Ela nunca foi nada. Nunca foi não. Muito mal foi registrada
no cartório. Profissão? Nenhuma. Aprendeu alguns afazeres domésticos. Cozinha bem?
Nem pensar. Já furtou alguma coisa? Muitas vezes... Tem moral?... O que é isso?
Já apanhou na rua? Várias vezes, perdeu as contas. Tem algum vício? Acho que todos
eles. Tem alguma beleza? Nem interior e nem exterior. Alguém lhe amou? Não, só
foderam. Tem filhos? Não, teve vários abortos, uns espontâneos, outros
provocados. Tem alguma religião? Só a cachaça... Gosta de alguma coisa? Nem mesmo
gosta de si própria. Já tentou se matar? A sua vida já é a morte. Já passou
vergonha? É o que mais faz. Gosta de banho? Leva semanas sem tomar nenhum, daí
seu principal apelido – Iara Faz-Sujeira. Teve residência fixa? Já morou várias
vezes na rua, noutras em casas abandonadas que ela e outros infelizes invadiram.
Teve piolho? Ainda tem e chato também. Ficou doente alguma vez? Claro que sim, várias,
isso é quase normal. Foi pelo menos ao médico? Não, nunca vai. Vota? Nunca tirou
nem identidade. É mentirosa? Só é. Contribuiu para alguma coisa na sociedade? Nem
pensar... E o que lá é? O que sempre foi, nunca foi nada...
Perdido como hão de ser os pássaros na noite, eternos incógnitas... Quem sou eu? Eu sou aquele que te espreita em cada passo, em cada esquina, em cada lance, com olhos cheios de aflição... Não que eu não ria, rio e muito dos homens e suas fraquezas, suas desilusões contadas uma à uma... Leia-me e se conforma, sou a poesia...
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Ela Nunca Foi Nada (Miniconto)
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