quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Com Máscara

Em muitos lares milhares de tragédias gregas.

Em cada telefonema a preocupação ou a banalidade.

O fogo foi descoberto quase anteontem na esquina.

Só não mataram o cara porque não era a hora dele.

Você já contou quantas rugas tem na sua cara?

A satifação abre as pernas para qualquer mortal.

O que mais engana é o nome de todas as coisas.

Garantimos que nessa merda não há garantia alguma.

A certeza é a coisa mais incerta que inventaram.

Notou que tirar meleca do nariz virou mais um ritual?

Ficaremos embriagados quando não houver álcool.

Só nasce um filho-da-puta em cada minuto existente.

Estou precisando urgentemente de um novo par de asas.

A esperança é uma invenção nova que não resultou.

Em que ruínas estarão agora aqueles meus velhos sonhos?

Meus pulmões doem quando vejo antigas propagandas.

Tenho saudades de várias casas que não existem mais.

Junto coisas anormais para compor minha anormalidade.

No passado não distinguia entre as pedras e os metais.

Por que o óbvio nos incomoda de uma forma debochada?

A nossa imparcialidade está parcialmente machucada.

Ganhamos dores em uma promoção de belos presentes.

Qualquer faltalidade vem embrulhada em papel colorido.

Somos convidados para um balé e acabaram as nozes.

Em muitos lares milhares de traições iguais à Judas...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Sem Máscara

 


Ratos por todos os cantos da velha casa.

Procurando a comida que nem não existe.

Não escolhemos nem o nome para essa nossa infelicidade...

A coceira é o resto da dor que veio logo.

A cara da puta é a mais inocente que há.

Se atirar do alto da escada é a nossa maior brincadeira...

Todos nós somos os advogados do Diabo.

O perdão é aquilo que carregamos no bolso.

A morte é quem vence todas as disputas que temos por aí...

Tentar ser bom é o maior dos desperdícios.

A justiça é um cão que abana sempre a cauda.

Conhece-te a ti mesmo e assim verás quem é mais perigoso...

Temos entrada grátis para toda esta futilidade.

Ficando fora da geladeira acabou-se o sonho.

Toda a normalidade é um filme pornográfico não exibido...

A regra da sensatez é ser mais canalha que pode.

O rico e o pobre cagam do mesmo jeito sempre.

Só possuímos aquilo que iremos perder logo e sempre...

Água suja e água limpa: todas as duas são águas.

O tamanho da bunda é aquilo que decide o chute.

Milhões de borboletas estão procurando seus cadáveres...

Falar de boca fechada é sempre o que é melhor.

Cada mês apresenta suas desgraças com gosto.

Nem todas as coisas belas possuem a beleza exata...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 377 *

Nada está no seu lugar, o cantor cantou errado, certamente embriagado em seu piano. Quem quiser agradecer por isso, agradeça, eu não. Tento fechar meus olhos para um sol que apenas veio conferir se sofro, depois de uma noite medíocre como tantas outras que já vivi... 


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Não tenhamos medo, nunca. Abismos existem para serem superados. Mares bravios para serem navegados. Sombrios enigmas para serem desvendados. Amores traiçoeiros para serem amansados. Abraços ternos para serem dados. Caminhos longos para serem caminhados. Nunca tenhamos medo, não...


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Foi um monte de coisas que não fiz, não aprendi como fazer. Seria muito bom andar de bicicleta, mas se não consegui, contento-me com aquelas duas rodas que existem no céu - o sol e a lua. Seria ótimo saber jogar gude, mas se não aprendi, basta pelo menos dar certas jogadas e conseguir vencer alguma coisa nesse mundo de armadilhas. Ótimo deve ser fazer acrobacias com a pipa pelo ar, mas como não sei, uso as asas da imaginação e vou voar perto delas. Há,enfim, muitas outras coisas simples, que não aprendi e nunca irei aprender. Mas sonhar com elas, é muito fácil, muito fácil mesmo...


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Eu comeria... Cada pedacinho do sol até não sobrar mais nada... É tão bom... Não tem o gosto aguado de tristes dias de chuva que mais se parecem com choros... Seu açúcar me lembra alguns carnavais tão bons que já passaram... Ele convida pássaros e nuvens para comporem uma aquarela bem suave de cores bem claras... Os meninos podem sair de casa e fazerem do quintal um mundo tão divertido... Os amantes poderiam ir para as praças darem seus suspiros mais apaixonados tendo a visão dos olhos de suas amadas... Eu comeria... Cada pedacinho do sol até não sobrar mais nada...


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Tudo que passou, passou. A moda é um grande cemitério de corpos sepultados em absoluto silêncio como qualquer outro. Não tenhamos medo... Esses são mortos diferentes. Poderão nos trazer saudades olhando velhas fotografias ou ainda, simples lembranças repetinas. Nada mais nos resta, tudo é assim mesmo, passa e nem se despede...


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Certos perigos passamos e, como a maioria deles, só notamos quando é tarde demais. A queda do alto nos arremessa ao chão, o mergulho mal dado acaba nos afogando, a canção cantada fora do tom recebe vaias da plateia, a cor escolhida errada tira a beleza da obra, o sucesso mal  utilizado nos conduz ao fracasso. Mas mesmo assim continuaremos, errando ou não.


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Cada dia uma ilusão, um erro bonito bem açucarado. O luto com cores que atenuam a dor. Um conselho terno para seguirmos ao tombo sem quem nos levante. Cada dia uma farsa, valores opostos ao que deveria pelo menos ser. Enquanto isso a morte continua sua tarefa, mesmo quando forçada por abomináveis guerras...

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 376 *

Por que esperar o que não virá? A esperança é um dom ou um vício, depende de quem a tenha... Por que amar quem não nos ama? O amor tem dessas maldades, nos contentar e, ao mesmo tempo nos ferir... Por que sonharmos se amanhã acordaremos? Muitas vezes os pesadelos são aquilo que são, nem percebemos... Algumas vezes, mesmo sem nos darmos conta disso, o medo nos acompanha por todos os lugares...


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- Faz tempo que eu não choro...

- Secaram todas as lágrimas ou aprendeu a ser somente feliz?

- Aí que está, estou em dúvida...

- Já sofreu muito nesta vida ao ponto de se insensibilizar?

- Sou um cara normal. Quem nunca passou por isso?

Só sei de uma coisa: Faz tempo que eu não choro...


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Cada pedaço de mim segue adiante. Mesmo que não perceba, assim é. Não falo de pedaços do meu pobre corpo, ele terá a hora de sua consumação final. Também não me refiro aos pedaços de minha alma infeliz, os pedaços que vão, na verdade, não me fazem tanta falta assim. Falo de outra coisa, coisa que me fere ainda mais e mais, falo das lembranças de seres e de coisas que eu amei um dia. Seguiram adiante sem sequer um adeus...


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Se não puder se calar, fale o menos possível que conseguir. Das sombras que te seguem pela vida, trazendo o medo e a decepção. Da dor da derrota por tanta banalidade, somos feitos de pequenos contentamentos e de grandes decepções. Da maldade de todos os homens, somos alguns deles e também cometemos as nossas com o perdão já pronto. Tente sim, o máximo possível, mesmo que isso canse a tua voz, falar de coisas simples, as mais simples possíveis como o encanto de um jardim ou da brincadeira serena das nuvens lá em cima...


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Faz parte de nós mentirmos, dizermos que está tudo bem enquanto nada está. Encenarmos uma peça ou fazermos uma novela com um final feliz que não acontecerá. Dizermos que tudo é uma grande festa, mas o luto que cobre nossos dias. Na verdade, levamos toda nossa curta existência tentando aprender a mais difícil de todas as lições - a felicidade não nos pertence, mas podemos pegar os momentos felizes e guardá-los em nossos bolsos...


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Tudo acaba confundindo nosso juízo. Tudo o que acontece parece acontecer diante de um espelho. São duas faces parecidas, mas opostas. Aquilo que fazemos tem perdão, aquilo que nos fazem nunca será perdoado. A ferida que temos não será fechada, a que causamos deverá ter pronta cura. É por isso que somos humanos, os seres mais deploráveis desta tal de criação...


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Tenho certas manias, para que negar? Aprendi a dar socos em pedras, sou cheio da falsa esperança que uma hora elas quebrem... Aprendi geralmente a amar quem não me ame, isso faz parte de minha natureza que teima em me castigar por aquilo que nem fiz... Aprendi a esperar por certas estações que acabarão não vindo, nem sempre o sol quer nos obedecer... Aprendi a querer contar os dias, aflito para o próximo carnaval, ele poderá chegar atrasado ou se perder pelo caminho... Tenho certas manias, para que negar?

domingo, 16 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 375 *

Com açúcar, sem café,

Com perguntas, sem fé,

A vida é aquilo que é...


Com amor, sem razão,

Com canto, sem afinação,

Todo sonho é ilusão...



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Não quero falar dos que já foram. Nem das alegrias ou das tristezas que me deram. Todos já foram, simplesmente isso. Para onde? Isso eu não sei, isso ninguém sabe afinal. A morte é a última pergunta para ser respondida. Se alguém responder, não haverá quem ouça a resposta...


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A velhice não é uma tragédia, nunca foi. Tragédias acontecem com poucos. A velhice só acontece com quem acontece. Alguns novos vão na frente (isto é triste), mas fez parte do destino desses. Há muitos sóis esperando para vir e eu pretendo ainda ver alguns deles...


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Quem corria, agora está parado. O rebelde de ontem, tenta hoje ser o burguês. A beleza não dura para sempre, só a alma permanece. Quem gritava, hoje engole o silêncio. O rádio enguiçou, a música parou de tocar. Tudo se parece no fim...


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Mesmo ferindo minhas mãos, tentarei. Tentarei plantar flores para que o jardim não permaneça abandonado. Mesmo cansando meus pés, caminharei. Caminharei pela estrada que é minha até que não dê em nada. Isso é apenas um detalhe...


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Quando olho no espelho, choro. Às vezes tento evitar isso, não consigo. Todos nós temos um quê de masoquista. Isso é apenas natural. Quando olho para o dia, tenho medo. Nunca saberemos o que ele nos trará, alegrias ou tragédias. Nada no destino, depende diretamente de nós. Quando olho na noite, me dá mais medo ainda. Mas mesmo assim tento que ela me console, o sono venha logo...


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Se eu a amasse ou se ela me amasse, tudo seria tão diferente... Aconteceriam coisas que nunca aconteceram. Muitas rosas dariam no jardim que nunca plantamos, talvez alguns de nossos filhos correriam por entre as roseiras. Apesar de algum choro, haveriam mais risos do que os que realmente tivemos... Mas ela não me amou e nem eu a amei mais...

My Poetry I

Poesia barata... Afogada em uma multidão...

De um bissexualismo estético sem pedir perdão...

De uma cabeça louca sem ter nenhuma noção...


Carnaval fodido... Que foi embora saiu correndo...

De uma contagem de minutos que estará morrendo...

De um ódio surdo que só está assim crescendo...


Sim senhor meu capitão... Não tenha pena de eu não...

Cada milagre que existe vale bem menos que um pão...

Quanto mais tento ser honesto sou apenas ladrão...


Foi um show legal... Sem os pés fazendo sapateado...

Ou com tanta da roupa e só andando na rua pelado...

As coxinhas na vitrine e os olhos da fome do tarado...


Cerveja está choca... Que porra acaba sendo maldição...

Os meus osssos acabam sendo tal os ossos do barão...

Pegou fogo na noite ou pegou foi nesse nosso balão...


Metrificar?... Essa porra é pra aquele que isso sabe...

Vamos subir no alto do prédio rezando pra que desabe...

Vamos pular dentro da fogueira antes que ela acabe...


São muitas pulgas... Mas apenas o pobre de um cão...

O rico também é um miserável que morre de inanição...

Só dançaremos xaxado viajando num belo de um avião...


Poesia barata... Eu sozinho em uma multidão...

De um neocanibalismo estético sem pedir perdão...

De uma cabeça louca sem ter nenhuma estação...

Poema Em Extinção


O poema é bicho em extinção...


Os caçadores malvados chegaram

Mesmo fora da temporada de caça

Com suas armas de canos reluzentes

E seus dólares em contas milionárias

Para poder matá-lo...


O poema é bicho em extinção...


A mídia veio com seu sorriso amarelo

Transformá-lo num monstro tentacular

Provido de uma mais falsa empatia

Para engolir todas as suas vítimas

Sem nem colocar sal...


O poema é bicho em extinção...


Faremos milhares de poetas medíocres

Dentro de uma cultura(?) nanica e suja

Apenas para isso bastanto um celular

Algum crédito e uma rede social maligna

Para o bem do capitalismo...


O poema é bicho em extinção...


Os clássicos agora estão aposentados

Os modernistas já viraram caretas

Os românticos perderam seu açúcar

E os rebeldes de preocupam com o pix

A poesia se enterrou viva...


O poema é bicho em extinção...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 15 de agosto de 2026

O Que Eu Procurava e Ainda Não Encontrei ou Um Poema Quase Qualquer de Desespero

Sento-me numa pedra na beira do caminho

Como um deus triste ou um grão de poeira


Não sei bem ao certo pois a mente gira e gira

Como carrosséis antigos e sem música alguma

Em algum parque de diversões agora abandonado


Choro como um viúvo que afinal nunca casou

Tal qual um menino e sua flor morta na mão


Estou drogado por este vício mal de querer viver

E achar que vencer é alguma coisa que assim valha

Pois a tempestade chega e acaba nos levando tudo


Lembro dos brinquedos que não terei nunca mais

E que me esperam assim mesmo na alma desgastada


Tudo é tão facil de se esquecer exceto as tais mágoas

Essas sim transformaram-se em estranhas feridas

Que acabamos cultivando como se num velho jardim


Faço planos impossíveis para que todos eles falhem

Mas a minha teimosia me consome igual a um virús


Erro de propósito para obedecer a minha natureza

Como quem lê um pobre jornal de cabeça para baixo

Ando até evitando de ver tanta coisa errada que existe


Nunca mais farei perguntas com medo das respostas

Minha curiosidade mata aquele gato que serei eu


Uma boa poesia é feita somente de versos improváveis

Como a nascente de um rio que começa de um nada

E que leva tudo embora ate sua extinção em mar eterno


Eu procurava um amor e mesmo acabando não encontrei

Como o condenado que será executado e pede um cigarro...


(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 374 *

Já estamos no Paraíso

Mas nem sabemos...

Um Paraíso de rosas caladas

De nuvens desenhadas

De areias deslumbradas

De tranças bem cuidadas

De crianças desembestadas

De pazes declaradas...

Já estamos no Paraíso

Mas nem sabemos...


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Mar absoluto em que me encontro,

Dias e noites são todos iguais,

Serenos e tempestuosos assim,

Como eram todos os meus carnavais...


Vento que vai ventando lá fora,

As anomalias são tão normais,

A morte vem e nos leva à força,

Por esses destinos tão normais...


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Todas as nuvens que já vi

Sejam bem vindas em minh'alma

Permaneçam por lá e não caiam

Deixem as chuvas para outros tempos...


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O vidro pensava que era diamante

O diamante jurava que era vidro

Enquanto o espelho olhava os dois

E sonhava seus sonhos intensos...


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Tudo é tão relativo, tudo mesmo

Não fui eu que me escolhi

E nem apontei todos os segundos

Ninguém escolhe qual o seu caminho

Só sabemos que por ele andaremos

Tudo é tão relativo, tudo mesmo...


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Eu sei flores

Nem que todas não

Sinto saudades das pássaro

Que davam por um aí qualquer...


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Quando certas datas fazem chorar

E outras nos fazem sorrir ou até rir

Os carnavais são um exemplo

Rimos tanto até chorarmos...

Carliniana CXXX (Antes Que Tudo Vire O Que É)

Antes que tudo vire o que é

E os dias da semana briguem entre si

Por não saberem quem é quem...


Não façamos mais esse nosso tempo

Mais escasso do que sempre foi

Viver não apenas ter ou ser

A felicidade só depende de nós mesmos...


Antes que tudo vire o que é

E as rugas cheguem cansadas de viagem

E nem o espelho possa mais nos enganar...


Tenhamos mais cuidado com sonhos

Alguns podem ser armadilhas mortais

Que embaralhem todos os nossos conceitos

E assim perdemos enquanto nós ganhamos...


Antes que tudo vire o que é

Um carnaval que passou sem saudades

Uma joia falsa que parecia com ouro...


Estamos em um labirinto desconhecido

Onde não há fio algum para nos orientar

Há muitas e muitas máscaras por aí

Mas nenhuma delas pode nos esconder...


Antes que tudo vire o que é

E os meus sábados virem domingos

Onde exista alguma tristeza e desespero...

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O Desejo (Miniconto)

Todo mundo quer ganhar a corrida, mesmo quando ela não exista. Ser o campeão de um campeonato que não aconteceu. Ninguém quer perder, até certas perdas são ganhos. Quer ser o herói do dia, ainda que o dia não tenha aventura alguma. Vamos descer as cataratas num barril? Ou descobrir a cura da doença que nunca existiu? Quero colocar os pés na superfície do sol! Todo mundo, enfim deseja algo, mesmo que falte a lâmpada e o gênio esteja de férias... 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Providências Avessas

 


Nunca se sabe que se sabe que se sabe

Teus grandes pequenos olhos de academias

Trago-lhe doces do mais puro sal chinês

Mando os caretas engolirem em seco aguado

É tão linda ela quando se veste com nudez

Perdoe-me pelo crime hediondo de amar

É que eu só confio naquilo que desconfio

As facas que usamos anteontem fora embora

Nunca mais falaremos do que não falamos

As peças do rádio já ficaram radioativas

Faço mágicas e também hiatos virarem ditongos

É meia poção de lagosta para um meio rico

O principal meio de estar no meio é meio-dia

Satan bebe coca-cola sem dar arroto sequer

O celular faz caretas do mais puro cansaço

Vamos comer um x-nada está até muito bom

Os porcos usam agora belos colares de pérolas

Cada frase dita tem o tamanho deste mundo

A cultura dos tolos acaba sofrendo de úlcera

O cara falava uma língua que ele não entendia

O abcesso foi o maior sucesso na rede social

Melões e melancias são a minha abominação

A cachaça dela veio bem antes da maconha

A Sociedade Alternativa agora está alternada

Operei minhas asas para poder aumentá-las

É um grande perigo que não tenha perigo algum

A mentira também tem mãe e ela é uma puta

Minha má-educação só depende da lua vazia

Tudo se torna obsceno enquanto ainda o é

A metrópole é só uma sósia malfeita da selva

Quem souber qual o segredo de tudo conte logo

Nossa única providência é não providenciar nada...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

POESIA GRÁFICA XCVIII *

 

Fenômeno social

               insocial

            antisocial

                normal

      quase normal

              anormal


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ÍNDIGO BLUE, ÍNDIGO BLUE, 

ÍNDIGO NU, ÍNDIGO NU,

ÍNDIGO BOOM, ÍNDIGO BOOM

ÍNDIGO AZUL, ÍNDIGO AZUL


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Razões para morrer:

Deixar de correr,

Deixar de escorrer,

Deixar de conter,

Deixar de comer,

Deixar de viver...


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LAGO TRAGO VAGO

MANGA TANGA MIÇANGA

TRANÇA MANSA DANÇA

TRILHO BRILHO FILHO

ESPADA ESTADA ESTRADA

VALOR ANDOR ARDOR


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Chorou Bebel

Chorou no céu

Chorou quartel

Chorou anel

Chorou pastel

Chorou Babel


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A linha de pesca não é pesca

Quem faz o gol é a bola

Ninguém prende ninguém no jogo de xadrez

A Flora nem sempre tem flor

Benvindo nem sempre é


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TATUAGEM

TATULAGEM

TATUBAGEM

TATUCAGEM

TATUPAJEM

TATUVAGEM

TATUVIAGEM

TATUMARGEM

TATURAGEM

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Com A Palavra A Palavra

As palavras ferem, matam, salvam...

São nossas companheiras, nos deixam sozinhas..

São pássaros azuis que um dia alguém sonhou...

São restos de comida deixados no prato...

São a roda-gigante que parou de rodar...


As palavras perguntam, se calam, respondem...

São nossos pesadelos, embalam nosso sono...

São a queda do abismo necessária para voar...

São o carro veloz que entrou na contramão...

São lembranças queridas que tentamos evitar...


As palavras são mares, os rios, desertos...

São a nossa libido, acabam com nosso tesão...

São a fera que nos perseguem em plena selva...

São o descanso merecido do velho guerreiro...

São o mudo discursando para todos os povos...


As palavras são meretrizes, santas, mães-de-família...

São a mentira lavada em águas mais turvas...

São a verdade que não possui piedade de nós...

São o ganha-pão de todas as nossas carpideiras...

São o dedo silencioso correndo pela tela do aparelho...


As palavras são sábias, a simples rotina, a loucura...

São a roupa velha e lavada extendida no varal...

São o sol desenhado no chão pedindo tempo bom...

São os passos na areia que o vento apagou...


As palavras são açoites, nadas, beijos na boca...

São os pingos de chuva que agradam ou não...

São os enigmas que querem ser decifrados...

São o nocaute do lutador mais invencível que há...


As palavras, as palavras, as palavras e as palavras...

Nem sempre estão nas bocas, nos ouvidos, nas paredes...

Mas estão sempre nos olhos, isso estão mesmo...

Alguns Poemetos Sem Nome N° 373 *

Ela não entende minha poesia

Eu me perco nos olhos dela...

Ela quer ganhar o mundo inteiro

Eu não tenho nem migalhas para dar...

Ela tem medo do amanhã

Eu acabei perdendo o medo da escuridão...

Ela quer rir o tempo todo

Eu já acostumei a chorar quase sempre...

Ela continua sendo ela mesma

Eu nem mais sei quem fui sou ou serei...


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Goze antes que o sono se acabe

Antes que as manhãs nos ataquem

E os soldados saiam das trincheiras

Fale antes que os peixes vão ao mar

E eu comece a falar em língua estranha

O menino irá de uma vez para a rua

E a miserável conhecerá a riqueza...


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Fartamente eu me farto de certas coisas

E talvez vire até um sujeito comum

Desses que disfarçam não estarem na rua

Que tentam a morte de longe se aproximando

Que nunca tentam dar ao menos bom dia

E se fazem vítimas de uma sociedade nula

Vamos ser alguma coisa que talvez preste

Mesmo que nossa tentativa acabe falhando

Fartamente eu me farto de certas coisas

Só não me fartarei de mais novos carnavais...


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A carpideira irá rir por mim...

Não quero que ela chore... Não!

O coveiro vai ter preguiça...

Me deixe em qualquer canto... Por aí!

Um domingo ou outro me basta...

É que eu tenho medo... Muito medo!


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É tudo um xis... É tudo um xis...

Nunca saberemos se iremos viver...

Estar morto enquanto vivo é fácil...

Mas não saberemos o vice-versa...

Voar entre as nuvens caladas...

Como pássaros em tarefas solenes...

Tentar ler enigmas em epitáfios...

É tudo um xis... É tudo um xis...


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O vento fazia teu rosto ficar magnifíco

Fechando os olhos, esvoançando os cabelos

O tempo acabava me trazendo lembranças

Daquilo que eu queria e afinal não tive

Me ajude a revolver as cinzas que restaram

Deste cadáver que outrora foi uma fogueira

E possa acender alguma coisa que aconteça...


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Eu lanço mão de todas as minhas armas

Que são apenas palavras (palavras tão vãs)

E com elas faço uma nova litania 

Eu jogo as pedras que consigo na água

Para que as ondas surjam (vivas quase)

E como elas me socorro do acidente

Eu alço vôo por imensidões desconhecidas

Sem ter propósito algum (não preciso)

Escolhendo o abismo que irei cair...

domingo, 9 de agosto de 2026

Pedindo Água

Na hora que acontecer está acontecido

(Nem posso escolher as palavras que falo)

Minhas mágoas me perseguem como moscas

E a minha arquitetura não vale uma moeda

Nem consigo dormir de tanta preocupação

A mídia acaba dando um tiro no próprio pé

Duvido que alguém faça mais sandices que eu

É só me dar um lápis que saio riscando paredes

Banheiros sujos de bares nos ensinam coisas

Quero ser libertino para ir em todos os bairros

Certos autógrafos servem para limpar a bunda

Não sou obrigado a gostar de qualquer música

A simplicidade gosta de andar nos labirintos

Meus sobrenomes são os mais comuns que têm

Para escrever poesia não se precisa de motivo

Para apagar uma estrela basta dar um sopro

Vila Nova nem sempre é de Gaya e está bom

Dançaremos sobre os escombros dos gigantes

Já fumei mais de uma folha de caderno hoje

Guarde suas desculpas para a próxima vítima

Nos esgotos também existem alguns riachos

Minhas bandeiras estão escritas: desespero

Agora os fantasmas acabam usando a internet

A antiguidade agora é tão veloz quanto o futuro

Coçar as orelhas com o nariz é bem mais fácil

As manias acabam usando sempre auto-falante

Misturemos todas as cores em uma cor somente

Na hora que acontecer está acontecido

(Nem posso escolher os gritos que dou)...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 8 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 372 *

 


É que pedimos água em altos brados

Nossa insensatez é quase sensata

Toda riqueza tem mais de mil olhos

Mas o concerto de piano foi legal

Quem sabe um dia eu me encontro?


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A necessidade dispensa explicações

Gritos de guerra são sempre assim

Toda desonestidade bate palmas

Meu medo é um grande artífice

A laranja ficou ruborizada de tesão

Vendiam-se sardinhas na praça

Tudo é tão comum como era antes...


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Na hora que aconteceu

Eu nem estava falando...

Foi o vento quase malvado...

Não me deram bombons...

O mingau acabou de vez...

A velhice é um fardo...

As fotografias morrem...

E tudo amarela de vez...


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Nunca esquecerei das duas

Naquela tarde-noite lá longe

Músicas no som antigo

E todo tempo era antigo até

Estarão por aí ainda?

Toda dúvida é triste também

Nunca esquecerei dos dois...


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Escrever até não poder mais,

Até os olhos falharem,

As mãos tremerem em excesso,

A mente não querer mais nada,

A fantasia esquecer-se de mim,

O sentimento estar falido,

A técnica rir da minha cara,

Os versos desapacerem,

Mas até lá, ir teimando...


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Já me cansei de cafés pequenos

De indecisões apenas rotineiras

Lembranças mais duvidosas

Meu tempo (todo tempo) é pouco

Voar sob alguns belos riachos

É o que mais me importa agora...


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Sou como os finais de festa

Balões que caíram pelas noites

Fogueiras debaixo de chuvas

Talvez me importe talvez não

De esquecer virgúlas e pontos

Quero apenas poder assoviar

Como nunca antes pude fazer...

O Gato e O Peixe

 

Decrepitude. Forçados dias.

Estamos em estados indelicados.

Não há problemas. Somos eles.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Arranjos escondidos. Talvez nada.

De médico só somos os loucos.

Covardia coletiva. Apenas sustos.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Biscoito quebrado. Ilusão de fama.

O vento vem nos açoitar hoje.

A última vitória. Rasgamos tudo.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Banco digital. New war política.

Fake news de goela abaixo.

O medo capitalista. Só de cuecas.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Circo sem pulgas. A feira presa.

Conspirações que são belas.

Vulgaridade óbvia. Amor banal.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Tipicamente atípico. Faroeste nulo.

Modestamente sou tão modesto.

A genética é o óbvio. Morre o símbolo.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


Primogênito caçula. Acordeon plástica.

A ginástica agora está cansada.

O pigarro dos trovões. A neve me queimou.

O gato e o peixe. Quem comerá quem?


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida). 

Com Máscara

Em muitos lares milhares de tragédias gregas. Em cada telefonema a preocupação ou a banalidade. O fogo foi descoberto quase anteontem na esq...