segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 376 *

Por que esperar o que não virá? A esperança é um dom ou um vício, depende de quem a tenha... Por que amar quem não nos ama? O amor tem dessas maldades, nos contentar e, ao mesmo tempo nos ferir... Por que sonharmos se amanhã acordaremos? Muitas vezes os pesadelos são aquilo que são, nem percebemos... Algumas vezes, mesmo sem nos darmos conta disso, o medo nos acompanha por todos os lugares...


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- Faz tempo que eu não choro...

- Secaram todas as lágrimas ou aprendeu a ser somente feliz?

- Aí que está, estou em dúvida...

- Já sofreu muito nesta vida ao ponto de se insensibilizar?

- Sou um cara normal. Quem nunca passou por isso?

Só sei de uma coisa: Faz tempo que eu não choro...


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Cada pedaço de mim segue adiante. Mesmo que não perceba, assim é. Não falo de pedaços do meu pobre corpo, ele terá a hora de sua consumação final. Também não me refiro aos pedaços de minha alma infeliz, os pedaços que vão, na verdade, não me fazem tanta falta assim. Falo de outra coisa, coisa que me fere ainda mais e mais, falo das lembranças de seres e de coisas que eu amei um dia. Seguiram adiante sem sequer um adeus...


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Se não puder se calar, fale o menos possível que conseguir. Das sombras que te seguem pela vida, trazendo o medo e a decepção. Da dor da derrota por tanta banalidade, somos feitos de pequenos contentamentos e de grandes decepções. Da maldade de todos os homens, somos alguns deles e também cometemos as nossas com o perdão já pronto. Tente sim, o máximo possível, mesmo que isso canse a tua voz, falar de coisas simples, as mais simples possíveis como o encanto de um jardim ou da brincadeira serena das nuvens lá em cima...


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Faz parte de nós mentirmos, dizermos que está tudo bem enquanto nada está. Encenarmos uma peça ou fazermos uma novela com um final feliz que não acontecerá. Dizermos que tudo é uma grande festa, mas o luto que cobre nossos dias. Na verdade, levamos toda nossa curta existência tentando aprender a mais difícil de todas as lições - a felicidade não nos pertence, mas podemos pegar os momentos felizes e guardá-los em nossos bolsos...


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Tudo acaba confundindo nosso juízo. Tudo o que acontece parece acontecer diante de um espelho. São duas faces parecidas, mas opostas. Aquilo que fazemos tem perdão, aquilo que nos fazem nunca será perdoado. A ferida que temos não será fechada, a que causamos deverá ter pronta cura. É por isso que somos humanos, os seres mais deploráveis desta tal de criação...


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Tenho certas manias, para que negar? Aprendi a dar socos em pedras, sou cheio da falsa esperança que uma hora elas quebrem... Aprendi geralmente a amar quem não me ame, isso faz parte de minha natureza que teima em me castigar por aquilo que nem fiz... Aprendi a esperar por certas estações que acabarão não vindo, nem sempre o sol quer nos obedecer... Aprendi a querer contar os dias, aflito para o próximo carnaval, ele poderá chegar atrasado ou se perder pelo caminho... Tenho certas manias, para que negar?

domingo, 16 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 375 *

Com açúcar, sem café,

Com perguntas, sem fé,

A vida é aquilo que é...


Com amor, sem razão,

Com canto, sem afinação,

Todo sonho é ilusão...



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Não quero falar dos que já foram. Nem das alegrias ou das tristezas que me deram. Todos já foram, simplesmente isso. Para onde? Isso eu não sei, isso ninguém sabe afinal. A morte é a última pergunta para ser respondida. Se alguém responder, não haverá quem ouça a resposta...


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A velhice não é uma tragédia, nunca foi. Tragédias acontecem com poucos. A velhice só acontece com quem acontece. Alguns novos vão na frente (isto é triste), mas fez parte do destino desses. Há muitos sóis esperando para vir e eu pretendo ainda ver alguns deles...


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Quem corria, agora está parado. O rebelde de ontem, tenta hoje ser o burguês. A beleza não dura para sempre, só a alma permanece. Quem gritava, hoje engole o silêncio. O rádio enguiçou, a música parou de tocar. Tudo se parece no fim...


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Mesmo ferindo minhas mãos, tentarei. Tentarei plantar flores para que o jardim não permaneça abandonado. Mesmo cansando meus pés, caminharei. Caminharei pela estrada que é minha até que não dê em nada. Isso é apenas um detalhe...


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Quando olho no espelho, choro. Às vezes tento evitar isso, não consigo. Todos nós temos um quê de masoquista. Isso é apenas natural. Quando olho para o dia, tenho medo. Nunca saberemos o que ele nos trará, alegrias ou tragédias. Nada no destino, depende diretamente de nós. Quando olho na noite, me dá mais medo ainda. Mas mesmo assim tento que ela me console, o sono venha logo...


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Se eu a amasse ou se ela me amasse, tudo seria tão diferente... Aconteceriam coisas que nunca aconteceram. Muitas rosas dariam no jardim que nunca plantamos, talvez alguns de nossos filhos correriam por entre as roseiras. Apesar de algum choro, haveriam mais risos do que os que realmente tivemos... Mas ela não me amou e nem eu a amei mais...

My Poetry I

Poesia barata... Afogada em uma multidão...

De um bissexualismo estético sem pedir perdão...

De uma cabeça louca sem ter nenhuma noção...


Carnaval fodido... Que foi embora saiu correndo...

De uma contagem de minutos que estará morrendo...

De um ódio surdo que só está assim crescendo...


Sim senhor meu capitão... Não tenha pena de eu não...

Cada milagre que existe vale bem menos que um pão...

Quanto mais tento ser honesto sou apenas ladrão...


Foi um show legal... Sem os pés fazendo sapateado...

Ou com tanta da roupa e só andando na rua pelado...

As coxinhas na vitrine e os olhos da fome do tarado...


Cerveja está choca... Que porra acaba sendo maldição...

Os meus osssos acabam sendo tal os ossos do barão...

Pegou fogo na noite ou pegou foi nesse nosso balão...


Metrificar?... Essa porra é pra aquele que isso sabe...

Vamos subir no alto do prédio rezando pra que desabe...

Vamos pular dentro da fogueira antes que ela acabe...


São muitas pulgas... Mas apenas o pobre de um cão...

O rico também é um miserável que morre de inanição...

Só dançaremos xaxado viajando num belo de um avião...


Poesia barata... Eu sozinho em uma multidão...

De um neocanibalismo estético sem pedir perdão...

De uma cabeça louca sem ter nenhuma estação...

Poema Em Extinção


O poema é bicho em extinção...


Os caçadores malvados chegaram

Mesmo fora da temporada de caça

Com suas armas de canos reluzentes

E seus dólares em contas milionárias

Para poder matá-lo...


O poema é bicho em extinção...


A mídia veio com seu sorriso amarelo

Transformá-lo num monstro tentacular

Provido de uma mais falsa empatia

Para engolir todas as suas vítimas

Sem nem colocar sal...


O poema é bicho em extinção...


Faremos milhares de poetas medíocres

Dentro de uma cultura(?) nanica e suja

Apenas para isso bastanto um celular

Algum crédito e uma rede social maligna

Para o bem do capitalismo...


O poema é bicho em extinção...


Os clássicos agora estão aposentados

Os modernistas já viraram caretas

Os românticos perderam seu açúcar

E os rebeldes de preocupam com o pix

A poesia se enterrou viva...


O poema é bicho em extinção...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 15 de agosto de 2026

O Que Eu Procurava e Ainda Não Encontrei ou Um Poema Quase Qualquer de Desespero

Sento-me numa pedra na beira do caminho

Como um deus triste ou um grão de poeira


Não sei bem ao certo pois a mente gira e gira

Como carrosséis antigos e sem música alguma

Em algum parque de diversões agora abandonado


Choro como um viúvo que afinal nunca casou

Tal qual um menino e sua flor morta na mão


Estou drogado por este vício mal de querer viver

E achar que vencer é alguma coisa que assim valha

Pois a tempestade chega e acaba nos levando tudo


Lembro dos brinquedos que não terei nunca mais

E que me esperam assim mesmo na alma desgastada


Tudo é tão facil de se esquecer exceto as tais mágoas

Essas sim transformaram-se em estranhas feridas

Que acabamos cultivando como se num velho jardim


Faço planos impossíveis para que todos eles falhem

Mas a minha teimosia me consome igual a um virús


Erro de propósito para obedecer a minha natureza

Como quem lê um pobre jornal de cabeça para baixo

Ando até evitando de ver tanta coisa errada que existe


Nunca mais farei perguntas com medo das respostas

Minha curiosidade mata aquele gato que serei eu


Uma boa poesia é feita somente de versos improváveis

Como a nascente de um rio que começa de um nada

E que leva tudo embora ate sua extinção em mar eterno


Eu procurava um amor e mesmo acabando não encontrei

Como o condenado que será executado e pede um cigarro...


(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 374 *

Já estamos no Paraíso

Mas nem sabemos...

Um Paraíso de rosas caladas

De nuvens desenhadas

De areias deslumbradas

De tranças bem cuidadas

De crianças desembestadas

De pazes declaradas...

Já estamos no Paraíso

Mas nem sabemos...


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Mar absoluto em que me encontro,

Dias e noites são todos iguais,

Serenos e tempestuosos assim,

Como eram todos os meus carnavais...


Vento que vai ventando lá fora,

As anomalias são tão normais,

A morte vem e nos leva à força,

Por esses destinos tão normais...


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Todas as nuvens que já vi

Sejam bem vindas em minh'alma

Permaneçam por lá e não caiam

Deixem as chuvas para outros tempos...


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O vidro pensava que era diamante

O diamante jurava que era vidro

Enquanto o espelho olhava os dois

E sonhava seus sonhos intensos...


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Tudo é tão relativo, tudo mesmo

Não fui eu que me escolhi

E nem apontei todos os segundos

Ninguém escolhe qual o seu caminho

Só sabemos que por ele andaremos

Tudo é tão relativo, tudo mesmo...


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Eu sei flores

Nem que todas não

Sinto saudades das pássaro

Que davam por um aí qualquer...


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Quando certas datas fazem chorar

E outras nos fazem sorrir ou até rir

Os carnavais são um exemplo

Rimos tanto até chorarmos...

Carliniana CXXX (Antes Que Tudo Vire O Que É)

Antes que tudo vire o que é

E os dias da semana briguem entre si

Por não saberem quem é quem...


Não façamos mais esse nosso tempo

Mais escasso do que sempre foi

Viver não apenas ter ou ser

A felicidade só depende de nós mesmos...


Antes que tudo vire o que é

E as rugas cheguem cansadas de viagem

E nem o espelho possa mais nos enganar...


Tenhamos mais cuidado com sonhos

Alguns podem ser armadilhas mortais

Que embaralhem todos os nossos conceitos

E assim perdemos enquanto nós ganhamos...


Antes que tudo vire o que é

Um carnaval que passou sem saudades

Uma joia falsa que parecia com ouro...


Estamos em um labirinto desconhecido

Onde não há fio algum para nos orientar

Há muitas e muitas máscaras por aí

Mas nenhuma delas pode nos esconder...


Antes que tudo vire o que é

E os meus sábados virem domingos

Onde exista alguma tristeza e desespero...

Alguns Poemetos Sem Nome N° 376 *

Por que esperar o que não virá? A esperança é um dom ou um vício, depende de quem a tenha... Por que amar quem não nos ama? O amor tem dessa...