Blog do Carlinhos
Perdido como hão de ser os pássaros na noite, eternos incógnitas... Quem sou eu? Eu sou aquele que te espreita em cada passo, em cada esquina, em cada lance, com olhos cheios de aflição... Não que eu não ria, rio e muito dos homens e suas fraquezas, suas desilusões contadas uma à uma... Leia-me e se conforma, sou a poesia...
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Alguns Seres (Miniconto)
terça-feira, 4 de agosto de 2026
Não Há, Não Há
Não há diferença
entre um santo iogue
e um simples hot-dog
entre um poema
e o velho problema,
não há, não há...
Não há diferença
entre os teus lábios
e conselhos sábios
entre garotos de aluguel
e barcos de papel,
não há, não há...
Não há diferença
entre a comida boa
e o balanço da canoa
entre o susto do eco
e a cana no boteco,
não há, não há...
Não há diferença
entre essa inocência
e a nossa indecência
entre a sua entrepernas
e as penas eternas,
não há, não há...
Não há diferença
entre a cortina de aço
e a falta do abraço
entre vento do norte
e a fraqueza forte
não há, não há...
Não há diferença
entre o corpo de delito
e a pata do cabrito
entre a pata choca
e a cara do boboca
não há, não há...
Não há diferença
entre a bunda de pandeiro
e o saco de dinheiro
entre a ida para Marte
e a carta do descarte
não há, não há...
Não há diferença
não há, não há...
(Extraído do livro "Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida).
Estética de Lobos
Espadas cor de prata
Dentes de ponta afiada
Uivos para a lua
Lua cheia insana...
Carinhos que ferem
Olhos cheios de medo
Reflexos na água
Água para sonhos...
Pêndulos intermináveis
Certeza da matilha
Malabarismo louco
Louco na praça...
Inominável preço
Endereço errado
Acabou-se a festa
Era festa de mortos...
Inevitável choro
Presa inocente
Coroa de louros
Teus louros cabelos...
Nem sim nem não
Veneno indolor
Cheiro de ilusão
Ilusão sem olhos...
Faróis sem mira
Ossos sem lida
Estamos no jardim
Jardim sem delícia...
Vamos para o sempre...
(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).
Nada Posso Naquele Que Me Enfraquece 2
Ela goza enquanto fala seu inglês de internet...
Masca seu chicles enquanto faz serena seu anal...
Poderemos esconder o urso de pelúcia no cofre?
Eu tenho crises de labirintite naquele labirinto...
Sua bondade é composta da malícia mais pura...
Posso falar meu português com sotaque alemão?
Esta fome é mais eterna do que os rios são...
Me perdi numa multidão apenas de um só...
Será que biscoitos e bolachas vão combinar?
Assistam logo o livro e não deixem de ler o filme...
O alien tem um forte sotaque caipira sem dentes...
Posso me refrescar com um belo banho de fogo?
Minha fé só funciona quando existem milagres...
Se eu faço um círculo de carvão ganho prêmio...
Fico na dúvida se posso ter dúvida ou não?
O morto faz uma vaquinha para seu enterro...
Minha síndrome do pânico entrou em pânico...
Cadê o toucinho que o rato um dia pegou?
O malabarista nunca soube andar de bicicleta...
Chanel come suas torradas só com cerveja...
Será que um dia seremos avós dos nossos filhos?
O pai aqui sabe de tudo especialmente nada...
Esta minha modéstia me impede de ser modesto...
Uma crise de espirros pode ser um bom negócio?
Foi o santo que acabou subindo da porta-bandeira...
Eu nem sei mais o que irei comer no dia de hoje...
Quantos quintais são precisos para os carnavais?
Nossa urbanidade deveria ser um pouco mais rural...
Minha fraqueza amanheceu até mais forte hoje...
(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).
Nada Posso Naquele Que Me Enfraquece
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Enquanto disputam seus amendoins
Cavaleiros medievais usam celulares
Para cantar sambas-canções maneiros
A vida segue em frente de marcha-ré
Enquanto faço meus balões de jornal
Alguém chora dormindo por charutos
E as Índias Ocidentais fazem suas greves
O não é sim quase sempre e o sim é não
Uma notícia bombástica não explodiu
Ondas dos teus cabelos servem pra surf
São tantas letras para pandeiros mágicos
Por mar qualquer terra parece um doce
Alguns zumbis são alérgicos aos miolos
Somos mais tão diferentes de nós mesmos
Qualquer soldado treme de frio ou tesão
A nouvelle vague abriu suas novas vagas
Vamos repetir aquilo que nunca comemos
Meu pônei acabou fazendo curso de filosofia
Estão vendendo rodas de Sansara na feira
Mosquitos malandros agora usam fast-food
O rapaz da bicicleta pratica o vampirismo
Bela recepção no aeroporto com palavrões
Em Minas estão encenando uma nova novela
Toda culpa gosta de jogar sua roleta-russa
Quem sabe as teclas do piano são dentes
A puta velha ainda se acha uma novinha
Fui no cinema ainda no século passado
Queria ser um santo mas faltaram chifres
Só beberei água quando for para Marte
Quem mais dança a catira faz com as mãos
A nova língua oficial se chama solidão
Nem Pedros e nem Paulos no mapa-mundi
Frases perfeitas são proferidas por mudos
O pé de acerola testemunhou o seu crime
Minha poesia é apenas mais um rasgo d'alma
O monstro da lagoa agora habita desertos
Eu falo em mandarim toda vez que eu penso
Nossas lições de casa esqueci pelas ruas
Quem nunca fez macarrão quase não viveu
A arte sacra é um bandolim feito de chocolate
Minha batina esqueci na encarnação passada
Tudo que é verdadeiro tem cheiro de tangerina
Já fiz alongamentos com caneta esferográfica
Quando assinei minha sentença de morte tremi...
(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Quantas Vezes Já Morremos Juntos?
Quantas vezes já morremos juntos?
Quantas vezes já morremos juntos, meu amor?
Em cada rua, em cada praça, em cada esquina
Esses nossos corpos jazem sob o sol inertes
Enquanto as moscas pousam sobre nós...
Quantas vezes já morremos juntos?
Quantas vezes já morremos juntos, paixão minha?
Em cada hora, em cada minuto, em cada segundo
Estávamos sem relógio para prevermos isso
Mas a morte não tem culpa alguma...
Quantas vezes já morremos juntos?
Quantas vezes já morremos juntos, minha amada?
Em cada sorriso, em cada riso, em cada gargalhada
Fizemos a última e derradeira brincadeira
E ninguém acabou percebendo esta peça...
Quantas vezes já morremos juntos?
Quantas vezes já morremos juntos, minha linda?
Em cada gole, em cada tragada, em cada overdose
Fomos apenas mais um número estatístico
O fim de cada ritmo vivente e fisiológico
Como duas pedras que param de rolar...
Quantas vezes já morremos juntos?
Quantas vezes já morremos juntos, meu amor?
Talvez vidas futuras sejam nossa redenção...
(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).
Alguns Poemetos Sem Nome N° 371 *
O ventilador zune na sala
Os mosquitos zunem em meus ouvidos
Uma noite ternamente lúgubre
Sussura maldições para mim
O laço de fita que ela não usa mais
Jaz adormecido no canto da cama
Só posso pedir socorro às paredes...
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Nunca seremos mais os mesmos
Cada segundo dá sua contribuição
Normalmente não há nada normal
Eu engulo as notícias como saliva
Gostaria de não pensar em nada
Porque as estatísticas nos mostram
Que a encomenda da salvação
Acabou atrasando no correio...
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Cada destilado que bebi
Foi mais uma simples descoberta
Cada trago que dei no cigarro
Foi um simples pulo no abismo
Eu tenho cá certas manias
Que acabam fazendo história
Cada amor que tentei em vão
Foi prova de minha insanidade
Cada mentira que tentei contar
Enganou foi à mim mesmo
Nunca nada foi mais doce
Do que esse amargo na boca.
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Enquanto um estômago está cheio
O outro estômago está vazio
Enquanto um rosto ri demais
O outro é um pântano lacrimoso
Enquanto a bondade tenta andar
A maldade sobrevoa as casas
Não se trata de maniqueísmo
Se trata de olhar apenas o que há...
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Eu parei o ar! Congelei o tempo!
Os velhos decalques na geladeira
Acabam partindo pra não sei onde...
Eu olhei tuas curvas! Queria mais!
Minha líbido gira pelo ar turvo
Como moscas que enlouquecem
E mergulham em direção às teias...
Eu não disse nada! Foi mais que tudo!
Certas revelações nos ferem
Mais que qualquer agulha imaginária...
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Tudo que vive, acaba morrendo
Até o inédito cheira à normal
Faltam novidades para ver
Faltam mentiras para ouvir
Carpideiras também folgam
Todos os passos acabm lentos
E os carnavais vão se repetindo...
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Eu não procuro a beleza
Eu procuro a arte
A beleza nunca foi
Atributo obrigatório dela
A arte é apenas cruel
Mas redentora
Mistura-se com o sonho
Feito café com leite...
Alguns Seres (Miniconto)
Alguns seres (ou seriam muitos deles?) fazem exatamente o que sistema quer. Não possuem o hábito da leitura, não sabem o que os cerca, não t...
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É que nem um rio dentro de um envelope Que hoje o carteiro não trouxe nem ontem... Quase um enigma sem segredo existente Que qualquer bêbad...
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Imersos no tempo Queremos ser o que não somos... Rindo de qualquer piada Para que o coração não esmoreça... Amando todo o perigo Para nossa ...
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Tão p erto demais das tormentas Destes ventos, destes temporais, Das guerras, das coisas violentas, Espero em vão outros carnavais Me...





