segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Siga O Bando

Siga o bando

Qu'eu mando!

Até quando?

Vá esperando...


Até quando não poder mais,

Até cessarem as ondas do cais,

Até a guerra implorar a paz...


Siga o bando

Qu'eu mando!

Até quando?

Vá manerando...


Até quando caírem os dentes,

Até as mãos estarem dormentes,

Até dar remédio aos pacientes...


Siga o bando

Qu'eu mando!

Até quando?

Vá implorando...


Até que o tesão esteja acabado,

Até eu rir porque estou errado,

Até eu notar que estou acordado...


Siga o bando

Qu'eu mando!

Até quando?

Vá delirando...


Até eu pular nessa tal ribanceira,

Até eu acabar com essa tremedeira,

Até eu sair dessa vã pasmaceira...


Siga o bando

Qu'eu mando!

Até quando?

Vá pensando...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

domingo, 6 de setembro de 2026

Maracatus e Cirandas em Antigas Manhãs

Novelos embolados com ausentes gatos

Preços muito altos para insignificâncias

Estátuas de gelo sob um sol escaldante

Novos idiomas para ninguém entender


Não tem cabrocha e o Irajá está tão longe...


Tombos e ralados para nosso final deleite

Medidas certas para os mais cegos olhos

Os biscoitos agora estão caídos pelo chão

Qualquer marionete eletrônica faz gozar


Todos cagaram e esconderam sob o tapete...


Facilmente deliramos em certos devaneios

Os mártires berram suas palavras de ordem

A sujeira das famílias é lavada com veneno

No oitavo dia da semana chegamos de viagem


Minhas virtudes e defeitos nunca foram meus...


Não aceito menos que vinte e cinco horas diárias

Beijaremos as marés com os beijos mais tarados

Nunca peça explicações porque nunca nada sei

Tem uma valsa dançada sobre urbanos escombros


O cara famoso é mais um merda que deu certo...


Somos todos canonizados neste nosso lindo inferno

A mentira é mercadoria de mais urgente necessidade

Minhas carpideiras sempre farão um alegre stand up

Minha linda cidade com seus campos de concentração


Só na loucura alcançaremos esta tal de lucidez...


Daqueles filmes antigos todos os atores estão mortos

O monstro do lago Ness agora trabalha no fast food

Gasolina bem mais barata para podermos respirar

Vamos ser tão etéreos como as mais pesadas pedras


Somos presas de uma elite que também comerá terra...


Os twins mantêm um caso amoroso mais secreto

A borda da pizza vem recheada só com os alfinetes

Plantei morangos na caatinga e só colhi sardinhas

Não há nada mais doce atualmente que o vinagre


O samba-enredo fala de tudo menos de alegria...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Absorto Em Mim

Não sei mais o que faço

(Se é que faço...)...

A chuva cai a cem por hora

Não sei se fico ou vou embora

Qualquer lugar será um lugar

Colocar os pés no chão e descansar...


Não sei mais o que bebo

(Se é que bebo...)...

Os bebâdos solitários em bando

Sem destino e sem um até quando

Como num sucídio quase coletivo

Para viver basta não estar mais vivo...


Não sei mais o que fumo

(Se é que fumo...)...

A minha expectativa é quase zero

Mas mesmo assim eu então espero

Brote ainda neste rosto talvez o riso

Nada mais que isso é o que eu preciso...


Não sei mais o que sinto

(Se é que sinto...)...

É algo assim como totalmente diferente

Que me faz sentir como se não fosse gente

O que seria no meio dessa tal multidão?

O que sente agora o que chamo coração?

Sou uma flor morta de um largado jardim

E eu só posso que ficar absorto em mim...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 5 de setembro de 2026

Síndrome de Judas

Nem sabemos se sabemos

Ou se temos...


Eis o mágico de araque

Num belo copo de conhaque

O conhaque que sobe à cabeça

E por incrível que pareça

Assina a nossa sentença

Uma sentença mais rude

Sem dinheiro e sem saúde...


Nem sabemos se sabemos

Ou se vemos...


Eis o soldado tão sozinho

Em qualquer copo de vinho

O vinho que nos faz vomitar

Enquanto a cabeça está a girar

Eu não tenho boca pra falar

Uma sentença estranha

Sem destino e sem manha...


Nem sabemos se sabemos

Ou se cremos...


Eis a vítima da trapaça

Numa dose qualquer de cachaça

A cachaça foi jogada pro santo

Foi jogada ali em qualquer canto

Foi motivo de riso idem de pranto

Nossas reclamações mais mudas

Na hora da ceia fomos só Judas...


Nem sabemos se sabemos

Ou se temos...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A Sobra

 

Sobrou um resto de comida no prato

Sobrou um resto de vinho no copo

Sobrou um resto de poesia no coração...


E é o que temos para hoje

(Célebres desconhecidos andarilhos)

Até que o sol se ponha de uma vez...


Sobrou uma roupa pendurada no varal

Sobrou uma pergunta na sabatina

Sobrou um resto do sonho que destruíram...


E é tudo aquilo que me sobrou

(Se é que me sobrou alguma coisa)

Até que não nos sobre mais coisa alguma...


Sobrou um resto de comida no prato

Sobrou um resto de cana no copo

Sobrou um resto de vida guardado...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

E Quem Sabe?

E quem sabe (mesmo não sabendo) o que o destino nos aprontará amanhã de tarde madrugadamente em nuvens desenhadas num papel na tela do meu velho-novo celular?

Ah! Minha voz se calou em instante que durou mais de um século, ainda que meu tamanho caiba no oceano por inteiro ou na luz das estrelas. Eu me lembro bem que chorei por ver o outro lado do Atlântico...

E quem inventará (mesmo sem imaginação alguma) uma nova cor que iguale aos homens para que o sossego venha mesmo quando a morte se recuse à tirar algumas férias?

Sim! Escutem quem vem de longe, meu bloco de loucos que não se cansam nunca e brincam mais do que um só carnaval. A minha cara pintada ainda anda por todos os ares mostrando que até os mortos não morreram...

E qual droga poderá me vencer se a minha esperança invade os meus pulmões e a fantasia domina os meus neurônios mais do que qualquer uma que saiu da mão do vilão?

Oh! Talvez reste algum trocado neste pobre e largado bolso onde algumas coisas bem melhores andaram um dia em tempos em que minhas pernas não fraquejaram tanto como fraquejam agora e eu ainda espero por minhas asas...

E qual amor ainda me olha com bons olhos enquanto os meus já se fecharam para mais um sono medíocre daqueles que acorda com qualquer barulho possível? Quem sabe?...

Fumaça Sem Fogo

As folhas secas não acendem,

Não adianta fazer fogueirinha,

Nem aquelas do caminho que papai fazia...


Não há fogo para essa fumaça,

O coração se apagou de vez,

A fumaça é do meu pensamento...


As noites viraram certas manhãs,

O sol não precisa de mais nada,

Temos as cores mais que reais deste pintor...


Talvez o mais simples dos cigarros,

Nas mãos deste mais pobre louco,

Que pensa ainda sobre um vintage amor...


Os carros passam tão calados,

A maldade vai engolindo o mundo,

Não temos mais resposta para tais perguntas...


Quem pode decretar alguma sentença,

Ou ainda nos trazer algum vão consolo,

Se o único barulho que tenho é do meu choro?...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Siga O Bando

Siga o bando Qu'eu mando! Até quando? Vá esperando... Até quando não poder mais, Até cessarem as ondas do cais, Até a guerra implorar a ...