Una explosão de estrelas...
É o que temos, não mais...
Eu me firo pelas vinte e cinco horas do dia...
Todos vestimos uniformes...
Assistimos comerciais, sinhô...
Acordar em ereção sem saber no meio da noite...
Todos os desenhos sumiram...
Faço perguntas mais óbvias...
As paredes dos banheiros são os reais painéis...
Minhas mãos agora tremem...
Sua quase submissão agrada...
A louça espera com calma ser lavada na pia...
Os patos andam na sua dança...
Não vi mais agulhas sem ponta...
É tudo aquilo que deveria ter feito e não fiz...
O velho maluco chegou agora...
O velho safado ainda é beberrão...
A poesia me faz carícias que nunca terminam...
O meu primeiro boné desapareceu...
Aquele terninho tão lindo também...
O meu medo obsessivo de escadas ainda continua...
Não escuto o galo como antes...
Até as cigarras sumiram daqui...
Cada passo era para subir o morro inúmeros vezes...
Um segundo apenas para que mude...
O tempo é que sabe despetalar a rosa...
Nesse teatro só existem atores que são amadores...
As marionetes também existem...
E até as sombras sabem caminhar...
Quase tive um amor, isso foi quase ontem agora...
Acabou aquele nosso estoque...
Há várias formas de ensinar...
Mas já aprender é um tanto mais que difícil...
Estamos cada dia mais desacertando...
E nem contamos esses nossos erros...
Apenas temos em nós um exército de memórias...
(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).





