terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Joy

 

Esperar com ansiedade um novo encontro

Com a pressas das gotas caindo do céu

Mesmo quando não possamos pegá-las

Com a mesma frequência que foi antes...


Nem liguemos mais para este frio que vem

E o nosso desconhecimento de certos risos...


Tudo que é simples pode ser mais complicado

Mas mesmo assim a teimosia contribui conosco

Para que certos passos aconteçam de vez

Mesmo que não saibamos até o quando será...


Um nome qualquer para ser sempre dito

Mesmo sem palavras e com a boca fechada...


Quero desconhecer qualquer norma estética

Descumprindo todos os compromissos possíveis

Se isso for o que mais seja o mais necessário

Assim como todos os rios decidem ir ao mar...


Escolhamos as cores mais absurdas que existem

E mesmo assim com elas pintemos qualquer céu...

De Venenos & Sons

 

Estou rindo freneticamente:

Como um filho-da-puta qualquer

Que escutou um barulho na madrugada

Mas que já estava acordado

Quando o seu cão latiu...


Quem me dera não pensar nada

Já que pensamentos trazem saudade

E eu nunca fui e nem serei cavalheiro

E os meus pés às vezes desobedecem

Minhas ordens de comando...


Acredito piamente nas mentiras

Desde que com alguma cobertura doce

E um sorriso da mais pura maldade

Como quem acha que a fila é pequena

E o sacrifício necessário...


O circo nem chegou na cidade

E eu já preparo as mais tolas palmas

Achando que tudo está em seu lugar

Porém faltas peças neste quebra-cabeças

E todo engano é tão tolo...


Toda madrugada tentou ser azul

E qualquer merda que se diga poema

Tem direito a pelo menos um cigarro

Antes de encostar no triste paredão

Antes que seja executado...


Vivamos o mais velho inédito

Antes da próxima chuva no deserto

E antes que a fogueira se apague

Não somos velozes e nem furiosos

O tempo é que sempre o foi...


Estou rindo freneticamente?

Escuto a antiga canção com atenção

É que me lembrei dela quase agora

Mesmo que o som seja baixo demais

Como meu usual desespero...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Carliniana CXXV ( Um Solo do Solo )

A estrada de ferro é de papel.

Ainda nem descobrimos o fogo.

Só quero ser aquilo que não sou...


Rifa de um quilo de carne podre.

Rebanho de tulipas voadoras.

Mosquitos com alergia à sangue...


A tal paz acabou ficando furiosa.

Novos nomes para coisas velhas.

O faraó acabou perdendo a alma...


Lamentemos novas lamentações.

Agora virou moda conselhos inúteis.

Só bebemos água se for no palito...


As minhas dúvidas são engraçadas.

Até o nada tem seu mais justo valor.

O amor é o mais óbvio dos pesadelos...


Todas as manhãs possuem suas manhas.

Minha solidão acontece acompanhada.

Os cigarros entopem minhas pobres veias...


Fiz um corredor polonês só de ideias.

É tolo aquele que nunca conheceu a tolice.

Para ser morto tem que estar vivo antes...


Toda decisão é o fruto de alguma indecisão.

A realidade também possui sua máscara.

Todos os dias de sol temem que tenha chuva...


Ele sorriu com a implosão do prédio luxuoso.

A mosca fez mais um curso de aerodinâmica.

Na plateia não tinha ninguém para as palmas...

Carliniana CXXIV ( Ecos Abortados )


 Ganzás elétricos e poses anatômicas.

Tesão econômico e fotos abstratas.

Só vamos para Roma em nossos jumentos.

Fardos leves e pecados inexistentes.

Histórias cínicas e lembranças mortais.

Hoje teremos marimbondos no jantar.

Folias morais e eternos descasos.

Filas intermináveis e Zezés descabelados.

Uma pantomina nem sempre é uma.

Virgens disfarçadas e cavaleiros cadeirantes.

Epopeia de uma rotina e sangue incolor.

Nosso Ocidente só gosta de mentir.

Pesadelos agradáveis e najas inofensivas.

Rapé para filósofos e sujas camisas.

O lixo das calçadas é o mais decorativo.

Teorias de louça barata e chinelos em 3D.

Moscas higiênicas e possessões comuns.

A Terra do Nunca está superpovoada.

Toda a higiene metal e peidos industriais.

Validade quase vencida e vermes gentis.

Todos os defeitos agora são qualidades.

Obesidade desejada e hierofantes vulgares.

Manifestações imanifestas e tigres medrosos.

A moeda está sempre estará no fim do túnel.

Demônios inocentes e querubins blasfemos.

Facas acrílicas e banhos que sujam.

Mais um dia que começa para se acabar...

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Visagem

Nosso medo

É apenas um brinquedo...


Quer ajuda?

Não se iluda...

É apenas um deus-nos-acuda...


Nosso medo

É apenas um arremedo...


Quer igualdade?

Saia de impossibilidade...

Aqui só tem maldade...


Nosso medo

É mais um doce azedo...


Quer o sonho?

Nem todo é risonho...

Todo ele tem lado medonho...


Nosso medo

É a morte que vem cedo...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Uma Caixa de Serpentes

Uma caixa de serpentes

Todas peçonhentas 

E todas elas vivas...


As serpentes quais recordações

Boas ou então más ações

Lembranças amarrotadas

Quase tudo ou quase nada...


Uma caixa de serpentes

Todas violentas

Nossas iniciativas...


As serpentes tais quais rotinas

Nossa dose de estricnina

Pecado sem ter perdão

Quase sim ou quase não...


Uma caixa de serpentes

Todas pimentas

Apenas perspectivas...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Minimalismos 8


Não Existe


Não existe começo

o meio é que começa depois

Não existe final

depois dele vem outro começo...


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Era Uma Estrela


Era uma estrela

mas não sabia

Iluminava o dia

mas não sabia...


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É Quem?


Puxa o cabelo

Belisca

Incomoda rindo

Faz até caretas

É quem?

O sonho...


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Tecnologia


Computador

Com puta dor...

Computador

Com puta flor...


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Depende


Depende de você -

O antes,

O durante

Ou o depois...


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Gritos


Grita meu silêncio

Por entre claras madrugadas

Sem lua...


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Ação do Tempo


Tudo demora

Até o agora

Que demora...

Joy

  Esperar com ansiedade um novo encontro Com a pressas das gotas caindo do céu Mesmo quando não possamos pegá-las Com a mesma frequência que...