segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Da Natureza das Almas

 

Sem a quase insolitez de velas acesas

Ando em rios de nuvens com cores inventadas

(Gostaria que fossem de rios de água mesmo

Mas eles hoje estão em falta no mercado...)


Minha alma é uma ave que não sabe voar

E que insiste em orações nunca ouvidas

(Haverão ídolos de barro e gesso caindo

De cima de altares sem altura alguma...)


Passo noturnamente por todas encruzilhadas

Sentindo o medo que me persegue sempre

(Talvez o meu maior medo seja eu mesmo

Mas quando descobrir isso talvez seja tarde...)


Faço carnavais fora de hora ou fora de dia

Com antigas fantasias que agora encontrei

(Só não precisarei de colocar máscara alguma

Neste circo eu sou mais que um palhaço...)


Quando vejo alguns comerciais antigos

Tudo em volta treme de uma pura saudade

(O carro antigo foi sem destino correto

Passear entre flores antes nunca plantadas...)


Entre os dentes que hoje me fazem falta

Aos cabelos que o tempo tornou brancos

(Ainda continua tudo da mesma forma

Assim como o sol todos os dias vive...)...

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