Meus olhos saltam na nudez da escuridão... Sim! Saltam sim...
E eu vim saldar a nudez. A nudez sem medo. Sem maldade e sem bondade sequer. Nudez cínica, impetuosa, adoradora de abismos impossíveis e circunstanciais...
Essa nudez é feita de tempo? Talvez sim, talvez não... Sim!
Perdôo teus pecados, esqueço os teus roubos, ignoro tuas tantas traições... Pouco importa a dor por quem clamamos e veio bater na nossa porta... A porta se abriu e antes que alguma palavra sequer fosse dita, um monossílabo apenas, passaste por ele e sem pedir licença, invadiste a velha sala...
Nudez toda tua, nudez algo minha, todas as vezes que assim puder. Sem dias e com muitos deles. Sem horários, desconhecendo as regras mais essenciais. Fonte de alimentos, jardim, jardim, jardim...
Velhos dentes, dentes velhos que ainda servem para roer carnes, correr mundos de curvas perigosas em desertos quase secos ou não tão não...
Língua louca, exploradora de cantos, um anjo que chegou meio que atrasado para a queda, mas assim mesmo acabou conhecendo o seu percurso de volta ao lar incendiado. Gosto louco de uma língua quase desconhecida, mas obediente ao extremo. Vários barcos no mar e inúmeros rios sem sossego...
Eu sou ele, o menino malcriado de óculos que percorreu todos os cantos do mundo em seu quintal. Que tentou brincar sozinho e quase conseguiu. Sem asas, voava. Sem voz seu canto era o maior de todos, o mais imenso... Quase tudo... Quase nada...
Que planos tenho eu para agora? Um sono, um medo, uma vontade pirata de apontar o mapa e ali estar. No meio de todos, no meio de alguns, no meio de poucos notados. Até que chegue a hora, a hora do pelotão, a hora da decisão...
O tempo corre, pessoa, corre e muito. O ontem não tem cópias, saudades são insetos em volta da lâmpada, nosso medo expresso em sombras. Desenhos que não param, param nunca, param jamais...
Outra nudez, mais uma, mais outra, outra também, quem sabe até mais uma? O fogo aceso, a fumaça subindo suavemente com pressa, mais alta que qualquer prédio destes, só não se sabe até quando...
Não se sabe até quando, até que o muro caia, até que a casa se incendeie e o sala seja invadida por todos os que já partiram numa viagem sem mais palavra alguma. Nem uma moeda sobrará, lamento, mas não tenho bolso, senhor...
Lamento, não tenho mais lamento algum. As musas não inspiram mais, a inocência agora é um zumbi que percorre ruas antes não percorridas deixando seus pobres pedaços...
Carpideira sim, la llorona me assombrando mais uma vez, respiro repetido, relógio antigo funcionando em algum canto, até quando? Ninguém sabe, ninguém sei, mal conheci a selva e as nuvens não me importam mais...
Alta velocidade (mesmo que parado), loucura sempre e até um pouco mais. Eu que o diga, eu que o grite, eu que me cale da forma mais insana e obrigatória...
Meus olhos saltam na nudez da escuridão... Sim! Saltam sim...






