Grande quantidade de sustos
Aquilo que eu nunca quis
Poderia ter dormido mais um pouco
Mas os sons do dia são implacáveis...
Enigmas sem explicações aparentes
Minhas mãos sempre tremem
A puta é a mais inocente de todas
É um cigarro atrás de outro cigarro
Enquanto o meu café não chega...
O açúcar deixa um amargo na boca
Enquanto nossa lógica claudica
E o tarot diz apenas coisa com coisa
Até que a água chegue lá nas nuvens...
O rótulo não indicava se era veneno
E a maré parecia estar calma
A onça aguardava paciente entre folhas
E os elefantes passeavam suavemente
Enquanto chupavam seus dropes de anis...
Minha musa platinou os seus cabelos
Enquanto a distância me dá tapas
O mar conhece mais esse meu rosto
E minhas asas estão tirando férias...
Não mais e nem menos que menos
Toda hora é a hora de jantar
Mesmo quando os mortos não jantam
E debaixo deste sol tão mais infame
Eu só possa fazer essa marcha forçada...
(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).






