domingo, 6 de setembro de 2026

Absorto Em Mim

Não sei mais o que faço

(Se é que faço...)...

A chuva cai a cem por hora

Não sei se fico ou vou embora

Qualquer lugar será um lugar

Colocar os pés no chão e descansar...


Não sei mais o que bebo

(Se é que bebo...)...

Os bebâdos solitários em bando

Sem destino e sem um até quando

Como num sucídio quase coletivo

Para viver basta não estar mais vivo...


Não sei mais o que fumo

(Se é que fumo...)...

A minha expectativa é quase zero

Mas mesmo assim eu então espero

Brote ainda neste rosto talvez o riso

Nada mais que isso é o que eu preciso...


Não sei mais o que sinto

(Se é que sinto...)...

É algo assim como totalmente diferente

Que me faz sentir como se não fosse gente

O que seria no meio dessa tal multidão?

O que sente agora o que chamo coração?

Sou uma flor morta de um largado jardim

E eu só posso que ficar absorto em mim...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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