Sento-me numa pedra na beira do caminho
Como um deus triste ou um grão de poeira
Não sei bem ao certo pois a mente gira e gira
Como carrosséis antigos e sem música alguma
Em algum parque de diversões agora abandonado
Choro como um viúvo que afinal nunca casou
Tal qual um menino e sua flor morta na mão
Estou drogado por este vício mal de querer viver
E achar que vencer é alguma coisa que assim valha
Pois a tempestade chega e acaba nos levando tudo
Lembro dos brinquedos que não terei nunca mais
E que me esperam assim mesmo na alma desgastada
Tudo é tão facil de se esquecer exceto as tais mágoas
Essas sim transformaram-se em estranhas feridas
Que acabamos cultivando como se num velho jardim
Faço planos impossíveis para que todos eles falhem
Mas a minha teimosia me consome igual a um virús
Erro de propósito para obedecer a minha natureza
Como quem lê um pobre jornal de cabeça para baixo
Ando até evitando de ver tanta coisa errada que existe
Nunca mais farei perguntas com medo das respostas
Minha curiosidade mata aquele gato que serei eu
Uma boa poesia é feita somente de versos improváveis
Como a nascente de um rio que começa de um nada
E que leva tudo embora ate sua extinção em mar eterno
Eu procurava um amor e mesmo acabando não encontrei
Como o condenado que será executado e pede um cigarro...
(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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