Camisas antiquadas com logotipo
De grandes e poderosas marcas,
Eis a colisão brusca e mais violenta
Entre carros brutos e imaginários,
Ritual de um canibalismo inventado
Para manhãs mais pálidas e insólitas...
Todos os sábios terão de ser humildes
Ou apenas serão petulantes solitários,
Eis a grande contestação de teoremas
Em momentos de lúcida embriaguez,
Nosso aparelho celular nos dará dicas
De como ser mais idiota sem nada fazer...
Cabelos azuis para louras estonteantes
Dormintes em meu pobre leito de doente,
Eis que vem surgindo entre estas ruínas
Gestos bondosos das putas mais vulgares,
Entre todos os churrascos gregos fatais
Sou o único sobrevivente que há no Guiness...
Lá vem o batalhão de miseráveis penitentes
Pagantes de seus pecados na primeira classe,
Show em praça pública de segredos mais vis
Da quebra de ídolos antes tão inquebráveis,
Dois reais de pão para estes pobre miseráveis
Que tateiam pelo mais claro escuro infinito...
Eu mesmo acabarei me martirizando suavemente
Entre remendos educados de solidão voluntária,
Nossa libido canta uma marchinha de carnaval
Com a obscenidade dos monstros do armário,
São alguns haicais que brotam como fossem ervas
Que apesar de serem daninhas também morrerão...
Vamos economizar esse pouco tempo que nos resta
Tentando não ser o último e nem o primeiro da fila,
É pura sandice crer que nos restou alguma crença
Assim como crer que a alegria irá nos perseguir,
Todo malefício terá por sua vez algum ponto fraco
Assim como as paredes dos castelos também caem...
Nesta grande avenida irão desfilar tantos e mais nadas
E vários corvos virão qualquer dia picar nossos olhos,
Os roteiros mais seguros acabaram se perdendo de vez
Enquanto labirintos não nos servem mais de abrigo,
Nesta meia-luz não encontrais mais algum meio-tom
E eu ainda quero algum sangue com bastante gelo...
(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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