sábado, 15 de agosto de 2026

O Que Eu Procurava e Ainda Não Encontrei ou Um Poema Quase Qualquer de Desespero

Sento-me numa pedra na beira do caminho

Como um deus triste ou um grão de poeira


Não sei bem ao certo pois a mente gira e gira

Como carrosséis antigos e sem música alguma

Em algum parque de diversões agora abandonado


Choro como um viúvo que afinal nunca casou

Tal qual um menino e sua flor morta na mão


Estou drogado por este vício mal de querer viver

E achar que vencer é alguma coisa que assim valha

Pois a tempestade chega e acaba nos levando tudo


Lembro dos brinquedos que não terei nunca mais

E que me esperam assim mesmo na alma desgastada


Tudo é tão facil de se esquecer exceto as tais mágoas

Essas sim transformaram-se em estranhas feridas

Que acabamos cultivando como se num velho jardim


Faço planos impossíveis para que todos eles falhem

Mas a minha teimosia me consome igual a um virús


Erro de propósito para obedecer a minha natureza

Como quem lê um pobre jornal de cabeça para baixo

Ando até evitando de ver tanta coisa errada que existe


Nunca mais farei perguntas com medo das respostas

Minha curiosidade mata aquele gato que serei eu


Uma boa poesia é feita somente de versos improváveis

Como a nascente de um rio que começa de um nada

E que leva tudo embora ate sua extinção em mar eterno


Eu procurava um amor e mesmo acabando não encontrei

Como o condenado que será executado e pede um cigarro...


(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 374 *

Já estamos no Paraíso

Mas nem sabemos...

Um Paraíso de rosas caladas

De nuvens desenhadas

De areias deslumbradas

De tranças bem cuidadas

De crianças desembestadas

De pazes declaradas...

Já estamos no Paraíso

Mas nem sabemos...


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Mar absoluto em que me encontro,

Dias e noites são todos iguais,

Serenos e tempestuosos assim,

Como eram todos os meus carnavais...


Vento que vai ventando lá fora,

As anomalias são tão normais,

A morte vem e nos leva à força,

Por esses destinos tão normais...


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Todas as nuvens que já vi

Sejam bem vindas em minh'alma

Permaneçam por lá e não caiam

Deixem as chuvas para outros tempos...


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O vidro pensava que era diamante

O diamante jurava que era vidro

Enquanto o espelho olhava os dois

E sonhava seus sonhos intensos...


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Tudo é tão relativo, tudo mesmo

Não fui eu que me escolhi

E nem apontei todos os segundos

Ninguém escolhe qual o seu caminho

Só sabemos que por ele andaremos

Tudo é tão relativo, tudo mesmo...


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Eu sei flores

Nem que todas não

Sinto saudades das pássaro

Que davam por um aí qualquer...


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Quando certas datas fazem chorar

E outras nos fazem sorrir ou até rir

Os carnavais são um exemplo

Rimos tanto até chorarmos...

Carliniana CXXX (Antes Que Tudo Vire O Que É)

Antes que tudo vire o que é

E os dias da semana briguem entre si

Por não saberem quem é quem...


Não façamos mais esse nosso tempo

Mais escasso do que sempre foi

Viver não apenas ter ou ser

A felicidade só depende de nós mesmos...


Antes que tudo vire o que é

E as rugas cheguem cansadas de viagem

E nem o espelho possa mais nos enganar...


Tenhamos mais cuidado com sonhos

Alguns podem ser armadilhas mortais

Que embaralhem todos os nossos conceitos

E assim perdemos enquanto nós ganhamos...


Antes que tudo vire o que é

Um carnaval que passou sem saudades

Uma joia falsa que parecia com ouro...


Estamos em um labirinto desconhecido

Onde não há fio algum para nos orientar

Há muitas e muitas máscaras por aí

Mas nenhuma delas pode nos esconder...


Antes que tudo vire o que é

E os meus sábados virem domingos

Onde exista alguma tristeza e desespero...

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O Desejo (Miniconto)

Todo mundo quer ganhar a corrida, mesmo quando ela não exista. Ser o campeão de um campeonato que não aconteceu. Ninguém quer perder, até certas perdas são ganhos. Quer ser o herói do dia, ainda que o dia não tenha aventura alguma. Vamos descer as cataratas num barril? Ou descobrir a cura da doença que nunca existiu? Quero colocar os pés na superfície do sol! Todo mundo, enfim deseja algo, mesmo que falte a lâmpada e o gênio esteja de férias... 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Providências Avessas

 


Nunca se sabe que se sabe que se sabe

Teus grandes pequenos olhos de academias

Trago-lhe doces do mais puro sal chinês

Mando os caretas engolirem em seco aguado

É tão linda ela quando se veste com nudez

Perdoe-me pelo crime hediondo de amar

É que eu só confio naquilo que desconfio

As facas que usamos anteontem fora embora

Nunca mais falaremos do que não falamos

As peças do rádio já ficaram radioativas

Faço mágicas e também hiatos virarem ditongos

É meia poção de lagosta para um meio rico

O principal meio de estar no meio é meio-dia

Satan bebe coca-cola sem dar arroto sequer

O celular faz caretas do mais puro cansaço

Vamos comer um x-nada está até muito bom

Os porcos usam agora belos colares de pérolas

Cada frase dita tem o tamanho deste mundo

A cultura dos tolos acaba sofrendo de úlcera

O cara falava uma língua que ele não entendia

O abcesso foi o maior sucesso na rede social

Melões e melancias são a minha abominação

A cachaça dela veio bem antes da maconha

A Sociedade Alternativa agora está alternada

Operei minhas asas para poder aumentá-las

É um grande perigo que não tenha perigo algum

A mentira também tem mãe e ela é uma puta

Minha má-educação só depende da lua vazia

Tudo se torna obsceno enquanto ainda o é

A metrópole é só uma sósia malfeita da selva

Quem souber qual o segredo de tudo conte logo

Nossa única providência é não providenciar nada...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

POESIA GRÁFICA XCVIII *

 

Fenômeno social

               insocial

            antisocial

                normal

      quase normal

              anormal


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ÍNDIGO BLUE, ÍNDIGO BLUE, 

ÍNDIGO NU, ÍNDIGO NU,

ÍNDIGO BOOM, ÍNDIGO BOOM

ÍNDIGO AZUL, ÍNDIGO AZUL


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Razões para morrer:

Deixar de correr,

Deixar de escorrer,

Deixar de conter,

Deixar de comer,

Deixar de viver...


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LAGO TRAGO VAGO

MANGA TANGA MIÇANGA

TRANÇA MANSA DANÇA

TRILHO BRILHO FILHO

ESPADA ESTADA ESTRADA

VALOR ANDOR ARDOR


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Chorou Bebel

Chorou no céu

Chorou quartel

Chorou anel

Chorou pastel

Chorou Babel


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A linha de pesca não é pesca

Quem faz o gol é a bola

Ninguém prende ninguém no jogo de xadrez

A Flora nem sempre tem flor

Benvindo nem sempre é


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TATUAGEM

TATULAGEM

TATUBAGEM

TATUCAGEM

TATUPAJEM

TATUVAGEM

TATUVIAGEM

TATUMARGEM

TATURAGEM

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Com A Palavra A Palavra

As palavras ferem, matam, salvam...

São nossas companheiras, nos deixam sozinhas..

São pássaros azuis que um dia alguém sonhou...

São restos de comida deixados no prato...

São a roda-gigante que parou de rodar...


As palavras perguntam, se calam, respondem...

São nossos pesadelos, embalam nosso sono...

São a queda do abismo necessária para voar...

São o carro veloz que entrou na contramão...

São lembranças queridas que tentamos evitar...


As palavras são mares, os rios, desertos...

São a nossa libido, acabam com nosso tesão...

São a fera que nos perseguem em plena selva...

São o descanso merecido do velho guerreiro...

São o mudo discursando para todos os povos...


As palavras são meretrizes, santas, mães-de-família...

São a mentira lavada em águas mais turvas...

São a verdade que não possui piedade de nós...

São o ganha-pão de todas as nossas carpideiras...

São o dedo silencioso correndo pela tela do aparelho...


As palavras são sábias, a simples rotina, a loucura...

São a roupa velha e lavada extendida no varal...

São o sol desenhado no chão pedindo tempo bom...

São os passos na areia que o vento apagou...


As palavras são açoites, nadas, beijos na boca...

São os pingos de chuva que agradam ou não...

São os enigmas que querem ser decifrados...

São o nocaute do lutador mais invencível que há...


As palavras, as palavras, as palavras e as palavras...

Nem sempre estão nas bocas, nos ouvidos, nas paredes...

Mas estão sempre nos olhos, isso estão mesmo...

O Que Eu Procurava e Ainda Não Encontrei ou Um Poema Quase Qualquer de Desespero

Sento-me numa pedra na beira do caminho Como um deus triste ou um grão de poeira Não sei bem ao certo pois a mente gira e gira Como carrossé...