domingo, 4 de outubro de 2026

Nenhum de Nenhum

Nenhum é de nenhum

O choro alheio não diz nada

Quem vai cair que caia

Mesmo do alto da escada


O teu dinheiro o teu

A fome alheia não é a tua

Se existe a tua felicidade

Que o outro chore na rua


Mesmo quando dizes que é bom

Isso é uma mentira deslavada

A solidariedade é inexistente

Foi uma mentira inventada


Quem morre é o bicho

O ser humano é que fica vivo

Por que ficar triste por outrem?

Para isso não existe motivo


Nenhum é de nenhum

O choro alheio não diz nada

Quem não tem que não tenha

Que vá dormir na calçada...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Alguns Poemetos Sem Nome N° 380 *

Nada do que eu sei, eu sei

Já esqueci até daquele teu cabelo castatnho

E daqueles teus olhos fora do lugar...


Nada do que eu sei, eu sei

Não escrevi no meu velho caderno quais dias

Que aquelas minhas tardes eram mágicas...


Nada do que eu sei, eu sabia

Podetia ter teu beijo mesmo que roubado

Enfeitado de maldade, assim todo enfeitado...


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Contramão...

Solidão quase escolhida.

Onde está

O que chamamos vida?

Talvez ali no canto

Encolhida...


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Assim como a água acabou,

Meu pobre sonho também...

Assim como o dia acabou,

Outros virão para acabar...

Assim  como as nuvens acabam,

Outras também virarão chuva...


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Nem todos os risos que dei compreendi

O porquê estava rindo...

Nem todos os amores que amei

Deixaram de ferir-me...

Nem todas as nunvens eram tempestades

Mesmo quando todas elas serão...


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De muitas coisas me arrependo,

De outras nem tanto...

Por muitas coisas eu chorei,

Por outras nem tanto...

Muitos amores tiraram meu sono,

Outros me fizeram dormir...

Mas as minhas fantasias, essas sim,

Todas valeram a pena...


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Cada dia é um arremedo do anterior,

Todos os amores são preocupantes,

Todos os pensamentos adoram fugir,

Todas as palavras acabam guaguejando,

Todo medo evita olhar no espelho...


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Todo mistério em mim acabou,

Todas as sombras se dissiparam,

Não sei se pela idade ou pela dor,

Meus versos agora são preto-e-brancos,

Como a TV antiga que o menino via...

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Optimum



Eu quero a flor dos campos

Sobretudo a que não nasceu

Uma poesia enjoada de tanto doce

Como aquelas que ninguém vendeu...


Uma poesia dessas bem doces

Dum doce que até sempre dói

Que seja teimosa feito o tempo

Que anda e ninguém destrói...


Eu quero reencontro na praça

Depois de tanto tempo sumido

Para que esperar valha a pena

Mesmo sofrendo tenha sentido...


Viver é como chorar sempre

Mesmo quando o riso vem junto

Sem medo e sem ter desespero

Já que isso é um outro assunto...


Eu quero a flor dos campos

Sobretudo a que não nasceu

Uma poesia enjoada de tanto doce

Como aquelas que não se percebeu...


(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

NaNave 2

Escapei foi de uma chave

Dessas do dogão feito na panela

Lá pras terras do Mujeripe-Açú...

De hoje me diante fica proclamado

Que o ontem só pode ser amanhã

Se for dia de anteontem e sim...

Sou sábio feito um jumento

E é muito caro o meu cachê:

Vale meia titica na riba do rabo...

Já pensaram numa pendenga gostosa?

Façam de tuia, meus cornos, de tuia

Daquelas que pegam fogo no cuspe...

Faleco sim, faleco não, meu bão,

Desde dos tempos de antonte

Quando só dos olhos palavras...

Da Rita só me sobrou a rota

(Se me permite a renha, barão)

Isso lá nos tempos do cuscuz...

Foi lá na retranca sem mula

Que o bacurau fazia a hora extra

Duns patacos assim bengrandes...

Na pitala de bimba quase-seco

Eu me pulei bem, bem que bem

Em mussuco que batulelei indo...

Magafudo de festa de trenca-cega

Eu pulo bem mais que macaqueira

Duns desses gufungos desses aí...

Um picuchu, dez picuchu, nenhum

Feito reza de brabeza quase mansa

Que fosse uma camisa quebrada...

Perego bom mesmo é o manuco

Que chama na chincha até ratinho

E até faz a gente se esquecer...

Os Irmãos Pepungo apresentam

Apresentam seu grande show de bulagem

Trocando de dedo até se cansarem...

Timiririco gosta mesmo de um fulejo

E ainda assim encontra um tempinho

Pra comer um dedo de bolacha pelo nariz...

Meu fogão vive cantando ópera feliz

Com tanto borrego que mora na laje

Até que o final dos tempos venha logo...

Fala aí, ô seu Zé Curumba!

Rapa no fundo de prato é qualidade

Ainda mais com esse tamanha de manha...

A novinha tá assim desde que era nova

E hoje o rio já comeu as margens

Ficando apenas o bagaço do miolo...

Fiz ontem aquele chapéu feito de telha

Pra pedir barão e meio pro vento

Com uma caixa de fósforos e apenas...

Vou viajar quase agorinha e não mais...


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Em Close

Todo dia. Mania.

Só converso de boca fechada.

Mesmo vendo não vejo mais nada.

A pergunta não foi perguntada.

Em close...


É a lua. Está seminua.

Meu tesão supera meu ócio.

A morte da vida é o sócio.

Agora fazemos qualquer negócio.

Em crise...


O beijo dela. Foi na favela.

Meu terror é bem mais que dor.

Quem me mata aos poucos é o amor.

Não há sombra pra rapariga em flor.

Em classe...


Meu erro. Meu enterro.

Eis o mais carioca dos sotaques.

Cada qual tem lá os seus ataques.

Eu vou cambaleando sem os conhaques.

Em crase...


Para o não. Minha revolução.

Peguei as tralhas e saí por aqui.

Tenho o mundo e não sei por onde ir.

Cama de pregos pra esse nosso faquir.

Em click...


Todo dia. Maria.

Só converso com a voz calada.

Mesmo tendo não tenho mais nada.

A pergunta já foi apagada.

Em close...


(Extraído do livro "Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Místico Ou Quase

 

Termo básico.

Olhar para o nada sem fazer nada.

Enquanto o mangue invade sem parar.

Onde estamos?

Em nenhum lugar aqui por aí...


Sem ter data.

Aqui quem manda é o dinheiro.

Até baratas de marca está servindo.

Onde estamos?

No meio do deserto de um inferno...


Aqui tudo vale.

Vale até o que não vale que vale.

Novelo de lã pro gato brincar.

Onde estamos?

Guardados amarelados na gaveta...


Em liquidação.

Bem mais barato que o barato.

Garrafas quebradas não são tapetes.

Onde estamos?

No fundo de um poço sem fundo...


Este teu sumiço.

Para tua gaveta foram estas flores.

Pelas costas toda aquela maldade.

Onde estamos?

Num silêncio sem ter cor alguma...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Talvez Fuga

Eu quero fugir sem motivo algum...

Apenas fugir... Sem motivo algum...


Fugir dos nossos pecados... Das nossas alegrias...

Num idiona que só dois entendemos... Mais ninguém...

De um vermelho quase sangue... De um azul lilás...

Que você, meu amor, possa assim descanse em paz...


Eu quero fugir sem motivo algum...

Apenas fugir... Sem motivo algum...


Fugir e sair voando... Eu virei Ícaro...

Não houve nada pra nós... Só o mundo inteiro...

E me arrependo de não me arrepender... Não estou...

Que o destino faça aquilo que ele assim quiser...


Eu quero fugir sem motivo algum...

Apenas fugir... Sem motivo algum...


Fugir me deitamdo sim... O tempo vai me esconder...

Eu nem sei o que era... Talvez fosse amor de verdade...

Mas haviam muros e muros... Eu acabava entorpecido...

Como um velho bêbado mais do que desesperado...


Eu quero fugir sem motivo algum...

Apenas fugir... Sem motivo algum...


Fugir de um mar sem beijos... Maldade dos que viam...

Depois que o tempo foge... Nunca mais saberemos...

Andar por aí é o que temos... Não exsite nada mais...

Mas eu prometo lembrar daquilo que não me lembro...


Eu quero fugir sem motivo algum...

Apenas fugir... Sem motivo algum...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Tou Falando

Tou falando

NInguém sabe. ninguém vê

Todos estão se encegando

Numa quimera que não se vê


Tou gritando

E a apatia é quem nos manda

É lobo outro lobo se devorando

Estamos sós mesmo em banda


Tou me calando

A praça não me adianta meis

Não sabemos até quando será quando

A morte vem vindo depressa lá atrás


Tou me dormindo

Alguém me jurou ter qualquer segurança

E sonho com o meu prédio quase caindo

Ninguém mandou eu ter uma esperança


Tou falando de boca fechada

Meus olhos é que ainda podem falar

Falar sobre tudo ou com quase nada

Um dia vai embora esse meu penar...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Badulaque No Mimaque

 


Pois essa semana eu peidei azul, peidei azul!

Viva o fubaco do Zé Suvaco na manteiga!

Bolinha de meleca também serve pra gude!

Que vá pra puta que pariu, sua cramoninha!

Olha que eu caio de um pé de grama bem alta!

Paca, tatu, mas com a tia nunca e mais não!

Bapo tá morando lá pela esquina do nadinha!

Lembrança boa é de torresmo com calda!

Seu Fulustreco e dona Fulustreca já morreram!

Meu único pecado foi respirar sempre que posso!

Aprendam isso: Nem tudo que sai do rabo é merda!

Vanique é o mais verdadeiro tunda deste beloque!

Vamos ter sopo seca no jantar e creme de régua!

Nosso som é à cores e nossa pobre vista fuleja!

Cuidado que hoje é farofa dos dentes pra mimico!

Lá na Serra do Murururi ninguém mais faz pipi!

Olha o graganumba que tá bem mais fresquinho!

Estou mais calmo que um urso numa biblioteca!

Quem me dera poder dormir feito a besta-fera!

O verdadeiro namorado da faca é sem dúvida o faco!

Tem tudo bem ali bem no castelo Rá-Tim-Bosta!

Ganhei um relógio de plástico que funciona à carvão!

Lá no morro do Sabão não existe mais um leitão!


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).


quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Sobre A Ponte

 


Era verão

E seus dias frios e doentes

Não faço questão

De ter na boca todos dentes

Sou feito um cão

Acho que somos parentes...


Era paixão

Dessas que dói mais que soco

É na escuridão

Que fico gritando feito louco

Tem sim e não

Morrer basta daqui há pouco...


Era percepção

Das que estão nos olhos do cego

Era um clarão

Disputa eterna entre o eu e o ego

Meu coração

Sou malvado e isso não nego...


(Extraído do livro "Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Soluçantes Invenções

Quem me inventou - jogue-me logo fora...

Já engoli tantos jardins que perdi as contas.

Estamos numa estrada mais que solitária

E os nossos nervos de aço estão enferrujados..


Se me agrediu - não peça desculpas...

À moda da casa será sempre à moda da casa.

Nem sempre a beleza é aquilo que pode ser

E todos os espelhos são amigos e inimigos...


Levanto o dedo - esqueci o que ia dizer...

O tempo é apenas um bom e terno canalha.

Em minha triste e sombria casa que desaba

Achei mistérios que não posso nem contar....


Quem é o dono do tênis - coloque logo no pé...

Até a fogueira das vaidades tem os seus limites.

Quanto mais eu sofro vou achando até graça

As feridas sem comportam da mesma maneira...


Toda poesia é como um rato cego - tenha cautela...

Nenhum dia é parecido com nenhum dos outros.

Há muitas teias de aranha pelas nossas paredes

E cada palavra acaba sempre se cansando assim...


Não queremos mais soluçar - isso sempre acontece...

Gostaria de colocar uma capa e sair na madrugada.

Deve existir alguma distante ilha no meio do nada

Onde poderemos descansar os nossos velhos ossos...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Subia Pra Baixo, Descia Pra Cima

Faltam pedras, senhores,

Faltam pedras,

Nem sempre minhas quedas

Causaram dores...


Faltam pedras nestes anéis,

Nem sempre o poema é lembrado,

Cangaceiros, jagunços ou coronéis

Cada um tem seu destino traçado...


Faltam leis, doutores,

Faltam leis,

Assim como falta a minha vez

Pra falar dos meus amores...


Faltam leis neste maundo,

Vez em quando o certo é errado,

Milionário, miserável ou vagabundo,

Na morte todo final é igualado...


Faltam. senhores, ah, se faltam...

terça-feira, 15 de setembro de 2026

O Preço do Fogo

 

O preço médio do remédio é tédio.

A trama da fama é a lama.

Não queremos saber de coisa nenhuma.

Da diferença entre a pedra e a pluma.

Entre o que fica e aquele que vai.

Entre o que sai voando e o que cai.


A sina que me ensina é malina.

O sangue na veia é parede e meia.

Não vou pra nenhum céu em março.

E se me disfarço em pleno cansaço.

Bato palmas e se caio rolando.

Na incerteza atroz do até quando.


A chula tem gula dessa bula.

A parte de Marte é a arte.

Galinha com arroz é o que não temos.

A miséria escorre na parede e não vemos.

Melhor perder a vida que perder a calma.

Enquanto temos o corpo e sobra a alma.


A cicuta é bem astuta nessa truta.

Quem trouxe o doce que fosse.

O pote de margarina amanheceu vazio.

Quanto mais esquenta eu sinto frio.

Vamos lançar diversos e inúteis teoremas.

Enquanto montam sinistros esquemas.


A espada quebrada não é mais nada.

O campeão da decepção tem toda razão.

Temos mais de mil motivos pra chorar.

Mesmo quando o açúcar não amargar.

Frases tolas rendem algum dinheiro.

E de todos os loucos eu sou o primeiro.


Toda fome não tem nome e nos consome.

A vanguarda é de um guarda que guarda.

Rimas internas pra nossos intestinos.

Talvez um entre os nossos muitos destinos.

Os pombos estão plácidos nas praças.

Enquanto arquitemos as nossas trapaças.


Qual o preço do fogo pro jogo?...

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Nudez Segundo J.C.

Meus olhos saltam na nudez da escuridão... Sim! Saltam sim... 

E eu vim saldar a nudez. A nudez sem medo. Sem maldade e sem bondade sequer. Nudez cínica, impetuosa, adoradora de abismos impossíveis e circunstanciais...

Essa nudez é feita de tempo? Talvez sim, talvez não... Sim!

Perdôo teus pecados, esqueço os teus roubos, ignoro tuas tantas traições... Pouco importa a dor por quem clamamos e veio bater na nossa porta... A porta se abriu e antes que alguma palavra sequer fosse dita, um monossílabo apenas, passaste por ele e sem pedir licença, invadiste a velha sala...

Nudez toda tua, nudez algo minha, todas as vezes que assim puder. Sem dias e com muitos deles. Sem horários, desconhecendo as regras mais essenciais. Fonte de alimentos, jardim, jardim, jardim...

Velhos dentes, dentes velhos que ainda servem para roer carnes, correr mundos de curvas perigosas em desertos quase secos ou não tão não...

Língua louca, exploradora de cantos, um anjo que chegou meio que atrasado para a queda, mas assim mesmo acabou conhecendo o seu percurso de volta ao lar incendiado. Gosto louco de uma língua quase desconhecida, mas obediente ao extremo. Vários barcos no mar e inúmeros rios sem sossego...

Eu sou ele, o menino malcriado de óculos que percorreu todos os cantos do mundo em seu quintal. Que tentou brincar sozinho e quase conseguiu. Sem asas, voava. Sem voz seu canto era o maior de todos, o mais imenso... Quase tudo... Quase nada...

Que planos tenho eu para agora? Um sono, um medo, uma vontade pirata de apontar o mapa e ali estar. No meio de todos, no meio de alguns, no meio de poucos notados. Até que chegue a hora, a hora do pelotão, a hora da decisão...

O tempo corre, pessoa, corre e muito. O ontem não tem cópias, saudades são insetos em volta da lâmpada, nosso medo expresso em sombras. Desenhos que não param, param nunca, param jamais...

Outra nudez, mais uma, mais outra, outra também, quem sabe até mais uma? O fogo aceso, a fumaça subindo suavemente com pressa, mais alta que qualquer prédio destes, só não se sabe até quando...

Não se sabe até quando, até que o muro caia, até que a casa se incendeie e o sala seja invadida por todos os que já partiram numa viagem sem mais palavra alguma. Nem uma moeda sobrará, lamento, mas não tenho bolso, senhor...

Lamento, não tenho mais lamento algum. As musas não inspiram mais, a inocência agora é um zumbi que percorre ruas antes não percorridas deixando seus pobres pedaços...

Carpideira sim, la llorona me assombrando mais uma vez, respiro repetido, relógio antigo funcionando em algum canto, até quando? Ninguém sabe, ninguém sei, mal conheci a selva e as nuvens não me importam mais...

Alta velocidade (mesmo que parado), loucura sempre e até um pouco mais. Eu que o diga, eu que o grite, eu que me cale da forma mais insana e obrigatória...

Meus olhos saltam na nudez da escuridão... Sim! Saltam sim... 

Gut-Gut Maneiro V

 


É merreca! É merreca! É merreca!


... Um, dois, três,

Quatro, cinco, seis,

Só mais um tirinho 

Lá na cara do freguês...


É cueca! É cueca! É cueca!


... Um, dois, três,

Quatro, cinco, seis,

Só mais um soquinho

Lá na cara do freguês...


É meleca! É meleca! É meleca!


... Um, dois, três,

Quatro, cinco, seis,

Só mais um chutinho

Lá na cara do freguês...


É careca! É careca! É careca!


... Um, dois, três,

Quatro, cinco, seis,

Só mais um veneninho

Lá na cara do freguês...


É munheca! É munheca! É munheca!


... Um, dois, três,

Quatro, cinco, seis,

Só mais um vinhozinho

Lá na cara do freguês...


É boneca! É boneca! É boneca!


... Um, dois, três,

Quatro, cinco, seis,

Só mais um espinho

Lá na cara do freguês...


É puteca! É puteca! É  puteca!


... Um, dois, três,

Quatro, cinco, seis,

Só mais um solzinho

Lá na cara do freguês...


É loteca! É loteca! É loteca!...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

domingo, 13 de setembro de 2026

Gut-Gut Maneiro IV

 

Três esquilos para um barril de macacos

Uma vida cheia de emendas sem ter roupa

Estou à um quilômetro de minha pessoa...


Laranja com abacaxi cura qualquer mentira...


Ela sempre foi ela sem nunca ter sido ela

Não tenho pix para pagar todos os pecados

Para cada pergunta um belo soco na boca...


Compramos sapatos em todas as nossas horas...


Juro por todos os meus dentes que já partiram

Se não tivesse religião isso já seria até alguma

História em quadrinhos para tais masturbações... 


Cada tatu que viva em seu triplex na Zona Sul...


Só atenda seu celular se estiver vestido pelado

Briga de joaninhas termina em desfecho trágico

Distribuição gratuita de arroz a quem não gosta...


Por feliz coincidência não houve uma coincidência...


Aquele pé-d'água não me deu sequer algum chute

Duas horas são suficientes para cento e vinte minutos

Marimbondos crocantes para nosso café da tarde...


Vou colecionar as pulgas que toquem seus violinos...


Uma cortina velha é aquilo que mais serve de porta

Eu acabei de matar a minha saudade com pauladas

Os pelicanos agora se comunicam só por libras...


As cadeiras possuem pés e as mesas possuem pernas...


Nunca acredite em quem possui apenas dois dentes

Macarrão com marmelada resolve esse desespero

Agora usamos palitos de dente para furar os olhos...


Laranja com abacaxi cura qualquer mentira...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 12 de setembro de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 379 *

Nem sotaques baianos

(Povo, me desculpe...)

Podem trazer de volta

Passados carnavais...


Nem a velha fotografia

(Papel que amarelado)

Pode fazer de moça

O rosto envelhecido...


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Cada pedaço dela me traz saudade. Quem dera guardar pelo menos uns fios de cabelo, aquele cabelo castanho, estrela de tardes escondidas. Ou o gosto daquele beijo que nunca senti na boca, mas senti no rosto nos momentos mais ternos de despedida. Se pudesse, inverteria tudo e fazia do seu atual inferno, um novo e louco céu. Os olhos não seriam mais o que são, só tristeza. Quem me dera...


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O vento...

O vento?

O vento!

Noturnas folhas caídas sopradas sem luto,

Quase silêncio duma dessas madrugadas aí,

Só há um barulho de corações dormindo,

Letargia de uma música que se acabou...

O vento!

O vento?

O vento...


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Letras no mármore, no bronze, no cimento,

Com sua nitidez um tanto rígidas ou embaçadas,

O ser veio com defeito de fábrica (assim todos),

Um bloco de sujo indo para todas as direções,

Alegres, quase tristes e até alguns poetas choraram...


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Coisas comuns, muito comuns até,

Sofrer alguma coisa todos os dias,

Até que os dias não seja nem mais...

Figuras fora de todo o alcance,

O tempo vai desbotando a tinta,

Mastiga uma por uma até não mais...


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- Tem alguma novidade aí?

- Não, eu não tenho... E você?

- Ah, pelo menos tenho uma...

- Qual? Conta logo!

- A novidade é que não tem

Nenhuma novidade hoje... 

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Hoje

E hoje não há mais nada...

Só aquele choro na calçada...


Um dia como um outro qualquer...

O filho pródigo do ontem

E o pai ausente do amanhã...


E hoje não há mais nada...

Só aquela pedra e a topada...


Um dia como um outro qualquer...

A morte que não veio ontem

E talvez chegue mesmo atrasada...


E hoje não há mais nada...

Só o choro que já foi risada...


Um dia como um outro qualquer...

Mais uma fome para ser contida

E mais um vidro para ser quebrado...


E hoje não há mais nada...

Só aquele amor que foi mancada...


Um dia como um outro qualquer...

Alguém chorando na sala de parto

E outro deitado para não levantar...


E hoje não há mais nada...

Só aquele choro na calçada...


(Extraído do livro "Rubianan Decide" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Panis et Putensis

(Não houve tempo com tempo...)!

Deu piolho nas barbas do profeta

Enquanto ele fazia uma motociata

Pelas ruas verdes da cidade azul...


(Passei a navalha em meu pescoço...)!

O ditador mais democrático da terra

Bebeu um barril cheio de coca-cola

Enquanto acariciava seus pentelhos...


(Que falta me faz comer um jornal...)!

Tudo que falei agora jaz apagado

E as minhas letras se tornaram insetos

Voando em torno de lâmpadas mortas...


(A cigarra não fuma mais cigarro...)!

Os javalis valem mais um centavo

Espalhados pelos campos-cidade

Como os mais tresloucados cidadãos...


(Balanço de rede para quem tem sede...)!

Semana sim e numa outra semana idem

Ele quebra todas as leis ainda existentes

E faz sua vida miserável ter quase sentido...


(Na Páscoa devoramos o pobre do coelho...)!

Somos um amontoado de tais paradoxos

Onde a inocência é algo mais que inexistente

E se ele existe o tempo acabará comendo...!


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Beber Até Cair No Chão? Vomitar? (Dura Lex)

Dura lex, sede sex...

No cabelo só Jontex...


Eu me escondo entre jilós e maçãs

Não sei nada de nada sobre as manhãs

Zezito que fique lá com suas arribaçãs...!


Dura lex, sede sex...

No cabelo só merdex...


Titia usava essa sua peruca de plástico

Enquanto eu já vi o primeiro Fantástico

E tudo mais que não havia era dinástico...!


Dura lex, sede sex...

No cabelo só mijex...


Silêncio no funeral para que possa berrar

Estudei tantas vezes só para poder errar

Jogo decisivo da copa e não tem o que narrar...!


Dura lex, sede sex...

No cabelo só porrex...


A vida é um filme de terror de oitava categoria

Feito nas entrelinhas de uma rede social tão vazia

E uns tênis rasgados pisando numa rua triste e fria...!


Dura lex, sede sex...

No cabelo só podrex...


Todo poeta é apenas um miserável rico ou pobre

De nobreza não temos nada que seja apenas nobre

Porque no final a terra vem e finalmente nos cobre...


Dura lex, sede lex...

No cabelo só nadex...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Só O Furuó Tem Arma

Só o furuó tem arma... Tem sim!

Tem cabelo bleckado, quase pixarim!

Dança fulejo no meio do samba,

Dá uma de que é o mais bamba,

Numa pirânhide que vai ser enterrado,

Quase de frente e quase de lado!


Só o furuó tem arma... Tem sim!

Só come coisa boa, quase capim!

Vai no caibaré comer umas puta,

Mija de pé e toma chá de cicuta,

Daqui dois mil anos vai no passeio,

Quase nas pontas e quase no meio!


Só o furuó tem arma... Tem sim!

Vem de perto longe, quase Nanquim!

Usa sandália num pé, no outro também,

Tá muito acima do que é mal e do bem,

Só tomava seu martini com uma cereja

Enquanto os outros iam tomando cerveja!


Só o furuó tem arma... Tem sim!

Sou quase um Yankee, quase tupiniquim!

Usa maquiagem no zóio, na beiça não,

Engorda feito porco e parece um barrão,

O furuó tá cansado e coitado tá demente,

Rancou os bucho dele e não é mais gente!...


Só o furuó tem arma... Tem não!...


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Siga O Bando

Siga o bando

Qu'eu mando!

Até quando?

Vá esperando...


Até quando não poder mais,

Até cessarem as ondas do cais,

Até a guerra implorar a paz...


Siga o bando

Qu'eu mando!

Até quando?

Vá manerando...


Até quando caírem os dentes,

Até as mãos estarem dormentes,

Até dar remédio aos pacientes...


Siga o bando

Qu'eu mando!

Até quando?

Vá implorando...


Até que o tesão esteja acabado,

Até eu rir porque estou errado,

Até eu notar que estou acordado...


Siga o bando

Qu'eu mando!

Até quando?

Vá delirando...


Até eu pular nessa tal ribanceira,

Até eu acabar com essa tremedeira,

Até eu sair dessa vã pasmaceira...


Siga o bando

Qu'eu mando!

Até quando?

Vá pensando...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Nenhum de Nenhum

Nenhum é de nenhum O choro alheio não diz nada Quem vai cair que caia Mesmo do alto da escada O teu dinheiro o teu A fome alheia não é a tua...