Mendigos disputando um resto de comida...
Está boa... Não está... É o que se tem pra agora...
Camas feitas de papelão... De jornal...
Florestas nas calçadas... Cidade feita de ruínas...
Histórias mal-contadas... Não há mais...
Tudo se repete... Destino mau... Cachaça boa...
Outdoors comendo cérebros... Sempre hoje...
Zumbis desfilando na avenida... Sob cinzas...
Bloco de condenados sem ter nenhuma culpa...
O cara bebeu lama... Mata mais a tristeza...
Vamos todos orar porque sempre somos ateus...
Meu dinheiro... Não tenho trocado... Sua puta...
A raiva anda comigo... Fomos ao shopping...
A criatura mais linda... A pior... Nem se fala...
Ainda estou aqui... Não sei quando e nem aonde...
A fada dos dentes... Nada nas cáries... Sono...
Enterros latinos... Sexo americano... Dos bons...
Não se fala mais nisso agora ou talvez amanhã...
Meu vício amofina... Quase um estalo... Entre...
Algum dia será qualquer dia desses... Ou não...
Frutas espalhadas no CEASA... Quase comeremos...
I love Bangu... Suco de tomates idem... Mistério...
A usina explodiu... E os girassóis também até...
Ainda que eu falasse na língua das moscas...
Tudo tem utilidade... Até a inutilidade tem também...
Amargos bárbaros... Laranja sem China... Adeus...
Feitiçaria eletrônica... Suspeitos intestinos...
Quase que eu morro amanhã e eu mesmo me sepulto...
Chope para as crianças... Maravilha sem voz...
Micareta de barro... Xaxado no samba... Naja pet...
Quem comeu morreu... Não tem importância...
Meus pés de sabão... Novidade quase nova...
Penicos na promoção... Cague um e coma três...
Ela faz um estrogonofe de pedra delicioso...
E assa maritacas rosas para o café da manhã...
Quem me conhece não me compra mesmo...
(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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