terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Por Um Frio

Blusas de lã de carneiro sintético

Castelo sem reboco da rua Paris

Disputa mundial por um nada

Minhas besteiras todas têm sentido


Ela queria se atirar da ponte

Mas acabou mesmo foi voando

Mesmo quando era solitária

Seus sonhos faziam um bando


Trememos quando for necessário

Nosso crime não tem pista alguma

Minha carteira de monstro atropela

Nossa sandice é a mais indicada


Pois ele rolou pela suja calçada

Se sujou com o óleo queimado

Gritou impropérios à granel

E quase que ficou foi pelado


Me mandam áudios que não ouço

Alguns se viciam em adrenalina

Toda normalidade não é normal

Assim como palavras deste lixo


A luz do lampião não está acesa

O fogo nunca mais se acenderá

Tenho ainda muito o que fazer

Mas mamãe eu quero é mamar


Glória à todos os que erraram

Um cigarro à mais que eu quero

Só quero azul se não tem azul

Febre só de cinquenta pra lá


O meu feijão foi pra geladeira

Menino é menino se for menino

Semana passada teste nuclear

Tem pouco pão e nenhum ensino


Fui tomar cerveja lá no inferno

Os tira-gostos eram as brasas

No nosso saleiro tem açúcar

Quero fazer a barba no facão


Gozei pensando em carícia morta

Estabeleço as regras disciplinares

Parei pra ver a banda que não passa

Ele usa luas ao invés de malabares


Vou morar num prédio assombrado

Vamos falar deste mesmo assunto

Comer foi feito pro ser o tempo todo

Muito prazer eu me chamo ninguém


Pegamos uns doces na encruzilhada

No pico da Neblina só terá mais sol

O soldado não foi mais na guerra

Morreu foi num domingo de futebol


Toda coisa é somente uma coisa

Quem tem filho careca é o rato

Coma um livro e leia uma cocada

A baiana do acarajé é do Paraná


Hoje Cíntia fez seu desaniversário

Que Deus a tenha em qualquer lugar

Eu posso dormir em qualquer mesa

Mas de preferência em uma de bar


Deliciosas pipocas assadas na lenha

O seu rabo parece mais um pandeiro

Compro sua alma se for bem barata

Um mero instante para um sequestro


Vá tomar café na lama do chiqueiro

Limpe o seu cu com papel reciclado

Nada foi feito pra poder dar certo

Até meu olho que já foi trocado


Blusas de lã de carneiro sintático

Castelo sem reboco da rua Chile

Disputa mundial por um nada

Minhas besteiras todas têm sentido...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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