domingo, 31 de agosto de 2014

Las Piedras

Coelhos e ratos são bem parecidos
E há sussurros e há também gemidos
Uma vela acesa bem no escuro
Pode decifrar todo o seu futuro
E pode não ser aquilo que você queria
São os faróis cansados do meio dia
São tatuagens em desenhos cabalísticos
E ainda vários sintomas característicos
Amantes e amores são similares
E fogos queimados estalam nos ares
E há histórias e contos contados
Já foram filmados os bem-amados
Estou no auge da minha besteira
E quero ser moda de qualquer maneira
Eu grito e choro e lamento e esbravejo
Minha sorte de periquito de realejo
O bandido pode fazer suas boas ações
Estamos saindo da sintonia das estações
O rock tocou em acordes mais exatos
Os dramas de família são mais baratos
Convidei os leões para jantar lá em casa
A fogueira se apagou restou uma brasa
Conto nos dedos minhas preocupações
Haverão apenas mais alguns dos verões
Um mistura exata de skate e de filosofia
Eu despertei bem mais do que esse dia
A poeira entra pelas portas e pelas janelas
Grandes o suficiente para brincar com elas
Não sei tocar nenhum destes instrumentos
Mas alquimizo com destreza os elementos
Eram dias eram dias nos falou o menino
E à cada um será dado em mãos seu destino
O copo tremeu cheio nas mãos do velho
Está sendo reescrito o mais moderno evangelho
Pombos e corvos ambos sabem voar
É proibido aprendermos o verbo amar
Rimas pobres nos serão sempre suficientes
Eu tenho fórmulas mágicas entre meus dentes
O caminho que temos as pedras são abundantes
E nunca fomos tão felizes quanto antes...

sábado, 30 de agosto de 2014

Muitos Caminhos

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O caminho que vai dar no mar. Consequências de tudo o que pode acontecer. E lá estão barcos e velas incontáveis. E amores em cada porto em que se chegar. E desilusões e enterros de solidões. Bebamos até a exaustão e todos os lampiões se apagarem com o novo dia. O rio riu e mandou lembranças. E as ilhas sonolentas ainda tecem suas fantasias. Piratas e corsários do rei. Histórias que muito agradam. E marcações possíveis. O sangue interminável de muitos dias atrás.
O caminho que vai dar em outras terras. Estradas e pés doloridos. E cores se fundindo numa só. O céu é vermelho de agorinha há pouco. E um fundo musical lembra aflições. E grandes feitos nunca escritos e poucos testemunhados. Eu me enlouqueci em estranhos labirintos que eram corredores de escola. Foi minha a estranha gargalhada que ecoou no meio da noite. A poeira que invade fechadas casas fui eu que mandei. 
O caminho que vai dar nos ares. Estes leves dragões que planavam pelo ar. E sonhos noturnos de vôos sem medo algum. As escadas são brinquedos. E recordar aquilo que nunca vi é o respirar de hoje. Somos muitos e vivemos sós. Mas nosso peito cheio está. Mil tiros do mocinho povoam a cena. E o coração dispara só de pensar.
O caminho que vai dar nas cidades. Uma tela só basta. E sem artista que a pinte. Só mesmo marionetes em complicados caracóis. Muita fumaça e poucos risos. Muita lágrima e ternuras perigosas. Pensar é perigoso. E reflexões lógicas ferem. E a verdade é queimadura sem pomada e nem curativo. Há puro prazer em novos lances mal medidos. 
O caminho que vai dar nas guerras. Pobres cães e pobres meninos. Os escombros são lições esquecidas no caderno do ano passado. E os porões estão cheios de notas promissórias. Eu bebo vários cafés de pura ansiedade. Vários níveis e vários tons de uma compreensível crueldade de uma natureza errada. Acendam novas fogueiras com bons sinais. Que os gitanos toquem seus afinados violões e mudem os códigos. Os alquimistas saíram em passeata. E acabou a caça às bruxas.
O caminho que vai dar na morte. Inevitáveis questões de alguns segundos. Pura coincidência. E puro engano também. Um jogo de futebol com placar imprevisível. As estepes baianas correspondem aos números ímpares de todos os números primos de um múltiplo de quatro. E um jogo de xadrez é pura poesia. Dentes expostos e longas mãos e olhos para o nada. Assim é.
O caminho que vai dar em mim. Certamente é muito longo. E eu contei os dias sem os ver. Esqueço tudo que devia lembrar. E me lembro de coisas que ferem se as procuro. E eu as procuro sempre. Dói a ferida e colocamos os dedos. Eu quero muitas carpideiras e flores já quase mortas. E cigarros acesos dos dois lados. Os lábios só servem para cerrados estarem. Pode ser noite mas eu ainda enxergo tudo...

Vozes Velozes

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Foi tudo tão de repente
Que eu pensei que era gente
E era um fenômeno natural
Era apenas um vendaval

Um vendaval vindo varrendo

Tudo o que vinha vendo
E todas as coisas do meu quintal
E trazendo todo o sal

Foi tudo tão diferente

Que eu pensei que era a mente
E era um pesadelo mal
Era apenas um temporal

Um temporal vinha crescendo

A luz do dia ia morrendo
Trazia o canto do bacurau
E sofrer era o mais normal

Foi tudo tão dormente

Que eu pensei que era lente
E foi aumentando geral
Era apenas um carnaval

Um carnaval que vinha vindo

E meu Deus era tão lindo
E a minha felicidade era aval
De que tudo corria normal...

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Poema Aos Malditos

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Aos malditos é que eu escrevo
É para eles meus sinceros versos
Os meus melhores momentos devo
Mesmo sob meus olhos mais perversos

Aos que já não possuem mais nada

Aos que fizeram da noite o seu dia
Dedico à eles o meu choro na calçada
A tristeza e a rudez de minha poesia

Aos viciados que enchem sua cara

Aos que tropeçam indo direto no chão
Para todos os que a vida nem repara
E mesmo assim não pára o coração

Às putas que queriam ter o seu lar

Aos desenganados que queriam sua cura
Os que desconhecem o gosto do verbo amar
E os que possuem a alma mais obscura

Aos que riem por qualquer um motivo

Aos que não sabem chorar pelo dinheiro
É o louco pela vida e por estar agora vivo
Faz do contentamento o seu companheiro

Aos que quebram regras e superam barreiras

Aos que nunca mais irão um dia desistir
Os que desprezam as falsas e boas maneiras
De uma velha sociedade que está à cair

Aos que fazem seus versos desconhecidos

Aos que os versos que poderiam ser mostrados
Contra todos os seus sistemas agora falidos
E finalmente aos que são só mal amados

Aos que são malditos... Aos que são malditos...

O Nome da Eternidade

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A eternidade tem nome. É o mesmo nome que repeti chorando virado para parede em dias de tristeza e dor. Eu te amei...
A eternidade tem nome. Eram os brinquedos que ficavam dentro daquela caixa de papelão esperando alegrias tristes. Por que foram embora? 
A eternidade tem nome. Foram as chuvas intermináveis que douravam de barro as ruas em que o velho auto passava me levando para a escola. E eu tenho saudades...
A eternidade tem nome. Seu nome é repetido várias vezes e é o baticum descompassado do eu-menino com medo do escuro e dos noturnos canto do bacurau na pequena casa. E eu ainda tenho medo...
A eternidade tem nome. É a lista de chamada com muitos nomes que não esqueci ou que talvez tenha esquecido mas que um dia passarão como na tela de um cinema diante meus olhos. Onde estão vocês? Mandem notícias...
A eternidade tem nome. Foi o beijo que eu nunca te dei. Foi o corpo que nunca afaguei. Foram os cabelos que meus dedos nunca afagaram. Foi tudo de bom que eu guardei sem ter ninguém para dar. Eis aqui o maldito poeta que faz versos feios de desencanto...
A eternidade tem nome. São os três coqueiros. É o pé de laranja-lima morto. São os cães. E os gatos. E os periquitos. E o velho em lágrimas escondidas. Tudo foi tão bom...
A eternidade tem nome. São as janelas fechadas e as luzes apagadas na febre do pequeno doente. A febre alta que trazia coisas e o velho livro relido tantas vezes. Foi tudo tão dolorido...
A eternidade tem nome. É a bola de gude mirada errada e o pião que nunca rodopiou no chão e a pipa que não foi pro alto e a bicicleta que nunca rodou ligeira. Eu nunca fui quase nada...
A eternidade tem nome. Sou eu mesmo! Sou eu mesmo!!!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Febre Alta

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Estou sentindo uma febre alta...
Deve ser aquela tua falta...

Deitado entre as cobertas

O suor na testa me escorre
Me sentindo como quem morre
Em meio a areias desertas...

Estou sentindo uma febre alta...

Meu coração dispara e salta...

Preso entre um meio que sono

Sonho com terras mais distantes
E o suor cai em gotas irritantes
E um calor malvado é meu dono...

Estou sentindo uma febre alta...

Mas é doce como uma flauta...

Eu não sei mais o que há de vir

Nem sei o minuto que é contado
Apenas posso virar para o lado
E tentar aos poucos ir dormir...

Eu estou sentindo uma febre alta...

Deve ser aquela tua falta...

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Psicodelia Número 1

Entre flores de Marte em jardins de Júpiter tive um sonho... Era a bateria de uma escola de samba carpideriando um mundo livre que não temos...  Os velhos esquemas ainda funcionam e muito bem... São cartas marcadas numa grande manga de camisa... Olha que vem lá é eu com a camisa de cores da paz... É quase uma masturbação a vida e a morte do sol... E ver como as pessoas passam pela nossa vida feito um balé mal feito... Eu quero a alegria de doze cores numa caixa de papel... E a agonia bonita dos decalques em livros e afins... A moda do transfer já passou... Mas como tudo que passa eternamente é... Eu esqueci o nome de muitos brinquedos e ainda gosto deles... Os palhaços rodam de cabeça para baixo... Sua roupa é azul e só os vi de lado... O som é bem bonito se não fosse tão feio... A moda sempre é feia... E os mortos sempre felizes... Cada pérola é uma eternidade que nasce na concha... Cavem bem fundo minha sepultura senão saio de lá... Baticum bumbum... As conversas das comadres nas cozinhas em frente a uma caneca de café são mais que um tratado... Vive a simplicidade que é bem mais difícil de se entender... Fumaça de papel queimado e mato seco... Eu bebo laranjadas aguadas e coleciono gatos pretos... E vi minha  mãe tecendo intermináveis artes... Como se fossem noites e dias... Um instante Maestro... A abelha zumbiu em acordes de desenhos... E estéreis sementes brotaram do chão... É dia da colheita do milho e dos pesadelos do milharal... Velhos filmes de terror americanos na tela moderna de meu abuso... Eu quero e quero e quero mais balangandãs em belos pescoços... E minha culpa abusiva de tantos beijos... Noturnamente em pedaços esparsos daquilo que eu era e nunca mais fui... Sou tiros em todas as direções e em todos os gêneros... Línguas dentes e muita saliva... Santa putaria... Conceitos divertidos se transformando em confeitos... Uma letra muda a porra toda... São histórias e estórias num mesmo caderno... Sabão para as roupas brancas do varal e muita tristeza sob o sol... 

(Extraído da obra "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Talvez Fuga

Eu quero fugir sem motivo algum... Apenas fugir... Sem motivo algum... Fugir dos nossos pecados... Das nossas alegrias... Num idiona que só ...