domingo, 23 de agosto de 2026

Aquela Franja

Não precisa fazer mais o que quero

Já provei framboesa do pé e tem gosto ruim

Toda novidade para mim é apenas desagrado

Se ofendi alguém o problema nunca foi meu


Seria legal um tango tocando bem alto

Acordando o resto da putada que faço parte

Para previnir que a morte faz hora extra

Mas nunca deixa seus rastros na areia da praia


Sou um velho como qualquer um destes

Chorando pelas injustiças que nunca acabarão

Desde que o primeiro sangue correu nas veias

Deus e o Diabo caem na porrada e aplaudimos


O jardim sabe cobrar aquele preço bem alto

Pisar sobre as flores é uma tarefa mais banal

Uma sacanagem é apenas mais uma sacanagem

E o perdão só existe para aquele que pecou


Os abutres são os papagaios dos new pirates

Enquantos urubus são estes bichos de gaiola

E as aranhas não param de fazer suas teias

Um segundo de desespero nos é o suficiente


A minha calma é a irmã da minha revolta

O tempo em que eu era alguma coisa passou

Minha viagem não acabou em lugar nenhum

E aquela franja que você tinha não existe mais...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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