É que eu não posso esquecer nunca da velha caixa de madeira com seu grande tubo de vidro e o interior cheio de válvulas engraçadas que até davam certo medo. Ficava em lugar de destaque na velha sala que ainda existe abandonada, num móvel herdado de tempos mais antigos ainda. Martírio quando dava algum problema (várias, incontáveis vezes isso) e alívio quando papai ia buscar seu Armando para consertá-la. Preto-e-branca, antiga mesmo. Dali saíram meu sonhos e meus raros risos em programas que um dia gostei. Mamãe preferia as novelas e meu pai os jornais que passavam. Era tão bom quando morávamos em um local que pegava o quatro! Mas nem sempre isso foi possível... Passados tantos anos, o menino foi embora para não sei mais onde, ficou o velho que quase não assiste o aparelho grande, colorido e perfeito em outra sala maior, mas a saudade sempre fica...
Perdido como hão de ser os pássaros na noite, eternos incógnitas... Quem sou eu? Eu sou aquele que te espreita em cada passo, em cada esquina, em cada lance, com olhos cheios de aflição... Não que eu não ria, rio e muito dos homens e suas fraquezas, suas desilusões contadas uma à uma... Leia-me e se conforma, sou a poesia...
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POESIA GRÁFICA XCVII *
RUA APOLINÁRIO RUA APOLITÁRIO RUA APOLIQUÁRIO RUA ASOLITÁRIO ............................................................................
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Imersos no tempo Queremos ser o que não somos... Rindo de qualquer piada Para que o coração não esmoreça... Amando todo o perigo Para nossa ...
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É que nem um rio dentro de um envelope Que hoje o carteiro não trouxe nem ontem... Quase um enigma sem segredo existente Que qualquer bêbad...
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Barulho ensurdecedor na malvada avenida. Hora do rush, hora quase feliz... Blasfêmias cantadas nos sonoros aparelhos. O hoje está quase mort...

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