sábado, 20 de setembro de 2025

Futuro Antigo

E assim eu imaginava - feito um desenho

E até esperava que estaria sempre por lá

Mas este futuro era antigo, eu não sabia...


Talvez devesse ter ficado por aqui mesmo

E o circo ou o parque chegasse logo

De preferência junto com o carnaval...


Não dei milho aos pombos de minha praça

Nem observei a prata dos peixinhos do mar

Ou fui pedra sorridente em algum canto...


Meu relógio o próprio tempo acabou levando

Mas sua marca indelével continua em minha pele

Mais ainda em minha alma um tanto cansada...


Os tamancos rústicos acabaram saindo de moda

Assim como sacolés que não forem os gourmets

Mas para os meninos isso pouco lhes importa...


Dispensamos quaisquer caixas de Pandora enfeitadas

Levamos nossa esperança feita um vício incurável

E aquelas caixinhas-surpresa é o que nos bastam... 

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Alguma Filosofia 6

Nossa matemática sempre se engana

Talvez por ossos do ofício, talvez não

Se não tivermos paciência a casa cai


É um grande teste de pura sobrevivência

Não ter nem o mínimo do mais mínimo

E falar palavras bonitas mas tão vazias


Nada me ajuda mais do que meu sono

A apatia nos contamina mais que o câncer

Fingir-se de bom é o que o malvado faz


Conclusões inventadas de otimismo caótico

Como pétalas escurecidas de uma rosa morta

Para preencherem textos que não serão lidos


Todo perfume traz um quê de morbidez plena

Mesmo que o tiro não atinja o cheiro continua

Não há dança que não exista sem seus pares...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Alguma Filosofia 5

Há um acordo tácito entre o céu e o inferno

De vasculharem manhãs para ver quem pode mais

Nada mais conforme do que manda a bula

Até as pedras querem ter sua vez para falarem


Os desditos populares acabam tal sós andarilhos 

Uma epopeia é algo tão mais simples que pensamos

A morte dispensa bilhete de ida e até passagem

Apenas meia fatia de mortadela para pão dormido


Muitos sabem a resposta e não sabem a pergunta

São dois seios desiguais para a mesma musa comum

Um chuva cai agora lá fora por mero compromisso

Certos sinais sofrem de uma mais mórbida timidez


Fiz um pacto comigo mesmo e acabei sendo traído

Morangos silvestres necessitam de um sétimo selo

Enquanto quem está no topo não olha para baixo

Os gemidos da fome não acordam aos tão apáticos


Até os bons possuem aquele pedaço de falsidade

O olho da câmera nos observa com total atenção

Morrer no anonimato é o que mais acontece sempre

Meu exagero é o que pode haver de mais comedido


Hoje o que tenho para comer é meu silêncio total

A promessa do anteontem até agora não se cumpriu

O nada pode acontecer mesmo que não aconteça

A sabedoria é bem menos do que uma pizza brotinho...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Alguma Filosofia 4

Passos fracos ainda são passos

Mesmo ao tropeçarem e irem ao chão

Minha cabeça fala mais do que gato no cio

Por sobre o telhado...


Amores mortos ainda são amores

Até quando tiveram algum funeral

Até um epitáfio impessoal fala muito

Mesmo que silencioso...


Tocaias sem uma conquista sequer

O meu deboche é talvez comentário

Nem todos possuem algumas asas

E ficam aqui no chão...


Mesmo quebrado o vidro é o vidro

Não foi a lâmina que buscou carne

E nem tudo salgado é uma lágrima 

O sangue também é...


Há vários reencontros até inexistentes

Pois a lembrança é apenas uma cor

Entre as muitas que estão nesta cena

Chamada saudade...


Passos fracos ainda são passos...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida). 

domingo, 14 de setembro de 2025

Alguma Filosofia 3

Pulei de paraquedas em algum lugar!

Não sabia exatamente aonde foi...

Veio de repente uma claridade hostil

Que me fez chorar pela primeira vez...


Alguém tem um fósforo aí?

É pra acender a vinte do cigarro...


Tentei contar os dias mas não consegui!

Tem muita coisa pra eu me lembrar...

Só sei que vi uma cara estranha na frente

Naquele vidro que chamam de espelho...


Pode me dar mais uma cerveja?

Coloque na conta que amanhã pago...


Quebrei todos os brinquedos sem querer!

Sonhei com muitas águas sem ver...

Talvez ainda existam mares que desconheço

E na hora certa eu irei para poder navegar...


O primeiro a entrar apague a luz!

Ainda tem um pedaço de sol lá fora...


Amei por demais sem ser nem amado!

Isso é parte de um quebra-cabeças...

Sou apenas um velho que caminha 

E fica triste porque te viu num domingo...


Tem um novo retalho sobrando por aí?

Pois me dê que eu faço um poema...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Alguma Filosofia 2

Eu ando na corda bamba

Esse teste de sobrevivência

Que o cronômetro quebrou...


Pássaros sem asas...


Miramos em espelhos surdos

Confundindo todas as cores

Até que a noite enfim chegue...


Ondas cansadas...


Faltam palmas na plateia

E mesmo o clown chora

Enquanto o picadeiro some...


Barcos sem leme...


Cada risco ali na parede

É um novo signo

Com alguma nova magia...


Gaivotas míopes...


Estamos em qualquer lugar

Mesmo que em desertos

Com cômodas acomodações...


Simples complicação...


Essas latas e seu barulho

Flechas em movimento

O baralho e seu descanso...


Nem mesmo bom-dia...


Há muitos sinais em espera

Alguns até são borboletas

E outros agora nem existem...


Meus óculos pedem passagem...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida). 

sábado, 13 de setembro de 2025

Alguma Filosofia

Onde estarei se acordar numa possibilidade remota?

Pois que assim nós sonhamos que sonhamos

E as palavras é que possuem algum pouco sentido...


Eis os pombos de novo aqui neste imensa praça

Todos aqueles que os gatos não pegaram ainda...


Onde estão os passos da dança se faltarem pés?

Eis a praça e o jardim com seus braços dados

Quando a felicidade é mais fácil do que se pensa...


Os vidros brilham mesmo nunca sendo metais

E águas sempre correm ainda que pareçam não...


Onde estão chegando os carnavais de cada ano?

Pois a carpideira era tão bonita que me apaixonei

E fiz de cada lágrima que escorria um verso novo...


Nunca saberemos a verdadeira pressa dos carros

Porque verdadeiramente as ruas é que a possuem...


Onde está o lado em que a morte vem chegando?

Cada segundo acabou com o seu escuro poder

E o corvo de Poe dorme sereno  naquele galho...


 Aqueles que vieram antes de mim e já partiram

Por certo me esperam para contar mais histórias...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Talvez Fuga

Eu quero fugir sem motivo algum... Apenas fugir... Sem motivo algum... Fugir dos nossos pecados... Das nossas alegrias... Num idiona que só ...