Não precisa fazer mais o que quero
Já provei framboesa do pé e tem gosto ruim
Toda novidade para mim é apenas desagrado
Se ofendi alguém o problema nunca foi meu
Seria legal um tango tocando bem alto
Acordando o resto da putada que faço parte
Para previnir que a morte faz hora extra
Mas nunca deixa seus rastros na areia da praia
Sou um velho como qualquer um destes
Chorando pelas injustiças que nunca acabarão
Desde que o primeiro sangue correu nas veias
Deus e o Diabo caem na porrada e aplaudimos
O jardim sabe cobrar aquele preço bem alto
Pisar sobre as flores é uma tarefa mais banal
Uma sacanagem é apenas mais uma sacanagem
E o perdão só existe para aquele que pecou
Os abutres são os papagaios dos new pirates
Enquantos urubus são estes bichos de gaiola
E as aranhas não param de fazer suas teias
Um segundo de desespero nos é o suficiente
A minha calma é a irmã da minha revolta
O tempo em que eu era alguma coisa passou
Minha viagem não acabou em lugar nenhum
E aquela franja que você tinha não existe mais...
(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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