Nunca se sabe que se sabe que se sabe
Teus grandes pequenos olhos de academias
Trago-lhe doces do mais puro sal chinês
Mando os caretas engolirem em seco aguado
É tão linda ela quando se veste com nudez
Perdoe-me pelo crime hediondo de amar
É que eu só confio naquilo que desconfio
As facas que usamos anteontem fora embora
Nunca mais falaremos do que não falamos
As peças do rádio já ficaram radioativas
Faço mágicas e também hiatos virarem ditongos
É meia poção de lagosta para um meio rico
O principal meio de estar no meio é meio-dia
Satan bebe coca-cola sem dar arroto sequer
O celular faz caretas do mais puro cansaço
Vamos comer um x-nada está até muito bom
Os porcos usam agora belos colares de pérolas
Cada frase dita tem o tamanho deste mundo
A cultura dos tolos acaba sofrendo de úlcera
O cara falava uma língua que ele não entendia
O abcesso foi o maior sucesso na rede social
Melões e melancias são a minha abominação
A cachaça dela veio bem antes da maconha
A Sociedade Alternativa agora está alternada
Operei minhas asas para poder aumentá-las
É um grande perigo que não tenha perigo algum
A mentira também tem mãe e ela é uma puta
Minha má-educação só depende da lua vazia
Tudo se torna obsceno enquanto ainda o é
A metrópole é só uma sósia malfeita da selva
Quem souber qual o segredo de tudo conte logo
Nossa única providência é não providenciar nada...
(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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