terça-feira, 29 de setembro de 2026

Optimum



Eu quero a flor dos campos

Sobretudo a que não nasceu

Uma poesia enjoada de tanto doce

Como aquelas que ninguém vendeu...


Uma poesia dessas bem doces

Dum doce que até sempre dói

Que seja teimosa feito o tempo

Que anda e ninguém destrói...


Eu quero reencontro na praça

Depois de tanto tempo sumido

Para que esperar valha a pena

Mesmo sofrendo tenha sentido...


Viver é como chorar sempre

Mesmo quando o riso vem junto

Sem medo e sem ter desespero

Já que isso é um outro assunto...


Eu quero a flor dos campos

Sobretudo a que não nasceu

Uma poesia enjoada de tanto doce

Como aquelas que não se percebeu...


(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

NaNave 2

Escapei foi de uma chave

Dessas do dogão feito na panela

Lá pras terras do Mujeripe-Açú...

De hoje me diante fica proclamado

Que o ontem só pode ser amanhã

Se for dia de anteontem e sim...

Sou sábio feito um jumento

E é muito caro o meu cachê:

Vale meia titica na riba do rabo...

Já pensaram numa pendenga gostosa?

Façam de tuia, meus cornos, de tuia

Daquelas que pegam fogo no cuspe...

Faleco sim, faleco não, meu bão,

Desde dos tempos de antonte

Quando só dos olhos palavras...

Da Rita só me sobrou a rota

(Se me permite a renha, barão)

Isso lá nos tempos do cuscuz...

Foi lá na retranca sem mula

Que o bacurau fazia a hora extra

Duns patacos assim bengrandes...

Na pitala de bimba quase-seco

Eu me pulei bem, bem que bem

Em mussuco que batulelei indo...

Magafudo de festa de trenca-cega

Eu pulo bem mais que macaqueira

Duns desses gufungos desses aí...

Um picuchu, dez picuchu, nenhum

Feito reza de brabeza quase mansa

Que fosse uma camisa quebrada...

Perego bom mesmo é o manuco

Que chama na chincha até ratinho

E até faz a gente se esquecer...

Os Irmãos Pepungo apresentam

Apresentam seu grande show de bulagem

Trocando de dedo até se cansarem...

Timiririco gosta mesmo de um fulejo

E ainda assim encontra um tempinho

Pra comer um dedo de bolacha pelo nariz...

Meu fogão vive cantando ópera feliz

Com tanto borrego que mora na laje

Até que o final dos tempos venha logo...

Fala aí, ô seu Zé Curumba!

Rapa no fundo de prato é qualidade

Ainda mais com esse tamanha de manha...

A novinha tá assim desde que era nova

E hoje o rio já comeu as margens

Ficando apenas o bagaço do miolo...

Fiz ontem aquele chapéu feito de telha

Pra pedir barão e meio pro vento

Com uma caixa de fósforos e apenas...

Vou viajar quase agorinha e não mais...


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Em Close

Todo dia. Mania.

Só converso de boca fechada.

Mesmo vendo não vejo mais nada.

A pergunta não foi perguntada.

Em close...


É a lua. Está seminua.

Meu tesão supera meu ócio.

A morte da vida é o sócio.

Agora fazemos qualquer negócio.

Em crise...


O beijo dela. Foi na favela.

Meu terror é bem mais que dor.

Quem me mata aos poucos é o amor.

Não há sombra pra rapariga em flor.

Em classe...


Meu erro. Meu enterro.

Eis o mais carioca dos sotaques.

Cada qual tem lá os seus ataques.

Eu vou cambaleando sem os conhaques.

Em crase...


Para o não. Minha revolução.

Peguei as tralhas e saí por aqui.

Tenho o mundo e não sei por onde ir.

Cama de pregos pra esse nosso faquir.

Em click...


Todo dia. Maria.

Só converso com a voz calada.

Mesmo tendo não tenho mais nada.

A pergunta já foi apagada.

Em close...


(Extraído do livro "Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Místico Ou Quase

 

Termo básico.

Olhar para o nada sem fazer nada.

Enquanto o mangue invade sem parar.

Onde estamos?

Em nenhum lugar aqui por aí...


Sem ter data.

Aqui quem manda é o dinheiro.

Até baratas de marca está servindo.

Onde estamos?

No meio do deserto de um inferno...


Aqui tudo vale.

Vale até o que não vale que vale.

Novelo de lã pro gato brincar.

Onde estamos?

Guardados amarelados na gaveta...


Em liquidação.

Bem mais barato que o barato.

Garrafas quebradas não são tapetes.

Onde estamos?

No fundo de um poço sem fundo...


Este teu sumiço.

Para tua gaveta foram estas flores.

Pelas costas toda aquela maldade.

Onde estamos?

Num silêncio sem ter cor alguma...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Talvez Fuga

Eu quero fugir sem motivo algum...

Apenas fugir... Sem motivo algum...


Fugir dos nossos pecados... Das nossas alegrias...

Num idiona que só dois entendemos... Mais ninguém...

De um vermelho quase sangue... De um azul lilás...

Que você, meu amor, possa assim descanse em paz...


Eu quero fugir sem motivo algum...

Apenas fugir... Sem motivo algum...


Fugir e sair voando... Eu virei Ícaro...

Não houve nada pra nós... Só o mundo inteiro...

E me arrependo de não me arrepender... Não estou...

Que o destino faça aquilo que ele assim quiser...


Eu quero fugir sem motivo algum...

Apenas fugir... Sem motivo algum...


Fugir me deitamdo sim... O tempo vai me esconder...

Eu nem sei o que era... Talvez fosse amor de verdade...

Mas haviam muros e muros... Eu acabava entorpecido...

Como um velho bêbado mais do que desesperado...


Eu quero fugir sem motivo algum...

Apenas fugir... Sem motivo algum...


Fugir de um mar sem beijos... Maldade dos que viam...

Depois que o tempo foge... Nunca mais saberemos...

Andar por aí é o que temos... Não exsite nada mais...

Mas eu prometo lembrar daquilo que não me lembro...


Eu quero fugir sem motivo algum...

Apenas fugir... Sem motivo algum...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Tou Falando

Tou falando

NInguém sabe. ninguém vê

Todos estão se encegando

Numa quimera que não se vê


Tou gritando

E a apatia é quem nos manda

É lobo outro lobo se devorando

Estamos sós mesmo em banda


Tou me calando

A praça não me adianta meis

Não sabemos até quando será quando

A morte vem vindo depressa lá atrás


Tou me dormindo

Alguém me jurou ter qualquer segurança

E sonho com o meu prédio quase caindo

Ninguém mandou eu ter uma esperança


Tou falando de boca fechada

Meus olhos é que ainda podem falar

Falar sobre tudo ou com quase nada

Um dia vai embora esse meu penar...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Badulaque No Mimaque

 


Pois essa semana eu peidei azul, peidei azul!

Viva o fubaco do Zé Suvaco na manteiga!

Bolinha de meleca também serve pra gude!

Que vá pra puta que pariu, sua cramoninha!

Olha que eu caio de um pé de grama bem alta!

Paca, tatu, mas com a tia nunca e mais não!

Bapo tá morando lá pela esquina do nadinha!

Lembrança boa é de torresmo com calda!

Seu Fulustreco e dona Fulustreca já morreram!

Meu único pecado foi respirar sempre que posso!

Aprendam isso: Nem tudo que sai do rabo é merda!

Vanique é o mais verdadeiro tunda deste beloque!

Vamos ter sopo seca no jantar e creme de régua!

Nosso som é à cores e nossa pobre vista fuleja!

Cuidado que hoje é farofa dos dentes pra mimico!

Lá na Serra do Murururi ninguém mais faz pipi!

Olha o graganumba que tá bem mais fresquinho!

Estou mais calmo que um urso numa biblioteca!

Quem me dera poder dormir feito a besta-fera!

O verdadeiro namorado da faca é sem dúvida o faco!

Tem tudo bem ali bem no castelo Rá-Tim-Bosta!

Ganhei um relógio de plástico que funciona à carvão!

Lá no morro do Sabão não existe mais um leitão!


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).


Optimum

Eu quero a flor dos campos Sobretudo a que não nasceu Uma poesia enjoada de tanto doce Como aquelas que ninguém vendeu... Uma poesia dessas ...