segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 373 *

Ela não entende minha poesia

Eu me perco nos olhos dela...

Ela quer ganhar o mundo inteiro

Eu não tenho nem migalhas para dar...

Ela tem medo do amanhã

Eu acabei perdendo o medo da escuridão...

Ela quer rir o tempo todo

Eu já acostumei a chorar quase sempre...

Ela continua sendo ela mesma

Eu nem mais sei quem fui sou ou serei...


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Goze antes que o sono se acabe

Antes que as manhãs nos ataquem

E os soldados saiam das trincheiras

Fale antes que os peixes vão ao mar

E eu comece a falar em língua estranha

O menino irá de uma vez para a rua

E a miserável conhecerá a riqueza...


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Fartamente eu me farto de certas coisas

E talvez vire até um sujeito comum

Desses que disfarçam não estarem na rua

Que tentam a morte de longe se aproximando

Que nunca tentam dar ao menos bom dia

E se fazem vítimas de uma sociedade nula

Vamos ser alguma coisa que talvez preste

Mesmo que nossa tentativa acabe falhando

Fartamente eu me farto de certas coisas

Só não me fartarei de mais novos carnavais...


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A carpideira irá rir por mim...

Não quero que ela chore... Não!

O coveiro vai ter preguiça...

Me deixe em qualquer canto... Por aí!

Um domingo ou outro me basta...

É que eu tenho medo... Muito medo!


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É tudo um xis... É tudo um xis...

Nunca saberemos se iremos viver...

Estar morto enquanto vivo é fácil...

Mas não saberemos o vice-versa...

Voar entre as nuvens caladas...

Como pássaros em tarefas solenes...

Tentar ler enigmas em epitáfios...

É tudo um xis... É tudo um xis...


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O vento fazia teu rosto ficar magnifíco

Fechando os olhos, esvoançando os cabelos

O tempo acabava me trazendo lembranças

Daquilo que eu queria e afinal não tive

Me ajude a revolver as cinzas que restaram

Deste cadáver que outrora foi uma fogueira

E possa acender alguma coisa que aconteça...


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Eu lanço mão de todas as minhas armas

Que são apenas palavras (palavras tão vãs)

E com elas faço uma nova litania 

Eu jogo as pedras que consigo na água

Para que as ondas surjam (vivas quase)

E como elas me socorro do acidente

Eu alço vôo por imensidões desconhecidas

Sem ter propósito algum (não preciso)

Escolhendo o abismo que irei cair...

domingo, 9 de agosto de 2026

Pedindo Água

Na hora que acontecer está acontecido

(Nem posso escolher as palavras que falo)

Minhas mágoas me perseguem como moscas

E a minha arquitetura não vale uma moeda

Nem consigo dormir de tanta preocupação

A mídia acaba dando um tiro no próprio pé

Duvido que alguém faça mais sandices que eu

É só me dar um lápis que saio riscando paredes

Banheiros sujos de bares nos ensinam coisas

Quero ser libertino para ir em todos os bairros

Certos autógrafos servem para limpar a bunda

Não sou obrigado a gostar de qualquer música

A simplicidade gosta de andar nos labirintos

Meus sobrenomes são os mais comuns que têm

Para escrever poesia não se precisa de motivo

Para apagar uma estrela basta dar um sopro

Vila Nova nem sempre é de Gaya e está bom

Dançaremos sobre os escombros dos gigantes

Já fumei mais de uma folha de caderno hoje

Guarde suas desculpas para a próxima vítima

Nos esgotos também existem alguns riachos

Minhas bandeiras estão escritas: desespero

Agora os fantasmas acabam usando a internet

A antiguidade agora é tão veloz quanto o futuro

Coçar as orelhas com o nariz é bem mais fácil

As manias acabam usando sempre auto-falante

Misturemos todas as cores em uma cor somente

Na hora que acontecer está acontecido

(Nem posso escolher os gritos que dou)...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 8 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 372 *

 


É que pedimos água em altos brados

Nossa insensatez é quase sensata

Toda riqueza tem mais de mil olhos

Mas o concerto de piano foi legal

Quem sabe um dia eu me encontro?


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A necessidade dispensa explicações

Gritos de guerra são sempre assim

Toda desonestidade bate palmas

Meu medo é um grande artífice

A laranja ficou ruborizada de tesão

Vendiam-se sardinhas na praça

Tudo é tão comum como era antes...


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Na hora que aconteceu

Eu nem estava falando...

Foi o vento quase malvado...

Não me deram bombons...

O mingau acabou de vez...

A velhice é um fardo...

As fotografias morrem...

E tudo amarela de vez...


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Nunca esquecerei das duas

Naquela tarde-noite lá longe

Músicas no som antigo

E todo tempo era antigo até

Estarão por aí ainda?

Toda dúvida é triste também

Nunca esquecerei dos dois...


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Escrever até não poder mais,

Até os olhos falharem,

As mãos tremerem em excesso,

A mente não querer mais nada,

A fantasia esquecer-se de mim,

O sentimento estar falido,

A técnica rir da minha cara,

Os versos desapacerem,

Mas até lá, ir teimando...


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Já me cansei de cafés pequenos

De indecisões apenas rotineiras

Lembranças mais duvidosas

Meu tempo (todo tempo) é pouco

Voar sob alguns belos riachos

É o que mais me importa agora...


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Sou como os finais de festa

Balões que caíram pelas noites

Fogueiras debaixo de chuvas

Talvez me importe talvez não

De esquecer virgúlas e pontos

Quero apenas poder assoviar

Como nunca antes pude fazer...

O Gato e O Peixe

 

Decrepitude. Forçados dias.

Estamos em estados indelicados.

Não há problemas. Somos eles.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Arranjos escondidos. Talvez nada.

De médico só somos os loucos.

Covardia coletiva. Apenas sustos.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Biscoito quebrado. Ilusão de fama.

O vento vem nos açoitar hoje.

A última vitória. Rasgamos tudo.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Banco digital. New war política.

Fake news de goela abaixo.

O medo capitalista. Só de cuecas.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Circo sem pulgas. A feira presa.

Conspirações que são belas.

Vulgaridade óbvia. Amor banal.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Tipicamente atípico. Faroeste nulo.

Modestamente sou tão modesto.

A genética é o óbvio. Morre o símbolo.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Primogênito caçula. Acordeon plástica.

A ginástica agora está cansada.

O pigarro dos trovões. A neve me queimou.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida). 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Na Última Dança

Na última dança:

Poderemos fazer rendas de nuvens

Igual aranhas fazendo teias,

Engoliremos algumas manhãs

Como um sol mais risonho,

Contaremos todas as ondas

Que o mar puder nos oferecer...


Na última dança:

Gritaremos bem alto pelas praças

Para podermos assustar generais,

Repartiremos o nosso pão

Como quem improvisa uma ceia,

Dançaremos uma nova ciranda

Improvisando qualquer carnaval...


Na última dança:

Enfeitarei esses teus cabelos

Com todas as flores que o mundo tem,

Beberemos todas as águas possíveis

Pois nossas veias são como rios,

Ensaiaremos cada um dos passos

Como que anda por todas as terras...


Na última dança:

Eu chamarei o que me protege

Para me levar daqui com suas asas,

Dispensarei qualquer medo

Para atravessar a última porta

E talvez espere a próxima dança...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Alguns Seres (Miniconto)

Alguns seres (ou seriam muitos deles?) fazem exatamente o que sistema quer. Não possuem o hábito da leitura, não sabem o que os cerca, não tentam nem saber porque estão aqui! Comem o que está ao alcance da boca, nada produzem... São etílicos, viciados, lixos sociais para uma sociedade já suja. Não pensam, não raciocinam, obedecem o que veio escrito na bula, nada mais. Tentam disfarçar o que sempre foram - inúteis. Em suma, só sabem fazer três coisas, ocupar espaço no planeta, queimar oxigênio da atmosfera e cagar oito toneladas de bosta durante sua miserável vida...  

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Não Há, Não Há

Não há diferença 

entre um santo iogue

e um simples hot-dog

entre um poema

e o velho problema,

não há, não há...


Não há diferença

entre os teus lábios

e conselhos sábios

entre garotos de aluguel

e barcos de papel,

não há, não há...


Não há diferença

entre a comida boa

e o balanço da canoa

entre o susto do eco

e a cana no boteco,

não há, não há...


Não há diferença

entre essa inocência

e a nossa indecência

entre a sua entrepernas

e as penas eternas,

não há, não há...


Não há diferença

entre a cortina de aço

e a falta do abraço

entre vento do norte

e a fraqueza forte

não há, não há...


Não há diferença

entre o corpo de delito

e a pata do cabrito

entre a pata choca

e a cara do boboca

não há, não há...


Não há diferença

entre a bunda de pandeiro

e o saco de dinheiro

entre a ida para Marte

e a carta do descarte

não há, não há...


Não há diferença

não há, não há...


(Extraído do livro "Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida). 

Alguns Poemetos Sem Nome N° 373 *

Ela não entende minha poesia Eu me perco nos olhos dela... Ela quer ganhar o mundo inteiro Eu não tenho nem migalhas para dar... Ela tem med...