sábado, 22 de agosto de 2026

Carliniana CXXXI ( Como Se Fosse Poesia )

Como se fosse poesia...

Detalhes de um mundo banal assim

Lobos almoçando e jantando lobos

Num ritual disfarçado de normalidade

E todas fotografias revelam o oposto...


Como se fosse poesia...

E bailarinos enlouquecidos berram

Para que a música volte ao normal

Enquanto toda a fatalidade funciona

Como um disco quebrado na vitrola...


Como se fosse poesia...

Quem é famoso vai tremendo de medo

Porque o esquecimento bebe veneno

Para provar a cruel e real imortalidade

De passos que nunca mais serão dados...


Como se fosse poesia...

Eis o martírio dos que são mais tolos

Por mais um punhado de moedas velhas

Provido de uma morbidez saudável

Composta de palavras equivocadas...


Como se fosse poesia...

O engano mais bem planejado que há

Porque só há verdade no que está solto

As nuvens continuam mesmo desabando

Enquanto a fumaça morre por lá mesmo...


Como se fosse poesia...

Façamos um brinde com copos de areia

Lembrando de um tempo sem ter tempo

Com coisas mais estranhas e mais comuns

Onde a inocência é que dava as cartas...


Como se fosse poesia...

Playlist de todos os infalíveis que falharam

Estes célebres desconhecidos iguais à mim

Todos nós pensávamos que seria tão fácil

Como se tudo o que existe fosse poesia...

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