sexta-feira, 9 de outubro de 2026

A Teia da Teia

A teia da teia: 

Até a aranha cai na armadilha...


Até para quem vive matando

Hora dessas virá o fim

Todo silêncio sai gritando

Entre ruas que não respondem...


A teia da teia:

Até a aranha cai na esparrela...


Todos os gritos pelas madrugadas

Apagam-se feito pirilampos

Que irão pra casa dormir

Porque não há mais o que fazer...


A teia da teia:

Até a aranha vira o prato do dia...


Enquanto os aviões caem lá de cima

Os misseis sobem daqui de baixo

E os drones indecisos como sempre

Desconhecem o que é o que é...


A teia da teia:

Até a aranha fica sem seu veneno...


A água vive escapando do cano

Nas horas mais improváveis possíveis

Enquanto outras muitas só sobem

Para que haja a o próximo tombo...


A teia da teia:

Até a aranha teve que ir para a fila...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 381 *

Febre constante

De origem desconhecida...

Algum delírio

Desconhecendo a sintomatologia...

Dificuldade respiratória...

Foi o amor ou foi uma virose?


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Falaram de primaveras,

Sim, falaram mesmo...

De alguns sonos também,

Herança da noite passada...

E dessa vontade de voar

Que até me dói...


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Para o que quase foi,

Alguma coisa...

Para o que não foi,

Nada nos restas...

E um gato andando

Por cima do muro

Tão tranquilo...


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Repito quantas vezes que assim o quiser

Tanto a sua lembrança quanto minha dor...

Escuto passos silenciosos no corredor

Talvez até o fantasma do que um dia fui...


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A madrugada é minha...

Nela faço desfilar um bloco

No carnaval mais silencioso de todos

Como qualquer sonhador com seus sonhos...

É um alarido só em meu peito! Um alarido só!

Amanhã meus olhos estarão fechados, 

Tudo voltou ao normal...

A madrugada é minha...


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Tempos tristes estes...

Mais tristes do que nunca...

Onde cada um olha para o lado

E assim segue seu caminho

(Se é que ele existe)...

Onde cada medo é do portador

E cada tristeza também...

Tempos tristes estes...


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Esqueci a letra

Não sei mais a melodia

Todos os detalhes agora fogem

Como te olharei mais

Se até me faltam olhos?

 

domingo, 4 de outubro de 2026

Nenhum de Nenhum

Nenhum é de nenhum

O choro alheio não diz nada

Quem vai cair que caia

Mesmo do alto da escada


O teu dinheiro o teu

A fome alheia não é a tua

Se existe a tua felicidade

Que o outro chore na rua


Mesmo quando dizes que é bom

Isso é uma mentira deslavada

A solidariedade é inexistente

Foi uma mentira inventada


Quem morre é o bicho

O ser humano é que fica vivo

Por que ficar triste por outrem?

Para isso não existe motivo


Nenhum é de nenhum

O choro alheio não diz nada

Quem não tem que não tenha

Que vá dormir na calçada...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Alguns Poemetos Sem Nome N° 380 *

Nada do que eu sei, eu sei

Já esqueci até daquele teu cabelo castatnho

E daqueles teus olhos fora do lugar...


Nada do que eu sei, eu sei

Não escrevi no meu velho caderno quais dias

Que aquelas minhas tardes eram mágicas...


Nada do que eu sei, eu sabia

Podetia ter teu beijo mesmo que roubado

Enfeitado de maldade, assim todo enfeitado...


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Contramão...

Solidão quase escolhida.

Onde está

O que chamamos vida?

Talvez ali no canto

Encolhida...


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Assim como a água acabou,

Meu pobre sonho também...

Assim como o dia acabou,

Outros virão para acabar...

Assim  como as nuvens acabam,

Outras também virarão chuva...


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Nem todos os risos que dei compreendi

O porquê estava rindo...

Nem todos os amores que amei

Deixaram de ferir-me...

Nem todas as nunvens eram tempestades

Mesmo quando todas elas serão...


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De muitas coisas me arrependo,

De outras nem tanto...

Por muitas coisas eu chorei,

Por outras nem tanto...

Muitos amores tiraram meu sono,

Outros me fizeram dormir...

Mas as minhas fantasias, essas sim,

Todas valeram a pena...


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Cada dia é um arremedo do anterior,

Todos os amores são preocupantes,

Todos os pensamentos adoram fugir,

Todas as palavras acabam guaguejando,

Todo medo evita olhar no espelho...


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Todo mistério em mim acabou,

Todas as sombras se dissiparam,

Não sei se pela idade ou pela dor,

Meus versos agora são preto-e-brancos,

Como a TV antiga que o menino via...

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Optimum



Eu quero a flor dos campos

Sobretudo a que não nasceu

Uma poesia enjoada de tanto doce

Como aquelas que ninguém vendeu...


Uma poesia dessas bem doces

Dum doce que até sempre dói

Que seja teimosa feito o tempo

Que anda e ninguém destrói...


Eu quero reencontro na praça

Depois de tanto tempo sumido

Para que esperar valha a pena

Mesmo sofrendo tenha sentido...


Viver é como chorar sempre

Mesmo quando o riso vem junto

Sem medo e sem ter desespero

Já que isso é um outro assunto...


Eu quero a flor dos campos

Sobretudo a que não nasceu

Uma poesia enjoada de tanto doce

Como aquelas que não se percebeu...


(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

NaNave 2

Escapei foi de uma chave

Dessas do dogão feito na panela

Lá pras terras do Mujeripe-Açú...

De hoje me diante fica proclamado

Que o ontem só pode ser amanhã

Se for dia de anteontem e sim...

Sou sábio feito um jumento

E é muito caro o meu cachê:

Vale meia titica na riba do rabo...

Já pensaram numa pendenga gostosa?

Façam de tuia, meus cornos, de tuia

Daquelas que pegam fogo no cuspe...

Faleco sim, faleco não, meu bão,

Desde dos tempos de antonte

Quando só dos olhos palavras...

Da Rita só me sobrou a rota

(Se me permite a renha, barão)

Isso lá nos tempos do cuscuz...

Foi lá na retranca sem mula

Que o bacurau fazia a hora extra

Duns patacos assim bengrandes...

Na pitala de bimba quase-seco

Eu me pulei bem, bem que bem

Em mussuco que batulelei indo...

Magafudo de festa de trenca-cega

Eu pulo bem mais que macaqueira

Duns desses gufungos desses aí...

Um picuchu, dez picuchu, nenhum

Feito reza de brabeza quase mansa

Que fosse uma camisa quebrada...

Perego bom mesmo é o manuco

Que chama na chincha até ratinho

E até faz a gente se esquecer...

Os Irmãos Pepungo apresentam

Apresentam seu grande show de bulagem

Trocando de dedo até se cansarem...

Timiririco gosta mesmo de um fulejo

E ainda assim encontra um tempinho

Pra comer um dedo de bolacha pelo nariz...

Meu fogão vive cantando ópera feliz

Com tanto borrego que mora na laje

Até que o final dos tempos venha logo...

Fala aí, ô seu Zé Curumba!

Rapa no fundo de prato é qualidade

Ainda mais com esse tamanha de manha...

A novinha tá assim desde que era nova

E hoje o rio já comeu as margens

Ficando apenas o bagaço do miolo...

Fiz ontem aquele chapéu feito de telha

Pra pedir barão e meio pro vento

Com uma caixa de fósforos e apenas...

Vou viajar quase agorinha e não mais...


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Em Close

Todo dia. Mania.

Só converso de boca fechada.

Mesmo vendo não vejo mais nada.

A pergunta não foi perguntada.

Em close...


É a lua. Está seminua.

Meu tesão supera meu ócio.

A morte da vida é o sócio.

Agora fazemos qualquer negócio.

Em crise...


O beijo dela. Foi na favela.

Meu terror é bem mais que dor.

Quem me mata aos poucos é o amor.

Não há sombra pra rapariga em flor.

Em classe...


Meu erro. Meu enterro.

Eis o mais carioca dos sotaques.

Cada qual tem lá os seus ataques.

Eu vou cambaleando sem os conhaques.

Em crase...


Para o não. Minha revolução.

Peguei as tralhas e saí por aqui.

Tenho o mundo e não sei por onde ir.

Cama de pregos pra esse nosso faquir.

Em click...


Todo dia. Maria.

Só converso com a voz calada.

Mesmo tendo não tenho mais nada.

A pergunta já foi apagada.

Em close...


(Extraído do livro "Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

A Teia da Teia

A teia da teia:  Até a aranha cai na armadilha... Até para quem vive matando Hora dessas virá o fim Todo silêncio sai gritando Entre ruas qu...