Para isso não se precisam de rimas
Basta que a flecha atravesse o ar
Mesmo que não contemos os segundos...
Para isso precisamos de mãos e pés
E ainda de algum fogo que seja aceso
Mesmo que não sintamos mais seu calor...
Para isso não se precisam de sinos
Dobrados ou não pouco nos importam
As chaves do carnaval abriram portas...
Para isso precisamos de sonhos alguns
Desejando que a noite vá embora de vez
Mesmo para a manhã com olhos fechados...
Para isso não se precisam de rezas
Uma grande profundidade de até águas
Acaba sendo apenas um só brinquedo...
Para isso precisamos de algum amor
Pode ser daqueles que saiam correndo
Usaremos nossas asas para persegui-lo...
Para isso não se precisam de espinhos
Nossa preferência é mesmo pelas rosas
Servem até aquelas que vivas já morreram...
(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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