domingo, 30 de agosto de 2026

Sob O Mesmo Teto

 

Sob o mesmo teto,

Sob o mesmo frio,

Sob o mesmo desafeto,

A mesma falta de brio


Vamos sofrer sem fazer alarde,

Não importa se seja cedo ou tarde,

Se faltou comida, se a casa desabou,

Se trocaram a rima, o poeta errou


Sob o mesmo teto,

Sob o mesmo vazio,

Sob o mesmo direto,

Agora chegou o cio


Vamos rezar para um deus nenhum,

Vamos parar de beber e ficar bebum,

Se aconteceu briga, a família acabou,

Se não sou nada, nem sei que eu sou


Sob o mesmo teto,

Sob o mesmo vadio,

Sob o mesmo concreto,

Não sei se choro ou rio...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 29 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 378 *

Estou sob delírios sempre...

Delírios sem febre, pois não?

Estou vivo sem motivo algum...

Para viver se precisa deles?

Estou embriagado sem álcool...

São apenas necessários sonhos?...


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O velho relógio da torre está cansado,

Seus ponteiros testemunharam muitos dramas

(Mesmo não parando para poder vê-los),

As ondas do mar já estão cheias de enfado,

Estão indo e voltando por incontáveis dias

(Assim foi desde o princípio e será até o fim),

Este velho poeta aqui está cansado e muito,

Não tenho noção de até quando serei forçado

(Mesmo quando não lidos meus versos se exibem)...


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Tenha cuidado, amigo, muito cuidado...

Mesmo vivendo no agora, no dia de hoje,

Tenha cuidado com os vícios de nosso tempo...

Não engula seu tempo como muitos fazem,

O tempo acabará como para todos acaba...

Não tenha medo da morte, isso não adianta,

Correr no meio da noite escura não a impede...


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Já cansei de fazer perguntas sem respostas,

Mesmo que pareça que elas sumam, não somem,

Ficam flutuando pelo ar, em torno de mim,

Mais do que a própria fumaça de um incêndio...


Já cansei de amar amores mais que vazios,

Nenhum sofrimento é bom, não há causa que valha,

Não posso esquecer nunca de meu amor-próprio,

Não é questão de egoísmo, mas de sobrevivência...


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Por que não asas?

Melhor do que passos que doem,

Melhor do que sonhos malvados,

Melhor ficar entre as nuvens,

Contar as estrelas assiduamente,

Rir com motivo ou sem ele...

Por que não asas?


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Assim como os dias nascem e morrem

Os sonhos também o fazem...

Assim como os amores que vêm e vão

São parecidos com as ondas...

Assim como os meus versos teimosos

Que aqui estão enquanto lembro...


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Talvez um dia não exista mais talvez

E os meus olhos vejam tudo o que há...

Talvez uma noite não tenha mais senão

Porque a lua acabou iluminando a rua...

Ah! Esta rua que ainda me recebe 

Com o silêncio que só gatos e tristes têm...

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Dolo de Tolo


 

Mesmo quando meu coração pequeno e escuro parar de uma vez, cismado com tempo, cismado com o tempo...

E o tempo for malvado ao ser indiferente, não ligar pelos meus apelos inúteis de mais um pouco, mais um pouco, mais um pouco...

Mais um pouco de vida, deixe-me recupar das mortes que tive enquanto vivo, mesmo doendo, doendo, doendo...

E a dor é a mestra de todas as coisas, algumas boas, outras ruins, mas coisas que mesmo cegos, enxergamos, mesmo no escuro, no escuro, no escuro...

Anoiteceu em minha alma, noite grande, noite absoluta, noite eterna, sem a graça das estrelas, nem sequer os virilampos sobreviventes e nem sequer postes vadios...

Eu sou o mesmo vadio, percorrendo o mundo com pés e asas, procurando rosas de cores inexistentes para comprar aquele beijo que nunca dei, tardes escondidas de quase amor, quase amor, quase amor...

Mas se hei de viver o amor no desamor, pensando bem, quem sabe chegou a hora em que eu repita o pulo no abismo esquecendo de colocar minhas asas, ando muito esquecido, é a idade, a idade, a idade...

E nessa idade esse meu mundo não é mais meu, os que gostava, a maioria já foi embora e meu medo maior, é não poder mais os encontrar e até não descobrir que era ilusão, ilusão, ilusão...

Poderá ser uma ilusão, pensar que estou por aqui, mas faz muito, muito tempo mesmo que respirar seja mais pela força do hábito, talvez um zumbi que as carnes aindam continuam as mesmas, sem o coração...

Mesmo quando meu coração pequeno e escuro parar de uma vez, cismado com tempo, cismado com o tempo...

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Tem Certeza Jacuíba?

Vamos dar champanhe aos macacos e cerveja aos flamingos.

Nesse mistério explícito ainda temos alguns tabus. Se meus travesseiros falassem, ainda assim, ficariam de boca calada. Preciso urgentemente dos meus venenos.

Nas praças públicas teremos crimes passionais e mandingas.

Hoje de manhã, a manhã ainda pensava que era noite. Até os galos usam cachecóis em seus poleiros anatômicos, com toda a certeza. A puta recobrou sua inocência.

A lâmpada do gênio queimou e por isso ele quer outra de led.

Em todos os obtuários existem somente os que não respiram. Vamos ter medo de antigas histórias dos gibis de terror. Tudo acaba passando mesmo sem os velhos ferros que usaram muito.

São muitas batalhas efetuadas e nenhuma delas com razão.

Não tenho mais nada nesse mundo, não sei se isso é certo ou é errado. Até gregos e mundanos tomam seus sorvetes com ar meio indiferente. Eram tantas as cachaças servidas em taças de cristal.

Não queremos mais novidades se está tudo tão velho.

Tocar pandeiro é para os fracos, quero tocar na parte mais alta do Everest. Se tudo der certo, pregaremos o oposto daquilo que foi um dia. Mas com a mesma máscara de santidade de antes.

Tudo é permitido e até o que é proibido cai no samba.

Se fizer fumaça já está bom, já diziam os que andavam de tapete voador. Nem todos os ratos querem queijo. Alguns até preferem a maçã da Branca de Neve.

Entrei na fila da vida e era para pedir algum socorro.

Deste meu pântano não escutei mais notícia do mundo externo, nem sem ou com alguns etceteras. Queremos alguns carinhos feitos de espinhos. Nosso luto é rosa como todos os mamões do pomar.

Há algumas chuvas que são opostas e as gotas sobem.

Meu impotente tesão precisa de umas histórias para dormir, mesmo que seja em cobertas de macarrão. E sou resultado de uma conta que deu errado. E duma genética que estava delirando no dia da minha concepção.

Vamos dar champanhe aos macacos e marafo aos flamingos...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Barro Sintético Em Caixas Coloridas de Um Fino Anis Cercado de Religiosidade

Minha IA tirou seu time de campo faz tempo

Mastigo pétalas de rosa como se fosse pedra

Respiro o ar sujo e quente de manhãs noturnas

O que será que será que não foi e não será?


Sujo minhas mãos sem água para lavá-las

Falo por enigmas para serem descobertos

A minha única pressa é de ter alguma pressa

Por que o cachimbo entorta a boca e não o ar?


Minhas veias um dia acabarão perdendo a pressa

Vou andar sobre as águas atravessando todo mar

Tudo não passa de uma ficção científica caipira

Aceitam aí mais um quadro de porcelana de água?


O rato roeu a roupa do nosso presidente da república

Afinal era a final de jogos de buraco dentro do vulcão

Caprichamos na nossa mais célebre idiotice tão vã

Os camarões agora usarão suas cobertas de pastel?


Comida caseira só a que é fabricada em série agora

Minha antipatia tem seus motivos feitos de exatidão

Toda vez que vou espirrar antes tenho que pedir licença

Um dia irão finalmente descobrir a cura para o nada?


Incrivelmente todos os mortos um dia assim morreram

Preciso urgentemente de uma cama feita só de vidro

E aquele sabão caseiro feito por fadas todas estrábicas

Posso beber este garrafão de vinho só comigo mesmo?


O papa bebeu um fino licor de anis até cair durinho...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Licores Subversivos

Cada pão é um não

Cada vão é um tão...


Eu não sou aparentado

Do cavalheiro ao lado

De rima mais enganosa

Nem da cachaça de rosa

Vendida lá na lagoa

Para se comer com broa...


Cada sim é um fim

Cada assim é um mim...


Eu não sou apimentado

Como esse feijão aguado

De rima mais horrorosa

Que não tem versiprosa

Vendida lá no sertão

Pra se comer com mão...


Cada pum é um boom

Cada zoom é um um...


Eu não sou apavorado

Nem andando de lado

De rima mais ingloriosa

Vereda mais pedregosa

Vendida lá na esquina

Mais do que a cafeína...


Cada grão é um bão

Cada são é um cão...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

 

terça-feira, 25 de agosto de 2026

No Sertão de Cai-Có

É pulejo, é pulejo, é pulejo

Quem olha tua bunda dá um beijo...


Eu bode cantador de palavra muda

Quem tem fé Deus não ajuda

Ando na feira assim me arrastando

E só com água é que vou temperando...


Siá Cota, siá Cota, siá Cota

Que saudade dessa tua xota...


Olha o Piteleco andando pelo boteco

Estômago vazio é que dá até eco

A margarida anteontem se escondeu

E se você não entendeu muito menos eu...


Peribambo, Peribambo, Peribambo

Toda vez que eu me peido eu sambo...


O xaxadeiro pegou no fuzil primeiro

Pobre comemora o natal em janeiro

Levei no ortopedista a mula manca

Olha que a esposa do funk é a funka...


É fatonice, é fatonice, é fatonice

Do jeito que Zé Mudinho sempre disse...


Já ouvi falar que em Brotas tudo brotas

Tem menino por aí que bateu as botas

Lolo com aquele cabelão parecia Lolita

E colocava em cada pentelho laço de fita...


É pulejo, é pulejo, é pulejo

Não quero mais e só tenho desejo...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

No Piriri, No Pirirá

No piriri, no pirirá

Pobre não toma café nem chá...


Pobre só anda de ré,

Que nem passarim andando à pé,

Sem sapato, mas com chulé!


No piriri, no pirirá

Cabei de comer e já vou cagá...


Vou me cagar até que doa,

Que não tenha mais roupa boa,

Sou um matuto que anda à toa!


No piriri, no pirirá

Essa mulé maluca qué me roubá...


Olha a sopa de pandeiro,

Custa muito e pouco dinheiro,

É o artificial mais que verdadeiro!


No piriri, no pirirá

Vou fazer uma festa só de cambucá!


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Cansado de Cansadeira

Cansei de me cansar de estar cansado...


Só acerto se eu erro

Só me calo se berro

Muito linda a Dama de ferro...


Cansei de me cansar de estar cansado...


Só quero se não quero

Só acalmo se desespero

Cada um com seu lero-lero...


Cansei de me cansar de estar cansado...


Só vou se ninguém foi

Só dou tchau se dão oi

Nem é a vaca e nem é o boi...


Cansei de me cansar de estar cansado...


Só rastejo se voando

Só acerto se errando

O meu ódio chega amando...


Cansei de me cansar de estar cansado...


Só peço se estou fodido

Só quero se for imerecido

Morrer ou não ter nascido...


Cansei de me cansar de estar cansado...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Carliniana CXXXII ( Mas Eu Estava Errado )

Mas eu estava errado...

De onde vem o vento

Como um cão sarnento

Como um lobo louco

Que teve tão pouco...


Mas eu estava errado...

Em contar as estrelas

Em cismar de vê-las

Como um imbecil

Que assim sorriu...


Mas eu estava errado...

Em ser seu amante

Em estar delirante

Como se amor valesse

E assim não sofresse...


Mas eu estava errado...

Em continuar mudo

Em acreditar em tudo

Tudo é apenas engano

Para quem é humano...


Mas eu estava errado...

Em temer a morte

Em contar com a sorte

Como quem joga

E por fim se logra...


Mas eu estava errado...

Redondamente enganado...

domingo, 23 de agosto de 2026

Aquela Franja

Não precisa fazer mais o que quero

Já provei framboesa do pé e tem gosto ruim

Toda novidade para mim é apenas desagrado

Se ofendi alguém o problema nunca foi meu


Seria legal um tango tocando bem alto

Acordando o resto da putada que faço parte

Para previnir que a morte faz hora extra

Mas nunca deixa seus rastros na areia da praia


Sou um velho como qualquer um destes

Chorando pelas injustiças que nunca acabarão

Desde que o primeiro sangue correu nas veias

Deus e o Diabo caem na porrada e aplaudimos


O jardim sabe cobrar aquele preço bem alto

Pisar sobre as flores é uma tarefa mais banal

Uma sacanagem é apenas mais uma sacanagem

E o perdão só existe para aquele que pecou


Os abutres são os papagaios dos new pirates

Enquantos urubus são estes bichos de gaiola

E as aranhas não param de fazer suas teias

Um segundo de desespero nos é o suficiente


A minha calma é a irmã da minha revolta

O tempo em que eu era alguma coisa passou

Minha viagem não acabou em lugar nenhum

E aquela franja que você tinha não existe mais...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 22 de agosto de 2026

Carliniana CXXXI ( Como Se Fosse Poesia )

Como se fosse poesia...

Detalhes de um mundo banal assim

Lobos almoçando e jantando lobos

Num ritual disfarçado de normalidade

E todas fotografias revelam o oposto...


Como se fosse poesia...

E bailarinos enlouquecidos berram

Para que a música volte ao normal

Enquanto toda a fatalidade funciona

Como um disco quebrado na vitrola...


Como se fosse poesia...

Quem é famoso vai tremendo de medo

Porque o esquecimento bebe veneno

Para provar a cruel e real imortalidade

De passos que nunca mais serão dados...


Como se fosse poesia...

Eis o martírio dos que são mais tolos

Por mais um punhado de moedas velhas

Provido de uma morbidez saudável

Composta de palavras equivocadas...


Como se fosse poesia...

O engano mais bem planejado que há

Porque só há verdade no que está solto

As nuvens continuam mesmo desabando

Enquanto a fumaça morre por lá mesmo...


Como se fosse poesia...

Façamos um brinde com copos de areia

Lembrando de um tempo sem ter tempo

Com coisas mais estranhas e mais comuns

Onde a inocência é que dava as cartas...


Como se fosse poesia...

Playlist de todos os infalíveis que falharam

Estes célebres desconhecidos iguais à mim

Todos nós pensávamos que seria tão fácil

Como se tudo o que existe fosse poesia...

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Sopa Quente

Sopa quente para dias mais quentes ainda.

Milhares de tranças na memória do meu PC.

Eu amo as palavras e elas tanto me odeiam.

É cada ginástica mental que tira meu fôlego.

Somos amigos até que a terra nos engula.

Eu sou testemunha ocular do que não existe.

Inventar novas mentiras é nossa especialidade.

Vou para Vênus nas nossas próximas férias.

A insistência desistiu de toda e qualquer coisa.

Alguém infartou no dia do seu aniversário.

O chef faz bolinhos de pura carne artificial.

No aniversário lembramos que logo morreremos.

Faltaram milagres para preencher a tenda.

Nenhuma necessidade é maior do que o sonho.

Quero um remédio nulo para o mal que não tenho.

E uma dose veneno para injetar em minhas veias.

Toda beleza é um cão feroz na rua sem dono.

Minha vanguarda é a mais antiquada que há.

Não a chamo de vagabunda porque é um elogio.

Chá com porrada é a novidade mais maneira.

Estão sendo feitos os acordos mais substanciais.

É hora do banho para meus ratos de estimação.

Estamos morando em trincheiras sem nem saber.

Minha vontade é quem nem a carpideira que ri.

Sopa quente para dias mais quentes ainda...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Com Máscara

Em muitos lares milhares de tragédias gregas.

Em cada telefonema a preocupação ou a banalidade.

O fogo foi descoberto quase anteontem na esquina.

Só não mataram o cara porque não era a hora dele.

Você já contou quantas rugas tem na sua cara?

A satifação abre as pernas para qualquer mortal.

O que mais engana é o nome de todas as coisas.

Garantimos que nessa merda não há garantia alguma.

A certeza é a coisa mais incerta que inventaram.

Notou que tirar meleca do nariz virou mais um ritual?

Ficaremos embriagados quando não houver álcool.

Só nasce um filho-da-puta em cada minuto existente.

Estou precisando urgentemente de um novo par de asas.

A esperança é uma invenção nova que não resultou.

Em que ruínas estarão agora aqueles meus velhos sonhos?

Meus pulmões doem quando vejo antigas propagandas.

Tenho saudades de várias casas que não existem mais.

Junto coisas anormais para compor minha anormalidade.

No passado não distinguia entre as pedras e os metais.

Por que o óbvio nos incomoda de uma forma debochada?

A nossa imparcialidade está parcialmente machucada.

Ganhamos dores em uma promoção de belos presentes.

Qualquer faltalidade vem embrulhada em papel colorido.

Somos convidados para um balé e acabaram as nozes.

Em muitos lares milhares de traições iguais à Judas...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Sem Máscara

 


Ratos por todos os cantos da velha casa.

Procurando a comida que nem não existe.

Não escolhemos nem o nome para essa nossa infelicidade...

A coceira é o resto da dor que veio logo.

A cara da puta é a mais inocente que há.

Se atirar do alto da escada é a nossa maior brincadeira...

Todos nós somos os advogados do Diabo.

O perdão é aquilo que carregamos no bolso.

A morte é quem vence todas as disputas que temos por aí...

Tentar ser bom é o maior dos desperdícios.

A justiça é um cão que abana sempre a cauda.

Conhece-te a ti mesmo e assim verás quem é mais perigoso...

Temos entrada grátis para toda esta futilidade.

Ficando fora da geladeira acabou-se o sonho.

Toda a normalidade é um filme pornográfico não exibido...

A regra da sensatez é ser mais canalha que pode.

O rico e o pobre cagam do mesmo jeito sempre.

Só possuímos aquilo que iremos perder logo e sempre...

Água suja e água limpa: todas as duas são águas.

O tamanho da bunda é aquilo que decide o chute.

Milhões de borboletas estão procurando seus cadáveres...

Falar de boca fechada é sempre o que é melhor.

Cada mês apresenta suas desgraças com gosto.

Nem todas as coisas belas possuem a beleza exata...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 377 *

Nada está no seu lugar, o cantor cantou errado, certamente embriagado em seu piano. Quem quiser agradecer por isso, agradeça, eu não. Tento fechar meus olhos para um sol que apenas veio conferir se sofro, depois de uma noite medíocre como tantas outras que já vivi... 


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Não tenhamos medo, nunca. Abismos existem para serem superados. Mares bravios para serem navegados. Sombrios enigmas para serem desvendados. Amores traiçoeiros para serem amansados. Abraços ternos para serem dados. Caminhos longos para serem caminhados. Nunca tenhamos medo, não...


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Foi um monte de coisas que não fiz, não aprendi como fazer. Seria muito bom andar de bicicleta, mas se não consegui, contento-me com aquelas duas rodas que existem no céu - o sol e a lua. Seria ótimo saber jogar gude, mas se não aprendi, basta pelo menos dar certas jogadas e conseguir vencer alguma coisa nesse mundo de armadilhas. Ótimo deve ser fazer acrobacias com a pipa pelo ar, mas como não sei, uso as asas da imaginação e vou voar perto delas. Há,enfim, muitas outras coisas simples, que não aprendi e nunca irei aprender. Mas sonhar com elas, é muito fácil, muito fácil mesmo...


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Eu comeria... Cada pedacinho do sol até não sobrar mais nada... É tão bom... Não tem o gosto aguado de tristes dias de chuva que mais se parecem com choros... Seu açúcar me lembra alguns carnavais tão bons que já passaram... Ele convida pássaros e nuvens para comporem uma aquarela bem suave de cores bem claras... Os meninos podem sair de casa e fazerem do quintal um mundo tão divertido... Os amantes poderiam ir para as praças darem seus suspiros mais apaixonados tendo a visão dos olhos de suas amadas... Eu comeria... Cada pedacinho do sol até não sobrar mais nada...


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Tudo que passou, passou. A moda é um grande cemitério de corpos sepultados em absoluto silêncio como qualquer outro. Não tenhamos medo... Esses são mortos diferentes. Poderão nos trazer saudades olhando velhas fotografias ou ainda, simples lembranças repetinas. Nada mais nos resta, tudo é assim mesmo, passa e nem se despede...


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Certos perigos passamos e, como a maioria deles, só notamos quando é tarde demais. A queda do alto nos arremessa ao chão, o mergulho mal dado acaba nos afogando, a canção cantada fora do tom recebe vaias da plateia, a cor escolhida errada tira a beleza da obra, o sucesso mal  utilizado nos conduz ao fracasso. Mas mesmo assim continuaremos, errando ou não.


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Cada dia uma ilusão, um erro bonito bem açucarado. O luto com cores que atenuam a dor. Um conselho terno para seguirmos ao tombo sem quem nos levante. Cada dia uma farsa, valores opostos ao que deveria pelo menos ser. Enquanto isso a morte continua sua tarefa, mesmo quando forçada por abomináveis guerras...

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 376 *

Por que esperar o que não virá? A esperança é um dom ou um vício, depende de quem a tenha... Por que amar quem não nos ama? O amor tem dessas maldades, nos contentar e, ao mesmo tempo nos ferir... Por que sonharmos se amanhã acordaremos? Muitas vezes os pesadelos são aquilo que são, nem percebemos... Algumas vezes, mesmo sem nos darmos conta disso, o medo nos acompanha por todos os lugares...


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- Faz tempo que eu não choro...

- Secaram todas as lágrimas ou aprendeu a ser somente feliz?

- Aí que está, estou em dúvida...

- Já sofreu muito nesta vida ao ponto de se insensibilizar?

- Sou um cara normal. Quem nunca passou por isso?

Só sei de uma coisa: Faz tempo que eu não choro...


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Cada pedaço de mim segue adiante. Mesmo que não perceba, assim é. Não falo de pedaços do meu pobre corpo, ele terá a hora de sua consumação final. Também não me refiro aos pedaços de minha alma infeliz, os pedaços que vão, na verdade, não me fazem tanta falta assim. Falo de outra coisa, coisa que me fere ainda mais e mais, falo das lembranças de seres e de coisas que eu amei um dia. Seguiram adiante sem sequer um adeus...


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Se não puder se calar, fale o menos possível que conseguir. Das sombras que te seguem pela vida, trazendo o medo e a decepção. Da dor da derrota por tanta banalidade, somos feitos de pequenos contentamentos e de grandes decepções. Da maldade de todos os homens, somos alguns deles e também cometemos as nossas com o perdão já pronto. Tente sim, o máximo possível, mesmo que isso canse a tua voz, falar de coisas simples, as mais simples possíveis como o encanto de um jardim ou da brincadeira serena das nuvens lá em cima...


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Faz parte de nós mentirmos, dizermos que está tudo bem enquanto nada está. Encenarmos uma peça ou fazermos uma novela com um final feliz que não acontecerá. Dizermos que tudo é uma grande festa, mas o luto que cobre nossos dias. Na verdade, levamos toda nossa curta existência tentando aprender a mais difícil de todas as lições - a felicidade não nos pertence, mas podemos pegar os momentos felizes e guardá-los em nossos bolsos...


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Tudo acaba confundindo nosso juízo. Tudo o que acontece parece acontecer diante de um espelho. São duas faces parecidas, mas opostas. Aquilo que fazemos tem perdão, aquilo que nos fazem nunca será perdoado. A ferida que temos não será fechada, a que causamos deverá ter pronta cura. É por isso que somos humanos, os seres mais deploráveis desta tal de criação...


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Tenho certas manias, para que negar? Aprendi a dar socos em pedras, sou cheio da falsa esperança que uma hora elas quebrem... Aprendi geralmente a amar quem não me ame, isso faz parte de minha natureza que teima em me castigar por aquilo que nem fiz... Aprendi a esperar por certas estações que acabarão não vindo, nem sempre o sol quer nos obedecer... Aprendi a querer contar os dias, aflito para o próximo carnaval, ele poderá chegar atrasado ou se perder pelo caminho... Tenho certas manias, para que negar?

domingo, 16 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 375 *

Com açúcar, sem café,

Com perguntas, sem fé,

A vida é aquilo que é...


Com amor, sem razão,

Com canto, sem afinação,

Todo sonho é ilusão...



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Não quero falar dos que já foram. Nem das alegrias ou das tristezas que me deram. Todos já foram, simplesmente isso. Para onde? Isso eu não sei, isso ninguém sabe afinal. A morte é a última pergunta para ser respondida. Se alguém responder, não haverá quem ouça a resposta...


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A velhice não é uma tragédia, nunca foi. Tragédias acontecem com poucos. A velhice só acontece com quem acontece. Alguns novos vão na frente (isto é triste), mas fez parte do destino desses. Há muitos sóis esperando para vir e eu pretendo ainda ver alguns deles...


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Quem corria, agora está parado. O rebelde de ontem, tenta hoje ser o burguês. A beleza não dura para sempre, só a alma permanece. Quem gritava, hoje engole o silêncio. O rádio enguiçou, a música parou de tocar. Tudo se parece no fim...


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Mesmo ferindo minhas mãos, tentarei. Tentarei plantar flores para que o jardim não permaneça abandonado. Mesmo cansando meus pés, caminharei. Caminharei pela estrada que é minha até que não dê em nada. Isso é apenas um detalhe...


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Quando olho no espelho, choro. Às vezes tento evitar isso, não consigo. Todos nós temos um quê de masoquista. Isso é apenas natural. Quando olho para o dia, tenho medo. Nunca saberemos o que ele nos trará, alegrias ou tragédias. Nada no destino, depende diretamente de nós. Quando olho na noite, me dá mais medo ainda. Mas mesmo assim tento que ela me console, o sono venha logo...


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Se eu a amasse ou se ela me amasse, tudo seria tão diferente... Aconteceriam coisas que nunca aconteceram. Muitas rosas dariam no jardim que nunca plantamos, talvez alguns de nossos filhos correriam por entre as roseiras. Apesar de algum choro, haveriam mais risos do que os que realmente tivemos... Mas ela não me amou e nem eu a amei mais...

My Poetry I

Poesia barata... Afogada em uma multidão...

De um bissexualismo estético sem pedir perdão...

De uma cabeça louca sem ter nenhuma noção...


Carnaval fodido... Que foi embora saiu correndo...

De uma contagem de minutos que estará morrendo...

De um ódio surdo que só está assim crescendo...


Sim senhor meu capitão... Não tenha pena de eu não...

Cada milagre que existe vale bem menos que um pão...

Quanto mais tento ser honesto sou apenas ladrão...


Foi um show legal... Sem os pés fazendo sapateado...

Ou com tanta da roupa e só andando na rua pelado...

As coxinhas na vitrine e os olhos da fome do tarado...


Cerveja está choca... Que porra acaba sendo maldição...

Os meus osssos acabam sendo tal os ossos do barão...

Pegou fogo na noite ou pegou foi nesse nosso balão...


Metrificar?... Essa porra é pra aquele que isso sabe...

Vamos subir no alto do prédio rezando pra que desabe...

Vamos pular dentro da fogueira antes que ela acabe...


São muitas pulgas... Mas apenas o pobre de um cão...

O rico também é um miserável que morre de inanição...

Só dançaremos xaxado viajando num belo de um avião...


Poesia barata... Eu sozinho em uma multidão...

De um neocanibalismo estético sem pedir perdão...

De uma cabeça louca sem ter nenhuma estação...

Poema Em Extinção


O poema é bicho em extinção...


Os caçadores malvados chegaram

Mesmo fora da temporada de caça

Com suas armas de canos reluzentes

E seus dólares em contas milionárias

Para poder matá-lo...


O poema é bicho em extinção...


A mídia veio com seu sorriso amarelo

Transformá-lo num monstro tentacular

Provido de uma mais falsa empatia

Para engolir todas as suas vítimas

Sem nem colocar sal...


O poema é bicho em extinção...


Faremos milhares de poetas medíocres

Dentro de uma cultura(?) nanica e suja

Apenas para isso bastanto um celular

Algum crédito e uma rede social maligna

Para o bem do capitalismo...


O poema é bicho em extinção...


Os clássicos agora estão aposentados

Os modernistas já viraram caretas

Os românticos perderam seu açúcar

E os rebeldes de preocupam com o pix

A poesia se enterrou viva...


O poema é bicho em extinção...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 15 de agosto de 2026

O Que Eu Procurava e Ainda Não Encontrei ou Um Poema Quase Qualquer de Desespero

Sento-me numa pedra na beira do caminho

Como um deus triste ou um grão de poeira


Não sei bem ao certo pois a mente gira e gira

Como carrosséis antigos e sem música alguma

Em algum parque de diversões agora abandonado


Choro como um viúvo que afinal nunca casou

Tal qual um menino e sua flor morta na mão


Estou drogado por este vício mal de querer viver

E achar que vencer é alguma coisa que assim valha

Pois a tempestade chega e acaba nos levando tudo


Lembro dos brinquedos que não terei nunca mais

E que me esperam assim mesmo na alma desgastada


Tudo é tão facil de se esquecer exceto as tais mágoas

Essas sim transformaram-se em estranhas feridas

Que acabamos cultivando como se num velho jardim


Faço planos impossíveis para que todos eles falhem

Mas a minha teimosia me consome igual a um virús


Erro de propósito para obedecer a minha natureza

Como quem lê um pobre jornal de cabeça para baixo

Ando até evitando de ver tanta coisa errada que existe


Nunca mais farei perguntas com medo das respostas

Minha curiosidade mata aquele gato que serei eu


Uma boa poesia é feita somente de versos improváveis

Como a nascente de um rio que começa de um nada

E que leva tudo embora ate sua extinção em mar eterno


Eu procurava um amor e mesmo acabando não encontrei

Como o condenado que será executado e pede um cigarro...


(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Talvez Fuga

Eu quero fugir sem motivo algum... Apenas fugir... Sem motivo algum... Fugir dos nossos pecados... Das nossas alegrias... Num idiona que só ...