quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O Golem de Todos Nós

 

Nunca mais pensaremos em sérias besteiras,

Besteiras essas compostas de tristes romances,

Tristes como velhos e abandonados jardins,

Jardins estes onde repousam os nossos mortos,

Mortos que se foram e deixaram saudades,

Saudades estas que nos deixam quase loucos,

Loucos como nunca antes podemos assim ser,

Já que o nosso ser perdeu suas próprias asas,

Próprias maneiras e próprias ideias sem gaiolas,

Gaiolas que não possuem portas mas não saímos,

Não há mais saída nem por um lado nem outro,

Um outro dia quem sabe eu tento novamente,

O novo que há ainda um pedaço de mim espera,

Esperança essa que me faz sobreviver e fere,

Uma ferida tão grande que não tem nem tamanho,

O tamanho das coisas é o mais relativo possível,

Essa possibilidade que nos faz tremer de medo,

Esse medo que sabe correr só pela noite escura,

Mas que por mais escura que seja morre no dia,

Esse dia que não conhecemos se será tudo ou nada,

Mesmo que nos esforcemos em pensar em tal,

Nunca mais pensaremos em sérias besteiras...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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