Sobre esse tapete de cacos de vidro?
Por quanto tempo iremos dançar?
Toda a eternidade menos um segundo...
Iremos nos beijar com náufragos
Nos afogando em oceanos de saliva?
Isso nos levará até em que terras?
Em qualquer país que esteja bem ali...
Um par de asas será assim suficiente
Para que possamos andar pelas ruas?
Seremos gatos e não sabemos disso?
Todo sol nos faz qualquer uma falta...
Tomaremos uma taça de chá de cicuta
Rindo da última besteira da estação?
Por que os tiros não nos atingem mais?
Nossos peitos são de vidro inquebrável...
Quantas peneiras essa luz vai precisar
Até que a noite finalmente chegue aqui?
São necessárias quantas rosas de açúcar?
Sinto falta de alguns velhos carnavais...
Abro os braços feito mártir de mim mesmo
Onde cada susto faz parte dessa mesma rotina?
Até quando meus nervos irão então implodir?
Quando a história virar apenas um número...
(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).






