Nem sabemos se sabemos
Ou se temos...
Eis o mágico de araque
Num belo copo de conhaque
O conhaque que sobe à cabeça
E por incrível que pareça
Assina a nossa sentença
Uma sentença mais rude
Sem dinheiro e sem saúde...
Nem sabemos se sabemos
Ou se vemos...
Eis o soldado tão sozinho
Em qualquer copo de vinho
O vinho que nos faz vomitar
Enquanto a cabeça está a girar
Eu não tenho boca pra falar
Uma sentença estranha
Sem destino e sem manha...
Nem sabemos se sabemos
Ou se cremos...
Eis a vítima da trapaça
Numa dose qualquer de cachaça
A cachaça foi jogada pro santo
Foi jogada ali em qualquer canto
Foi motivo de riso idem de pranto
Nossas reclamações mais mudas
Na hora da ceia fomos só Judas...
Nem sabemos se sabemos
Ou se temos...
(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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