Em muitos lares milhares de tragédias gregas.
Em cada telefonema a preocupação ou a banalidade.
O fogo foi descoberto quase anteontem na esquina.
Só não mataram o cara porque não era a hora dele.
Você já contou quantas rugas tem na sua cara?
A satifação abre as pernas para qualquer mortal.
O que mais engana é o nome de todas as coisas.
Garantimos que nessa merda não há garantia alguma.
A certeza é a coisa mais incerta que inventaram.
Notou que tirar meleca do nariz virou mais um ritual?
Ficaremos embriagados quando não houver álcool.
Só nasce um filho-da-puta em cada minuto existente.
Estou precisando urgentemente de um novo par de asas.
A esperança é uma invenção nova que não resultou.
Em que ruínas estarão agora aqueles meus velhos sonhos?
Meus pulmões doem quando vejo antigas propagandas.
Tenho saudades de várias casas que não existem mais.
Junto coisas anormais para compor minha anormalidade.
No passado não distinguia entre as pedras e os metais.
Por que o óbvio nos incomoda de uma forma debochada?
A nossa imparcialidade está parcialmente machucada.
Ganhamos dores em uma promoção de belos presentes.
Qualquer faltalidade vem embrulhada em papel colorido.
Somos convidados para um balé e acabaram as nozes.
Em muitos lares milhares de traições iguais à Judas...
(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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