- Qui qui qui quá quá quá,
Hoje tem peixe podre pra mode a gente lanchá! -
Gritava Serapião Perna-de-Formiga
Enquanto tirava a mais nova meleca das fuças...
- Quá quá quá qui qui qui,
Misturei um monte de areia no meu açaí! -
Respondeu João Luxo do Lixo
Cheirando um par de meias que achou na rua...
E aí começou a conversa:
- Fala aí, boca de lata! -
Gritou Serapião arrancando um cílio -
Quando que tu vai morrer disgramado?
- Quando o corisco dar um nó! -
Respondeu o outro tranquilamente
Enquanto comia uma farinha com pinga.
- E que mais, seu zóio de corno?
- Que mais o que seu seca-peste?
- Sei lá mais o que, seu bunda rachada...
- Ah, tá, agora entendi memória de leitão...
É assim mesmo esse mundo:
Um dia rasga a calça, noutro caga nela...
- Acertou no sol da lua!...
- Arrodeado de pudim quase seco...
- Vamo lá na birosca do Brecola?
Pra dar um peido e pedir esmola?...
- Ih, hoje não vai dar...
Tem meia dúzia de putrunco pra morrer...
- Ah, coisa boa! Boa demais!
Melhor que isso só pancada no coco
Com uma sexta-feira bem pesada...
- E tu tem visto o Índio?
- Que Índio?
- Aquele que mora na rua de trás
E que fuma maconha até pelo zóio...
- Nunca mais, desde ontem...
- Pois isso é deveras preocupante...
- Preocupante por que?
- Porque quem não aparece merece
Dois dedos de cana e uma prece...
- Pois que se foda!
- Fale esse não, cara de mamão...
- Pois eu falo e repito, cu de mosquito!
Meu nome é Name, entendeu? Name!
- Quase entendi, quase que não...
- Isso então, seu praga de madrinha...
- E você? Pesadelo de Satanás...
- Pois que tomara que tomara,
Gozaram na tua cara...
- Ontem nasceram e bateram as botas.
- Esticaram o pernil também.
- E não é que é, juro pelo Zé Mané!
- Pois bem, a conversa tá boa, mas vou-me...
- Pois então, seu fulaca de banda, vai que lá...
- Até o próximo milênio vindouro...
- Até dente-de-pedra choca...
E acabou a conversa...
(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).






