sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Tou Falando

Tou falando

NInguém sabe. ninguém vê

Todos estão se encegando

Numa quimera que não se vê


Tou gritando

E a apatia é quem nos manda

É lobo outro lobo se devorando

Estamos sós mesmo em banda


Tou me calando

A praça não me adianta meis

Não sabemos até quando será quando

A morte vem vindo depressa lá atrás


Tou me dormindo

Alguém me jurou ter qualquer segurança

E sonho com o meu prédio quase caindo

Ninguém mandou eu ter uma esperança


Tou falando de boca fechada

Meus olhos é que ainda podem falar

Falar sobre tudo ou com quase nada

Um dia vai embora esse meu penar...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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