Cococa era um brinquedo valente. Foi achada na praia sem os olhos. Sua dona, a Vanessa, não conseguia falar Mococa, aí ficou Cococa mesmo. Mamãe achou dois botões e colocou no lugar. Ficou até legal, complementavam o sorriso que estava eternamente em seu rostinho. Vivia pra cima e pra baixo na mão de Vanessa. Até o dia que aquela vagabunda com os dois cachaceiros aproveitaram que todo mundo foi passear e invadiram onde moravam. Era um salão onde um dia era forró. Nenhum vizinho tomou providência alguma (isso quem viu, claro). Levaram as compras, algumas roupas (outras rasgaram) e as panelas amassaram para inutilizar... Acabaram levando a Cococa embora. Mas destino é destino, sabe? Por onde andou aquele traste gente, a vaquinha foi junta. E passados uns vinte anos, não me lembro por qual motivo, foi devolvida. E aonde ela está agora? Está na casinha simples de comunidade onde mora Vanessa, o marido e os três filhos. Dizem que alguns brinquedos são até felizes, Cococa depois de tanto sofrimento deve ser um deles...
Perdido como hão de ser os pássaros na noite, eternos incógnitas... Quem sou eu? Eu sou aquele que te espreita em cada passo, em cada esquina, em cada lance, com olhos cheios de aflição... Não que eu não ria, rio e muito dos homens e suas fraquezas, suas desilusões contadas uma à uma... Leia-me e se conforma, sou a poesia...
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
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Cococa (Miniconto)
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