Perfeito cidadão pisando em ovos
Querendo ser burguês que nunca foi
Querendo enganar e sendo enganado
Achando que se deu bem e se deu mal
Sendo solidário apenas consigo mesmo...
Admirável cidadão pisando em brasas
Amando a figura que vê no espelho
Amando o amor que o tesão lhe trouxe
Entendendo tudo como um idiota
Seguindo ordens como um marionete...
Formidável cidadão dançando em vidro
Desejando coisas que nunca irá ter
Desejando viver eternamente e vai morrer
Gastando seu tempo em construir castelos
Enquantos os ventos acabam chegando...
Maravilhoso cidadão andando sobre as águas
Cumprindo o horário como manda o patrão
Cumprindo a sentença de não fazer nada
Como todo o ser humano que inútil que é
E apenas imagina que está enfim existindo...
(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).






