sábado, 8 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 372 *

 


É que pedimos água em altos brados

Nossa insensatez é quase sensata

Toda riqueza tem mais de mil olhos

Mas o concerto de piano foi legal

Quem sabe um dia eu me encontro?


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A necessidade dispensa explicações

Gritos de guerra são sempre assim

Toda desonestidade bate palmas

Meu medo é um grande artífice

A laranja ficou ruborizada de tesão

Vendiam-se sardinhas na praça

Tudo é tão comum como era antes...


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Na hora que aconteceu

Eu nem estava falando...

Foi o vento quase malvado...

Não me deram bombons...

O mingau acabou de vez...

A velhice é um fardo...

As fotografias morrem...

E tudo amarela de vez...


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Nunca esquecerei das duas

Naquela tarde-noite lá longe

Músicas no som antigo

E todo tempo era antigo até

Estarão por aí ainda?

Toda dúvida é triste também

Nunca esquecerei dos dois...


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Escrever até não poder mais,

Até os olhos falharem,

As mãos tremerem em excesso,

A mente não querer mais nada,

A fantasia esquecer-se de mim,

O sentimento estar falido,

A técnica rir da minha cara,

Os versos desapacerem,

Mas até lá, ir teimando...


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Já me cansei de cafés pequenos

De indecisões apenas rotineiras

Lembranças mais duvidosas

Meu tempo (todo tempo) é pouco

Voar sob alguns belos riachos

É o que mais me importa agora...


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Sou como os finais de festa

Balões que caíram pelas noites

Fogueiras debaixo de chuvas

Talvez me importe talvez não

De esquecer virgúlas e pontos

Quero apenas poder assoviar

Como nunca antes pude fazer...

O Gato e O Peixe

 

Decrepitude. Forçados dias.

Estamos em estados indelicados.

Não há problemas. Somos eles.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Arranjos escondidos. Talvez nada.

De médico só somos os loucos.

Covardia coletiva. Apenas sustos.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Biscoito quebrado. Ilusão de fama.

O vento vem nos açoitar hoje.

A última vitória. Rasgamos tudo.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Banco digital. New war política.

Fake news de goela abaixo.

O medo capitalista. Só de cuecas.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Circo sem pulgas. A feira presa.

Conspirações que são belas.

Vulgaridade óbvia. Amor banal.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Tipicamente atípico. Faroeste nulo.

Modestamente sou tão modesto.

A genética é o óbvio. Morre o símbolo.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Primogênito caçula. Acordeon plástica.

A ginástica agora está cansada.

O pigarro dos trovões. A neve me queimou.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida). 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Na Última Dança

Na última dança:

Poderemos fazer rendas de nuvens

Igual aranhas fazendo teias,

Engoliremos algumas manhãs

Como um sol mais risonho,

Contaremos todas as ondas

Que o mar puder nos oferecer...


Na última dança:

Gritaremos bem alto pelas praças

Para podermos assustar generais,

Repartiremos o nosso pão

Como quem improvisa uma ceia,

Dançaremos uma nova ciranda

Improvisando qualquer carnaval...


Na última dança:

Enfeitarei esses teus cabelos

Com todas as flores que o mundo tem,

Beberemos todas as águas possíveis

Pois nossas veias são como rios,

Ensaiaremos cada um dos passos

Como que anda por todas as terras...


Na última dança:

Eu chamarei o que me protege

Para me levar daqui com suas asas,

Dispensarei qualquer medo

Para atravessar a última porta

E talvez espere a próxima dança...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Alguns Seres (Miniconto)

Alguns seres (ou seriam muitos deles?) fazem exatamente o que sistema quer. Não possuem o hábito da leitura, não sabem o que os cerca, não tentam nem saber porque estão aqui! Comem o que está ao alcance da boca, nada produzem... São etílicos, viciados, lixos sociais para uma sociedade já suja. Não pensam, não raciocinam, obedecem o que veio escrito na bula, nada mais. Tentam disfarçar o que sempre foram - inúteis. Em suma, só sabem fazer três coisas, ocupar espaço no planeta, queimar oxigênio da atmosfera e cagar oito toneladas de bosta durante sua miserável vida...  

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Não Há, Não Há

Não há diferença 

entre um santo iogue

e um simples hot-dog

entre um poema

e o velho problema,

não há, não há...


Não há diferença

entre os teus lábios

e conselhos sábios

entre garotos de aluguel

e barcos de papel,

não há, não há...


Não há diferença

entre a comida boa

e o balanço da canoa

entre o susto do eco

e a cana no boteco,

não há, não há...


Não há diferença

entre essa inocência

e a nossa indecência

entre a sua entrepernas

e as penas eternas,

não há, não há...


Não há diferença

entre a cortina de aço

e a falta do abraço

entre vento do norte

e a fraqueza forte

não há, não há...


Não há diferença

entre o corpo de delito

e a pata do cabrito

entre a pata choca

e a cara do boboca

não há, não há...


Não há diferença

entre a bunda de pandeiro

e o saco de dinheiro

entre a ida para Marte

e a carta do descarte

não há, não há...


Não há diferença

não há, não há...


(Extraído do livro "Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida). 

Estética de Lobos

 

Espadas cor de prata

Dentes de ponta afiada

Uivos para a lua

Lua cheia insana...


Carinhos que ferem

Olhos cheios de medo

Reflexos na água

Água para sonhos...


Pêndulos intermináveis

Certeza da matilha

Malabarismo louco

 Louco na praça...


Inominável preço

Endereço errado

Acabou-se a festa

Era festa de mortos...


Inevitável choro

Presa inocente

Coroa de louros

Teus louros cabelos...


Nem sim nem não

Veneno indolor

Cheiro de ilusão

Ilusão sem olhos...


Faróis sem mira

Ossos sem lida

Estamos no jardim

Jardim sem delícia...


Vamos para o sempre...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Nada Posso Naquele Que Me Enfraquece 2

Ela goza enquanto fala seu inglês de internet...

Masca seu chicles enquanto faz serena seu anal...

Poderemos esconder o urso de pelúcia no cofre?

Eu tenho crises de labirintite naquele labirinto...

Sua bondade é composta da malícia mais pura...

Posso falar meu português com sotaque alemão?

Esta fome é mais eterna do que os rios são...

Me perdi numa multidão apenas de um só...

Será que biscoitos e bolachas vão combinar?

Assistam logo o livro e não deixem de ler o filme...

O alien tem um forte sotaque caipira sem dentes...

Posso me refrescar com um belo banho de fogo?

Minha fé só funciona quando existem milagres...

Se eu faço um círculo de carvão ganho prêmio...

Fico na dúvida se posso ter dúvida ou não?

O morto faz uma vaquinha para seu enterro...

Minha síndrome do pânico entrou em pânico...

Cadê o toucinho que o rato um dia pegou?

O malabarista nunca soube andar de bicicleta...

Chanel come suas torradas só com cerveja...

Será que um dia seremos avós dos nossos filhos?

O pai aqui sabe de tudo especialmente nada...

Esta minha modéstia me impede de ser modesto...

Uma crise de espirros pode ser um bom negócio?

Foi o santo que acabou subindo da porta-bandeira...

Eu nem sei mais o que irei comer no dia de hoje...

Quantos quintais são precisos para os carnavais?

Nossa urbanidade deveria ser um pouco mais rural...

Minha fraqueza amanheceu até mais forte hoje...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Alguns Poemetos Sem Nome N° 372 *

  É que pedimos água em altos brados Nossa insensatez é quase sensata Toda riqueza tem mais de mil olhos Mas o concerto de piano foi legal Q...