Eu hei de cravar meus dentes em suas carnes,
Tenho assim tipo a eterna ânsia dos afogados,
Nadarei sobre as nuvens desse desacerto
Como quem erra palavras e acerta os gestos...
Não há mais ilusões, somente noturnas pedras,
Pois que caiam sobre silenciosos telhados,
Mãe, mulher, amante, filha, mestra. aluna,
Tudo aquilo que houver e até um pouco mais...
Qual é a cor? São todas elas e até um pouco mais,
Mesmo que me arraste pelo chão até que sobre
O pouco que eu fui um dia e isso só me bastará,
Eu prendi o tempo em minhas pobres e sujas unhas...
Aumente essa dose da forma mais que impossível,
O vento já me obedeceu e parou uma vez e outra,
Minha língua foi feita para sabores e nada mais,
Me empreste um isqueiro e incendearei o mundo...
Minha teimosia tem bem mais que alguns séculos,
Mesmo que seja antiquado esse tal modernismo,
As paredes ainda continuam com suas tais teias,
Meu Demônio continua ainda meio adormecido...
Há poetas com grana e sem motivo para viver,
É tanta lama pelas ruas que não têm asfalto,
Uma via-crucis com tantos os descrucificados,
Iremos morrer no instante que não esperamos...
Não importa qualquer sotaque que assim exista,
Eu já andei de avião e isso já faz certa era,
Digamos que eu já fui aventureiro e não sou mais,
Tenho que pedir perdão pelas pecados desconhecidos...
Ela é minha litania, simplesmente, toda a litania!
Sei rezar na cartilha dos seus pelos mais pubianos,
De tanto me roçar acabei grudando em sua pele,
Rezo contrito para que haja todo aquele seu gozo...






