Blog do Carlinhos
Perdido como hão de ser os pássaros na noite, eternos incógnitas... Quem sou eu? Eu sou aquele que te espreita em cada passo, em cada esquina, em cada lance, com olhos cheios de aflição... Não que eu não ria, rio e muito dos homens e suas fraquezas, suas desilusões contadas uma à uma... Leia-me e se conforma, sou a poesia...
domingo, 8 de março de 2026
Ingrata (Miniconto)
sábado, 7 de março de 2026
Nova Idade
Nova idade
De exageros antigos
De bunkers sem abrigos
De colegas que são inimigos...
Nova idade
De senhas esquecidas
De amores sem margaridas
De mortes fantasiadas de vidas...
Nova idade
De covas condomínios
De mais invisíveis domínios
De maldades com patrocínios...
Nova idade
De ouvintes surdos
De argumentos absurdos
De oradores mais que mudos...
Nova idade
De ricos impunes
De doentes mais imunes
Desta separação que nos une...
Nova idade
De insossa delícia
De desastrada perícia
De mais mortal carícia...
Nova idade...
(Extraído da obra "Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida).
quinta-feira, 5 de março de 2026
Jogos Extremos
Temos o excesso da falta...
O primeiro controle remoto
Foi no mais remoto tempo
Em que as mais pobres uvas
Eram apenas umas simples uvas...
Corra que a polícia não vem aí!
A violência plena e constante
Agora virou mais uma regra
Não é que estamos no absurdo
O absurdo sempre existiu...
Engoliram todos os rádios de pilha...
Rolaram pudins ladeira abaixo
Realidade com suas caras e bocas
Foi naquela noite que eu nasci
Que eu aprendi o que era noite...
Abaixe logo esse som, porra!
Toda o ar que agora está esfriando
Dia desses também foi quente
A barriga que ontem esteve cheia
Agora está mais do que vazia...
Os incomodados que se emudem!
Antes do pelotão todos ficam de pé
Ela passeia como se não tivesse risco
Não faremos mais pergunta nenhuma
Porque não importa nenhuma resposta...
Temos a falta do excesso...
(Extraído da obra "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).
segunda-feira, 2 de março de 2026
Minimalismos 9
O Cárcere
O cárcere prende tudo:
O prisioneiro,
O carcereiro,
O dezembro,
O janeiro,
O último
E o primeiro...
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Saco Cheio
Tou com o saco cheio
de tanto vazio...
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Te Aguardo
Te aguardo
Como leve brisa
Ou pesado fardo...
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Quando Veio
Quando veio
Veio mesmo
Como tiro à esmo...
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Sabia?
Não sabemos nada
Nem se estamos vivos
Nem se estamos mortos...
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Pular Corda
Sábia arte
De mais do que
Equilíbrio...
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Mais
Muito mais vemos
Do que ouvimos...
domingo, 1 de março de 2026
Carliniana CXXVII ( Estética Avessa )
Entremeio de nada.
Velocípedes de alta potência.
Cascas de laranja para o chá.
Morreu quase agora.
Nu e totalmente vestido.
Esfaqueou-se gargalhando.
Comeu peixe podre ainda ontem.
Fez sexo no festival festejando.
Bebeu água sanitária colorida.
Pinóquio já foi para o inferno.
O destino enlouquece sempre.
Qualquer passado nos suja.
Galinha frita bem doce.
Um esmola para o milionário.
Beijei Bapo bem na boca.
Milhares de cáries em procissão.
Vários conselhos de merda.
O piá nunca mais piará.
Ninguém pariu a puta.
Gatos de pedra na praia.
A formiga passeia na tela.
Não compreendo o compreensível.
Vamos estudar a ignorância.
Só vale o quanto não pesa.
Mané Zuza foi em Siracusa.
Pimenta nos olhos é colírio.
Quando peidar eu te aviso.
Quem beber vinagre é multado.
A falta de colírio é tão normal.
A fome virou o tema do dia.
Quem não corre agora morre.
É um trocadalho do carilho.
Filé com graviola emociona.
Sou um estrangeiro brasileiro.
Abriremos uma fábrica de rugas.
Bom pra tosse é creolina.
O hoje é o ontem disfarçado.
A ameixa e o jamelão dançam tango.
Bacon vegetal para canibais veganos.
Fumar papel higiênico usado é moda.
Caldo de mico faz bem pra vista.
Vamos deitar nos trilhos do trem.
A denúncia vazia é a mais vadia.
O poeta venderá muitas coxinhas.
Colecionarei coliformes fecais.
O burro xucro ensinou filosofia.
Quero capilé com muita farinha.
Entremeio de quase nada agora...
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Apague O Sol
São tantas as feridas
Destas e de outras vidas
Que não se pode medir
Perigos aqui e ali
Em casa ou na rua
No mundo ou na lua...
Apague o sol, isso fere meus pobres olhos...
São tantas as manias
Que preenchem os meus dias
São tantas as emboscadas
Pelas curvas das estradas
Que já me incomoda mais
Queria só um pouco de paz...
Apague o sol, a noite me faz mais carícias...
São tantas as saudades
Vindas de algumas outras idades
Coisas que esqueci até o que era
O morto verão e a finada primavera
O esquecido menino é o velho que sou
E afinal nem sei pra onde vou...
Apague o sol, apague logo, apague...
(Extraído do livro "Escola dos Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Caos Prometido
As pedras tornadas em pó.
Espinhos para o travesseiro.
Madrigais pelas madrugadas.
Não há mais perfume pelo ar.
Quintas-feiras pelos quintos.
O prédio desabou até.
Venda por uma cesta básica.
Trocar a alma pelo corpo.
Babilônias com barracos.
Tatuagens feito rabiscos.
Nunca mais será nunca mais.
Nova descoberta antiga.
O ouro dos meninos sumiu.
Nada é mais belo que o nada.
Um cigarro atrás do outro.
Sem gole d'água para sedentos.
A infâmia de certos quadrinhos.
Tatuagens malfeitas das peles.
Contagem imediata de mortes.
Guerrilheiros dançando xaxado.
As pedras tornadas em pó.
Espinhos para nossa travessia.
Madrugadas pelos madrugais.
Não há mais perfume pelo bar.
Quintas-feiras pelos quintais.
Ingrata (Miniconto)
Não foi ingrata como parecia, foi muito, mas muito mais mesmo. Qualquer superlativo ainda é fraco perante ela. O engraçado é que como ela e...
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Imersos no tempo Queremos ser o que não somos... Rindo de qualquer piada Para que o coração não esmoreça... Amando todo o perigo Para nossa ...
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É que nem um rio dentro de um envelope Que hoje o carteiro não trouxe nem ontem... Quase um enigma sem segredo existente Que qualquer bêbad...
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Tão p erto demais das tormentas Destes ventos, destes temporais, Das guerras, das coisas violentas, Espero em vão outros carnavais Me...





