sexta-feira, 5 de junho de 2026

Ofegantes

Quem fará o faraó na hora do chá das seis? Pois ela nunca mais comeu papel carbono em seus desvarios de virgem arrombada... Ah! Nunca mais fale isso que não seja em praça pública. O cigano queria me vender anéis de lata, mas faltou pix para que eu estudasse astronomia culinária...

Tem lata de manteiga aí? Ou então um latão de óleo? Estão mais difícieis que reservas para o Municipal em dias de chuvas secas. A cabeça do cangaceiro dançou xaxado sem os pés... Sanduíches de pistache são recomendados para os nervos. E as bolas para esse novo futebol serão de pedra...

Orgulho-me de minhas fraquezas. Assim como maritacas em silêncio sepucral acabam rindo de postulados filosóficos... Não adianta colocar camisas verdes brilhosas e nem sapatos de ladrilho de cores quase indeterminadas. Seu plano falhou, seu canalha! A minha antiga inocência é bem pior do que um soco na cara...

Nós merecemos muitas porradas na cara? Não sei, só que alguns memes perderam dentes em carreiras imprevísiveis... Esqueci as chaves nos bolsos da outra calça. E os pianos de calda de açúcar hoje estão com preguiça... Moço, me dá uma bala? Só uma...

A marmota só come de marmita... E eu estou tão cego pra poder te ver! Eu sou mais velho do que essa pedra e conheço camarões já faz tempo. Meu primeiro hot-dog foi ainda quando as figurinhas dos álbuns ainda valiam alguma coisa! Errei e coloquei o dedo no cinzeiro. Abraçarei meu filho com o mesmo desespero de uma mãe...

O coveiro bateu palmas pros mortos dançarem? Toda água is água. E eu masco pedras como fossem simples caramelos... Enfie sua virtude naquele lugar antes que o dia se acabe! Pobre de quem acredita num deus falso que escreve folhetins. Gaza é o maior exemplo de que a bondade falhou...

Que falhos argumentos essas preciosidades... A estética nunca compra camisas pros pobres. Eis aqui o talento dos porcos que estão como fome! Ele vende três e entrega um... A única novidade é que não há novidade mais nenhuma. Antes eu tivesse ainda agulhas sem pontas e antigos livros pra bordar. Tem algum por aí?

Lá vem o doceiro! Escondam logo suas dívidas! Eu sou do tempo em que as tartarugas ultrapassavam as lebres... E os bolinhos de massa ainda não tinham se espalhado pelas ruas de Bombaim, sacou? A esperança é a última que corre, é a última! Tem uma carne na minha gordura, dona, tem sim... Juro pela minha mãe vivinha!

Hoje fazem dez anos que aconteceu algo há dez anos. Escrevi isto em sei qual lá nuvem que fugiu no galope... Já virou chuva! Já virou chuva, my captain, my captain, faz tempo, faz muito tempo... E agora? Agora me esperam em qualquer beco que suicidamente eu for andando pela madrugada...

Imagens (Miniconto)

Tem gente que é só isso. Uma imagem pálida que um velho espelho às vezes reflete, às vezes não. Respiram por hábito, seu sangue corre nas veias como a eletricidade corre nos fios. Apenas. As palavras são simples imitações. Comem o que podem, vestem o que a sociedade lhes indica. Pensar? Nem pensar! E no fim - apenas mais uma lápide...

domingo, 31 de maio de 2026

O Grande Blá

Apenas conselhos digitais,

Palavras bonitas

Apenas isso e nada mais...


Onde está a esperança com a guerra?

De que serve o progresso para a pobreza?

Talvez uma bomba acabe engolindo a terra

Ou uma praga termine com a natureza...


Apenas ideias geniais

Saindo das bocas

Dos que são apenas boçais...


Onde está a fé que não move montanhas?

Será a dúvida proprietária de toda certeza?

Somos os marionetes de forças estranhas,

O que há de mais sujo em toda essa pureza...


Apenas velhos carnavais

De uma antiga alegria

Que agora não existe mais...


Parem de falar coisas bonitas,

Isso é apenas um grande blá...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 30 de maio de 2026

Água e Bitucas ou Revolta Muda de Um Poeta

Esqueçam toda e qualquer regra

- a vida não possui nenhuma -

apenas algumas circunstâncias.


Ninguém é aquilo que pensa que é,

Se fosse assim, não erraríamos nunca...


Para o vilão o herói que é o vilão,

A história sempre será mal-contada

E a vulgaridade acaba sempre vencendo.


A fé é uma brincadeira de mau-gosto,

Muitos ainda irão dormir com fome...


Não há beleza alguma que se sustente,

Até o sol pode matar alguns olhos

Assim como ele que mata as rosas.


Ninguém respeita os corpos mortos,

Apenas as lápides serão até lidas...


Hoje não dançaremos mais na chuva,

Não há mais fogueiras pelas noites

E todas as estão agora enlouqueceram.


Não espere riso de quem só pode chorar,

Agora até o espelho já me vira o rosto...


Até a esperança espera algo que não há,

Nem todos os barcos dormem no cais

E as borboletas sugam o sangue das flores.


Algumas lendas são apenas mentiras

Enquanto outras são erros de percurso...


Todas as estrelas são apenas uns átomos,

As nossas necessidades mais básicas

São demonstrativos da nossa pequenez.


Hoje só temos bitucas e um pouco d'água,

Alguém quer compartilhar disto conosco?


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Nada

Nada...

Na rua, na praça, na pista,

Na cabeça, que aqueça, na revista,

Mais um gole, mais um trago,

Na sorte, no dia aziago...


Nada...

No idiota, no patriota, concreto,

Na curva, na turva, grito discreto,

Na parede sem tinta, na cicatriz,

Na fome, na sede, medo de ser feliz...


Nada...

A dona, o senhor, a escrava,

A farinha, o feijão, a palavra,

O sexo, o nexo, final de inocência,

A multidão, o sim e o não, a carência...


Nada...

A necessidade, a qualidade, o tema,

A fama, a lama, o velho dilema,

O prato cheio, o meio, a senha,

O metal, o carnaval, que venha...


Nada...

O embalo, o falo, a nudez vitoriana,

O assunto, o defunto, sem Copacabana,

O país, o meu nariz, tesão repentino,

O trem, o amém, o andar sem destino...


Nada...

A balada, a safada, a sem-vergonha,

Sem salário, seu otário, sem maconha,

Almoço cancelado, tá ferrado, perdeu,

A culpa não é sua, é da rua, quase morreu...


Nada...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Deitados...

 

Estética da fome,

Apenas data, apenas nome

E eis que está tudo consumado

E o morto? Deitado...


Silêncio... Apenas dormindo,

O choro? Vem rindo,

A mais fatal das ironias...

Só anos, não mais dias...


Domínio do medo,

Nada na hora, tudo mais cedo

E uma canção feita de nada

E a morta? Deitada...


Silêncio... Vermes comendo,

O medo? Crescendo,

Sem poder escapar...

Ou morrer ou matar...


Estática new home,

Tudo quer, tudo consome...

E eis que os dias são consumados

E os mortos? Sempre deitados...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 23 de maio de 2026

O Grande Bá, Rato

Meu pato comprou um gato...

A vida? Bá! É um grande rato...


Come pão, rouba queijo,

Fala não, não dá beijo,

Escuridão sem ensejo...


Meu jato caiu no mato...

A vida? Bá! É um grande rato...


É agora, chorou Bebel,

É lá fora, "seu" coronel,

Dá esmola, põe no chapéu...


Meu fato é só boato...

A vida? Bá! É um grande rato...


Se bebo, perco a razão,

Se recebo, vem com um não,

Não percebo, só na escuridão...


Meu desacato é disparato...

A vida? Bá! É um grande rato...


Eu nunca uso, só meu terno,

Eu só abuso, lá no inferno,

Está concluso, tão moderno...


Eu sou grato por esse contrato...

A vida? Bá! É um grande rato...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Ofegantes

Quem fará o faraó na hora do chá das seis? Pois ela nunca mais comeu papel carbono em seus desvarios de virgem arrombada... Ah! Nunca mais f...