quinta-feira, 30 de julho de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 369 *

Há um poeta louco na praça

Mesmo com loucuras quase normais

E também quase normais também...

Há um sol diferente e quase igual

Iluminando as plantas (teimosas)

Que resistem mesmo que em vão...

Há uma fileira de passos na areia

Ou será naquela terra amarela

Que serve para jogos e passos...

Há um Poeta Louco na praça

Mesmo com a alma sem poesia

E apenas mais alguns enganos...


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Na última vez foi como a última dose

(Desceu queimando pela pobre garganta)

Há tantos eles e elas que sumiram

(Não sabemos se foi por ali ou por lá)

No último canto foi como fosse um grito

(Tantas notas dissonantes que passaram)

Parecia mesmo como uma brasa viva

(Que coloquei na mão de propósito)

Na última água acabei me afogando

(Façanha para algumas simples gotas)

Não precisam pesquisar quais águas

(Lágrimas são conhecidas por todos)...


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As vaias é que foram unânimes...

Mesmo assim minha teimosia teimosa...

Nunca me culparei pelos meus erros...

Coisas demais acabam atrapalhando...

Coisas de menos nem podemos ver...

As estrelas nem por isso param de brilhar...

As vaias é que foram unânimes...


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Nunca procure a beleza em velhos poemas

O tempo acaba levando (até a beleza se vai)

Procure algum resto de sentimento lá

Os sentimentos sim permanecem sempre

E tantos os choros quanto os risos

Acabam repetindo sua mesma tarefa...


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Não ficarão cinzas de mim, não ficarão

Ficarão os restos silenciosos de meus ossos

Brancos e gélidos como todos os outros

Fogueiras extintas de uma noite que passou

Não ficarão cinzas de mim, não ficarão

Serão mais um detalhe desapercebido

De algum canto por aí que será qualquer

Bem mais tranquilos que meu medo agora

Não ficarão cinzas de mim, não ficarão...


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Meu cão dorme no canto da cama

A tranquilidade do dia não o assusta

Meus cigarros malvados vão queimando

Tento contar os segundos que escorrem

Assim como as palavras que não disse...


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Palmas para as pequenas invenções

Que são pequenas e algumas imortais...

Palmas para quem também as inventou...

Palmas para os sorrisos que saem

Mesmo em ruas que são tão comuns...

Sorrisos sem maldade sempre criança...

Palmas para os passos de eterna dança

Que fazem a máquina da alma funcionar...

Até as almas precisam de combustível...

Palmas e palmas e muitas palmas...


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E eu nem notei o quão estava ferido...

A televisão não está mais na sala

E a minha sobrevivência gritou bem mais...

E eu nem notei o quanto estava magoado...

Certas feridas nem são mais notadas

Até que o meu sangue acabe esfriando...

O barco um dia não navegará mais...

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 368 *

Eram todas as Marias

ou eram todas as Marys?...


Nunca se sabe

mesmo que se saiba

A dúvida de longe

(bem daqui de perto)

Qual cheiro bom

que nunca mais volta...


Eram todas as Marias

ou eram todas as Marys...


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Parece nome de novela.

E até é que é.

Parecida com assombração.

Das que dão até soluço.

Vamos pular?

Se não cair

É que não cai mesmo.

Mas se voar

Vai logo lá pra cima.

Parece nome de novela.

E não é que é?


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É que eu guardo enigmas no bolso

Feito as poucas moedinhas que tenho...

Vou andando na rua passo por passo

E até vou rezando pra nem cair...

É que eu coloco aqui no peito

Os amores que nem consegui amar...

Tenho muito ou algum medo

Que tudo se acabe num estalo de dedo...

É que eu guardava enigmas no bolso

Mas as moedinhas foram caindo...


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Não inventarei mais invenções tolas

Nem vou mais reverenciar amores perdidos

O fogo foi descoberto faz é tempo

A roda foi mais do que anteonte

Não dançarei mais na chuva pra não cair

Nem farei juras que não possa cumprir

O chinês é quem fez essa tal de pólvora

Contar palavras pode ser meio difícil...


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Ela tava feliz porque tava feliz

Com esses seus sapatos novos

E como o velho enfeite de cabelo...

Ele tava feliz porque tava feliz

Porque deu um chute na bola

E fez o gol no meio dessa rua...

Eu tava feliz porque tava feliz

Sem ter mais motivo nenhum

Por ver que a felicidade não precisa disso...


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Eu gasto meu tempo por pura lógica...

O ontem foi fruta madura do pé,

Caiu? Ah, que pena! Não serve mais...

Vamos agarrar o hoje, menino?

Se não pegar, acaba virando ontem...

Eu gasto meu tempo por pura lógica...

Quem me ensinou isso? Foi o tempo...


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Temo mais manhãs do que tempestades...

Muitas coisas nasceram para enganar...

As manhãs enganam e enganam demais...

São apenas histórias boas sem ter final...

Aquela frase ficou suspensa pelo ar...

Uma sentença foi dita e ninguém escutou...

Que tempo estava previsto e não aconteceu?

terça-feira, 28 de julho de 2026

Um Tempo


Um tempo que faz tempo

Um tempo aqui e um tempo lá

Tempo de paz e tempo de guerra

Tempo de ri e tempo desamar...


Não sei onde pararam as tuas tranças

Eram bonitas e trazem lembranças

A luz que traz e o vento que traz

Minha inquietação e a minha paz...


Um tempo que faz tempo

Um tempo aqui e um tempo lá

Não sei quem trouxe esse meu doce

Era tão doce chega a amargar...


Não sei onde foi parar a tua boca

Mas que lembrança mais que louca

Só sei que agora eu me desespero

E mesmo sem te esperar eu espero...


Um tempo que faz tempo

Um tempo aqui e um tempo lá

O nosso copo mesmo que vazio

Vamos erguer e vamos brindar...


Não sei onde foi parar a minh'alma

Só permaneceu esta minha velha calma

Como uma velha ruína que não some

Apesar de tanta tristeza e tanta fome...


Um tempo que faz tempo

Um tempo aqui e um tempo lá

Um tempo que tem tanto tempo

Que não dá nem para se contar...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Apenas Janela


Apenas um triste quadrilátero na parede

Onde alguma luminosidade invade

Mais um quarto desse velho solitário

Olhem! O sol vem chegando aos poucos

Mas não promete se alegria virá também...


Vejam! O tempo corre em sombras

E suas novidades só chegam escondidas...


Sons múltiplos chegam da rua

Por mais extraordinários que aparentem ser

São apenas mais alguns sons banais

E enquantos os veículos passam metálicos

Cada um anda para o seu próprio final...


Não! Eu sou apenas mais um vão sobrevivente

Que dança sem saber quais os seus passos...


Escondo todos os meus males de mim mesmo

Com a avareza típica dos desesperados

Enquanto alguns pássaros estão indiferentes

Mas servem para enfeitar o ar que está em torno

E os insetos vão cumprindo suas tarefas...


Ondas vêm vindo! Os barcos nem se importam

Eles sabem seu destino e nunca saberemos os nossos...


Apenas um triste quadrilátero na parede

Onde alguma treva mais tarde chegará

Mais um quarto desse velho solitário

Olhem! As estrelas vêm me dar boa-noite

Mas não esperam se eu irei responder...

Alguns Poemetos Sem Nome N° 367 *

 

Acabei de inventar agorinha mesmo:

Não é nenhum poemeto, é um poemico...

Algo tão pequeno que caiba na mão

E ao mesmo tempo maior que o espaço,

Mais velho que o próprio tempo...

Quantos versos ele tem? Sei lá...

Poetas não sabem quase nada, 

Apenas sabem sentir e sentir,

As palavras é que mandam sempre...


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Sinto falta, muita falta sim,

De velhos rostos que foram embora...

E dos amores que nunca tive?

Partiram e deixaram espinho em mim...

Tudo é o que é, simples nuvens,

Daquelas que acabaram caindo...

Sinto falta, muita falta sim,

Do velho menino que fui e sorria...


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Meus pés acabam fraquejando,

Eu sei que a culpa não é deles,

Foi esse malvado tempo viciado em andar...

Qualquer dia eu caio de vez,

Não conseguirei me levantar mais...

Nesse dia eu pego minhas asas de volta...


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Cantar é um nobre ofício,

Tocar um instrumento também,

Dançar é algo divino, eu sei...

Mas escutar é mais, muito mais...

Escutar com os olhos

Para que a alma possa entender...


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Aprofundei-me na arte de ser teimoso.

Pretendo viver cada segundo meu.

Se bom ou mal, isto é outra história.

Calado ou berrando, isto tanto faz.

Na escuridão ou no meio do fogo, simples opção.

Talvez até fique contando lendas antigas.

Carrego apenas uma verdade comigo:

Eu ainda amo a menina bonita que era...


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Meu pior inimigo? Eu mesmo...

Meu pior desacerto? Respirar...


Aquele amor que nunca existiu

Me trouxe medos imaginários

Que um dia hão de me matar...


Aquele choro que escutei

Mesmo sem barulho algum

Hão de me deixar doente de vez...


Meu maior erro? Essa estética louca...

Meu pior veneno? A esperança teimosa...


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Pelas manhãs,

Quase nunca as de setembro,

Mas as manhãs,

Faço perguntas 

Sem querer as respostas...

Ora, a curiosidade

Não tem tamanho,

Mas o gato permanece vivo...

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Avis Rara XXXIII (Exército de Memórias)

Una explosão de estrelas...

É o que temos, não mais...

Eu me firo pelas vinte e cinco horas do dia...

Todos vestimos uniformes...

Assistimos comerciais, sinhô...

Acordar em ereção sem saber no meio da noite...

Todos os desenhos sumiram...

Faço perguntas mais óbvias...

As paredes dos banheiros são os reais painéis...

Minhas mãos agora tremem...

Sua quase submissão agrada...

A louça espera com calma ser lavada na pia...

Os patos andam na sua dança...

Não vi mais agulhas sem ponta...

É tudo aquilo que deveria ter feito e não fiz...

O velho maluco chegou agora...

O velho safado ainda é beberrão...

A poesia me faz carícias que nunca terminam...

O meu primeiro boné desapareceu...

Aquele terninho tão lindo também...

O meu medo obsessivo de escadas ainda continua...

Não escuto o galo como antes...

Até as cigarras sumiram daqui...

Cada passo era para subir o morro inúmeros vezes...

Um segundo apenas para que mude...

O tempo é que sabe despetalar a rosa...

Nesse teatro só existem atores que são amadores...

As marionetes também existem...

E até as sombras sabem caminhar...

Quase tive um amor, isso foi quase ontem agora...

Acabou aquele nosso estoque...

Há várias formas de ensinar...

Mas já aprender é um tanto mais que difícil...

Estamos cada dia mais desacertando...

E nem contamos esses nossos erros...

Apenas temos em nós um exército de memórias...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Avis Rara XXXII (Dissonância Cognitiva)

O perfume que a Crystal usava em outros times

Mesmo quando cheirando à cloro bem forte...

Qualquer coqueleteira fica mais chique

E um rabo-de-arraia acaba enfeitando...

Ele come aquele sushi de garfo-e-faca...

Palito meus dentes nesta jazz-band...

Os seus olhos são do tamanho certo

Para desespero de alguns fregueses...

As penas do pavão caíram todas...

Eu sou apenas mais um feiticeiro

Que tecla com algum desses vapores...

Tudo é a mais pura das ficções...

Ela vai se casar no próximo século...

O coelho faz a barba com vegetais

Enquanto as maçãs gritam nos leilões...

A casa é minha enquanto ela for...

Estudos cínicos estão na nova moda...

Quero ficar nu em cadeia nacional

E acender velas nas palmas das mãos...

Qualquer complexo é meio complicado

Assim como sanduíche de pão com pão...

Por ironia do destino não há destino...

Cobras e lagartas são o nosso menu de hoje...

Nosso garden queimou era bem de tarde

E lá na vila os jovens brincavam na fogueira...

Metais e tatus se combinam muito bem...

A pimenta do cantor agora não arde mais...

Servirão doses de capilé no Mac Ronald's...

A porrada sempre come no baile do pier

E não faltam aplausos para tal façanha...

Prefiro botas de cano longo do que sem canos...

Viver muito é quase o oposto de viver pouco...

Aquela psicografia acabou numa boa pizza

Só que faltou um bom bife para seu término...

Meu celular reclamou seus direitos autorais...

Não sei se em cabelos castanhos dão castanhas

Mas a cabeça dele vive no meio de minhas pernas...

Meu karma é dançar maxixe em um trem cheio

Gritando as novas de um mais falso evangelho...

A largatixa nunca mais irá me largar de vez

Enquanto meus sustos forem os mais prementes...

Eu ranco sangue dos meus toda vez que choro

E dona Geny faz bolinhos com seu trigo velho...

O importante é que se tenha alguma importância

Mesmo sendo proprietário de biscoitos velhos...

Toda a imoralidade do mundo cabe em um olhar...

Um aquário sem água é mesmo assim aquário

Mas um deserto sem seca não é mais deserto...

O perfume que a Crystal usava em outros times

Mesmo quando cheirando à  cloro bem forte...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades de autoria de Carlinhos de Almeida). 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Roupa Rasgada

Bebendo café sem açúcar

Fumando cigarros caseiros

Olhando o dia que se mata

Toda surpresa nos assusta...

Esqueci a senha...

Perdi meu lugar na fila...

Comendo o pão sem Diabo

Mosquitos chatos voando

Toda fantasia vale algo

Mesmo que não saiba o que...

Sem ter razão...

Rindo e chorando sempre...

Queimei minha pobre pele

Aquela febre aumentou

Deve ser um novo vírus

Que agora é a nova onda...

Desfile sem público...

Águas de março em abril...

Imitando alguma carpideira

Com um nome bem estranho

Apenas de uma vogal apenas

Hoje há festa no cemitério...

Todos vão na padaria...

Discutir questões filosóficas...

Meia hora é bem mais de trinta

Todos sabem disso e nem sabem

Passamos com um prato na mão

Enquanto nos jogam as moedas...

Somos amigos sem ter fé...

Há um cheiro de cadilac pelo ar...

Ele tem várias funções e nenhuma

Mesmo quando de nada sabemos

E o que interessa é não interessar

Espadas pelo ar em trêmulas mãos...

Gotículas de água no ar...

Resoluções como se soluços...

Na sombra do dia amparei choros

Pequenos poemas sem ter forma

Meu pobre estômago é um vazio

Um novo idioma está inventado...

Essa roupa está rasgada...

E a linha toda está acabada...

Not Paradise

Agora teremos relógios atômicos desnecessários

Pois a precisão caiu no chão feito um balão

E aquele doidivanas gritava com todas as letras...

À ferro e à fogo... À ferro e à fogo...


Os anjos servem café em bordéis suecos em Milão

Pois a exaustão veio na mão junto ao tufão

E o cara se atirou do andar térreo para as Marianas...

Conhaque de mel... Conhaque de mel...


A marcha continua porque pelos dias há miseráveis

Pois um pão vale um milhão para a multidão

E a nudez dela é mais moralista do que um hábito...

Churrasco grego... Churrasco grego...


A alma é a propaganda de qualquer um negócio

Pois a escuridão cessa a visão desta estação

E os mísseis se parecem com modernos brinquedos..

Tiroteio na favela... Tiroteio na favela...


Um sol virá cansado, mas mesmo assim vai vir

O destino diz não, mas a razão faz questão

Que as palavras sejam que nem certas fagulhas...

Not paradise... Not paradise...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 18 de julho de 2026

Fraqueza de Cada Um de Nós


Coisas comuns é o que nos cercam,

Gostaria de tomar um café, mas não há...

Geralmente eu perambulo pelos dias frios

E nem consigo divisar onde está o sol...

Algum bacurau deve ter passado por aqui

Aproveitando que as férias já chegaram...


Dúvidas atrozes acabam corroendo,

Bem mais do que estes grandes enigmas...

Saboreio cada palavra que pode haver,

Mesmo quando neste céu sem ter boca...

Quero apenas mais um pouco do tempo,

Até quando minha urbanidade assim nega...


Às vezes me sinto um desenho animado antigo,

Um daqueles decalques colados na geladeira...

Fui testemunha ocular de certas festas mortas,

Andava na roda-gigante dos parques na praia...

Quem me dera que encontrasse as minhas asas,

Mas ainda existem muitos abismos por aí...


De cada quatro ações, cinco estão mais erradas,

Só as pedras sabem contar direito suas histórias...

No meio desta matilha, eu me sinto mais seguro,

Principalmente quando uivamos pelas imensidões...

Não repare, por favor, esta minha roupa rasgada,

O choro é mais ainda, mas este é obrigatório...


Vamos caçar mais alguns ventos mesmo que distantes,

As ondas do mar, também serão muito bem vindas...

O cara caiu no meio da multidão que ia protestando,

Mas tudo não passou de mais que um mero detalhe...

Um simples estalar de dedos, um passe de mágica,

Toda a história vai ser recontada com um final feliz...

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Muito Sal

 


Muito sal, muito igual, muito mal.

Não sabemos de onde viemos, porque nascemos, porque morremos. É tudo um samba-enredo mal ensaiado, que nos dá medo, caso encerrado...

Muito sal, muito cabal, muito anormal.

Não queremos o que comemos, mas comemos, é tudo o que temos. É tudo uma lição que não se aprende, só o sonho insiste e não se rende...

Muito sal, muito legal, muito boçal.

Não espera a nossa espera, apenas desespera essa quimera, sem primavera. Nossos pés estão doendo, nada mais estamos vendo, fico quase cego e não nego...

Muito sal, muito geral, muito global.

Não se mata, nem se morre, apenas é o herói que corre. Nossa alegria, valentia ou covardia, estamos no escuro, atrás do muro, acenda logo o dia...

Muito sal, muito mingau, muito canal.

Não há dança, só há esperança, que algo alcança, não mais criança. Fazemos rima, abaixo ou acima, quase nada prima, às vezes desanima, mas é que tem, quando vem...

Muito sal, muito animal, sem carnaval...

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Labirinto Sem Voltas

 

Nada demais,

Só a biologia cumprindo seu papel,

O que somos - mais um enigma barato,

Mais um conjunto de planos falhos,

Eis a respiração de várias poeiras,

Nem se sabe o que deveria acontecer...


Nada demais,

Fotografia inerte de alguma lápide,

Samba-enredo em forma de epitáfio,

Comédia que faltou todas as risadas,

Um reino vago sem rei e sem súditos,

Uma pergunta pra não ser respondida...


Nada demais,

Quarto vazio que a poeira invadiu,

Prato quebrado esperando a comida,

Bunda de fora que quase ninguém notou,

Realidade baseada em fatos irreais...


Nada demais,

A ida pela contramão quase sempre,

Dias de chuva pra quem ia passear,

O gás acabou logo na hora da janta,

Eu acabei esquecendo qual o meu nome,

A internet caiu na hora que precisava...


Nada demais,

A mosca estava dentro do copo e brindamos,

Todo feriado acaba vindo com sua tristeza,

Há muitas coroas de lata coroando por aí,

Estrelas de cinema vindo do céu aos montes,

Um grande vazio pode estar cheio de nada...


Nada demais,

Piratas que possuem alergia ao oceano,

Canalhas ajeitando o nó da gravata sorrindo,

Distribuição de peixe podre pelo candidato,

A baiana do acarajé caprichou no óleo de soja,

Só consigo dormir quando estou acordado...


Nada demais... Nada demais...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Faça Um Poema

Faça um poema

Do teu problema

Fora do esquema...


Palavra dita. Laço de fita.

Dança antiga. Mão inimiga.

Velho retrato. Vinho barato.

Cigarro aceso. Soltem o preso.


Faça um poema

Quase cinema

Um velho dilema...


Pão dormido. Oitavo sentido.

Festa na rua. Carne crua.

Barulho mudo. Pedra de veludo.

Liquidação cara. Vulgaridade rara.


Faça um poema

Sem um emblema

Com qualquer tema...


Palavrão chinês. Bala da vez.

Mamoeiro atômico. Jabuti icônico.

Mocinha feia. Castelo de aveia.

Bordel moralista. Crime na pista.


Faça um poema

Sem teorema

Tire a algema...


Faça um poema...


(Extraído do livro "´Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 11 de julho de 2026

A Ponte, A Ponte, A Ponte


Nesse velório teremos que ir

Gostando ou não gostando,

Não iremos ao menos cair

E nem iremos chorando...


Os outros chorarão por nós,

Um choro falso ou verdadeiro,

Gritando ou sem ter voz,

Para sempre ou derradeiro...


Não nos cansaremos novamente,

Seremos apenas carregados,

Tanto o covarde quanto o valente,

Todos os ricos e os desgraçados...


Este que roubou todo o mundo

Ou aquele que não roubou nada,

O trabalhador ou o vagabundo,

Aquela que amou ou foi amada...


Todos atravessaremos a ponte,

Queiramos ou queiramos não,

Por mais que o destino apronte,

Um dia chega a nossa eaxustão...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Reflexões Irrefletidas

Quero apenas o perfume mais caro que houver.

Todo violino é mudo até que chegue um arco.

Nada é mais difícil do que a tal facilidade.

Amanhã certamente não vão chover morangos...


O último velório que irei certamente será o meu.

Todo meio-dia acaba sendo cortado bem no meio.

A nudez dela acaba me dando calafrios de tesão.

Inventaremos um novo idioma sem ter palavras...


Nossa fama não consegue chegar nem na esquina.

Meus óculos estão cansados da mesma rotina suja.

Quando beber é bom que comece logo pelo começo.

Alguns dos seus pelos pubianos não assustam mais...


Todas as minhas ideias estão espalhadas pelo chão.

Tristemente eu ainda gosto destas modas de viola.

Eu sou de um tempo que ainda havia tempo pra tudo.

E rasgar seda poderia ser também uma outra coisa...


Vamos nos divertir fazendo dinossauros de papel.

Geralmente só poderemos gritar se for na geral.

Tantos foram embora e ainda há tantos por aqui.

O único preconceito que tenho é contra os mesmos...


Toda vez que sonho com águas penso em escadas.

A minha imaginação ainda sabe muito bem galopar.

É que eu sou mais um influencer destes por aqui.

O bobo da corte deu mais um corte no baralho...


Eu nem sei mais aquilo que prefiro ou não prefiro.

Há muitas noites que não são caladas e gritam.

Cada verso é um corte de lâmina em minha carne.

O inimigo do meu inimigo pode ser meu inimigo...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

 

Sopa Quente

Sopa quente para dias mais quentes ainda. Milhares de tranças na memória do meu PC. Eu amo as palavras e elas tanto me odeiam. É cada ginást...