sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Hoje

E hoje não há mais nada...

Só aquele choro na calçada...


Um dia como um outro qualquer...

O filho pródigo do ontem

E o pai ausente do amanhã...


E hoje não há mais nada...

Só aquela pedra e a topada...


Um dia como um outro qualquer...

A morte que não veio ontem

E talvez chegue mesmo atrasada...


E hoje não há mais nada...

Só o choro que já foi risada...


Um dia como um outro qualquer...

Mais uma fome para ser contida

E mais um vidro para ser quebrado...


E hoje não há mais nada...

Só aquele amor que foi mancada...


Um dia como um outro qualquer...

Alguém chorando na sala de parto

E outro deitado para não levantar...


E hoje não há mais nada...

Só aquele choro na calçada...


(Extraído do livro "Rubianan Decide" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Panis et Putensis

(Não houve tempo com tempo...)!

Deu piolho nas barbas do profeta

Enquanto ele fazia uma motociata

Pelas ruas verdes da cidade azul...


(Passei a navalha em meu pescoço...)!

O ditador mais democrático da terra

Bebeu um barril cheio de coca-cola

Enquanto acariciava seus pentelhos...


(Que falta me faz comer um jornal...)!

Tudo que falei agora jaz apagado

E as minhas letras se tornaram insetos

Voando em torno de lâmpadas mortas...


(A cigarra não fuma mais cigarro...)!

Os javalis valem mais um centavo

Espalhados pelos campos-cidade

Como os mais tresloucados cidadãos...


(Balanço de rede para quem tem sede...)!

Semana sim e numa outra semana idem

Ele quebra todas as leis ainda existentes

E faz sua vida miserável ter quase sentido...


(Na Páscoa devoramos o pobre do coelho...)!

Somos um amontoado de tais paradoxos

Onde a inocência é algo mais que inexistente

E se ele existe o tempo acabará comendo...!


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Beber Até Cair No Chão? Vomitar? (Dura Lex)

Dura lex, sede sex...

No cabelo só Jontex...


Eu me escondo entre jilós e maçãs

Não sei nada de nada sobre as manhãs

Zezito que fique lá com suas arribaçãs...!


Dura lex, sede sex...

No cabelo só merdex...


Titia usava essa sua peruca de plástico

Enquanto eu já vi o primeiro Fantástico

E tudo mais que não havia era dinástico...!


Dura lex, sede sex...

No cabelo só mijex...


Silêncio no funeral para que possa berrar

Estudei tantas vezes só para poder errar

Jogo decisivo da copa e não tem o que narrar...!


Dura lex, sede sex...

No cabelo só porrex...


A vida é um filme de terror de oitava categoria

Feito nas entrelinhas de uma rede social tão vazia

E uns tênis rasgados pisando numa rua triste e fria...!


Dura lex, sede sex...

No cabelo só podrex...


Todo poeta é apenas um miserável rico ou pobre

De nobreza não temos nada que seja apenas nobre

Porque no final a terra vem e finalmente nos cobre...


Dura lex, sede lex...

No cabelo só nadex...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Só O Furuó Tem Arma

Só o furuó tem arma... Tem sim!

Tem cabelo bleckado, quase pixarim!

Dança fulejo no meio do samba,

Dá uma de que é o mais bamba,

Numa pirânhide que vai ser enterrado,

Quase de frente e quase de lado!


Só o furuó tem arma... Tem sim!

Só come coisa boa, quase capim!

Vai no caibaré comer umas puta,

Mija de pé e toma chá de cicuta,

Daqui dois mil anos vai no passeio,

Quase nas pontas e quase no meio!


Só o furuó tem arma... Tem sim!

Vem de perto longe, quase Nanquim!

Usa sandália num pé, no outro também,

Tá muito acima do que é mal e do bem,

Só tomava seu martini com uma cereja

Enquanto os outros iam tomando cerveja!


Só o furuó tem arma... Tem sim!

Sou quase um Yankee, quase tupiniquim!

Usa maquiagem no zóio, na beiça não,

Engorda feito porco e parece um barrão,

O furuó tá cansado e coitado tá demente,

Rancou os bucho dele e não é mais gente!...


Só o furuó tem arma... Tem não!...


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Siga O Bando

Siga o bando

Qu'eu mando!

Até quando?

Vá esperando...


Até quando não poder mais,

Até cessarem as ondas do cais,

Até a guerra implorar a paz...


Siga o bando

Qu'eu mando!

Até quando?

Vá manerando...


Até quando caírem os dentes,

Até as mãos estarem dormentes,

Até dar remédio aos pacientes...


Siga o bando

Qu'eu mando!

Até quando?

Vá implorando...


Até que o tesão esteja acabado,

Até eu rir porque estou errado,

Até eu notar que estou acordado...


Siga o bando

Qu'eu mando!

Até quando?

Vá delirando...


Até eu pular nessa tal ribanceira,

Até eu acabar com essa tremedeira,

Até eu sair dessa vã pasmaceira...


Siga o bando

Qu'eu mando!

Até quando?

Vá pensando...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

domingo, 6 de setembro de 2026

Maracatus e Cirandas em Antigas Manhãs

Novelos embolados com ausentes gatos

Preços muito altos para insignificâncias

Estátuas de gelo sob um sol escaldante

Novos idiomas para ninguém entender


Não tem cabrocha e o Irajá está tão longe...


Tombos e ralados para nosso final deleite

Medidas certas para os mais cegos olhos

Os biscoitos agora estão caídos pelo chão

Qualquer marionete eletrônica faz gozar


Todos cagaram e esconderam sob o tapete...


Facilmente deliramos em certos devaneios

Os mártires berram suas palavras de ordem

A sujeira das famílias é lavada com veneno

No oitavo dia da semana chegamos de viagem


Minhas virtudes e defeitos nunca foram meus...


Não aceito menos que vinte e cinco horas diárias

Beijaremos as marés com os beijos mais tarados

Nunca peça explicações porque nunca nada sei

Tem uma valsa dançada sobre urbanos escombros


O cara famoso é mais um merda que deu certo...


Somos todos canonizados neste nosso lindo inferno

A mentira é mercadoria de mais urgente necessidade

Minhas carpideiras sempre farão um alegre stand up

Minha linda cidade com seus campos de concentração


Só na loucura alcançaremos esta tal de lucidez...


Daqueles filmes antigos todos os atores estão mortos

O monstro do lago Ness agora trabalha no fast food

Gasolina bem mais barata para podermos respirar

Vamos ser tão etéreos como as mais pesadas pedras


Somos presas de uma elite que também comerá terra...


Os twins mantêm um caso amoroso mais secreto

A borda da pizza vem recheada só com os alfinetes

Plantei morangos na caatinga e só colhi sardinhas

Não há nada mais doce atualmente que o vinagre


O samba-enredo fala de tudo menos de alegria...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Absorto Em Mim

Não sei mais o que faço

(Se é que faço...)...

A chuva cai a cem por hora

Não sei se fico ou vou embora

Qualquer lugar será um lugar

Colocar os pés no chão e descansar...


Não sei mais o que bebo

(Se é que bebo...)...

Os bebâdos solitários em bando

Sem destino e sem um até quando

Como num sucídio quase coletivo

Para viver basta não estar mais vivo...


Não sei mais o que fumo

(Se é que fumo...)...

A minha expectativa é quase zero

Mas mesmo assim eu então espero

Brote ainda neste rosto talvez o riso

Nada mais que isso é o que eu preciso...


Não sei mais o que sinto

(Se é que sinto...)...

É algo assim como totalmente diferente

Que me faz sentir como se não fosse gente

O que seria no meio dessa tal multidão?

O que sente agora o que chamo coração?

Sou uma flor morta de um largado jardim

E eu só posso que ficar absorto em mim...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Hoje

E hoje não há mais nada... Só aquele choro na calçada... Um dia como um outro qualquer... O filho pródigo do ontem E o pai ausente do amanhã...