sábado, 15 de agosto de 2026

O Que Eu Procurava e Ainda Não Encontrei ou Um Poema Quase Qualquer de Desespero

Sento-me numa pedra na beira do caminho

Como um deus triste ou um grão de poeira


Não sei bem ao certo pois a mente gira e gira

Como carrosséis antigos e sem música alguma

Em algum parque de diversões agora abandonado


Choro como um viúvo que afinal nunca casou

Tal qual um menino e sua flor morta na mão


Estou drogado por este vício mal de querer viver

E achar que vencer é alguma coisa que assim valha

Pois a tempestade chega e acaba nos levando tudo


Lembro dos brinquedos que não terei nunca mais

E que me esperam assim mesmo na alma desgastada


Tudo é tão facil de se esquecer exceto as tais mágoas

Essas sim transformaram-se em estranhas feridas

Que acabamos cultivando como se num velho jardim


Faço planos impossíveis para que todos eles falhem

Mas a minha teimosia me consome igual a um virús


Erro de propósito para obedecer a minha natureza

Como quem lê um pobre jornal de cabeça para baixo

Ando até evitando de ver tanta coisa errada que existe


Nunca mais farei perguntas com medo das respostas

Minha curiosidade mata aquele gato que serei eu


Uma boa poesia é feita somente de versos improváveis

Como a nascente de um rio que começa de um nada

E que leva tudo embora ate sua extinção em mar eterno


Eu procurava um amor e mesmo acabando não encontrei

Como o condenado que será executado e pede um cigarro...


(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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