Gim no copo. Pouco dinheiro.
Sonhos sempre nebulosos. Perigo.
Corra que a polícia não vem aí.
Os mortos nunca param de sorrir.
Cerveja na mesa. Um milagre.
Estamos todos aí. Ou talvez não.
Eu sou o mágico sem mágicas.
E a esperança que se desespera.
O bar sempre sujo. Sem piedade.
Não conheço essa rua. Perdido.
Rir é o nosso único e fatal remédio.
Aqui não existe nenhuma moeda.
Um nome entre as rosas. Margaridas.
Vamos então comemorar. O nada.
Um cão geme pela fria escuridão.
O leiloeiro acabou de bater o martelo.
Meus sapatos estão sujos. Nem tenho.
Queremos mais uma dose. Ou duas.
A flecha apontou direta em meu peito.
Meu coração tirou férias faz tempo.
Escuto as fogueiras clarearem. Minhas.
Cada pedaço vira o todo. Há milagres.
Até a mentira pode ser algo verdadeira.
E a fama é uma forma má de anonimato.
Não vou para lugar nenhum. Fico por aqui.
Meus pés estão mais cansados. Pobre deles.
A vida foi um doce que jogamos sempre fora.
Venha qualquer hora tomar café comigo...

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