quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O Vento do Ventilador


A paixão nunca foi amor
A ternura não tem ardor
O barco nunca foi o mar
O caminho não é o andar
Não vim e aqui estou
Vendaval nunca foi ventilador...

A rudeza nunca foi maldade

A solidão não era a cidade
O beijo nem sempre é começo
Nem todo tiro tem endereço
Nunca fui e ainda sou
Vendaval nunca foi ventilador...

O medo nem sempre derrota

Nem sempre a semente brota
Voam os mais pesados que o ar
Ninguém eternamente vai reinar
Amei e ninguém me amou
Vendaval nunca foi ventilador...

Coragem nem sempre é heroísmo

Falsidade nem sempre é cinismo
Nem toda onda que vai volta
Nem sempre rebeldia é revolta
Foi tempo e o tempo tudo levou
Vendaval nunca foi ventilador...

A razão nem sempre é a palavra

E a palavra nem sempre é escrava
Vamos embora no mesmo lugar
O rir do rir pode ser até chorar
Fiquei no chão e a alma voou
Vendaval nunca foi ventilador...

domingo, 7 de setembro de 2014

Um Leve Rubor Em Tuas Faces

Resultado de imagem para rosas vermelhas
A vida às vezes traz lembranças inesquecíveis
E tudo se resume em gestos simples e ternos
Era um jardim tão lindo e um doce tão bom
E a novidade do brinquedo novo tão desejado
Era um beijo dado de repente em teu rosto 
Fazendo o coração acelerar numa boba corrida
Eu ainda acredito em velhas e noturnas assombrações
E em noites escuras de muito vento e muita chuva
Eu sei que faltou certa ternura e fui um dia rude
Mas é que as mãos que colhem flores para teus cabelos
Também servem para enterrar os nossos mortos
Perdão se gaguejei na hora do discurso e suei frio
É que às vezes até a felicidade pode doer e dói
Agora a roupa é nova mas o corpo já envelheceu
E o caminho tem menos pedras mas os pés pararam
Não não eu nunca reclamei da tua partida
É nossa escolha própria dos abismos que saltamos
Apesar de meus olhos doerem de contido choro
Quantas vezes bati em tua porta e ela não se abriu?
Devias estar dormindo um sono de mil sonhos
E sonhos nunca devem ser incomodados
O pássaro ainda vive mesmo dentro da gaiola
E a há um sol morno lá fora como qualquer sol bom
Eu sou o cacique cheio de penas daquele carnaval
E o palhaço que se vestiu todo de vermelho
O mágico sem cartola que faz aparecerem palavras
E as palavras podem ser mágicas sempre e sempre
Tudo dá certo mesmo quando dá errado
A cartilha já tinha sua lição do dia marcada
Esperemos então algumas novidades amigas
E quem sabe se não apenas sonhei quando do beijo
Vi um leve rubor em tuas faces...

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Insaneana Brasileira Número 41 - Fiz Favela

Fiz favela. Em anos apagados e estreito espaço. E eu não queria mais é pensar. É fato. É foto. E não pintou nenhum clima por aí. Era tortuosos e sinuosos caminhos que machucavam o pé. Palavras erradas e sem sentido alumiavam uma noite quase que escura em mim. Não posso falar muito. As palavras são pequenas mas engasgam. E a garganta dói como em dias de tombo. Sou eu aqui. O mesmo que cantou uma canção desconhecida e sem sentido. Mas que durante marca gregos e profanos. Eu quis fazer várias combinações mágicas e falharam todas. Não é assim mesmo. Só que acontece. Rumemos para a lua em ocasiões mais propícias. Aqui estamos novamente como sempre. Tipo até trapos velhos se assim precisar. O cheiro de antigo em trancadas gavetas e nenhuma emoção no olhar. Não tentem decifrar enigmas - eles ferem. E muitas pragas acabam saindo sem querer. Porque erramos em letras essenciais e bons óleos aromáticos. Eu quero paz. E menos tiros zumbindo pelos ares mesmo que invisíveis. Salvador Dali teve um pesadelo e teceu novas redes logo que acordou. Não vou citar nomes. Nunca! Mesmo porque os esqueci... Há um cheiro constante de cigarro em minha boca. E a cara da maldade que na verdade não tenho. Eu sou o que sou. E algumas frases feitas acabam dando certo. Há várias lâmpadas apagadas e pirilampos de folga. Eu nunca fiz um verso. Todos eles é que me fizeram. Ainda não fui embora porque o poema não acabou. Não rodem ao redor da roda. Há muitas mortes nunca anunciadas que acontecem. E antes persistirem escritos no chão. O ar falta às vezes e nós nunca o vimos antes de sua tentativa de nos matar. Caso contrário somos nós os assassinos. Bela imagem ridícula. É a pintura barata e a parede só no tijolo e o beijo escondido delas duas o começo de todo enredo. Mandem novos fogos pelo ar. Sem comemorações. É solitária a vida de qualquer um vivente. E pena que podia e nunca aconteceu. É o elixir na mão do mago. E não deixa de ser venenoso se assim o quiser... 

A Poesia


A poesia era um anjo que perdeu as asas
Mas não perdeu a vontade de querer voar
Era um carnaval que vinha todos os anos
Mas que eu perdi minha vontade de cantar

A poesia era a louca que gritava na torre

E surtava pelas noites em que havia luar
Era o caminho que não dava em nada
Mas eu ainda tinha que muito caminhar

A poesia era o mar era o barco e o porto

Mesmo que eu fosse ainda naufragar
Era a homenagem que eu fazia ao morto

Um menino que morreu há tantos anos

Um menino triste com seu olhar torto
Que viu morrerem sonhos e planos...

Corações e Dentes


Os dentes comem os corações
Os corações são comidos pelos dentes
Vamos matar as nossas emoções
Vamos enterrar os nossos parentes
Nos céus sobem mais lindos balões
Aqui embaixo é tudo muito diferente
Vamos perder nossas reais razões
Vamos morrer mais que calmamente
Sob a luz do sol há muitas aparições
E sob a minha carne uma alma doente
Somos videntes de antigas visões
Sem saber o que vem aí na frente
E eu me entristeci com muitos senões
No meu olhar ainda adolescente

Os dentes comem as emoções

As emoções são comidas pelos dentes
Vamos matar todas estas estações
Vamos ser um pouco menos doentes
Nos véus se escondem nova estações
Aqui embaixo é tudo muito reticente
Vamos perder nossas reais paixões
Vamos morrer mais que docemente
Sob a luz do sol há muitas explosões
E sob a minha pele uma alma indecente
Somos dementes de antigas lições
Sem saber o que vem aí na frente
E eu me enlouqueci com tantos sermões
No meu respirar ainda sobrevivente

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Não Tenho Tempo


Não tenho tempo...
Meu tempo é de alcançar metas vadias
Encher a mente com idéias vazias
Ser mais um servo do nada
Olhos fechados e boca calada!

Não tenho tempo...

Meu tempo é de alcançar aquela fumaça
É de fazer parte dessa trapaça
Sou humano e espero o fim
Vote em mim! Vote em mim!

Não tenho tempo...

Meu tempo é de ser apenas um tolo
De fazer qualquer crime com dolo
Ser mais um perdido na multidão
Não tenho mais nem coração!

Não tenho tempo...

Meu tempo é de apenas me cansar
Eu sufoco está me faltando o ar
Falta até tempo de me divertir
Eu nem sei onde podemos ir!

Não tenho tempo...

Meu tempo é de aprender coisas banais
E compartilhar conceitos mais boçais
Esta é a minha vão filosofia
De ser apenas o covarde do dia!

Não tenho tempo...

Meu tempo é de tentar viver a vida
Numa tentativa de fechar a ferida
Esta é a apenas a minha meta
Minha vontade mais secreta!

Não tenho tempo...

Imagens do Cão


Viva as leis que não possuem leis
Viva toda a maldade humana
Eis que não possuímos mais reis
E nossa sanidade é a mais insana!

Viva todo o nosso sexo desenfreado

Nossa falta de moral quase cotidiana
Eis o plano infalível que deu errado
Nossa alegria de um fim de semana!

Viva toda o discurso de gagueira

Viva os biquínis de Copacabana
Cada um errando à sua maneira
Estamos numa república de banana!

Viva tudo o que vale que viva

Viva o que o que ainda vale vivana
E o que ainda viva o que vaiaraviva
O que Kauã vai quarila amanhã

Viva tudo que vai no sonho que se dorme

Vai todo mundo mesmo tomar no cu
Não adianta nenhuma outra dor enorme
Quem volteia no ar é o urubu

Viva o que acontece o que acontece

Eu sou o que acontece em qualquer treta
É tudo aquilo o que a aranha tece
Vamos nos importar com qualquer uma careta

Viva o que vira Viva o que vira!

Talvez Fuga

Eu quero fugir sem motivo algum... Apenas fugir... Sem motivo algum... Fugir dos nossos pecados... Das nossas alegrias... Num idiona que só ...