Na última dança:
Poderemos fazer rendas de nuvens
Igual aranhas fazendo teias,
Engoliremos algumas manhãs
Como um sol mais risonho,
Contaremos todas as ondas
Que o mar puder nos oferecer...
Na última dança:
Gritaremos bem alto pelas praças
Para podermos assustar generais,
Repartiremos o nosso pão
Como quem improvisa uma ceia,
Dançaremos uma nova ciranda
Improvisando qualquer carnaval...
Na última dança:
Enfeitarei esses teus cabelos
Com todas as flores que o mundo tem,
Beberemos todas as águas possíveis
Pois nossas veias são como rios,
Ensaiaremos cada um dos passos
Como que anda por todas as terras...
Na última dança:
Eu chamarei o que me protege
Para me levar daqui com suas asas,
Dispensarei qualquer medo
Para atravessar a última porta
E talvez espere a próxima dança...
(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Nenhum comentário:
Postar um comentário