quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Surfando Entre Gatos e Ratos

Rabos de letras. Ossos de boi.

Felicidade de dentes. Hostilidade sã.

Cores insólitas. Inexistente razão.

Apelido inédito. Carimbos calmos.

Rainha do nada. Valete duvidoso.

Eu nunca. Caí galopando...


Ontem eu tive um surto agora...


Afinidade apática. Insônia sonolenta.

Tonelada de plumas. Riqueza pobre.

Honestidade duvidosa. Morte recente.

Lamento imperativo. Medo impetuoso.

Sabedoria etílica. Taça renal...


Minhas quartas têm cara de quinta...


Descubra limbos. Vulvas adicionais.

Sorvetes melancólicos. Saudade geral.

Economia master. Mecânica sutil.

Chá das seis. Supercílios anônimos.

Bola de grude. Anel de doce...


Sofro de um anacronismo tão severo...


Copacabana é minha. Chapéu de mouro.

Explicação barata. Velozes e curiosos.

Musa psicopata. Esperto otário.

Sexo urgente. Redenção perdida.

Beijos troianos. Carícias de Isabel...


O arado torto agora estava quase reto...


Saciedade social. Laranjas desérticas.

Sapato andarilho. Rock regressista.

Masturbação coletiva. Dúvida dívida.

Canecas furadas. Tradicional novo.

Carteado sem baralho. Felicidade triste...


Os fantasmas possuem tanto medo de mim...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Qualquer Um Destes Céus Por Aí

Pássaro vagabundo

com asa ou não,

com asa ou não...


Sem dia certo,

sem hora exata,

qualquer parte serve...


Manhã,

tarde,

noite,

madrugada...


Desde que sonho,

e sonhe

e sonhe...


Longe de muros e perdas,

de homens e guerras

e guerras

e guerras...


Como fumaça voando

e subindo

e subindo...


Mãos nos bolsos

sem os bolsos

para sempre...


Não mais como pombos

e sem armadilhas...

Alguns Poemetos Sem Nome N° 365 *

Não me culpem,

Uma série de fatores acabou contribuindo

Para que eu fosse infeliz

Como todo ser vivente é,

Variando apenas a frequência e a intensidade...

Alguns nem tiveram tempo pra isso

O que acaba sendo uma forma também...

Sonhos que realizei foram poucos, tão poucos...

Não me culpem,

Deixe que eu mesmo faço isso...


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Todo carnaval é um pouco inocente, sabe?

São quatro dias que porque sei lá que conta

Alguém calculou e disse: São esses!

Eles não tiveram culpa de nada do que acontece...

Era só pras pessoas saírem dançando e brincando

Sem motivo algum e até quem sabe

Fazer isso pelo resto do ano até o próximo...


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Nos tempos que eu não sabia nada

Queria saber tudo...

Muitas coisas não aprendi

E nem vou aprender mais...

Voar com asas que não tive...

Ir em terras que não conheci...

Falar em línguas que não aprendi...

Beijar em bocas que nem cheguei perto...

Acabou tudo passando...

Hoje sei de muitas e muitas coisas

Só não quero saber de nada...


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Meio tempo, meio nada

A fórmula do sucesso foi errada

Mesmo assim teimamos

E algum jeito encontramos

Não em frases soltas

Mas em águas revoltas

Mesmo num dia que acabaria


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Eu me concentrei em coisas mais importantes

(Mesmo que talvez não tão imediatas)

Afinal, eu mesmo meço o tempo que tenho...

Quantas gramas de solidão terei que jogar fora...

Quantos gestos de ternura ainda faltam fazer...

E ainda quantos passes de mágica precisarei

Para qualquer um destes céus por aí...


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Sempre é cedo demais pra jogar fora a esperança,

Sempre é cedo demais pra se cansar de viver,

Mesmo que isso pareça ser loucura...

Sempre é cedo demais pra poder correr da raia,

Sempre é cedo demais pra se dar por vencido,

Mesmo que isso pareça o inverso...


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Eu quero um grafismo mais novo

De desenhos coloridos que nunca fiz

Não me importa se haverá retas tortas

Ou se precisarei de paredes para telas...

Se vai haver IA ou não pouco importa...

Desde que sobre algum pedacinho

Que possa chamar de minha alma...

POESIA GRÁFICA XCVI *

A VULVA DELA

A VULVA BELA

A VULVA JANELA

A VULVA AQUARELA

A VULVA NAQUELA

A VULVA APELA

A VULVA PELA

A VULVA DELA...


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CARRINHO DE ROLIMÃ

CARRINHO DE HORTELÃ

CARRINHO DE AMANHÃ


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a CURIOSIDADE matou O gato

A curiosidade MATOU o RATO

a CURIOSIDADE matou O pato

A curiosidade MATOU o FATO

a CURIOSIDADE matou O jato


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seis horas

seis horas

seis horas

seis horas

UM DIA INTEIRO!


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O MUNDO ESTÁ CHEIO

O MUNDO ESTÁ MEIO

O MUNDO ESTÁ FEIO

O MUNDO ESTÁ CREIO

O MUNDO ESTÁ CHEIO

DE ROSAS DANINHAS...

Breve Semântica do Talvez

Flocos de neve tornando-se sorvete de flocos

Desejos antigos que não poderão ser saciados...


De vez em quando dispenso a rima

Como é dispensada

Uma casca de ferida que já secou...


A modernidade com seu ar contumaz e vintage

Os dedos doem de tanto que nós teclamos...


Quase que nunca me atiro ao mar

Pela circunstância

Desta minha cela sem ter uma porta...


Faz tempo que tenho medo de certas perguntas

Assim como a alta velocidade de toda lentidão...


Tem uma feira quase livre no meu bairro

Prova mais do que cabal

Que o mundo é um moinho que quebrou...


Umas guerras particulares ocorrem todos os dias

Com projéteis mais invisíveis mas que são letais...


Sou um saltimbanco sem ter algum atrapalho

Pelo mais simples dos fatos

De que quando isso aconteceu estava dormindo...


Faço uma homenagem para todos os fracassos

Que usaram o seu disfarce de singela vitória...


Minha natureza é o maior desses meus castigos

Assim como os meus vícios

Mesmo se estiverem carregados de pura inocence...


Toda palavra é mais uma cópia de uma rotina

Que morreu antes mesmo de ter nascido...

Minimalismos 6 (Algumas Aldravias)

 


Somos

Campeões

Da

Idiotice

Somos

Humanos


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Toda

Comédia

É

Uma

Tragédia

Disfarçada


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Eis

Porque

Peixes

Mortos

São

Peixes


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Acabo

Me

Enrolando

Com

Tanta

Simplicidade


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Todo

Criador

É

Um

Viciado

Criando


segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Minimalismos 5 (Algumas Aldravias)

Ficou

Muito

Louco

Ontem

Maldito

Corote 


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A

Mente

Capta

A

Mente

Mente


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Melhor

Lembrar

Que 

Esquecer

De

Vez


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Na

Hora

Do

Noticiário

Pinga

Sangue


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O

Diskman

Não

Disca

Mais

Man

domingo, 28 de dezembro de 2025

Minimalismos 4 (Algumas Aldravias)

 



Passando

Fome

Vivendo

A

Morte

Merda


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Mente

O

Feliz

Mente

O

Contente


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A

Brasa

Apaga

A

Ilusão

Cega


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Não

Valho

Porra

Nenhuma

Nem

Você


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Meu

Fetiche

É

Um

Bom

Sanduíche

                                                                                           

 

sábado, 27 de dezembro de 2025

Tá Na Moda!

Tá na moda!

Tá no espaço!

Fazer quase tudo

Faltando um pedaço...


Tá na moda!

Tá no esquema!

Fazer de bobagens

O mais belo poema...


Tá na moda!

Tá no dia!

Ser um solidário

Como total apatia...


Tá na moda!

Tá na rede!

Passar tanta fome

Pra não passar sede...


Tá na moda!

Tá na notícia!

Pra ser idiota

Precisa ter perícia...


Tá na moda!

Tá na bula!

Se ficar inteligente

Vira uma mula...


Tá na moda!

Tá no riscado!

Quanto mais correndo

É que fica parado...


Tá na moda!

Tá na mídia!

O que vale é a fama

O resto é perfídia...


Tá na moda!

Tá no trato!

Tudo se acaba

Menos o retrato...


Tá na moda!

Tá na arte!

Viver fazendo merda

Agora faz parte...


Tá na moda!

Tá no rabo!

Se amanhã vou morrer

Hoje eu me acabo...


Tá na moda!

Tá no top!

É a lenda urbana

Do novo astro pop...


Tá na moda!

Tá no espaço!

Fazer só sucesso

Mesmo sendo fracasso...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Instantâneos Voadores

Antes eles eram assim - instantâneos pela ocasião

Depois vinha aquele tempo que nunca se sabia

Era tipo uma surpresa que se podia ser boa ou má...


Agora e para sempre - filhos desta nossa banalidade

De querermos capturar aquilo que certamente vai

A piada de ontem virou o desgosto que manda agora...


O que sempre vamos ter - um gosto de metal sutil

Um veneno mais dançarino entre todos os viventes

Que nada  percebem com olhos abertos ou fechados...


Como mosquitos pelo quarto - ataque aéreo fulminante

Ou cadáveres perdidos numa gaveta sem ter itinerário

Agora também indicam os traços da velhice iminente...


Outros arremedos agora existem - apenas aparições

Que mal serão lembradas se a máquina estragar

E então nada mais será sobrevivência em nós mesmos...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Pois O Diabo Tocou Pandeiro e Eu Dancei

Plantei um canteiro de margaridas adestradas

Que elas gritassem na presença de algum invasor

Esse jardim é meu e de mais ninguém...


Escutei todos os silêncios que eram possíveis

Dentro da noite mais escura que pode existir em mim

Feita de pedaços de fome e de sede também...


A minha dança era desesperada como qualquer uma

Parecendo uma poesia sem graça de um analfabeto

Que cismou em ser poeta na falta de algo...


Um som vem da minha rua mesmo que não o queira

Isso me lembra de todas as dores que passamos

Sobretudo todas aquelas que não queremos...


Estive alguns centímetros de beira de um abismo

Mas decidi que não era a hora de querer poder voar

Não podemos decidir isto ou aquilo...


Há peixes morrendo afogados no meu velho aquário

Porque o tempo tem essas mais estranhas manias

Faltam botes salva-vidas nesse nosso Titanic...

Primeiro Natal Sem Carne Loura (Miniconto)

Esse natal vai ser bem triste, vai não, está sendo. Não que seja uma data que eu comemore. É uma data comum, onde os homens falam de coisas que nunca farão. É essa uma verdade difícil de engolir, mas necessária. Tudo que está em torno, seja o que for, o ser humano dá um jeito de matar, magoar ou destruir, independente do tamanho que seja. Tomara então que seu Cláudio tenha ido pra casa de Joyce, ele com os meninos que de vez em quando somem e vivem aprontando, mas a Mylena e o Cocada. Esse vai ser o primeiro natal sem Kamily, nunca passamos um natal juntos, mas creio que ela gostava. O primeiro entre muitos que o Pietro não pode nem pensar que a maluquinha da mãe apareça de repente. Seu corpo deve estar lá no mesmo lugar, numa gaveta do Cemitério de Santa Cruz. Hoje não tem mais nada pra ela, nem um pedacinho de carne loura que ela tanto gostou um dia...

Sem Mais Notícias da Capital

Nós fizemos amor de pé, sobre um chão de pedras

Em frente à praia que não enchia de modo algum

E isso sob um sol escaldante de puro improviso...


Depois disso, nada mais...


Dividimos muitas tardes alegres, cheias de tristeza

Em que não rolou nem aquele beijo improvisado

Mas brincamos muito com a fumaça que ia fugindo...


Mas eu me acabei, perdendo você...


Em quatro letras numa exposição total, no banheiro

O mais corpo dos corpos quase a total imortalidade

Sem um selo sequer só depois vindo no meu portão...


Nenhuma violência vale alguma coisa...


Tempos mais idos de uma escuridão mais canalha

Em que a pobreza era uma escola e também ofício

Mesmo trazendo saudades como certos incômodos...


Estou perdido em meu próprio quintal...


Não existe mais nenhuma data que comemoremos

As promoções foram feitas para somente enganar

A única notícia que temos é que não há mais notícias...


(Extraído da obra "Pane na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Quase Um Tributo (Miniconto)

Mesmo passando sei lá quantos anos lembro. Deixem que a memória de um velho guarde certas coisas. Era um menino magrinho, bem magrinho, bem moreno, de cabelos bem lisos. Morava lá na favela que morei também, só não sei a casa. Aliás, não sabia quase nada dele, só o nome - Alessandro, e o apelido, Cocão. Não me perguntem o porquê desse apelido, geralmente apelidos possuem certa lógica, mas é proibido adivinhar. Cocão uma vez escreveu no asfalto da rua que dava direto pra pista - "Só eu e ela" - também não sei se com tinta, esmalte branco ou líquido corretivo. Pois bem, certo dia, eu e Dinho estávamos saindo e lá estava o menino caído no chão. Olhos meio fechados, babando um pouco, querendo falar alguma coisa e não conseguindo. Dinho colocou ele nos braços e levou para o hospital. Passados uns dias soubemos de sua morte, overdose de cola de sapateiro. Algumas mortes são bem estúpidas, essa seria mais uma. Viveu apenas treze anos, acho que nem deu tempo de deixar alguma coisa por esse mundo, nem de bom e nem de ruim. O mais provável é que ninguém lembre mais dele, exceto os pais, esses não costumam esquecer. E eu...

 

O Peso do Peso...

Em Gardênia Azul não há mais gardênias...


O cara famoso viraliza na net falando merda

E mesmo assim ganha milhões de sinceros likes

Ainda que isso não seja nada inteligente...


Não quero mais falar sobre violeta alguma...


Estamos numa era com clowns sem circo algum

Em que para sermos notados ganhamos quedas

E rir sem propósito será mais do que suficiente...


A rosa enrubesceu mesmo quando era ainda botão...


Quero comprar qualquer máquina com defeito

E desperdiçarei meu tempo com certas idiotices

Até que o final chegue e faça mais um festejo...


A margarida só sabe agora amargar nossa vida...


Agora temos os doces mais salgados do mercado

Roupas compridas que mostrem mais nossa nudez

E o sexo mais discutido em todos programas de TV...


Que o manacá possa vir logo embora depressa pra cá...


Tal a poesia que vale mais que um salgado na esquina

Mas mesmo assim todo mundo prefere a continuação

De vida mais insossa em que viver e morrer é tudo...


A vitória-régia acabou perdendo de qualquer jeito...


Um exército de mosquitos vem distribuir a tal insônia

O que mesmo assim é melhor que um tiroteio pela noite

E até trios-elétricos em que acabou de vez a bateria...


Lá na rua da Paz sempre existiu alguma guerra insana...


Não quero mais me lembrar de alguns certos detalhes

Mas forçosamente ainda continuo com certa memória

Até que o maior peso dos dias acabe me levando também...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

domingo, 21 de dezembro de 2025

E...

Esperei em não esperar mais nada

Quando muito alguns gatos-pingados

Talvez que venham para o nosso jantar...


Regras algumas daqui e outras de lá

Meu coração apertado tal não-sei-quê

Como um final de novela fracassada...


Talvez o tênis velho seja aproveitado

Para algum caminho inusitado surgindo

Entre a fumaça do que nem incendiei...


Mares-de-rosa também possuem espinhos

E talvez a bebida gelada possa cair no chão

No exato momento que faríamos o brinde...


O costume deixou um pouco mal-acostumado

Ao menino que gostava de brincar na areia

De uma praia que agora nem pode mais ver...


Tragam-me aquele me resto de sono de volta

Pois todas as mágoas acabam se misturando

Enquanto todos os dezembros querem morrer...


Fulano e sicrano e beltrano fazem a ciranda

E mesmo não sabendo quais são os seus nomes

Pedimos licença para também poder brincar...


A velha louça de família está agora quebrada

O velho camafeu de ouro agora já enferrujou

E eu acabei me cortando sem ter uma lâmina...


Tudo agora se transformou numa fila única 

Onde minhas palavras e meus gestos nada valem

Sendo que os riscos porque passei falharam e...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 20 de dezembro de 2025

Quase Meia-Noite (Miniconto)

É quase meia-noite. Deve ser sim. Só sei que hoje é o último dia do ano, isso é. De vez em quando esqueço a minha própria idade, depois lembro. A de muita gente que já foi na minha frente, esqueço. Não é minha culpa, juro que não é. A vida vem da morte, é o que dizem. Acaba obedecendo ela. Tudo que nasce morre um dia, é a verdade. Mas veja bem, hoje é o último dia do ano, é sim. Juntei o que podia, dessa semana que passou, sabe? Fumei menos, bebi menos cana, o que sobrou deu pra passagem. Não vou lá pra Copacabana. Eu sei que lá tem bastante gente, gente com mais grana do que eu, gente fodida igual a mim, muito gringo também. Mas lá a competição é bem maior, ah, isso é. Mistura tudo, quem vai correr atrás do seu com quem vai passar a perna nos outros. Preferi vim pra cá, dei um pulo no muro, peguei o trem, depois a van. Cheguei. Aqui não tem muita gente com grana, mas tem gente que bebe também. É só não dar mole, pego muita lata hoje. As garrafas de champanhe do pessoal da curimba, nem ligo, já foi tempo que vidro valia alguma coisa, hoje uma merreca que não vale a pena. Ainda bem que não choveu mais estes dias. O clima aqui anda meio pancado das ideias, não se sabe mais se é verão ou o que é. Já começaram a tocar funk, mais tarde vai ser pagode. Nem quero saber. Não tenho relógio, meu celular tá ruim, mas quando der meia-noite escuto os fogos no céu, os cachorros desesperados e muita gente fazendo promessa pra não cumprir. É cada um com seu cada um, se vierem me desejar, eu também desejo: Um Feliz Ano Novo! 

Minimalismos 3 (Algumas Aldravias)

Façamos

Poses

Por

Mais

Puro

Desespero 


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Que

Não

Era

Agora

É

Mais


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A

Novidade

Ficou

E

Acabou

Envelhecendo


...................................................................................



Quem

Não

Chora

Não

Sabe

Rir


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Hoje

Não

Teremos

Nada

Para

Amanhã

Matemática Urgente

Eu sim, eu não, eu nada, eu tão...


Na vez passada escapei de rede

Andei por todas as ruas tão sozinho

Coloquei na alma o perfume da rosa

Sem ao menos importar com espinho...


Eu tive, eu tenho, eu vou, eu venho...


Pulei de um abismo pra poder voar

Mesmo esquecendo que não podia

Entrei por dentro do rabo da noite

E fui fingindo que não era mais dia...


Eu calo, eu berro, eu acerto, eu erro...


Achei finalmente quem é que amo

Mesmo caminhando ao fim do mundo

Quero beijá-la na boca uma eternidade

Mesmo que o tempo dure um segundo...


Eu corro, eu paro, eu distraio, eu reparo...


Mesmo não sobrando quase nada

Assim mesmo tudo é um recomeço

Todos os meus erros aqui estão

Pois cada erro tem seu próprio preço...


Eu bom, eu mau, eu rua, eu quintal...


Não tendo mais nada o que fazer

Nem sei mais o gosto que eu prefiro

Adeus para todos os que estão presentes

Já chegou a hora e eu me retiro...


Eu sim, eu não, eu nada, eu tão...


(Extraído do livro "O Espelho de Narciso" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Eu, Mais Um Idiota

Mais um na fila, Mais um para a queda, Mais um para o tombo... Abuso das reticências, Abuso das entrelinhas, Abuso da inexistência, É fim de...