Não que a minha tristeza justifique a falta de alegria
Dias foram feitos para serem claros mesmo na escuridão
Cada grito acaba ecoando mesmo sem ter qualquer ouvinte
E suspiros de amor acabam misturando com a maldade
Eu sou aquele que não era mesmo que ainda o seja...
Na madrugada sombras acabam se confundindo ternamente
Enquanto o desespero usa do silêncio mais que mórbido
Antes que todo o carnaval tenha se acabado de uma vez
Não saberemos se o próximo será nosso ou que nunca mais
Eu sou o embriagado que não bebeu nem uma gota de álcool...
Minha poesia olha assim meio que de lado mesmo que não
Fala de flores que já nasceram mortas antes de serem assim
Tudo é como se fosse um funeral exclusivo para os vivos
Morremos a cada minuto que o relógio vai se expandindo
Eu sou o drogado que não usa droga nenhuma sempre...
Todas as boas intenções acabaram morrendo em seu berço
As multidões vivem enganadas com seus pequenos detalhes
Numa história quase interminável que vai só se repetindo
O hoje é o ontem que veio de qualquer jeito claudicando
Eu sou a calçada que abriga muitos e que fica tão sozinha...
Existem abismos que sempre passam tal desapercebidos
Máscaras são compradas em qualquer bazar dos bairros
Vamos andar por quilômetros mesmo que isso seja queda
E vamos bater palmas para quem queira nos enganar
Eu sou aquele que possui asas e rasteja pelos chãos...
A loura bonita corre atrás de mim querendo um autógrafo
Enquanto sua maquiagem pesada borra o rosto sem sal
E a morena tem marcas roxas pelo corpo dadas pelo covarde
Porém ela que escolheu este destino que acontece com putas
Eu sou aquele que anda pelos esgotos como se fosse um lar...
Urbanas, vem urbanas, somente sós e somente urbanas
Somos mais primitivos que os modernos homens das cavernas
Andamos com nossos veículos com suas rodas quadradas
E temos os cantos das unhas sujas na mais pura diversão
Eu sou aquele que muda toda a história com um tom apenas...
(Extraído do livro "Escola do Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).






