quarta-feira, 20 de maio de 2026

Exposições

As nádegas brancas dele

Que o sol nunca vê

Mas os olhos de qualquer sempre...


Como as ruas são assim?

Os gatos são testemunhas...


As tatuagens vulgares dela

Que fez quando drogada

No despero constante e sereno...


A vida é um monte de lixo?

Somos todos habitantes...


Uma família mais que falida

Em tudo e ainda mais sobretudo

Quando os tiros atingiram pulmões...


Adiantou filósofos chorarem?

Pensar agora não é opção...


Para o mudo uma palavra só

Compreendida ou não

Foge da boca e não retorna...


Para que céu foi meu cão?

Espero que lá não tenha humanos...


As nádegas brancas dele

Que o sol nunca vê

Mas os olhos de qualquer sempre...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 19 de maio de 2026

Quase Quase Sem Fôlego

Carros agora inexistentes levam à lugar nenhum

Enquanto meu pânico vai aumentando pelos dias...


Queria eu ser mais nada do que simples versos

Que ficassem em simples papéis amarelados

Guardados numa velha gaveta bem esquecida...


Eu conheço os barulhos que todos os dias possuem

Mesmo quando usam pés de silêncio para sua rotina...


Parece um milagre eu estar vivo nesse exato instante

Mesmo que as rugas inundem o espelho do banheiro

E eu exerça o ofício de esquecer mesmo que doa muito...


Minhas pálpebras tremem de um nervosismo calado

E minhas mãos colaboram com isso sem nada fazerem...


Quero qualquer dia desses comprar uma toalha nova

Para fazer uma capa de Super-Homem e sair voando

Não é necessário de habilitação para fazer tal prodígio...


As paredes do meu quarto sabem guardar muita coisa

Especialmente aqueles que não aconteceram e não irão...


Todos os segredos foram feitos para dançar pela rua

Inventando um novo carnaval quase meio fora de época

Enquanto estou inteiro bêbedo sem beber um gole sequer...


Faço um cálculo quase matemático ou quase profético

Que o mar está no mesmo lugar com todas as marés...


As garças que imploram peixes para os pescadores

São mais felizes que do nós os pobres seres humanos

Vão morrer cegas enquanto nós vivemos até o nosso fim...


Fumo um cigarro atrás do outro feito simples suicida

Porém sei que há vícios que podem ser bem piores

Um deles é achar que as multidões terão pena de nós...


Estou agora quase quase faltando aquele meu fôlego

Que a vida toda sofreu e acabou reclamando de mim...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Poemisco (Poesia Experimental)

 

Eu corro risco

De ficar arisco

Feito um pitbull

Eu perco feio

Caí bem no meio

Desse only you


Eu corro risco

De chorar com cisco

Lá na Zona Sul

Eu sou bem feio

Não tem nem meio

Vai tomar no cu!


(Extraído da obra "O Livro dos Méritos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Alguns Poemetos Sem Nome N° 366 *

Toda negação é fria,

Toda denúncia é vazia,

Nós nem sabemos

Aquilo que escolhemos...


Toda espiral é reta,

Toda fumaça é concreta,

Nós nem sabemos

Se vivos ou morremos...


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Estou pra lá de pra lá. Me embriaguei de todos os versos possíveis. Fiquei até meio zonzo. Fumei os sonhos mais insólitos todos de uma vez. Quase tropecei e caí na rua. Aspirei todos os aromas possíveis e não deixei escapar tempo nenhum. Estou pra lá de pra lá...


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Que a terra lhe seja leve,

Que a guerra lhe seja breve,

Muitas cores,

Poucas dores,

Alguns amores,

Que a terra lhe seja breve,

Que a guerra lhe seja leve...


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Comercial bem sincero é esse:

Eu vendo o que você não quer,

Para o que você não precisa,

Por uma grana que você não tem,

Custa o tempo que você perdeu,

Por uma oportunidade que não existe,

Compra aí, seu idiota...


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Foi num tempo em que tudo era bem diferente. Era bem diferente sim, isso era. O pouco que me lembro, já me basta para lembrar. A idade era bem menor, a inocência mais um pouco, era mesmo, mas o medo, esse sim, já existia e, se não era do tamanho que é hoje, mesmo assim, ia crescendo. Às vezes devagar, às vezes não. Era melhor, era pior? Não, era apenas diferente...


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É a era que estamos...

Quanto pior? Gostamos...

Nem sabemos escrever direito...

Toda qualidade? Agora é defeito...

Registramos toda a vergonha...

E que nos cura? A peçonha...

É a era que estamos...

E nem mais pensamos...


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Um rio cortado ao meio

Não irá mais até o mar

Ficará por aqui mesmo

Em terras que não são suas...

Um amor interrompido

Só trará mais mágoas

Choros virados para a parede

Noites insones e intermináveis...

Um sonho quebrado no chão

Um nova estrela que caiu

O fim de toda a esperança

Como um aborto malvado...

domingo, 17 de maio de 2026

Caverna de Modernidades

Quanto mais para frente, mais para trás...

(E os domingos são segundas! São sim!)

É hora de desaprendermos quase tudo

Assim como aumentarmos o nosso medo

E inventarmos mais necessidades vitais...


Quanto mais bondosos, mais malvados...

(E o amanhã é ontem reciclado! Pois não!)

A ciência foi feita para os que possuem

E tudo que será uma hora mais obsoleto

Será usado pela multidão feita dos tolos...


Quanto mais pacíficos, mais violentos...

(Hoje comeremos a pomba da paz! Comeremos!)

Cada rua é mais um novo e perigoso desafio

Para isso são dispensados todos os relógios

E todas as convenções serão jogadas no lixo...


Quanto mais comuns, mais inéditos...

(Hoje teremos pão! Ou não teremos nenhum!)

O Diabo sambou em cima do caco de vidro

E todos os enfeites que haviam nos jardins

Agora estão numa caverna escura de modernidades...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Inexplicáveis

Vamos dançar com pés de nuvens

Sobre esse tapete de cacos de vidro?

Por quanto tempo iremos dançar?

Toda a eternidade menos um segundo...


Iremos nos beijar com náufragos

Nos afogando em oceanos de saliva?

Isso nos levará até em que terras?

Em qualquer país que esteja bem ali...


Um par de asas será assim suficiente

Para que possamos andar pelas ruas?

Seremos gatos e não sabemos disso?

Todo sol nos faz qualquer uma falta...


Tomaremos uma taça de chá de cicuta

Rindo da última besteira da estação?

Por que os tiros não nos atingem mais?

Nossos peitos são de vidro inquebrável...


Quantas peneiras essa luz vai precisar

Até que a noite finalmente chegue aqui?

São necessárias quantas rosas de açúcar?

Sinto falta de alguns velhos carnavais...


Abro os braços feito mártir de mim mesmo

Onde cada susto faz parte dessa mesma rotina?

Até quando meus nervos irão então implodir?

Quando a história virar apenas um número...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 9 de maio de 2026

A Culpa Não É dos Olhos

 A culpa não é dos olhos,

Nunca foi,

Sempre estiveram lá,

No mesmo lugar...


Foram testemunhas dos crimes

E de tudo mais que nos feriu...

Foram eles que salgaram sempre

Por ordem do nossso coração...

Acordaram com todo o medo

Nas noites mais escuras possíveis...

Enxergaram em sujos espelhos

O nosso caminho para o nada...

Comeram mais do que a boca

Obedecendo nossa insensatez...

Andaram por todas as terras

Mesmo quando não haviam...

Fecharão num dia final

Junto com a nossa respiração...


A culpa não é dos olhos,

Nunca foi,

Sempre estiveram lá,

No mesmo lugar...

Até fecharem de vez...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).


Exposições

As nádegas brancas dele Que o sol nunca vê Mas os olhos de qualquer sempre... Como as ruas são assim? Os gatos são testemunhas... As tatuage...