quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Quando

Quando o quando é quando

E conheço toda essa parafernália

E eu me encolho quieto num canto

Observando toda a sua genitália...


Eu a conheço pelo andar do traseiro?

Eu mal conheço o meu Rio de Janeiro?

Eu sei que todo destino é traiçoeiro...


Eu nunca fui nem serei burguês

Nem tão pouco serei um miserável

Durmo o sono dos mais injustos

Como se fosse a coisa mais notável...


Será que todo impossível é possível?

Será que todo o sonho é tangível?

Nem todo Ivan é o mais terrível...


Vou voando feito mais um desnorteado

Como quem dorme sereno na frente do fuzil

Já acreditei em muitos milhares de mentiras

Como se todos os dias fossem primeiro de abril...


Será que todo nosso pecado é santo?

Será que toda lágrima é pranto?

Mas nem todo grito é canto...


Pragas rogadas e maldições proferidas

O além é apenas um aquém que se distorceu

Nunca iremos saber se do mal ou do bem

Nem você vai saber e muito menos eu...


Quando?


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Pato Com Mortadela

Quem quer pato com mortadela?

Sai voando pela janela

Samba, sol e aquarela

Mostra a bunda na favela

Mija ali naquele cantinho

Enquanto que está quietinho...


Quem quer pizza sem mussarela?

Faltam dentes para o banguela

É um soco bem na costela

E um chute bem na canela

O gigante era bem pequeninho

Todo mundo morre sozinho...


Quem quer sopa de siriguela?

Fui logo para Ilha Bela

Liberdade é a minha cela

Somos os escravos da tela

Cada um tem o seu caminho

Seja a flor ou seja espinho...


Quem vai ficar segurando vela?

Todo plano feito merece cautela

Nem em todo mar navega caravela

Tá me dando uma dor bem na costela

Nem tudo é água e nem tudo é vinho

Quem está servido comer um patinho?...


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 24 de outubro de 2026

Toda Mística

Eu hei de cravar meus dentes em suas carnes,

Tenho assim tipo a eterna ânsia dos afogados,

Nadarei sobre as nuvens desse desacerto

Como quem erra palavras e acerta os gestos...

Não há mais ilusões, somente noturnas pedras,

Pois que caiam sobre silenciosos telhados,

Mãe, mulher, amante, filha, mestra. aluna,

Tudo aquilo que houver e até um pouco mais...

Qual é a cor? São todas elas e até um pouco mais,

Mesmo que me arraste pelo chão até que sobre

O pouco que eu fui um dia e isso só me bastará,

Eu prendi o tempo em minhas pobres e sujas unhas...

Aumente essa dose da forma mais que impossível,

O vento já me obedeceu e parou uma vez e outra,

Minha língua foi feita para sabores e nada mais,

Me empreste um isqueiro e incendearei o mundo...

Minha teimosia tem bem mais que alguns séculos,

Mesmo que seja antiquado esse tal modernismo,

As paredes ainda continuam com suas tais teias,

Meu Demônio continua ainda meio adormecido...

Há poetas com grana e sem motivo para viver,

É tanta lama pelas ruas que não têm asfalto,

Uma via-crucis com tantos os descrucificados,

Iremos morrer no instante que não esperamos...

Não importa qualquer sotaque que assim exista,

Eu já andei de avião e isso já faz certa era,

Digamos que eu já fui aventureiro e não sou mais,

Tenho que pedir perdão pelas pecados desconhecidos...

Ela é minha litania, simplesmente, toda a litania!

Sei rezar na cartilha dos seus pelos mais pubianos,

De tanto me roçar acabei grudando em sua pele,

Rezo contrito para que haja todo aquele seu gozo...

 

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Geral da Noite

A busca do impossível em versos mudos

Os postes são as mais fiéis testemunhas

Tudo que é jogado fora espera pelo dia

As calçadas são como novos túmulos

Quem poderá então nos socorrer?


Eu estou aqui e não estou mais lá

Ave noturna que segue em passos lentos

Compreensão do que é incompreensível

Um tiro no escuro conhece a direção

Quem sabe a resposta para a pergunta?


Os cães dormem e os gatos espreitam

As putas estão rindo sem motivo algum

O menino está assustado naquele canto

Toda ternura acabou terminando assim

Alguém saberá quem fomos nós um dia?


Existe um corpo de baile nas lâmpadas

E algum cadáver de fogueira por aí

Toda ruína tem uma longa e fiel história 

Todo escombro escreve seu diário secreto

Contamos todos estes nossos segundos?


Na noite brilham alguns dos pirilampos

Que acabaram sobrando dessa guerra...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida). 

Nua...

 


Nua...

Como sempre esteve e não...

A amada e desamada...

Fogueira e clarão...


Persiga-me...

Como a caçadora à presa...

Hoje e ontem...

Quem de nós tem a certeza?


Devora-me...

Me engole sem ao menos mastigar...

Lógica e absurdo...

Nem há tempo pra me matar...


Voe-me...

Preciso urgente sair fora daqui...

Presente e passado...

Eu não consigo nem mais dormir...


Nua...

Como sempre esteve e não...

A amada e desamada...

No alto e no chão...


quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O Baile Dançante

Uma nova quase invenção - a vida.

Tomates frescos para o freguês também.

Ele é tão feio quanto o seu próprio nome.

Eis aí o bêbado e o desequilibrista.

Qualquer nuvem me levará até Minas.

O mundo é um velho navio com novidades.

As revistas antigas choram em coro.

Essas botas aqui fazem muito barulho.

Toda surpresa depois de surpreender não é.

Cada geração traz seu próprio cadáver.

Letícia é simplesmente uma real delícia.

Não sobrará pedra sobre nenhum papel.

Quanto menos roupa mais vestida está.

É fácil jogar xadrez com estes quadrados.

O nosso dinheiro está escondido nos bolsos.

A decepção quase sempre fica decepcionada.

Muita gente acaba ficando suja de sabão.

Gostamos de purismo nos nossos traçados.

Tanto faz comer de garfo ou comer de colher.

Quem cair primeiro que vá chegando logo.

Temos muitos nomes mas nenhum deles é.

Estará sempre o tempo num baile dançante.

Uma nova quase invenção - a vida...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Me Morrerei Logo

 


Me morrerei logo...

Assim que matarem as estrelas!

(Eu vim por causa do brilho delas...)...


Ah, estrelas! Não morram agora...

Talvez num tempo mais que qualquer

Quando colocar minha cabeça no travesseiro...


Me morrerei logo...

Logo que o amor possa morrer!

(Nada consegue viver sem ele vivo...)


Não, amor! Nunca morra, por favor...

Com a sua morte pode ser até que viva

Mas essa vida me fará só mais um cadáver...


Me morrerei logo...

Ainda que meus sonhos fechem meus olhos!

Estar sem sonho é o mesmo que me afogar sem fim...


Esse é o sonho! O que de maior existe...

Percorre o todo infinito em alguns instantes

E nunca cansa de se repetir em momento algum...


Me morrerei logo...

Assim que matarem as estrelas!

(Eu vim por causa do brilho delas...)...

Quando

Quando o quando é quando E conheço toda essa parafernália E eu me encolho quieto num canto Observando toda a sua genitália... Eu a conheço p...