sábado, 27 de dezembro de 2025

Instantâneos Voadores

Antes eles eram assim - instantâneos pela ocasião

Depois vinha aquele tempo que nunca se sabia

Era tipo uma surpresa que se podia ser boa ou má...


Agora e para sempre - filhos desta nossa banalidade

De querermos capturar aquilo que certamente vai

A piada de ontem virou o desgosto que manda agora...


O que sempre vamos ter - um gosto de metal sutil

Um veneno mais dançarino entre todos os viventes

Que nada  percebem com olhos abertos ou fechados...


Como mosquitos pelo quarto - ataque aéreo fulminante

Ou cadáveres perdidos numa gaveta sem ter itinerário

Agora também indicam os traços da velhice iminente...


Outros arremedos agora existem - apenas aparições

Que mal serão lembradas se a máquina estragar

E então nada mais será sobrevivência em nós mesmos...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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