domingo, 11 de janeiro de 2026

Indignas Mariposas, Maravilhas Noturnas

 

Necromancia.

É tão fácil ir daqui até chegar lá

Há rosas abandonadas para quem achar

Um novo samba chegou agora na avenida

Sobre a bondade da morte e a maldade da vida

Toda mundo uma hora se sente uma barata tonta

Com tudo aquilo que o destino enfim apronta.

Pornografia.

Entre as coxas dela há não sei o quê

É com palavras que eu não sei nem dizer

Só sei que toda essa tristeza deve ter motivo

Talvez mais do que algum de estar ainda vivo

Não existem mais águas para os barcos de papel

E nem estrelas vadias para poder povoar meu céu

Fotografia.

As lembranças escorrem pelas paredes

Compostas pelos dias e suas muitas sedes

Que podem ser maiores do que as muitas fomes

Que foram por aí e agora só são apenas nomes

Vamos nos esforçar para fazer coisa nenhuma

Até que tudo acabe e mesma assim não consuma.

Biografia.

Todas as ruas que elas voam por este Rio

Fazem tanto calor mesmo se trememos de frio

E o barulho de tiros está ainda meio que distante

E tudo é apenas mais um perigo mais constante 

Eu não sei o seu nome e isso pouco me importa

Desde que o corpo esteja vivo e a alma morta.

Antropofagia.

Pelas avenidas vamos feito uns canibais

Não nos importando com nenhum dos temporais

Ou se a fantasia de velha acabou sendo rasgada

E se a máquina que nos sustenta já foi desligada

Queridas mariposas minhas maravilhas noturnas

Que fazem os leões saírem de suas escuras furnas.

Tecnologia...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Nenhum comentário:

Postar um comentário

POESIA GRÁFICA XCVII *

  RUA  APOLINÁRIO RUA  APOLITÁRIO RUA  APOLIQUÁRIO RUA  ASOLITÁRIO ............................................................................