Por que esperar o que não virá? A esperança é um dom ou um vício, depende de quem a tenha... Por que amar quem não nos ama? O amor tem dessas maldades, nos contentar e, ao mesmo tempo nos ferir... Por que sonharmos se amanhã acordaremos? Muitas vezes os pesadelos são aquilo que são, nem percebemos... Algumas vezes, mesmo sem nos darmos conta disso, o medo nos acompanha por todos os lugares...
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- Faz tempo que eu não choro...
- Secaram todas as lágrimas ou aprendeu a ser somente feliz?
- Aí que está, estou em dúvida...
- Já sofreu muito nesta vida ao ponto de se insensibilizar?
- Sou um cara normal. Quem nunca passou por isso?
Só sei de uma coisa: Faz tempo que eu não choro...
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Cada pedaço de mim segue adiante. Mesmo que não perceba, assim é. Não falo de pedaços do meu pobre corpo, ele terá a hora de sua consumação final. Também não me refiro aos pedaços de minha alma infeliz, os pedaços que vão, na verdade, não me fazem tanta falta assim. Falo de outra coisa, coisa que me fere ainda mais e mais, falo das lembranças de seres e de coisas que eu amei um dia. Seguiram adiante sem sequer um adeus...
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Se não puder se calar, fale o menos possível que conseguir. Das sombras que te seguem pela vida, trazendo o medo e a decepção. Da dor da derrota por tanta banalidade, somos feitos de pequenos contentamentos e de grandes decepções. Da maldade de todos os homens, somos alguns deles e também cometemos as nossas com o perdão já pronto. Tente sim, o máximo possível, mesmo que isso canse a tua voz, falar de coisas simples, as mais simples possíveis como o encanto de um jardim ou da brincadeira serena das nuvens lá em cima...
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Faz parte de nós mentirmos, dizermos que está tudo bem enquanto nada está. Encenarmos uma peça ou fazermos uma novela com um final feliz que não acontecerá. Dizermos que tudo é uma grande festa, mas o luto que cobre nossos dias. Na verdade, levamos toda nossa curta existência tentando aprender a mais difícil de todas as lições - a felicidade não nos pertence, mas podemos pegar os momentos felizes e guardá-los em nossos bolsos...
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Tudo acaba confundindo nosso juízo. Tudo o que acontece parece acontecer diante de um espelho. São duas faces parecidas, mas opostas. Aquilo que fazemos tem perdão, aquilo que nos fazem nunca será perdoado. A ferida que temos não será fechada, a que causamos deverá ter pronta cura. É por isso que somos humanos, os seres mais deploráveis desta tal de criação...
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Tenho certas manias, para que negar? Aprendi a dar socos em pedras, sou cheio da falsa esperança que uma hora elas quebrem... Aprendi geralmente a amar quem não me ame, isso faz parte de minha natureza que teima em me castigar por aquilo que nem fiz... Aprendi a esperar por certas estações que acabarão não vindo, nem sempre o sol quer nos obedecer... Aprendi a querer contar os dias, aflito para o próximo carnaval, ele poderá chegar atrasado ou se perder pelo caminho... Tenho certas manias, para que negar?

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