domingo, 6 de setembro de 2026

Maracatus e Cirandas em Antigas Manhãs

Novelos embolados com ausentes gatos

Preços muito altos para insignificâncias

Estátuas de gelo sob um sol escaldante

Novos idiomas para ninguém entender


Não tem cabrocha e o Irajá está tão longe...


Tombos e ralados para nosso final deleite

Medidas certas para os mais cegos olhos

Os biscoitos agora estão caídos pelo chão

Qualquer marionete eletrônica faz gozar


Todos cagaram e esconderam sob o tapete...


Facilmente deliramos em certos devaneios

Os mártires berram suas palavras de ordem

A sujeira das famílias é lavada com veneno

No oitavo dia da semana chegamos de viagem


Minhas virtudes e defeitos nunca foram meus...


Não aceito menos que vinte e cinco horas diárias

Beijaremos as marés com os beijos mais tarados

Nunca peça explicações porque nunca nada sei

Tem uma valsa dançada sobre urbanos escombros


O cara famoso é mais um merda que deu certo...


Somos todos canonizados neste nosso lindo inferno

A mentira é mercadoria de mais urgente necessidade

Minhas carpideiras sempre farão um alegre stand up

Minha linda cidade com seus campos de concentração


Só na loucura alcançaremos esta tal de lucidez...


Daqueles filmes antigos todos os atores estão mortos

O monstro do lago Ness agora trabalha no fast food

Gasolina bem mais barata para podermos respirar

Vamos ser tão etéreos como as mais pesadas pedras


Somos presas de uma elite que também comerá terra...


Os twins mantêm um caso amoroso mais secreto

A borda da pizza vem recheada só com os alfinetes

Plantei morangos na caatinga e só colhi sardinhas

Não há nada mais doce atualmente que o vinagre


O samba-enredo fala de tudo menos de alegria...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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