sábado, 30 de maio de 2026

Água e Bitucas ou Revolta Muda de Um Poeta

Esqueçam toda e qualquer regra

- a vida não possui nenhuma -

apenas algumas circunstâncias.


Ninguém é aquilo que pensa que é,

Se fosse assim, não erraríamos nunca...


Para o vilão o herói que é o vilão,

A história sempre será mal-contada

E a vulgaridade acaba sempre vencendo.


A fé é uma brincadeira de mau-gosto,

Muitos ainda irão dormir com fome...


Não há beleza alguma que se sustente,

Até o sol pode matar alguns olhos

Assim como ele que mata as rosas.


Ninguém respeita os corpos mortos,

Apenas as lápides serão até lidas...


Hoje não dançaremos mais na chuva,

Não há mais fogueiras pelas noites

E todas as estão agora enlouqueceram.


Não espere riso de quem só pode chorar,

Agora até o espelho já me vira o rosto...


Até a esperança espera algo que não há,

Nem todos os barcos dormem no cais

E as borboletas sugam o sangue das flores.


Algumas lendas são apenas mentiras

Enquanto outras são erros de percurso...


Todas as estrelas são apenas uns átomos,

As nossas necessidades mais básicas

São demonstrativos da nossa pequenez.


Hoje só temos bitucas e um pouco d'água,

Alguém quer compartilhar disto conosco?


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Nada

Nada...

Na rua, na praça, na pista,

Na cabeça, que aqueça, na revista,

Mais um gole, mais um trago,

Na sorte, no dia aziago...


Nada...

No idiota, no patriota, concreto,

Na curva, na turva, grito discreto,

Na parede sem tinta, na cicatriz,

Na fome, na sede, medo de ser feliz...


Nada...

A dona, o senhor, a escrava,

A farinha, o feijão, a palavra,

O sexo, o nexo, final de inocência,

A multidão, o sim e o não, a carência...


Nada...

A necessidade, a qualidade, o tema,

A fama, a lama, o velho dilema,

O prato cheio, o meio, a senha,

O metal, o carnaval, que venha...


Nada...

O embalo, o falo, a nudez vitoriana,

O assunto, o defunto, sem Copacabana,

O país, o meu nariz, tesão repentino,

O trem, o amém, o andar sem destino...


Nada...

A balada, a safada, a sem-vergonha,

Sem salário, seu otário, sem maconha,

Almoço cancelado, tá ferrado, perdeu,

A culpa não é sua, é da rua, quase morreu...


Nada...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Deitados...

 

Estética da fome,

Apenas data, apenas nome

E eis que está tudo consumado

E o morto? Deitado...


Silêncio... Apenas dormindo,

O choro? Vem rindo,

A mais fatal das ironias...

Só anos, não mais dias...


Domínio do medo,

Nada na hora, tudo mais cedo

E uma canção feita de nada

E a morta? Deitada...


Silêncio... Vermes comendo,

O medo? Crescendo,

Sem poder escapar...

Ou morrer ou matar...


Estática new home,

Tudo quer, tudo consome...

E eis que os dias são consumados

E os mortos? Sempre deitados...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 23 de maio de 2026

O Grande Bá, Rato

Meu pato comprou um gato...

A vida? Bá! É um grande rato...


Come pão, rouba queijo,

Fala não, não dá beijo,

Escuridão sem ensejo...


Meu jato caiu no mato...

A vida? Bá! É um grande rato...


É agora, chorou Bebel,

É lá fora, "seu" coronel,

Dá esmola, põe no chapéu...


Meu fato é só boato...

A vida? Bá! É um grande rato...


Se bebo, perco a razão,

Se recebo, vem com um não,

Não percebo, só na escuridão...


Meu desacato é disparato...

A vida? Bá! É um grande rato...


Eu nunca uso, só meu terno,

Eu só abuso, lá no inferno,

Está concluso, tão moderno...


Eu sou grato por esse contrato...

A vida? Bá! É um grande rato...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Tem Uma Sopa Na Minha Mosca

 

... pois até Pessoa veio em pessoa

dizer que a minha pessoa

não era uma boa pessoa...


Amanhã tem pastel na feira

e antigos bordados no papel

com agulhas sem pontas...


... e Pedro, o grande candango

ficava nu dançando tango

enquanto chupava seu mango...


Aquele coelho que não era

não corre mais pra se esconder

na casinha no meio da festa...


... e a Graça veio sem graça

contar que a minha pirraça

estava chorando na praça...


Todos os fios agora brancos

e as rugas cantando em coro

mesmo que não queira tal coisa...


... e o Poeta da éterea mas concreta

poesia abandonada e discreta

recebia a seta de forma direta...


Tem uma sopa na mosca e acho que sou eu...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Minimalismos 10

Puta


É ofensivo?

Ofensivo é regular a arte

Algoritmo maldito

Né Sá Putinha?


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Nada Mais


Nada mais nos interessa

Só sonho.

Mesmo com pés no chão

Sonhamos.

Nada mais...


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Quintal


Foi bem

Antes

Do vendaval...


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Bem Antes


Bem antes

Do que o que assim se foi antes

Havia um menino...

Bem antes

Do que o que assim se foi antes

Havia uma árvore...

A árvore morreu

E o menino quase ainda...


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Fama


A fama caiu na lama

Essa mesma fama que se vende

Para tudo aquilo que rende

A fama caiu da cama...


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Barro Vermelho


Nem sempre se lembra

Nem sempre se esquece

Tudo é digno de ser lembrado...


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Os Beijos


Todos os besos

Têm seus pesos...

Assim...

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Exposições

As nádegas brancas dele

Que o sol nunca vê

Mas os olhos de qualquer sempre...


Como as ruas são assim?

Os gatos são testemunhas...


As tatuagens vulgares dela

Que fez quando drogada

No despero constante e sereno...


A vida é um monte de lixo?

Somos todos habitantes...


Uma família mais que falida

Em tudo e ainda mais sobretudo

Quando os tiros atingiram pulmões...


Adiantou filósofos chorarem?

Pensar agora não é opção...


Para o mudo uma palavra só

Compreendida ou não

Foge da boca e não retorna...


Para que céu foi meu cão?

Espero que lá não tenha humanos...


As nádegas brancas dele

Que o sol nunca vê

Mas os olhos de qualquer sempre...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Água e Bitucas ou Revolta Muda de Um Poeta

Esqueçam toda e qualquer regra - a vida não possui nenhuma - apenas algumas circunstâncias. Ninguém é aquilo que pensa que é, Se fosse assim...