sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Ela Nunca Foi Nada (Miniconto)


 

Ela nunca foi nada. Nunca foi não. Muito mal foi registrada no cartório. Profissão? Nenhuma. Aprendeu alguns afazeres domésticos. Cozinha bem? Nem pensar. Já furtou alguma coisa? Muitas vezes... Tem moral?... O que é isso? Já apanhou na rua? Várias vezes, perdeu as contas. Tem algum vício? Acho que todos eles. Tem alguma beleza? Nem interior e nem exterior. Alguém lhe amou? Não, só foderam. Tem filhos? Não, teve vários abortos, uns espontâneos, outros provocados. Tem alguma religião? Só a cachaça... Gosta de alguma coisa? Nem mesmo gosta de si própria. Já tentou se matar? A sua vida já é a morte. Já passou vergonha? É o que mais faz. Gosta de banho? Leva semanas sem tomar nenhum, daí seu principal apelido – Iara Faz-Sujeira. Teve residência fixa? Já morou várias vezes na rua, noutras em casas abandonadas que ela e outros infelizes invadiram. Teve piolho? Ainda tem e chato também. Ficou doente alguma vez? Claro que sim, várias, isso é quase normal. Foi pelo menos ao médico? Não, nunca vai. Vota? Nunca tirou nem identidade. É mentirosa? Só é. Contribuiu para alguma coisa na sociedade? Nem pensar... E o que lá é? O que sempre foi, nunca foi nada...

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