Material que desgasta
Mesmo que deixe cicatrizes
Brinquedo que some
Mesmo que faça falta...
(Desculpe-me a falta de palavras
é que meus dedos agora doem
e eles doem e muito...)
Saudade que consome
Mesmo que seja silêncio
Riso fora de hora e lugar
Mesmo quando há medo...
(Eu viajei e olha que foi ontem
só que ontem era uma eternidade
cheia de um grande vazio...)
Carnaval que passou
Mesmo quando sem cinzas
Namoro que não durou
Mesmo com tantos beijos...
(Eu vi as tranças do seus cabelos
e o encanto de castanhos olhos
e agora só existem rugas...)
Frio invasor do quarto
Mesmo com fechadas janelas
Madrugada que se consumirá
Numa malvada manhã...
(A minha comum decrepitude
usa seu inútil disfarce
e transforma tudo em memória...)
(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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