segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Nudez Segundo J.C.

Meus olhos saltam na nudez da escuridão... Sim! Saltam sim... 

E eu vim saldar a nudez. A nudez sem medo. Sem maldade e sem bondade sequer. Nudez cínica, impetuosa, adoradora de abismos impossíveis e circunstanciais...

Essa nudez é feita de tempo? Talvez sim, talvez não... Sim!

Perdôo teus pecados, esqueço os teus roubos, ignoro tuas tantas traições... Pouco importa a dor por quem clamamos e veio bater na nossa porta... A porta se abriu e antes que alguma palavra sequer fosse dita, um monossílabo apenas, passaste por ele e sem pedir licença, invadiste a velha sala...

Nudez toda tua, nudez algo minha, todas as vezes que assim puder. Sem dias e com muitos deles. Sem horários, desconhecendo as regras mais essenciais. Fonte de alimentos, jardim, jardim, jardim...

Velhos dentes, dentes velhos que ainda servem para roer carnes, correr mundos de curvas perigosas em desertos quase secos ou não tão não...

Língua louca, exploradora de cantos, um anjo que chegou meio que atrasado para a queda, mas assim mesmo acabou conhecendo o seu percurso de volta ao lar incendiado. Gosto louco de uma língua quase desconhecida, mas obediente ao extremo. Vários barcos no mar e inúmeros rios sem sossego...

Eu sou ele, o menino malcriado de óculos que percorreu todos os cantos do mundo em seu quintal. Que tentou brincar sozinho e quase conseguiu. Sem asas, voava. Sem voz seu canto era o maior de todos, o mais imenso... Quase tudo... Quase nada...

Que planos tenho eu para agora? Um sono, um medo, uma vontade pirata de apontar o mapa e ali estar. No meio de todos, no meio de alguns, no meio de poucos notados. Até que chegue a hora, a hora do pelotão, a hora da decisão...

O tempo corre, pessoa, corre e muito. O ontem não tem cópias, saudades são insetos em volta da lâmpada, nosso medo expresso em sombras. Desenhos que não param, param nunca, param jamais...

Outra nudez, mais uma, mais outra, outra também, quem sabe até mais uma? O fogo aceso, a fumaça subindo suavemente com pressa, mais alta que qualquer prédio destes, só não se sabe até quando...

Não se sabe até quando, até que o muro caia, até que a casa se incendeie e o sala seja invadida por todos os que já partiram numa viagem sem mais palavra alguma. Nem uma moeda sobrará, lamento, mas não tenho bolso, senhor...

Lamento, não tenho mais lamento algum. As musas não inspiram mais, a inocência agora é um zumbi que percorre ruas antes não percorridas deixando seus pobres pedaços...

Carpideira sim, la llorona me assombrando mais uma vez, respiro repetido, relógio antigo funcionando em algum canto, até quando? Ninguém sabe, ninguém sei, mal conheci a selva e as nuvens não me importam mais...

Alta velocidade (mesmo que parado), loucura sempre e até um pouco mais. Eu que o diga, eu que o grite, eu que me cale da forma mais insana e obrigatória...

Meus olhos saltam na nudez da escuridão... Sim! Saltam sim... 

Gut-Gut Maneiro V

 


É merreca! É merreca! É merreca!


... Um, dois, três,

Quatro, cinco, seis,

Só mais um tirinho 

Lá na cara do freguês...


É cueca! É cueca! É cueca!


... Um, dois, três,

Quatro, cinco, seis,

Só mais um soquinho

Lá na cara do freguês...


É meleca! É meleca! É meleca!


... Um, dois, três,

Quatro, cinco, seis,

Só mais um chutinho

Lá na cara do freguês...


É careca! É careca! É careca!


... Um, dois, três,

Quatro, cinco, seis,

Só mais um veneninho

Lá na cara do freguês...


É munheca! É munheca! É munheca!


... Um, dois, três,

Quatro, cinco, seis,

Só mais um vinhozinho

Lá na cara do freguês...


É boneca! É boneca! É boneca!


... Um, dois, três,

Quatro, cinco, seis,

Só mais um espinho

Lá na cara do freguês...


É puteca! É puteca! É  puteca!


... Um, dois, três,

Quatro, cinco, seis,

Só mais um solzinho

Lá na cara do freguês...


É loteca! É loteca! É loteca!...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

domingo, 13 de setembro de 2026

Gut-Gut Maneiro IV

 

Três esquilos para um barril de macacos

Uma vida cheia de emendas sem ter roupa

Estou à um quilômetro de minha pessoa...


Laranja com abacaxi cura qualquer mentira...


Ela sempre foi ela sem nunca ter sido ela

Não tenho pix para pagar todos os pecados

Para cada pergunta um belo soco na boca...


Compramos sapatos em todas as nossas horas...


Juro por todos os meus dentes que já partiram

Se não tivesse religião isso já seria até alguma

História em quadrinhos para tais masturbações... 


Cada tatu que viva em seu triplex na Zona Sul...


Só atenda seu celular se estiver vestido pelado

Briga de joaninhas termina em desfecho trágico

Distribuição gratuita de arroz a quem não gosta...


Por feliz coincidência não houve uma coincidência...


Aquele pé-d'água não me deu sequer algum chute

Duas horas são suficientes para cento e vinte minutos

Marimbondos crocantes para nosso café da tarde...


Vou colecionar as pulgas que toquem seus violinos...


Uma cortina velha é aquilo que mais serve de porta

Eu acabei de matar a minha saudade com pauladas

Os pelicanos agora se comunicam só por libras...


As cadeiras possuem pés e as mesas possuem pernas...


Nunca acredite em quem possui apenas dois dentes

Macarrão com marmelada resolve esse desespero

Agora usamos palitos de dente para furar os olhos...


Laranja com abacaxi cura qualquer mentira...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 12 de setembro de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 379 *

Nem sotaques baianos

(Povo, me desculpe...)

Podem trazer de volta

Passados carnavais...


Nem a velha fotografia

(Papel que amarelado)

Pode fazer de moça

O rosto envelhecido...


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Cada pedaço dela me traz saudade. Quem dera guardar pelo menos uns fios de cabelo, aquele cabelo castanho, estrela de tardes escondidas. Ou o gosto daquele beijo que nunca senti na boca, mas senti no rosto nos momentos mais ternos de despedida. Se pudesse, inverteria tudo e fazia do seu atual inferno, um novo e louco céu. Os olhos não seriam mais o que são, só tristeza. Quem me dera...


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O vento...

O vento?

O vento!

Noturnas folhas caídas sopradas sem luto,

Quase silêncio duma dessas madrugadas aí,

Só há um barulho de corações dormindo,

Letargia de uma música que se acabou...

O vento!

O vento?

O vento...


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Letras no mármore, no bronze, no cimento,

Com sua nitidez um tanto rígidas ou embaçadas,

O ser veio com defeito de fábrica (assim todos),

Um bloco de sujo indo para todas as direções,

Alegres, quase tristes e até alguns poetas choraram...


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Coisas comuns, muito comuns até,

Sofrer alguma coisa todos os dias,

Até que os dias não seja nem mais...

Figuras fora de todo o alcance,

O tempo vai desbotando a tinta,

Mastiga uma por uma até não mais...


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- Tem alguma novidade aí?

- Não, eu não tenho... E você?

- Ah, pelo menos tenho uma...

- Qual? Conta logo!

- A novidade é que não tem

Nenhuma novidade hoje... 

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Hoje

E hoje não há mais nada...

Só aquele choro na calçada...


Um dia como um outro qualquer...

O filho pródigo do ontem

E o pai ausente do amanhã...


E hoje não há mais nada...

Só aquela pedra e a topada...


Um dia como um outro qualquer...

A morte que não veio ontem

E talvez chegue mesmo atrasada...


E hoje não há mais nada...

Só o choro que já foi risada...


Um dia como um outro qualquer...

Mais uma fome para ser contida

E mais um vidro para ser quebrado...


E hoje não há mais nada...

Só aquele amor que foi mancada...


Um dia como um outro qualquer...

Alguém chorando na sala de parto

E outro deitado para não levantar...


E hoje não há mais nada...

Só aquele choro na calçada...


(Extraído do livro "Rubianan Decide" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Panis et Putensis

(Não houve tempo com tempo...)!

Deu piolho nas barbas do profeta

Enquanto ele fazia uma motociata

Pelas ruas verdes da cidade azul...


(Passei a navalha em meu pescoço...)!

O ditador mais democrático da terra

Bebeu um barril cheio de coca-cola

Enquanto acariciava seus pentelhos...


(Que falta me faz comer um jornal...)!

Tudo que falei agora jaz apagado

E as minhas letras se tornaram insetos

Voando em torno de lâmpadas mortas...


(A cigarra não fuma mais cigarro...)!

Os javalis valem mais um centavo

Espalhados pelos campos-cidade

Como os mais tresloucados cidadãos...


(Balanço de rede para quem tem sede...)!

Semana sim e numa outra semana idem

Ele quebra todas as leis ainda existentes

E faz sua vida miserável ter quase sentido...


(Na Páscoa devoramos o pobre do coelho...)!

Somos um amontoado de tais paradoxos

Onde a inocência é algo mais que inexistente

E se ele existe o tempo acabará comendo...!


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Beber Até Cair No Chão? Vomitar? (Dura Lex)

Dura lex, sede sex...

No cabelo só Jontex...


Eu me escondo entre jilós e maçãs

Não sei nada de nada sobre as manhãs

Zezito que fique lá com suas arribaçãs...!


Dura lex, sede sex...

No cabelo só merdex...


Titia usava essa sua peruca de plástico

Enquanto eu já vi o primeiro Fantástico

E tudo mais que não havia era dinástico...!


Dura lex, sede sex...

No cabelo só mijex...


Silêncio no funeral para que possa berrar

Estudei tantas vezes só para poder errar

Jogo decisivo da copa e não tem o que narrar...!


Dura lex, sede sex...

No cabelo só porrex...


A vida é um filme de terror de oitava categoria

Feito nas entrelinhas de uma rede social tão vazia

E uns tênis rasgados pisando numa rua triste e fria...!


Dura lex, sede sex...

No cabelo só podrex...


Todo poeta é apenas um miserável rico ou pobre

De nobreza não temos nada que seja apenas nobre

Porque no final a terra vem e finalmente nos cobre...


Dura lex, sede lex...

No cabelo só nadex...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Nudez Segundo J.C.

Meus olhos saltam na nudez da escuridão... Sim! Saltam sim...  E eu vim saldar a nudez. A nudez sem medo. Sem maldade e sem bondade sequer. ...