Você sabe,
Ele sabe,
Todos nós sabemos,
Que na cidade também há solidão,
Em cada mercado tão cheio,
Em cada praça mais lotada,
No meio do bloco no domingo,
Na hora do rush na Central,
Somos feito pombos disputando os grãos...
Eu quero,
Você quer,
Ele quer,
Todos nós queremos,
Que a morte perca o último ônibus,
Que o amor se canse e não parta mais,
Que a maldade caia no chão e quebre,
Que a esperança venha que nem febre,
Que a dúvida sorria do canto da boca,
Somos como bêbados de alguma alegria...
Eu tenho,
Você tem,
Ele tem,
Todos nós temos,
Um mesmo medo no fundo da alma,
Uma mesma desunião entre seres queridos,
Enigmas que nunca podem ser resolvidos,
Desculpas esfarrapadas para qualquer erro,
Dores que não aparecem e nunca param,
Pedidos de esmolas quase disfarçados...
Eu sou,
Você é,
Ele é,
Nós somos,
Apenas humanos nesta solitária cidade...
(Extraído do livro "Leonardo e O Chão" de autoria de Carlinhos de Almeida).






