quinta-feira, 11 de junho de 2026

Diálogo de Porra Nenhuma III

- Qui qui qui quá quá quá,

Hoje tem peixe podre pra mode a gente lanchá! -

Gritava Serapião Perna-de-Formiga

Enquanto tirava a mais nova meleca das fuças...

- Quá quá quá qui qui qui,

Misturei um monte de areia no meu açaí! -

Respondeu João Luxo do Lixo

Cheirando um par de meias que achou na rua...

E aí começou a conversa:

- Fala aí, boca de lata! -

Gritou Serapião arrancando um cílio -

Quando que tu vai morrer disgramado?

- Quando o corisco dar um nó! -

Respondeu o outro tranquilamente

Enquanto comia uma farinha com pinga.

- E que mais, seu zóio de corno? 

- Que mais o que seu seca-peste?

- Sei lá mais o que, seu bunda rachada...

- Ah, tá, agora entendi memória de leitão...

É assim mesmo esse mundo:

Um dia rasga a calça, noutro caga nela...

- Acertou no sol da lua!...

- Arrodeado de pudim quase seco...

- Vamo lá na birosca do Brecola?

Pra dar um peido e pedir esmola?...

- Ih, hoje não vai dar...

Tem meia dúzia de putrunco pra morrer...

- Ah, coisa boa! Boa demais!

Melhor que isso só pancada no coco

Com uma sexta-feira bem pesada...

- E tu tem visto o Índio?

- Que Índio?

- Aquele que mora na rua de trás

E que fuma maconha até pelo zóio...

- Nunca mais, desde ontem...

- Pois isso é deveras preocupante...

- Preocupante por que?

- Porque quem não aparece merece

Dois dedos de cana e uma prece...

- Pois que se foda!

- Fale esse não, cara de mamão...

- Pois eu falo e repito, cu de mosquito!

Meu nome é Name, entendeu? Name!

- Quase entendi, quase que não...

- Isso então, seu praga de madrinha...

- E você? Pesadelo de Satanás...

- Pois que tomara que tomara,

Gozaram na tua cara...

- Ontem nasceram e bateram as botas.

- Esticaram o pernil também.

- E não é que é, juro pelo Zé Mané!

- Pois bem, a conversa tá boa, mas vou-me...

- Pois então, seu fulaca de banda, vai que lá...

- Até o próximo milênio vindouro...

- Até dente-de-pedra choca...

E acabou a conversa...


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Um Dia A Terra Explode


Qualquer dia desses, qualquer dia desses,

A terra acaba se explodindo por inteira

Enquanto os tiranos comem empadinhas...

O noia sem querer bebeu água e morreu...

Há muita diferença entre toda indiferença

E Pascoal comeu acabou com a lata de feijão

Enquanto tomava sua cerveja pelo nariz...

O elefante está usando seu cabelo asa-delta...

Pois a apresentadora de programa infantil

Teve sua moderna crise pela milésima vez

E se masturbou com os seus dedos dos pés...

Tomarei mais um conhaque logo que dormir...

A maior fama que um desconhecido pode ter

É o mais belo chute no cu e uma porrada

Em que possam voar todos os dentes da boca...

Os gatos entraram em greve e são vegetarianos...

Hoje teremos pro almoço angu com angu

E aquele delicioso molho feito só de angu

Para todos aqueles que odeiam comer angu...

A lei do silêncio começou a gritar de madrugada...

Aquela roupa que eu sonhava em comprar

Toda suja e toda rasgada está em liquidação

Na exposição internacional de sapos empalhados...

Hoje em dia a nudez tem medo de ter uma gripe...

Qualquer dia desses, qualquer dia desses,

A terra acaba se explodindo por inteira

Enquanto os tiranos comem empadinhas...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 9 de junho de 2026

Marcha Forçada

Grande quantidade de sustos

Aquilo que eu nunca quis

Poderia ter dormido mais um pouco

Mas os sons do dia são implacáveis...


Enigmas sem explicações aparentes

Minhas mãos sempre tremem

A puta é a mais inocente de todas

É um cigarro atrás de outro cigarro

Enquanto o meu café não chega...


O açúcar deixa um amargo na boca

Enquanto nossa lógica claudica

E o tarot diz apenas coisa com coisa

Até que a água chegue lá nas nuvens...


O rótulo não indicava se era veneno

E a maré parecia estar calma

A onça aguardava paciente entre folhas

E os elefantes passeavam suavemente

Enquanto chupavam seus dropes de anis...


Minha musa platinou os seus cabelos

Enquanto a distância me dá tapas

O mar conhece mais esse meu rosto

E minhas asas estão tirando férias...


Não mais e nem menos que menos

Toda hora é a hora de jantar

Mesmo quando os mortos não jantam

E debaixo deste sol tão mais infame

Eu só possa fazer essa marcha forçada...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Sapatos Quase Novos

São caminhos, senhor, são caminhos,

Nenhuma previsão acaba se realizando,

Aonde estavam as rosas, agora os espinhos,

Quem deveria rir, agora está chorando...


É o medo, é só este meu chamado medo,

Que faz existir sombras aonde não existem

E mesmo que a morte sempre venha cedo,

Aqueles meus sonhos, teimosos, persistem...


É só isso, é apenas aquele pequeno rio,

Que continua andando toda noite e todo dia,

Não se importando se está calor ou só frio,

Se estou sozinho ou se tenho uma companhia...


Eu nada invento, apenas ela e eu desprevinido,

Ando como sobre o vidro, ou pisando em ovos,

Tanto faz que o desenho esteja ou não colorido,

Os sapatos velhos ou então quase novos...

 

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Ofegantes

Quem fará o faraó na hora do chá das seis? Pois ela nunca mais comeu papel carbono em seus desvarios de virgem arrombada... Ah! Nunca mais fale isso que não seja em praça pública. O cigano queria me vender anéis de lata, mas faltou pix para que eu estudasse astronomia culinária...

Tem lata de manteiga aí? Ou então um latão de óleo? Estão mais difícieis que reservas para o Municipal em dias de chuvas secas. A cabeça do cangaceiro dançou xaxado sem os pés... Sanduíches de pistache são recomendados para os nervos. E as bolas para esse novo futebol serão de pedra...

Orgulho-me de minhas fraquezas. Assim como maritacas em silêncio sepucral acabam rindo de postulados filosóficos... Não adianta colocar camisas verdes brilhosas e nem sapatos de ladrilho de cores quase indeterminadas. Seu plano falhou, seu canalha! A minha antiga inocência é bem pior do que um soco na cara...

Nós merecemos muitas porradas na cara? Não sei, só que alguns memes perderam dentes em carreiras imprevísiveis... Esqueci as chaves nos bolsos da outra calça. E os pianos de calda de açúcar hoje estão com preguiça... Moço, me dá uma bala? Só uma...

A marmota só come de marmita... E eu estou tão cego pra poder te ver! Eu sou mais velho do que essa pedra e conheço camarões já faz tempo. Meu primeiro hot-dog foi ainda quando as figurinhas dos álbuns ainda valiam alguma coisa! Errei e coloquei o dedo no cinzeiro. Abraçarei meu filho com o mesmo desespero de uma mãe...

O coveiro bateu palmas pros mortos dançarem? Toda água is água. E eu masco pedras como fossem simples caramelos... Enfie sua virtude naquele lugar antes que o dia se acabe! Pobre de quem acredita num deus falso que escreve folhetins. Gaza é o maior exemplo de que a bondade falhou...

Que falhos argumentos essas preciosidades... A estética nunca compra camisas pros pobres. Eis aqui o talento dos porcos que estão como fome! Ele vende três e entrega um... A única novidade é que não há novidade mais nenhuma. Antes eu tivesse ainda agulhas sem pontas e antigos livros pra bordar. Tem algum por aí?

Lá vem o doceiro! Escondam logo suas dívidas! Eu sou do tempo em que as tartarugas ultrapassavam as lebres... E os bolinhos de massa ainda não tinham se espalhado pelas ruas de Bombaim, sacou? A esperança é a última que corre, é a última! Tem uma carne na minha gordura, dona, tem sim... Juro pela minha mãe vivinha!

Hoje fazem dez anos que aconteceu algo há dez anos. Escrevi isto em sei qual lá nuvem que fugiu no galope... Já virou chuva! Já virou chuva, my captain, my captain, faz tempo, faz muito tempo... E agora? Agora me esperam em qualquer beco que suicidamente eu for andando pela madrugada...

Imagens (Miniconto)

Tem gente que é só isso. Uma imagem pálida que um velho espelho às vezes reflete, às vezes não. Respiram por hábito, seu sangue corre nas veias como a eletricidade corre nos fios. Apenas. As palavras são simples imitações. Comem o que podem, vestem o que a sociedade lhes indica. Pensar? Nem pensar! E no fim - apenas mais uma lápide...

domingo, 31 de maio de 2026

O Grande Blá

Apenas conselhos digitais,

Palavras bonitas

Apenas isso e nada mais...


Onde está a esperança com a guerra?

De que serve o progresso para a pobreza?

Talvez uma bomba acabe engolindo a terra

Ou uma praga termine com a natureza...


Apenas ideias geniais

Saindo das bocas

Dos que são apenas boçais...


Onde está a fé que não move montanhas?

Será a dúvida proprietária de toda certeza?

Somos os marionetes de forças estranhas,

O que há de mais sujo em toda essa pureza...


Apenas velhos carnavais

De uma antiga alegria

Que agora não existe mais...


Parem de falar coisas bonitas,

Isso é apenas um grande blá...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Diálogo de Porra Nenhuma III

- Qui qui qui quá quá quá, Hoje tem peixe podre pra mode a gente lanchá! - Gritava Serapião Perna-de-Formiga Enquanto tirava a mais nova mel...