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Enquanto disputam seus amendoins
Cavaleiros medievais usam celulares
Para cantar sambas-canções maneiros
A vida segue em frente de marcha-ré
Enquanto faço meus balões de jornal
Alguém chora dormindo por charutos
E as Índias Ocidentais fazem suas greves
O não é sim quase sempre e o sim é não
Uma notícia bombástica não explodiu
Ondas dos teus cabelos servem pra surf
São tantas letras para pandeiros mágicos
Por mar qualquer terra parece um doce
Alguns zumbis são alérgicos aos miolos
Somos mais tão diferentes de nós mesmos
Qualquer soldado treme de frio ou tesão
A nouvelle vague abriu suas novas vagas
Vamos repetir aquilo que nunca comemos
Meu pônei acabou fazendo curso de filosofia
Estão vendendo rodas de Sansara na feira
Mosquitos malandros agora usam fast-food
O rapaz da bicicleta pratica o vampirismo
Bela recepção no aeroporto com palavrões
Em Minas estão encenando uma nova novela
Toda culpa gosta de jogar sua roleta-russa
Quem sabe as teclas do piano são dentes
A puta velha ainda se acha uma novinha
Nada posso naquele que me enfraquece sempre...
(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).
Fui no cinema ainda no século passado
Queria ser um santo mas faltaram chifres
Só beberei água quando for para Marte
Quem mais dança a catira faz com as mãos
A nova língua oficial se chama solidão
Nem Pedros e nem Paulos no mapa-mundi
Frases perfeitas são proferidas por mudos
O pé de acerola testemunhou o seu crime
Minha poesia é apenas mais um rasgo d'alma
O monstro da lagoa agora habita desertos
Eu falo em mandarim toda vez que eu penso
Nossas lições de casa esqueci pelas ruas
Quem nunca fez macarrão quase não viveu
A arte sacra é um bandolim feito de chocolate
Minha batina esqueci na encarnação passada
Tudo que é verdadeiro tem cheiro de tangerina
Já fiz alongamentos com caneta esferográfica
Quando assinei minha sentença de morte tremi...
(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).






