Blog do Carlinhos
Perdido como hão de ser os pássaros na noite, eternos incógnitas... Quem sou eu? Eu sou aquele que te espreita em cada passo, em cada esquina, em cada lance, com olhos cheios de aflição... Não que eu não ria, rio e muito dos homens e suas fraquezas, suas desilusões contadas uma à uma... Leia-me e se conforma, sou a poesia...
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
O Desejo (Miniconto)
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Providências Avessas
Nunca se sabe que se sabe que se sabe
Teus grandes pequenos olhos de academias
Trago-lhe doces do mais puro sal chinês
Mando os caretas engolirem em seco aguado
É tão linda ela quando se veste com nudez
Perdoe-me pelo crime hediondo de amar
É que eu só confio naquilo que desconfio
As facas que usamos anteontem fora embora
Nunca mais falaremos do que não falamos
As peças do rádio já ficaram radioativas
Faço mágicas e também hiatos virarem ditongos
É meia poção de lagosta para um meio rico
O principal meio de estar no meio é meio-dia
Satan bebe coca-cola sem dar arroto sequer
O celular faz caretas do mais puro cansaço
Vamos comer um x-nada está até muito bom
Os porcos usam agora belos colares de pérolas
Cada frase dita tem o tamanho deste mundo
A cultura dos tolos acaba sofrendo de úlcera
O cara falava uma língua que ele não entendia
O abcesso foi o maior sucesso na rede social
Melões e melancias são a minha abominação
A cachaça dela veio bem antes da maconha
A Sociedade Alternativa agora está alternada
Operei minhas asas para poder aumentá-las
É um grande perigo que não tenha perigo algum
A mentira também tem mãe e ela é uma puta
Minha má-educação só depende da lua vazia
Tudo se torna obsceno enquanto ainda o é
A metrópole é só uma sósia malfeita da selva
Quem souber qual o segredo de tudo conte logo
Nossa única providência é não providenciar nada...
(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).
POESIA GRÁFICA XCVIII *
Fenômeno social
insocial
antisocial
normal
quase normal
anormal
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ÍNDIGO BLUE, ÍNDIGO BLUE,
ÍNDIGO NU, ÍNDIGO NU,
ÍNDIGO BOOM, ÍNDIGO BOOM
ÍNDIGO AZUL, ÍNDIGO AZUL
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Razões para morrer:
Deixar de correr,
Deixar de escorrer,
Deixar de conter,
Deixar de comer,
Deixar de viver...
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LAGO TRAGO VAGO
MANGA TANGA MIÇANGA
TRANÇA MANSA DANÇA
TRILHO BRILHO FILHO
ESPADA ESTADA ESTRADA
VALOR ANDOR ARDOR
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Chorou Bebel
Chorou no céu
Chorou quartel
Chorou anel
Chorou pastel
Chorou Babel
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A linha de pesca não é pesca
Quem faz o gol é a bola
Ninguém prende ninguém no jogo de xadrez
A Flora nem sempre tem flor
Benvindo nem sempre é
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TATUAGEM
TATULAGEM
TATUBAGEM
TATUCAGEM
TATUPAJEM
TATUVAGEM
TATUVIAGEM
TATUMARGEM
TATURAGEM
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Com A Palavra A Palavra
As palavras ferem, matam, salvam...
São nossas companheiras, nos deixam sozinhas..
São pássaros azuis que um dia alguém sonhou...
São restos de comida deixados no prato...
São a roda-gigante que parou de rodar...
As palavras perguntam, se calam, respondem...
São nossos pesadelos, embalam nosso sono...
São a queda do abismo necessária para voar...
São o carro veloz que entrou na contramão...
São lembranças queridas que tentamos evitar...
As palavras são mares, os rios, desertos...
São a nossa libido, acabam com nosso tesão...
São a fera que nos perseguem em plena selva...
São o descanso merecido do velho guerreiro...
São o mudo discursando para todos os povos...
As palavras são meretrizes, santas, mães-de-família...
São a mentira lavada em águas mais turvas...
São a verdade que não possui piedade de nós...
São o ganha-pão de todas as nossas carpideiras...
São o dedo silencioso correndo pela tela do aparelho...
As palavras são sábias, a simples rotina, a loucura...
São a roupa velha e lavada extendida no varal...
São o sol desenhado no chão pedindo tempo bom...
São os passos na areia que o vento apagou...
As palavras são açoites, nadas, beijos na boca...
São os pingos de chuva que agradam ou não...
São os enigmas que querem ser decifrados...
São o nocaute do lutador mais invencível que há...
As palavras, as palavras, as palavras e as palavras...
Nem sempre estão nas bocas, nos ouvidos, nas paredes...
Mas estão sempre nos olhos, isso estão mesmo...
Alguns Poemetos Sem Nome N° 373 *
Ela não entende minha poesia
Eu me perco nos olhos dela...
Ela quer ganhar o mundo inteiro
Eu não tenho nem migalhas para dar...
Ela tem medo do amanhã
Eu acabei perdendo o medo da escuridão...
Ela quer rir o tempo todo
Eu já acostumei a chorar quase sempre...
Ela continua sendo ela mesma
Eu nem mais sei quem fui sou ou serei...
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Goze antes que o sono se acabe
Antes que as manhãs nos ataquem
E os soldados saiam das trincheiras
Fale antes que os peixes vão ao mar
E eu comece a falar em língua estranha
O menino irá de uma vez para a rua
E a miserável conhecerá a riqueza...
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Fartamente eu me farto de certas coisas
E talvez vire até um sujeito comum
Desses que disfarçam não estarem na rua
Que tentam a morte de longe se aproximando
Que nunca tentam dar ao menos bom dia
E se fazem vítimas de uma sociedade nula
Vamos ser alguma coisa que talvez preste
Mesmo que nossa tentativa acabe falhando
Fartamente eu me farto de certas coisas
Só não me fartarei de mais novos carnavais...
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A carpideira irá rir por mim...
Não quero que ela chore... Não!
O coveiro vai ter preguiça...
Me deixe em qualquer canto... Por aí!
Um domingo ou outro me basta...
É que eu tenho medo... Muito medo!
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É tudo um xis... É tudo um xis...
Nunca saberemos se iremos viver...
Estar morto enquanto vivo é fácil...
Mas não saberemos o vice-versa...
Voar entre as nuvens caladas...
Como pássaros em tarefas solenes...
Tentar ler enigmas em epitáfios...
É tudo um xis... É tudo um xis...
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O vento fazia teu rosto ficar magnifíco
Fechando os olhos, esvoançando os cabelos
O tempo acabava me trazendo lembranças
Daquilo que eu queria e afinal não tive
Me ajude a revolver as cinzas que restaram
Deste cadáver que outrora foi uma fogueira
E possa acender alguma coisa que aconteça...
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Eu lanço mão de todas as minhas armas
Que são apenas palavras (palavras tão vãs)
E com elas faço uma nova litania
Eu jogo as pedras que consigo na água
Para que as ondas surjam (vivas quase)
E como elas me socorro do acidente
Eu alço vôo por imensidões desconhecidas
Sem ter propósito algum (não preciso)
Escolhendo o abismo que irei cair...
domingo, 9 de agosto de 2026
Pedindo Água
Na hora que acontecer está acontecido
(Nem posso escolher as palavras que falo)
Minhas mágoas me perseguem como moscas
E a minha arquitetura não vale uma moeda
Nem consigo dormir de tanta preocupação
A mídia acaba dando um tiro no próprio pé
Duvido que alguém faça mais sandices que eu
É só me dar um lápis que saio riscando paredes
Banheiros sujos de bares nos ensinam coisas
Quero ser libertino para ir em todos os bairros
Certos autógrafos servem para limpar a bunda
Não sou obrigado a gostar de qualquer música
A simplicidade gosta de andar nos labirintos
Meus sobrenomes são os mais comuns que têm
Para escrever poesia não se precisa de motivo
Para apagar uma estrela basta dar um sopro
Vila Nova nem sempre é de Gaya e está bom
Dançaremos sobre os escombros dos gigantes
Já fumei mais de uma folha de caderno hoje
Guarde suas desculpas para a próxima vítima
Nos esgotos também existem alguns riachos
Minhas bandeiras estão escritas: desespero
Agora os fantasmas acabam usando a internet
A antiguidade agora é tão veloz quanto o futuro
Coçar as orelhas com o nariz é bem mais fácil
As manias acabam usando sempre auto-falante
Misturemos todas as cores em uma cor somente
Na hora que acontecer está acontecido
(Nem posso escolher os gritos que dou)...
(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).
sábado, 8 de agosto de 2026
Alguns Poemetos Sem Nome N° 372 *
É que pedimos água em altos brados
Nossa insensatez é quase sensata
Toda riqueza tem mais de mil olhos
Mas o concerto de piano foi legal
Quem sabe um dia eu me encontro?
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A necessidade dispensa explicações
Gritos de guerra são sempre assim
Toda desonestidade bate palmas
Meu medo é um grande artífice
A laranja ficou ruborizada de tesão
Vendiam-se sardinhas na praça
Tudo é tão comum como era antes...
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Na hora que aconteceu
Eu nem estava falando...
Foi o vento quase malvado...
Não me deram bombons...
O mingau acabou de vez...
A velhice é um fardo...
As fotografias morrem...
E tudo amarela de vez...
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Nunca esquecerei das duas
Naquela tarde-noite lá longe
Músicas no som antigo
E todo tempo era antigo até
Estarão por aí ainda?
Toda dúvida é triste também
Nunca esquecerei dos dois...
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Escrever até não poder mais,
Até os olhos falharem,
As mãos tremerem em excesso,
A mente não querer mais nada,
A fantasia esquecer-se de mim,
O sentimento estar falido,
A técnica rir da minha cara,
Os versos desapacerem,
Mas até lá, ir teimando...
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Já me cansei de cafés pequenos
De indecisões apenas rotineiras
Lembranças mais duvidosas
Meu tempo (todo tempo) é pouco
Voar sob alguns belos riachos
É o que mais me importa agora...
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Sou como os finais de festa
Balões que caíram pelas noites
Fogueiras debaixo de chuvas
Talvez me importe talvez não
De esquecer virgúlas e pontos
Quero apenas poder assoviar
Como nunca antes pude fazer...
O Desejo (Miniconto)
Todo mundo quer ganhar a corrida, mesmo quando ela não exista. Ser o campeão de um campeonato que não aconteceu. Ninguém quer perder, até ce...
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É que nem um rio dentro de um envelope Que hoje o carteiro não trouxe nem ontem... Quase um enigma sem segredo existente Que qualquer bêbad...
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Imersos no tempo Queremos ser o que não somos... Rindo de qualquer piada Para que o coração não esmoreça... Amando todo o perigo Para nossa ...
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Tão p erto demais das tormentas Destes ventos, destes temporais, Das guerras, das coisas violentas, Espero em vão outros carnavais Me...





