Necromancia.
É tão fácil ir daqui até chegar lá
Há rosas abandonadas para quem achar
Um novo samba chegou agora na avenida
Sobre a bondade da morte e a maldade da vida
Toda mundo uma hora se sente uma barata tonta
Com tudo aquilo que o destino enfim apronta.
Pornografia.
Entre as coxas dela há não sei o quê
É com palavras que eu não sei nem dizer
Só sei que toda essa tristeza deve ter motivo
Talvez mais do que algum de estar ainda vivo
Não existem mais águas para os barcos de papel
E nem estrelas vadias para poder povoar meu céu
Fotografia.
As lembranças escorrem pelas paredes
Compostas pelos dias e suas muitas sedes
Que podem ser maiores do que as muitas fomes
Que foram por aí e agora só são apenas nomes
Vamos nos esforçar para fazer coisa nenhuma
Até que tudo acabe e mesma assim não consuma.
Biografia.
Todas as ruas que elas voam por este Rio
Fazem tanto calor mesmo se trememos de frio
E o barulho de tiros está ainda meio que distante
E tudo é apenas mais um perigo mais constante
Eu não sei o seu nome e isso pouco me importa
Desde que o corpo esteja vivo e a alma morta.
Antropofagia.
Pelas avenidas vamos feito uns canibais
Não nos importando com nenhum dos temporais
Ou se a fantasia de velha acabou sendo rasgada
E se a máquina que nos sustenta já foi desligada
Queridas mariposas minhas maravilhas noturnas
Que fazem os leões saírem de suas escuras furnas.
Tecnologia...
(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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