A culpa não é dos olhos,
Nunca foi,
Sempre estiveram lá,
No mesmo lugar...
Foram testemunhas dos crimes
E de tudo mais que nos feriu...
Foram eles que salgaram sempre
Por ordem do nossso coração...
Acordaram com todo o medo
Nas noites mais escuras possíveis...
Enxergaram em sujos espelhos
O nosso caminho para o nada...
Comeram mais do que a boca
Obedecendo nossa insensatez...
Andaram por todas as terras
Mesmo quando não haviam...
Fecharão num dia final
Junto com a nossa respiração...
A culpa não é dos olhos,
Nunca foi,
Sempre estiveram lá,
No mesmo lugar...
Até fecharem de vez...
(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).






