segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Impiedade

Eu hoje acordei tipo acordando

Procurando restos de beijos sobre lençóis

Mas não encontrei mais nenhum...


Era um dia frio como qualquer verão

Desses que a gente tem medo de rir

No meio do todo nosso choro...


E quis ser famoso que nem novela

Mas a vida se parece com um depósito

Onde recordações são objetos quebrados...


Chamei seu nome mais uma vez

Mas o vento era surdo como uma janela

Que se fecha para tudo que nos é caro...


A mentira é como uma roupa nova

Que se quebra logo na primeira chuva

Enquanto tenho febre porque melhorei...


Todo poeta é mais um cão sem dono

Que nunca sabe se tem fome ou tem sede

E vigia as madrugadas com seus uivos...


A beleza dela era ilusória feito bondade

E os meus passos agora todos controlados

Por qualquer uma maldita rede social...


Talvez eu pense numa música tão famosa

Que enxerguei como uma ponta de cigarro

Que catei na rua em um dia mais vagabundo...


Todo sacrifício é uma aventura desnecessária

Porque o herói da trama está de folga

E o vilão aproveita para incendiar o circo...


Um livro velho ainda é apenas um livro

Mas com um sonho não acontece isso

Pois um sonho antigo acaba virando pesadelo...


E aquele beijo que você nunca me deu

Naquelas tardes tão bonitas que agora inexistem

É apenas a impiedade de quem me matou...

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Impiedade

Eu hoje acordei tipo acordando Procurando restos de beijos sobre lençóis Mas não encontrei mais nenhum... Era um dia frio como qualquer verã...