terça-feira, 18 de agosto de 2026

Alguns Poemetos Sem Nome N° 377 *

Nada está no seu lugar, o cantor cantou errado, certamente embriagado em seu piano. Quem quiser agradecer por isso, agradeça, eu não. Tento fechar meus olhos para um sol que apenas veio conferir se sofro, depois de uma noite medíocre como tantas outras que já vivi... 


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Não tenhamos medo, nunca. Abismos existem para serem superados. Mares bravios para serem navegados. Sombrios enigmas para serem desvendados. Amores traiçoeiros para serem amansados. Abraços ternos para serem dados. Caminhos longos para serem caminhados. Nunca tenhamos medo, não...


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Foi um monte de coisas que não fiz, não aprendi como fazer. Seria muito bom andar de bicicleta, mas se não consegui, contento-me com aquelas duas rodas que existem no céu - o sol e a lua. Seria ótimo saber jogar gude, mas se não aprendi, basta pelo menos dar certas jogadas e conseguir vencer alguma coisa nesse mundo de armadilhas. Ótimo deve ser fazer acrobacias com a pipa pelo ar, mas como não sei, uso as asas da imaginação e vou voar perto delas. Há,enfim, muitas outras coisas simples, que não aprendi e nunca irei aprender. Mas sonhar com elas, é muito fácil, muito fácil mesmo...


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Eu comeria... Cada pedacinho do sol até não sobrar mais nada... É tão bom... Não tem o gosto aguado de tristes dias de chuva que mais se parecem com choros... Seu açúcar me lembra alguns carnavais tão bons que já passaram... Ele convida pássaros e nuvens para comporem uma aquarela bem suave de cores bem claras... Os meninos podem sair de casa e fazerem do quintal um mundo tão divertido... Os amantes poderiam ir para as praças darem seus suspiros mais apaixonados tendo a visão dos olhos de suas amadas... Eu comeria... Cada pedacinho do sol até não sobrar mais nada...


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Tudo que passou, passou. A moda é um grande cemitério de corpos sepultados em absoluto silêncio como qualquer outro. Não tenhamos medo... Esses são mortos diferentes. Poderão nos trazer saudades olhando velhas fotografias ou ainda, simples lembranças repetinas. Nada mais nos resta, tudo é assim mesmo, passa e nem se despede...


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Certos perigos passamos e, como a maioria deles, só notamos quando é tarde demais. A queda do alto nos arremessa ao chão, o mergulho mal dado acaba nos afogando, a canção cantada fora do tom recebe vaias da plateia, a cor escolhida errada tira a beleza da obra, o sucesso mal  utilizado nos conduz ao fracasso. Mas mesmo assim continuaremos, errando ou não.


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Cada dia uma ilusão, um erro bonito bem açucarado. O luto com cores que atenuam a dor. Um conselho terno para seguirmos ao tombo sem quem nos levante. Cada dia uma farsa, valores opostos ao que deveria pelo menos ser. Enquanto isso a morte continua sua tarefa, mesmo quando forçada por abomináveis guerras...

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