Novelos embolados com ausentes gatos
Preços muito altos para insignificâncias
Estátuas de gelo sob um sol escaldante
Novos idiomas para ninguém entender
Não tem cabrocha e o Irajá está tão longe...
Tombos e ralados para nosso final deleite
Medidas certas para os mais cegos olhos
Os biscoitos agora estão caídos pelo chão
Qualquer marionete eletrônica faz gozar
Todos cagaram e esconderam sob o tapete...
Facilmente deliramos em certos devaneios
Os mártires berram suas palavras de ordem
A sujeira das famílias é lavada com veneno
No oitavo dia da semana chegamos de viagem
Minhas virtudes e defeitos nunca foram meus...
Não aceito menos que vinte e cinco horas diárias
Beijaremos as marés com os beijos mais tarados
Nunca peça explicações porque nunca nada sei
Tem uma valsa dançada sobre urbanos escombros
O cara famoso é mais um merda que deu certo...
Somos todos canonizados neste nosso lindo inferno
A mentira é mercadoria de mais urgente necessidade
Minhas carpideiras sempre farão um alegre stand up
Minha linda cidade com seus campos de concentração
Só na loucura alcançaremos esta tal de lucidez...
Daqueles filmes antigos todos os atores estão mortos
O monstro do lago Ness agora trabalha no fast food
Gasolina bem mais barata para podermos respirar
Vamos ser tão etéreos como as mais pesadas pedras
Somos presas de uma elite que também comerá terra...
Os twins mantêm um caso amoroso mais secreto
A borda da pizza vem recheada só com os alfinetes
Plantei morangos na caatinga e só colhi sardinhas
Não há nada mais doce atualmente que o vinagre
O samba-enredo fala de tudo menos de alegria...
(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).