sábado, 10 de outubro de 2026

A Medida do Caos

A medida do caos se faz sem régua

Uma guerra interminável sem ter trégua...


O leite se azedou

O copo já caiu

Ninguém mais viu

O vidro quebrou...


A medida do caos se faz aqui e acolá

Ninguém sabe onde é que ela está...


O rosto enrugou

A velhice veio

O bonito e o feio

Tudo igualou...


A medida do caos é conta complicada

Onde há tudo e ao mesmo tempo nada...


A festa acabou

Só restou a fumaça

Tudo logo passa

Tudo passou...


A medida do caos é pergunta sem resposta

Um veneno amargo que todo mundo gosta...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Cores Sem Cor

Não que a minha tristeza justifique a falta de alegria

Dias foram feitos para serem claros mesmo na escuridão

Cada grito acaba ecoando mesmo sem ter qualquer ouvinte

E suspiros de amor acabam misturando com a maldade

Eu sou aquele que não era mesmo que ainda o seja...


Na madrugada sombras acabam se confundindo ternamente

Enquanto o desespero usa do silêncio mais que mórbido

Antes que todo o carnaval tenha se acabado de uma vez

Não saberemos se o próximo será nosso ou que nunca mais

Eu sou o embriagado que não bebeu nem uma gota de álcool...


Minha poesia olha assim meio que de lado mesmo que não

Fala de flores que já nasceram mortas antes de serem assim

Tudo é como se fosse um funeral exclusivo para os vivos

Morremos a cada minuto que o relógio vai se expandindo

Eu sou o drogado que não usa droga nenhuma sempre...


Todas as boas intenções acabaram morrendo em seu berço

As multidões vivem enganadas com seus pequenos detalhes

Numa história quase interminável que vai só se repetindo

O hoje é o ontem que veio de qualquer jeito claudicando

Eu sou a calçada que abriga muitos e que fica tão sozinha...


Existem abismos que sempre passam tal desapercebidos

Máscaras são compradas em qualquer bazar dos bairros

Vamos andar por quilômetros mesmo que isso seja queda

E vamos bater palmas para quem queira nos enganar

Eu sou aquele que possui asas e rasteja pelos chãos...


A loura bonita corre atrás de mim querendo um autógrafo

Enquanto sua maquiagem pesada borra o rosto sem sal

E a morena tem marcas roxas pelo corpo dadas pelo covarde

Porém ela que escolheu este destino que acontece com putas

Eu sou aquele que anda pelos esgotos como se fosse um lar...


Urbanas, vem urbanas, somente sós e somente urbanas

Somos mais primitivos que os modernos homens das cavernas

Andamos com nossos veículos com suas rodas quadradas

E temos os cantos das unhas sujas na mais pura diversão

Eu sou aquele que muda toda a história com um tom apenas...


(Extraído do livro "Escola do Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

A Teia da Teia

A teia da teia: 

Até a aranha cai na armadilha...


Até para quem vive matando

Hora dessas virá o fim

Todo silêncio sai gritando

Entre ruas que não respondem...


A teia da teia:

Até a aranha cai na esparrela...


Todos os gritos pelas madrugadas

Apagam-se feito pirilampos

Que irão pra casa dormir

Porque não há mais o que fazer...


A teia da teia:

Até a aranha vira o prato do dia...


Enquanto os aviões caem lá de cima

Os misseis sobem daqui de baixo

E os drones indecisos como sempre

Desconhecem o que é o que é...


A teia da teia:

Até a aranha fica sem seu veneno...


A água vive escapando do cano

Nas horas mais improváveis possíveis

Enquanto outras muitas só sobem

Para que haja a o próximo tombo...


A teia da teia:

Até a aranha teve que ir para a fila...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 381 *

Febre constante

De origem desconhecida...

Algum delírio

Desconhecendo a sintomatologia...

Dificuldade respiratória...

Foi o amor ou foi uma virose?


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Falaram de primaveras,

Sim, falaram mesmo...

De alguns sonos também,

Herança da noite passada...

E dessa vontade de voar

Que até me dói...


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Para o que quase foi,

Alguma coisa...

Para o que não foi,

Nada nos restas...

E um gato andando

Por cima do muro

Tão tranquilo...


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Repito quantas vezes que assim o quiser

Tanto a sua lembrança quanto minha dor...

Escuto passos silenciosos no corredor

Talvez até o fantasma do que um dia fui...


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A madrugada é minha...

Nela faço desfilar um bloco

No carnaval mais silencioso de todos

Como qualquer sonhador com seus sonhos...

É um alarido só em meu peito! Um alarido só!

Amanhã meus olhos estarão fechados, 

Tudo voltou ao normal...

A madrugada é minha...


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Tempos tristes estes...

Mais tristes do que nunca...

Onde cada um olha para o lado

E assim segue seu caminho

(Se é que ele existe)...

Onde cada medo é do portador

E cada tristeza também...

Tempos tristes estes...


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Esqueci a letra

Não sei mais a melodia

Todos os detalhes agora fogem

Como te olharei mais

Se até me faltam olhos?

 

domingo, 4 de outubro de 2026

Nenhum de Nenhum

Nenhum é de nenhum

O choro alheio não diz nada

Quem vai cair que caia

Mesmo do alto da escada


O teu dinheiro o teu

A fome alheia não é a tua

Se existe a tua felicidade

Que o outro chore na rua


Mesmo quando dizes que é bom

Isso é uma mentira deslavada

A solidariedade é inexistente

Foi uma mentira inventada


Quem morre é o bicho

O ser humano é que fica vivo

Por que ficar triste por outrem?

Para isso não existe motivo


Nenhum é de nenhum

O choro alheio não diz nada

Quem não tem que não tenha

Que vá dormir na calçada...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Alguns Poemetos Sem Nome N° 380 *

Nada do que eu sei, eu sei

Já esqueci até daquele teu cabelo castatnho

E daqueles teus olhos fora do lugar...


Nada do que eu sei, eu sei

Não escrevi no meu velho caderno quais dias

Que aquelas minhas tardes eram mágicas...


Nada do que eu sei, eu sabia

Podetia ter teu beijo mesmo que roubado

Enfeitado de maldade, assim todo enfeitado...


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Contramão...

Solidão quase escolhida.

Onde está

O que chamamos vida?

Talvez ali no canto

Encolhida...


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Assim como a água acabou,

Meu pobre sonho também...

Assim como o dia acabou,

Outros virão para acabar...

Assim  como as nuvens acabam,

Outras também virarão chuva...


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Nem todos os risos que dei compreendi

O porquê estava rindo...

Nem todos os amores que amei

Deixaram de ferir-me...

Nem todas as nunvens eram tempestades

Mesmo quando todas elas serão...


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De muitas coisas me arrependo,

De outras nem tanto...

Por muitas coisas eu chorei,

Por outras nem tanto...

Muitos amores tiraram meu sono,

Outros me fizeram dormir...

Mas as minhas fantasias, essas sim,

Todas valeram a pena...


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Cada dia é um arremedo do anterior,

Todos os amores são preocupantes,

Todos os pensamentos adoram fugir,

Todas as palavras acabam guaguejando,

Todo medo evita olhar no espelho...


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Todo mistério em mim acabou,

Todas as sombras se dissiparam,

Não sei se pela idade ou pela dor,

Meus versos agora são preto-e-brancos,

Como a TV antiga que o menino via...

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Optimum



Eu quero a flor dos campos

Sobretudo a que não nasceu

Uma poesia enjoada de tanto doce

Como aquelas que ninguém vendeu...


Uma poesia dessas bem doces

Dum doce que até sempre dói

Que seja teimosa feito o tempo

Que anda e ninguém destrói...


Eu quero reencontro na praça

Depois de tanto tempo sumido

Para que esperar valha a pena

Mesmo sofrendo tenha sentido...


Viver é como chorar sempre

Mesmo quando o riso vem junto

Sem medo e sem ter desespero

Já que isso é um outro assunto...


Eu quero a flor dos campos

Sobretudo a que não nasceu

Uma poesia enjoada de tanto doce

Como aquelas que não se percebeu...


(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

A Medida do Caos

A medida do caos se faz sem régua Uma guerra interminável sem ter trégua... O leite se azedou O copo já caiu Ninguém mais viu O vidro quebro...