quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Doces, Chinelos e Leques (Um Poema de Pobreza)


 Vamos comemorar a simples destruição

Que o tempo vem fazendo desde que é tempo

Medido em areia ou sombras ou nas telas...


Mostrar uma falsa esperança que inexiste

Porque como sonhadores por profissão

Esta é a nossa tarefa como quem enxuga gelo...


Comida feita para não ser nunca comida

Champanhe aberta para não ser bebida

Roupa nova para encobrir nossa feia estética...


Banquete etílico, meu senhor, banquete etílico

Mesmo quando uma gota de álcool não vai na boca

E a brisa leve não é mais do que simples vento...


Onde estão as alegrias que rebentaram ontem?

Hoje alguns miseráveis dormem e outros não

Apesar de que cada um tem um quê de miserável...


Ontem foram vendidas novidades já esperadas

Doces e chinelos e leques para a falsa elite

Tudo num lindo branco de cor cinza-carvão...


Hoje a sujeira do mundo espera quem limpe

A esperança no formato de um falso carnaval

Esperando todas as tragédias possíveis...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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