quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Soluçantes Invenções

Quem me inventou - jogue-me logo fora...

Já engoli tantos jardins que perdi as contas.

Estamos numa estrada mais que solitária

E os nossos nervos de aço estão enferrujados..


Se me agrediu - não peça desculpas...

À moda da casa será sempre à moda da casa.

Nem sempre a beleza é aquilo que pode ser

E todos os espelhos são amigos e inimigos...


Levanto o dedo - esqueci o que ia dizer...

O tempo é apenas um bom e terno canalha.

Em minha triste e sombria casa que desaba

Achei mistérios que não posso nem contar....


Quem é o dono do tênis - coloque logo no pé...

Até a fogueira das vaidades tem os seus limites.

Quanto mais eu sofro vou achando até graça

As feridas sem comportam da mesma maneira...


Toda poesia é como um rato cego - tenha cautela...

Nenhum dia é parecido com nenhum dos outros.

Há muitas teias de aranha pelas nossas paredes

E cada palavra acaba sempre se cansando assim...


Não queremos mais soluçar - isso sempre acontece...

Gostaria de colocar uma capa e sair na madrugada.

Deve existir alguma distante ilha no meio do nada

Onde poderemos descansar os nossos velhos ossos...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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