quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Em Close

Todo dia. Mania.

Só converso de boca fechada.

Mesmo vendo não vejo mais nada.

A pergunta não foi perguntada.

Em close...


É a lua. Está seminua.

Meu tesão supera meu ócio.

A morte da vida é o sócio.

Agora fazemos qualquer negócio.

Em crise...


O beijo dela. Foi na favela.

Meu terror é bem mais que dor.

Quem me mata aos poucos é o amor.

Não há sombra pra rapariga em flor.

Em classe...


Meu erro. Meu enterro.

Eis o mais carioca dos sotaques.

Cada qual tem lá os seus ataques.

Eu vou cambaleando sem os conhaques.

Em crase...


Para o não. Minha revolução.

Peguei as tralhas e saí por aqui.

Tenho o mundo e não sei por onde ir.

Cama de pregos pra esse nosso faquir.

Em click...


Todo dia. Maria.

Só converso com a voz calada.

Mesmo tendo não tenho mais nada.

A pergunta já foi apagada.

Em close...


(Extraído do livro "Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Místico Ou Quase

 

Termo básico.

Olhar para o nada sem fazer nada.

Enquanto o mangue invade sem parar.

Onde estamos?

Em nenhum lugar aqui por aí...


Sem ter data.

Aqui quem manda é o dinheiro.

Até baratas de marca está servindo.

Onde estamos?

No meio do deserto de um inferno...


Aqui tudo vale.

Vale até o que não vale que vale.

Novelo de lã pro gato brincar.

Onde estamos?

Guardados amarelados na gaveta...


Em liquidação.

Bem mais barato que o barato.

Garrafas quebradas não são tapetes.

Onde estamos?

No fundo de um poço sem fundo...


Este teu sumiço.

Para tua gaveta foram estas flores.

Pelas costas toda aquela maldade.

Onde estamos?

Num silêncio sem ter cor alguma...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Talvez Fuga

Eu quero fugir sem motivo algum...

Apenas fugir... Sem motivo algum...


Fugir dos nossos pecados... Das nossas alegrias...

Num idiona que só dois entendemos... Mais ninguém...

De um vermelho quase sangue... De um azul lilás...

Que você, meu amor, possa assim descanse em paz...


Eu quero fugir sem motivo algum...

Apenas fugir... Sem motivo algum...


Fugir e sair voando... Eu virei Ícaro...

Não houve nada pra nós... Só o mundo inteiro...

E me arrependo de não me arrepender... Não estou...

Que o destino faça aquilo que ele assim quiser...


Eu quero fugir sem motivo algum...

Apenas fugir... Sem motivo algum...


Fugir me deitamdo sim... O tempo vai me esconder...

Eu nem sei o que era... Talvez fosse amor de verdade...

Mas haviam muros e muros... Eu acabava entorpecido...

Como um velho bêbado mais do que desesperado...


Eu quero fugir sem motivo algum...

Apenas fugir... Sem motivo algum...


Fugir de um mar sem beijos... Maldade dos que viam...

Depois que o tempo foge... Nunca mais saberemos...

Andar por aí é o que temos... Não exsite nada mais...

Mas eu prometo lembrar daquilo que não me lembro...


Eu quero fugir sem motivo algum...

Apenas fugir... Sem motivo algum...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Tou Falando

Tou falando

NInguém sabe. ninguém vê

Todos estão se encegando

Numa quimera que não se vê


Tou gritando

E a apatia é quem nos manda

É lobo outro lobo se devorando

Estamos sós mesmo em banda


Tou me calando

A praça não me adianta meis

Não sabemos até quando será quando

A morte vem vindo depressa lá atrás


Tou me dormindo

Alguém me jurou ter qualquer segurança

E sonho com o meu prédio quase caindo

Ninguém mandou eu ter uma esperança


Tou falando de boca fechada

Meus olhos é que ainda podem falar

Falar sobre tudo ou com quase nada

Um dia vai embora esse meu penar...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Badulaque No Mimaque

 


Pois essa semana eu peidei azul, peidei azul!

Viva o fubaco do Zé Suvaco na manteiga!

Bolinha de meleca também serve pra gude!

Que vá pra puta que pariu, sua cramoninha!

Olha que eu caio de um pé de grama bem alta!

Paca, tatu, mas com a tia nunca e mais não!

Bapo tá morando lá pela esquina do nadinha!

Lembrança boa é de torresmo com calda!

Seu Fulustreco e dona Fulustreca já morreram!

Meu único pecado foi respirar sempre que posso!

Aprendam isso: Nem tudo que sai do rabo é merda!

Vanique é o mais verdadeiro tunda deste beloque!

Vamos ter sopo seca no jantar e creme de régua!

Nosso som é à cores e nossa pobre vista fuleja!

Cuidado que hoje é farofa dos dentes pra mimico!

Lá na Serra do Murururi ninguém mais faz pipi!

Olha o graganumba que tá bem mais fresquinho!

Estou mais calmo que um urso numa biblioteca!

Quem me dera poder dormir feito a besta-fera!

O verdadeiro namorado da faca é sem dúvida o faco!

Tem tudo bem ali bem no castelo Rá-Tim-Bosta!

Ganhei um relógio de plástico que funciona à carvão!

Lá no morro do Sabão não existe mais um leitão!


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).


quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Sobre A Ponte

 


Era verão

E seus dias frios e doentes

Não faço questão

De ter na boca todos dentes

Sou feito um cão

Acho que somos parentes...


Era paixão

Dessas que dói mais que soco

É na escuridão

Que fico gritando feito louco

Tem sim e não

Morrer basta daqui há pouco...


Era percepção

Das que estão nos olhos do cego

Era um clarão

Disputa eterna entre o eu e o ego

Meu coração

Sou malvado e isso não nego...


(Extraído do livro "Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Soluçantes Invenções

Quem me inventou - jogue-me logo fora...

Já engoli tantos jardins que perdi as contas.

Estamos numa estrada mais que solitária

E os nossos nervos de aço estão enferrujados..


Se me agrediu - não peça desculpas...

À moda da casa será sempre à moda da casa.

Nem sempre a beleza é aquilo que pode ser

E todos os espelhos são amigos e inimigos...


Levanto o dedo - esqueci o que ia dizer...

O tempo é apenas um bom e terno canalha.

Em minha triste e sombria casa que desaba

Achei mistérios que não posso nem contar....


Quem é o dono do tênis - coloque logo no pé...

Até a fogueira das vaidades tem os seus limites.

Quanto mais eu sofro vou achando até graça

As feridas sem comportam da mesma maneira...


Toda poesia é como um rato cego - tenha cautela...

Nenhum dia é parecido com nenhum dos outros.

Há muitas teias de aranha pelas nossas paredes

E cada palavra acaba sempre se cansando assim...


Não queremos mais soluçar - isso sempre acontece...

Gostaria de colocar uma capa e sair na madrugada.

Deve existir alguma distante ilha no meio do nada

Onde poderemos descansar os nossos velhos ossos...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Em Close

Todo dia. Mania. Só converso de boca fechada. Mesmo vendo não vejo mais nada. A pergunta não foi perguntada. Em close... É a lua. Está semin...