segunda-feira, 20 de julho de 2026

Roupa Rasgada

Bebendo café sem açúcar

Fumando cigarros caseiros

Olhando o dia que se mata

Toda surpresa nos assusta...

Esqueci a senha...

Perdi meu lugar na fila...

Comendo o pão sem Diabo

Mosquitos chatos voando

Toda fantasia vale algo

Mesmo que não saiba o que...

Sem ter razão...

Rindo e chorando sempre...

Queimei minha pobre pele

Aquela febre aumentou

Deve ser um novo vírus

Que agora é a nova onda...

Desfile sem público...

Águas de março em abril...

Imitando alguma carpideira

Com um nome bem estranho

Apenas de uma vogal apenas

Hoje há festa no cemitério...

Todos vão na padaria...

Discutir questões filosóficas...

Meia hora é bem mais de trinta

Todos sabem disso e nem sabem

Passamos com um prato na mão

Enquanto nos jogam as moedas...

Somos amigos sem ter fé...

Há um cheiro de cadilac pelo ar...

Ele tem várias funções e nenhuma

Mesmo quando de nada sabemos

E o que interessa é não interessar

Espadas pelo ar em trêmulas mãos...

Gotículas de água no ar...

Resoluções como se soluços...

Na sombra do dia amparei choros

Pequenos poemas sem ter forma

Meu pobre estômago é um vazio

Um novo idioma está inventado...

Essa roupa está rasgada...

E a linha toda está acabada...

Not Paradise

Agora teremos relógios atômicos desnecessários

Pois a precisão caiu no chão feito um balão

E aquele doidivanas gritava com todas as letras...

À ferro e à fogo... À ferro e à fogo...


Os anjos servem café em bordéis suecos em Milão

Pois a exaustão veio na mão junto ao tufão

E o cara se atirou do andar térreo para as Marianas...

Conhaque de mel... Conhaque de mel...


A marcha continua porque pelos dias há miseráveis

Pois um pão vale um milhão para a multidão

E a nudez dela é mais moralista do que um hábito...

Churrasco grego... Churrasco grego...


A alma é a propaganda de qualquer um negócio

Pois a escuridão cessa a visão desta estação

E os mísseis se parecem com modernos brinquedos..

Tiroteio na favela... Tiroteio na favela...


Um sol virá cansado, mas mesmo assim vai vir

O destino diz não, mas a razão faz questão

Que as palavras sejam que nem certas fagulhas...

Not paradise... Not paradise...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 18 de julho de 2026

Fraqueza de Cada Um de Nós


Coisas comuns é o que nos cercam,

Gostaria de tomar um café, mas não há...

Geralmente eu perambulo pelos dias frios

E nem consigo divisar onde está o sol...

Algum bacurau deve ter passado por aqui

Aproveitando que as férias já chegaram...


Dúvidas atrozes acabam corroendo,

Bem mais do que estes grandes enigmas...

Saboreio cada palavra que pode haver,

Mesmo quando neste céu sem ter boca...

Quero apenas mais um pouco do tempo,

Até quando minha urbanidade assim nega...


Às vezes me sinto um desenho animado antigo,

Um daqueles decalques colados na geladeira...

Fui testemunha ocular de certas festas mortas,

Andava na roda-gigante dos parques na praia...

Quem me dera que encontrasse as minhas asas,

Mas ainda existem muitos abismos por aí...


De cada quatro ações, cinco estão mais erradas,

Só as pedras sabem contar direito suas histórias...

No meio desta matilha, eu me sinto mais seguro,

Principalmente quando uivamos pelas imensidões...

Não repare, por favor, esta minha roupa rasgada,

O choro é mais ainda, mas este é obrigatório...


Vamos caçar mais alguns ventos mesmo que distantes,

As ondas do mar, também serão muito bem vindas...

O cara caiu no meio da multidão que ia protestando,

Mas tudo não passou de mais que um mero detalhe...

Um simples estalar de dedos, um passe de mágica,

Toda a história vai ser recontada com um final feliz...

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Muito Sal

 


Muito sal, muito igual, muito mal.

Não sabemos de onde viemos, porque nascemos, porque morremos. É tudo um samba-enredo mal ensaiado, que nos dá medo, caso encerrado...

Muito sal, muito cabal, muito anormal.

Não queremos o que comemos, mas comemos, é tudo o que temos. É tudo uma lição que não se aprende, só o sonho insiste e não se rende...

Muito sal, muito legal, muito boçal.

Não espera a nossa espera, apenas desespera essa quimera, sem primavera. Nossos pés estão doendo, nada mais estamos vendo, fico quase cego e não nego...

Muito sal, muito geral, muito global.

Não se mata, nem se morre, apenas é o herói que corre. Nossa alegria, valentia ou covardia, estamos no escuro, atrás do muro, acenda logo o dia...

Muito sal, muito mingau, muito canal.

Não há dança, só há esperança, que algo alcança, não mais criança. Fazemos rima, abaixo ou acima, quase nada prima, às vezes desanima, mas é que tem, quando vem...

Muito sal, muito animal, sem carnaval...

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Labirinto Sem Voltas

 

Nada demais,

Só a biologia cumprindo seu papel,

O que somos - mais um enigma barato,

Mais um conjunto de planos falhos,

Eis a respiração de várias poeiras,

Nem se sabe o que deveria acontecer...


Nada demais,

Fotografia inerte de alguma lápide,

Samba-enredo em forma de epitáfio,

Comédia que faltou todas as risadas,

Um reino vago sem rei e sem súditos,

Uma pergunta pra não ser respondida...


Nada demais,

Quarto vazio que a poeira invadiu,

Prato quebrado esperando a comida,

Bunda de fora que quase ninguém notou,

Realidade baseada em fatos irreais...


Nada demais,

A ida pela contramão quase sempre,

Dias de chuva pra quem ia passear,

O gás acabou logo na hora da janta,

Eu acabei esquecendo qual o meu nome,

A internet caiu na hora que precisava...


Nada demais,

A mosca estava dentro do copo e brindamos,

Todo feriado acaba vindo com sua tristeza,

Há muitas coroas de lata coroando por aí,

Estrelas de cinema vindo do céu aos montes,

Um grande vazio pode estar cheio de nada...


Nada demais,

Piratas que possuem alergia ao oceano,

Canalhas ajeitando o nó da gravata sorrindo,

Distribuição de peixe podre pelo candidato,

A baiana do acarajé caprichou no óleo de soja,

Só consigo dormir quando estou acordado...


Nada demais... Nada demais...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Faça Um Poema

Faça um poema

Do teu problema

Fora do esquema...


Palavra dita. Laço de fita.

Dança antiga. Mão inimiga.

Velho retrato. Vinho barato.

Cigarro aceso. Soltem o preso.


Faça um poema

Quase cinema

Um velho dilema...


Pão dormido. Oitavo sentido.

Festa na rua. Carne crua.

Barulho mudo. Pedra de veludo.

Liquidação cara. Vulgaridade rara.


Faça um poema

Sem um emblema

Com qualquer tema...


Palavrão chinês. Bala da vez.

Mamoeiro atômico. Jabuti icônico.

Mocinha feia. Castelo de aveia.

Bordel moralista. Crime na pista.


Faça um poema

Sem teorema

Tire a algema...


Faça um poema...


(Extraído do livro "´Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 11 de julho de 2026

A Ponte, A Ponte, A Ponte


Nesse velório teremos que ir

Gostando ou não gostando,

Não iremos ao menos cair

E nem iremos chorando...


Os outros chorarão por nós,

Um choro falso ou verdadeiro,

Gritando ou sem ter voz,

Para sempre ou derradeiro...


Não nos cansaremos novamente,

Seremos apenas carregados,

Tanto o covarde quanto o valente,

Todos os ricos e os desgraçados...


Este que roubou todo o mundo

Ou aquele que não roubou nada,

O trabalhador ou o vagabundo,

Aquela que amou ou foi amada...


Todos atravessaremos a ponte,

Queiramos ou queiramos não,

Por mais que o destino apronte,

Um dia chega a nossa eaxustão...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Roupa Rasgada

Bebendo café sem açúcar Fumando cigarros caseiros Olhando o dia que se mata Toda surpresa nos assusta... Esqueci a senha... Perdi meu lugar ...