quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Providências Avessas

 


Nunca se sabe que se sabe que se sabe

Teus grandes pequenos olhos de academias

Trago-lhe doces do mais puro sal chinês

Mando os caretas engolirem em seco aguado

É tão linda ela quando se veste com nudez

Perdoe-me pelo crime hediondo de amar

É que eu só confio naquilo que desconfio

As facas que usamos anteontem fora embora

Nunca mais falaremos do que não falamos

As peças do rádio já ficaram radioativas

Faço mágicas e também hiatos virarem ditongos

É meia poção de lagosta para um meio rico

O principal meio de estar no meio é meio-dia

Satan bebe coca-cola sem dar arroto sequer

O celular faz caretas do mais puro cansaço

Vamos comer um x-nada está até muito bom

Os porcos usam agora belos colares de pérolas

Cada frase dita tem o tamanho deste mundo

A cultura dos tolos acaba sofrendo de úlcera

O cara falava uma língua que ele não entendia

O abcesso foi o maior sucesso na rede social

Melões e melancias são a minha abominação

A cachaça dela veio bem antes da maconha

A Sociedade Alternativa agora está alternada

Operei minhas asas para poder aumentá-las

É um grande perigo que não tenha perigo algum

A mentira também tem mãe e ela é uma puta

Minha má-educação só depende da lua vazia

Tudo se torna obsceno enquanto ainda o é

A metrópole é só uma sósia malfeita da selva

Quem souber qual o segredo de tudo conte logo

Nossa única providência é não providenciar nada...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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