alma,

Uma mesma desunião entre seres queridos,

Enigmas que nunca podem ser resolvidos,

Desculpas esfarrapadas para qualquer erro,

Dores que não aparecem e nunca param,

Pedidos de esmolas quase disfarçados...


Eu sou,

Você é,

Ele é, 

Nós somos,

Apenas humanos nesta solitária cidade...


(Extraído do livro "Leonardo e O Chão" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 9 de março de 2026

Metamorfose em Anjos

Em pouco tempo

Não haverá mais tempo

Nem pra pensar...


Um vendaval invadiu as janelas

Trouxe poeira pros móveis

Quase rasgou as cortinas azuis...


Talvez amanhã

Todos os prédios desabem

E seremos ruínas...


A televisão acabou pegando fogo

E a fumaça resultante

Acabou transformando em nuvens...


Certamente hoje

Alguém de cara mais feia

Cantará um réquiem...


Pois eu envenenei o meu chá

E nada aconteceu

Pois temos vícios bem piores...


É tudo um hábito

Como a guerra para os malvados

Ou tristeza para pobres...


Eu só sei que nada mais sei

E agora meus demônios

Também cantam seus hinos...

domingo, 8 de março de 2026

Ingrata (Miniconto)

Não foi ingrata  como parecia, foi muito, mas muito mais mesmo. Qualquer superlativo ainda é fraco perante ela. O engraçado é que como ela existem muitas pessoas pelo mundo, livres e soltas para fazerem suas maldades. Não são doentes como poderíamos até achar que são - são simplesmente más. Algumas possuem defeitos expostos, outras não, esses são escondidos como certas relíquias em gavetas bem fechadas. Algumas também apontam seus alvos e atiram: pam! Se acertam, problema de quem foi ganhou o tiro... Se não acertam, também sabem fazer uma bela encenação. Outras, exemplares um pouco mais raros, passam a vida em branco, parecendo que são boas pessoas, mas não são, seu veneno está guardado num vidrinho e se um dia precisarem, certamente utilizarão... Ela é uma delas - psicopata. E eu, apenas um azarado que a amou e se ferrou com todas as letras, mas na falta de um termo mais exato, chamarei de ingrata. Até rima que nem naquela música... 

sábado, 7 de março de 2026

Nova Idade

Nova idade

De exageros antigos

De bunkers sem abrigos

De colegas que são inimigos...


Nova idade

De senhas esquecidas

De amores sem margaridas

De mortes fantasiadas de vidas...


Nova idade

De covas condomínios

De mais invisíveis domínios

De maldades com patrocínios...


Nova idade

De ouvintes surdos

De argumentos absurdos

De oradores mais que mudos...


Nova idade

De ricos impunes

De doentes mais imunes

Desta separação que nos une...


Nova idade

De insossa delícia

De desastrada perícia

De mais mortal carícia...


Nova idade...


(Extraído da obra "Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quinta-feira, 5 de março de 2026

Jogos Extremos

Temos o excesso da falta...


O primeiro controle remoto

Foi no mais remoto tempo

Em que as mais pobres uvas

Eram apenas umas simples uvas...


Corra que a polícia não vem aí!


A violência plena e constante

Agora virou mais uma regra

Não é que estamos no absurdo

O absurdo sempre existiu...


Engoliram todos os rádios de pilha...


Rolaram pudins ladeira abaixo

Realidade com suas caras e bocas

Foi naquela noite que eu nasci

Que eu aprendi o que era noite...


Abaixe logo esse som, porra!


Toda o ar que agora está esfriando

Dia desses também foi quente

A barriga que ontem esteve cheia

Agora está mais do que vazia...


Os incomodados que se emudem!


Antes do pelotão todos ficam de pé

Ela passeia como se não tivesse risco

Não faremos mais pergunta nenhuma

Porque não importa nenhuma resposta...


Temos a falta do excesso...


(Extraído da obra "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 2 de março de 2026

Minimalismos 9

O Cárcere


O cárcere prende tudo:

O prisioneiro,

O carcereiro,

O dezembro,

O janeiro,

O último

E o primeiro...


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Saco Cheio


Tou com o saco cheio

de tanto vazio...


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Te Aguardo


Te aguardo

Como leve brisa

Ou pesado fardo...


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Quando Veio


Quando veio

Veio mesmo

Como tiro à esmo...


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Sabia?


Não sabemos nada

Nem se estamos vivos

Nem se estamos mortos...


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Pular Corda


Sábia arte

De mais do que

Equilíbrio...


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Mais


Muito mais vemos

Do que ouvimos...

Não Há Paredes

Não há paredes para minha liberdade Nem há muros para meus sonhos sequer Eu engoli o tristeza em um gole só E fiz da minha sombra boa compan...