quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Solene

 


Para isso não se precisam de rimas

Basta que a flecha atravesse o ar

Mesmo que não contemos os segundos...


Para isso precisamos de mãos e pés

E ainda de algum fogo que seja aceso

Mesmo que não sintamos mais seu calor...


Para isso não se precisam de sinos

Dobrados ou não pouco nos importam

As chaves do carnaval abriram portas...


Para isso precisamos de sonhos alguns

Desejando que a noite vá embora de vez

Mesmo para a manhã com olhos fechados...


Para isso não se precisam de rezas

Uma grande profundidade de até águas

Acaba sendo apenas um só brinquedo...


Para isso precisamos de algum amor

Pode ser daqueles que saiam correndo

Usaremos nossas asas para persegui-lo...


Para isso não se precisam de espinhos

Nossa preferência é mesmo pelas rosas

Servem até aquelas que vivas já morreram...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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