Sob o mesmo teto,
Sob o mesmo frio,
Sob o mesmo desafeto,
A mesma falta de brio
Vamos sofrer sem fazer alarde,
Não importa se seja cedo ou tarde,
Se faltou comida, se a casa desabou,
Se trocaram a rima, o poeta errou
Sob o mesmo teto,
Sob o mesmo vazio,
Sob o mesmo direto,
Agora chegou o cio
Vamos rezar para um deus nenhum,
Vamos parar de beber e ficar bebum,
Se aconteceu briga, a família acabou,
Se não sou nada, nem sei que eu sou
Sob o mesmo teto,
Sob o mesmo vadio,
Sob o mesmo concreto,
Não sei se choro ou rio...
(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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