terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Aeternum 2

A paisagem vista da janela do apartamento.

Os livros na estante que nunca irei ler.

Os muitos detalhes que escapam das mãos.

O café que esfriou na cafeteira antiga.


Onde está o tempo?


Versos que nunca mais poderei escrever.

Um beijo que fugiu da boca pra nunca mais.

Meus olhos nunca puderam enxergar o longe.

Até o novo acaba se tornando antigo.


Onde está o tempo?


Manchetes que deixaram de acontecer.

Mentiras que acabaram sendo confirmadas.

Uma luz que se apagou sozinha no quarto.

A poeira e os insetos fizeram um pacto.


Onde está o tempo?


Talvez todo caminho não seja um caminho.

E as brincadeiras nunca tenham tido graça.

Eu lavo minhas mãos pela minha própria culpa.

Todo dia seguinte terá sua própria festa.


Onde está o tempo?


Os cabelos perderam a cor que possuíam.

Cada ruga irá me contar uma aventura triste.

Minha ternura acaba abraçando o mundo.

Acabei perdendo a chave da gaveta do medo.


Onde está o tempo?


Alguma coisa não me desce de garganta abaixo.

Talvez eu quisesse ficar mais um pouco por aqui.

Ainda existem muitas estrelas para poder contar.

E talvez eu encontre um novo par para dançar.


Onde está o tempo?

Carrego comigo todo aquele que preciso...

 

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