Tem lugares que já passamos que continuam no mesmo lugar, estão lá, de pé. Mesmo que o tempo tenha maltratado, envelhecidos, assim como faz com as pessoas, ainda assim, estão lá. A casa que fui criado, por exemplo, depois de comprada, ninguém mais morou lá, mas continua existindo. Não sei como está, mas está lá. Mas aquela pequena, que existia no beco do beco, não. Como assim no beco do beco? Era assim, existia um beco na rua e depois do final, existia uma outra entrada, lá no final, para o lado direito e essa casa era a penúltima. Uma casa bem diferente, sabe? A fachada dela direta no beco, sem janela nem porta alguma, uma pequena entrada, que virando à esquerda dava pra outro corredor, com uma pequena varanda. Na varanda, a entrada da sala, a sala tinha uma janela antiga de madeira, caseira. Do lado direito, o único quarto com outra janela caseira. No lado esquerdo, a entrada pra cozinha que tinha um pequeno basculante para o corredor de entrada. Na cozinha uma pequena entrada que dava para um vão, onde havia o banheiro e uma outra saída para a varanda. Todas as portas também caseiras, menos o quarto, nele não havia porta alguma. Mas fomos felizes ali, sobretudo eu e mamãe, no tempo em que moramos sós. Depois que nos mudamos, fui até lá. A proprietária vendeu barato, poderíamos ter comprado. Quem comprou, colocou abaixo, uma pena, ela poderia continuar lá, mesmo não sendo mais ocupada. Tenho fotos do interior dela. Fomos tão felizes...
Perdido como hão de ser os pássaros na noite, eternos incógnitas... Quem sou eu? Eu sou aquele que te espreita em cada passo, em cada esquina, em cada lance, com olhos cheios de aflição... Não que eu não ria, rio e muito dos homens e suas fraquezas, suas desilusões contadas uma à uma... Leia-me e se conforma, sou a poesia...
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O Grande Blá
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