E o futuro é um passado que tem pressa.
Colocarei meus óculos para enxergar menos.
Minhas perguntas acabam se cansando.
Viver é morrer com uma forma mais enganosa.
Política é uma faca sem ter gume nenhum.
O louva-a-deus não sabe fazer algum louvor.
Toda vez que eu escuto Frida eu me calo.
A falácia tem um problema sério de gagueira.
Só vou me matar quando a segunda for quinta.
Antes do gosto chegar na boca vem aos olhos.
A burguesia sempre precisa de desodorante.
Só existe uma palavra perfeita e será essa.
Toda doença é como se fosse auto-punitiva.
Era tanto doce que até minha boca amargou.
Quero pés flutuantes para minha embriaguez.
Nem sempre a luz é apagada com um sopro.
O dinheiro envelhece dentro de qualquer bolso.
A realidade dos sonhos é composta de ilusão.
Para os cemitérios não existem explicações.
Mordi minha língua e não senti nenhum gosto.
Não existem risos para piadas sem graça.
Só teremos uma pneumonia de vez em quando.
O mundo foi feito em seis dias e no sétimo baile.
Aqui só se come quem tiver escrito o seu nome.
Hoje estou terrivelmente suave como uma pedra.
Para o verme passear dispensa-se a lua cheia.
Nunca iremos esquecer deste nosso esquecimento.
Hoje faltou tinta para escurecermos a meia-noite.
O cadáver desfilará na avenida todos as manhãs.
Quanto mais eu gargalho acabo ficando mais sério.
Minha fragilidade tem a aparência de uma teia.
E o passado é um futuro que estava sendo enganado...
(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).






