Sem a quase insolitez de velas acesas
Ando em rios de nuvens com cores inventadas
(Gostaria que fossem de rios de água mesmo
Mas eles hoje estão em falta no mercado...)
Minha alma é uma ave que não sabe voar
E que insiste em orações nunca ouvidas
(Haverão ídolos de barro e gesso caindo
De cima de altares sem altura alguma...)
Passo noturnamente por todas encruzilhadas
Sentindo o medo que me persegue sempre
(Talvez o meu maior medo seja eu mesmo
Mas quando descobrir isso talvez seja tarde...)
Faço carnavais fora de hora ou fora de dia
Com antigas fantasias que agora encontrei
(Só não precisarei de colocar máscara alguma
Neste circo eu sou mais que um palhaço...)
Quando vejo alguns comerciais antigos
Tudo em volta treme de uma pura saudade
(O carro antigo foi sem destino correto
Passear entre flores antes nunca plantadas...)
Entre os dentes que hoje me fazem falta
Aos cabelos que o tempo tornou brancos
(Ainda continua tudo da mesma forma
Assim como o sol todos os dias vive...)...

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