quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Carliniana CXVII ( Estados Absolutos do Nada )

Nem todos os poemas são versos

Nem todas as notas são canção

As noites possuem seu mistério

E os dias são aquilo que são...


As perguntas serão respondidas?

Umas sim e outras não serão

As folhas nascem lá no alto

Mas todas elas vão cair no chão...


O sol queima o dia inteiro

As estrelas reinam na escuridão

Existe por aí tanta ternura

Mas também há a lei do Cão...


Às vezes respondemos sim

Às vezes ganhamos um não

Tudo até parece que é certo

Mesmo sem ter explicação...


Vamos então parando por aqui

Quase tudo tem sua continuação

Até as rosas que morreram

Voltam numa outra nova estação...

Alguns Poemetos Sem Nome N° 360 *

O tempo não tem medidas

Tola ilusão nossa

Passa silencioso, mudo

Os sons são nossos

O tempo não tem modos

Caiu, quebrou, amarelou

Foi embora 

E nunca vai voltar...


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Nunca seremos vítimas

Apenas os algozes

O destino não tem culpa

Se quebramos o vidro

Se insistimos a marcha

Para coisas mesquinhas

Que levam ao nada

O tempo acaba tendo

Prazo de validade...


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Mergulho em águas profundas...

Se vou sair de lá, não sei,

Isso é uma outra história...

Quais águas serão essas?

As que enchem o peito,

Enchem tanto, mas tanto,

Que transbordam de lá

E escorrem pelos meus olhos...

Mergulho em águas profundas...


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Nem sempre a solidão é veneno

(Pode ser um bom remédio...)

Nem sempre a tristeza nos atordoa

(Pode ser uma luz na escuridão...)

Nem sempre o amor nos salva

(Pode ser a beira de um abismo...)

Nem sempre as asas podem voar

(Podem indicar de onde caímos...)...


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Eu sei que faço perguntas demais

E que a maioria delas fica sem resposta...

Tento me olhar no espelho pelas manhãs

E ver se ele me responde:

Onde está aquele que eu vi ontem?

Sinceramente, não sei, nem saberei

Meu espelho capricha no seu silêncio...


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Ciclos... Ciclos? 

Talvez sim, talvez não...

Tanta sabedoria para nada...

Talvez uma roda de bike

Nos leve até mais longe...

Sansara... Sansara?...


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No alto da escada

No fim da estrada

O tombo é certo

O peito é deserto

No alto da estrada

No fim da escada

Quase desperto

Quase certo...

Nem A Pintura Lhe Esconde

Nem a pintura lhe esconde...

Do riso compulsivo

Do choro involuntário

Dessa fome do dia-a-dia...


A humanidade é um grande porém...


Nem o abrigo lhe abriga...

Do perigo constante

Da lâmina do tempo

Da sede sem motivo algum...


O carnaval virá sem que peçamos...


Nem o desejo lhe sacia...

Da paixão insistente

Do tesão indiscreto

Da aflição feito febre...


Não há diferença que do há e não há...


Nem a pintura lhe esconde...

De olhos tortos

De seios desiguais

Da vulgaridade pobre...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Tantos Nomes

Tantos nomes, tantos deles

(Alguns para a memória e outros não)

Datas preteridas, apagadas

(Pobres calendários desprezados)

Lápides ambulantes, epitáfios 

(É tudo aquilo que poderemos ser)...


O plano perfeito que falhou

A tocaia que esperou em vão

A queda no meio da maratona...


Tantos rostos, tantos deles

(Envelhecemos no próximo segundo)

Brinquedos quebrados, para o lixo

(Só a ternura pode sobreviver)

Amores malvados, tão cruéis

(A humanidade é apenas tudo isso)...


A modelo tão bonita ficou feia

A criança perdeu sua inocência

Chegou a hora da folha amarelar...


Tantos signos, tantos deles

(Muitas perguntas ficaram sem resposta)

Zumbis vivos, robôs esquálidos

(Filhos de uma tecnologia sem porquê)

Redes sociais, banalidades

(Ganhe dinheiro e seja mais um merda)...


Um dia todos seremos sepultados

Só ficaremos em certas lembranças

E apenas mais alguns nomes ou não...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Carliniana CXVI ( E Os Olhos da Cara )

Pedir perdão só se for cabeça pra baixo.

Soluçar como quem está num banquete.

Assoviar e chupar cana e mascar chicletes.

Sou o rei do sertão sem nunca ter ido lá.

Empurrar um transatlântico ladeira acima.

Minha raposa toma conta do galinheiro.

Mastigo pedras pelo mais puro hábito.

Jogo bola com pelotas feitas de fumaça.

Conto todos os grãos antes de comê-los.

Digo blasfêmias no lugar das minhas orações.

Faço obras de artes com as fezes dos pets.

Todos os direitos sempre foram esquerdos.

Uma cachaça por via intravenosa é a moda.

Soltar fumaça pelos poros é a nova regra.

Antes de fazer uma poesia babe feito porco.

Minha vaquinha já teve um acesso de tosse.

A mentira nunca poderá ser um pernilongo.

Batam palmas para o nada que ele merece.

Uma xícara de café vale mais que um peido.

Uma boa ação pode ser apenas um espinho.

A regra favorita do universo é que não há.

Só a perdição é que poderá ser a salvação.

Pedir perdão só se for cabeça pra baixo...

domingo, 16 de novembro de 2025

Carliniana CXV ( C.A Segundo C.A. )

Pois não houve sonho medonho

Apenas estes passos vacilantes 

Que acabaram levando longe

Ainda que tal longe fosse a esquina

Da rua onde eu ainda moro...


Os fios de cabelo embranqueceram

E agora caem feito folhas outonais...


Pois não houve fogueira alegre

Correndo pelas noites afora

Em faíscas mais saltitantes

Subindo para uma escuridão

Enfeitada com as estrelas...


Se pudesse escolher algum rio

No desespero seria de aguardente...


Eu não sou apenas mais um rapaz

E apenas observo certos detalhes

Invisíveis para uns outros olhos

Que poderão falar o tempo todo

Ou simplesmente ficarem calados...


Enquanto todos eles já se foram

Eu fiquei sozinho neste palco sujo...


Todas as maravilhas estão apenas

Em ultrapassados livros de história

Em que já faltam algumas páginas

E ninguém sabe o seu fim no final...


Eu sou quem simplesmente ama

Mesmo que isto não seja mais sonho...

sábado, 15 de novembro de 2025

Um Zé (Miniconto)

Nem todo Zé é igual, isso está mais que provado e comprovado. Alguns foram grandes figuras, possuem seus nomes escritos nos livros de história, outros, menos famosos, ainda assim estão na memória de alguém que conviveu com eles. O Zé que eu vou falar, pelo menos, tem seu nome lembrado pela quantidade de filhos que fez e olhe lá. Não sabia ler e nem escrever, não era honesto, não gostava de trabalhar. Não gostava de banho! Um dos seus muitos apelidos era Zé Cascão (muito merecido). Era bonito pelo menos? Isso nunca foi. Até se vestir, se vestia muito mal e andava de um jeito que deu jus para um outro apelido - Dez pras Duas. Falava bem? Se falar "goraná" ao invés de guaraná, então falava... Mas que tinha sorte de vem em quando, isso tinha. Certa vez foi na favela comprar maconha e colocou muita dentro de uma lata de tinta. Estava tendo uma incursão policial. Zé passou, cumprimentou os policiais e estes nem pediram para revistar ele nem nada. Quem ia acreditar que um maluco daqueles, um pobre coitado estava com uma carga daquelas? Pois bem, esse era o Zé. Teve centenas de erros como qualquer ser humano, mas ele caprichou. Teve milhares! Até o dia que mudou de casa e foi morar no cemitério... Mas isso é coisa pra muitas vezes.

Talvez Fuga

Eu quero fugir sem motivo algum... Apenas fugir... Sem motivo algum... Fugir dos nossos pecados... Das nossas alegrias... Num idiona que só ...