sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Ainda

Ainda pensando no espetáculo 

que não aconteceu

Na vitória que acabei perdendo

Nos passos que acabei não dando

Na roseira que está morrendo...


Ainda penando neste cela

que foi a vida quem me deu

Na chance que virou fracasso

Num céu com falta de espaço

Num amor que nunca apareceu...


Grande promoção! Grande promoção!

Ria hoje e chore amanhã!

Tente uma tentativa vã

No leme neste barco avariado

Neste mar vil e malvado...


Ainda ontem falei com os mortos! Os mortos!

Com estes meus mesmos olhos tortos...

Me mostraram algumas antigas feridas

Todas elas estavam sepultadas 

E eu pensava que estavam esquecidas...


Ainda pensando no parque que não virá

ele me trazia muito da pouca alegria

Nas voltas que eu um dia dei

Na sua imensa roda-gigante

E quem sabe talvez um dia

Tudo volte como foi antes...


Ainda... Ainda... Ainda...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

O Choro da Hiena

Aqui nesse nosso mundo tudo chora até a hiena

Chora de tanto rir e de tristeza que dá até pena

Chora também o mais engraçado dos palhaços

Quando olha para trás e só enxerga fracassos

Choro eu quando nos meus olhos entra fumaça

Antes eu vi que a vida é mais que uma ameaça


Chora pai, chora mãe, avô, avó, o tio e a tia

Quem tem a vida plena e o que tem alma vazia

Tanto aquele que está no abrigo ou no temporal

Aquele que começou a partida ou está no final

O cara enchendo a cara e o que não bebe nada

O que foi aplaudido de pé e o que levou porrada


O que sabia de tudo ou o cara mais ignorante

O que viveu um século ou que viveu um instante

O que vive em paz e o que dorme sob bombardeiro

O que chora na internet ou que chora no banheiro

No sexo entre ele e ele e no sexo entre ela e ela

Naquela mansão bonita ou no barraco na favela


Aqui nesse nosso mundo tudo chora até a hiena

Chora quem está com raiva e quem está com pena...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

domingo, 25 de janeiro de 2026

Memória

Material que desgasta

Mesmo que deixe cicatrizes

Brinquedo que some

Mesmo que faça falta...


(Desculpe-me a falta de palavras

é que meus dedos agora doem

e eles doem e muito...)


Saudade que consome

Mesmo que seja silêncio

Riso fora de hora e lugar

Mesmo quando há medo...


(Eu viajei e olha que foi ontem

só que ontem era uma eternidade

cheia de um grande vazio...)


Carnaval que passou

Mesmo quando sem cinzas

Namoro que não durou

Mesmo com tantos beijos...


(Eu vi as tranças do seus cabelos

e o encanto de castanhos olhos

e agora só existem rugas...)


Frio invasor do quarto

Mesmo com fechadas janelas

Madrugada que se consumirá

Numa malvada manhã...


(A minha comum decrepitude

usa seu inútil disfarce

e transforma tudo em memória...)


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Era Talvez Um Palco

Era talvez um palco...

Ou melhor, uma arena...

Onde touros e toureiros

Acabavam se confundindo...

Queremos matar ou sobreviver

Ou nem sabemos...


Era talvez um palco...

Ou melhor, uma praça...

Onde meninos brincam

Ou dançam ciranda...

Meninos bons e meninos maus

Isso tanto faz...


Era talvez um palco...

Ou melhor, um picadeiro...

Onde alguém chora

Ou ri demais...

Somos clowns e plateia

Ao mesmo tempo...


Era talvez um palco...

Ou melhor, um grande nada...

Onde todos vivem

E também morrerão...

Todos mortais e imortais

Para a eternidade...


Era talvez um palco...


(Extraído do livro "O Espelho de Narciso" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Minimalismos 7


 Eu Quero


Quero o idioma de todas as plantas

A fala de todos os bichos

O suspiro de todos os poetas

E, sobretudo,

Os sonhos que não me largam

E os amores que não me deixam...


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Joy


O tempo passa

Sobretudo

Aquilo que só

Nós vimos

E mais ninguém

Loucura e

Riso

Talvez até amor...


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Encadeamento 


Cada segredo

Tem seu medo

Cada medo

Seu enredo

Tarde ou cedo...


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Aqui ou Ali


Não isto e nem aquilo

Mas aqui ou lá

(Ali para quem quiser)

Estão vendo aqueles passarins?

São meus sonhos fugitivos...


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Concreto


Tudo que podemos pegar parece concreto

mas na verdade não é,

o tempo acaba devorando...

Só o amor é concreto,

persiste em nossas almas...


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Indecisão


Dizem que sou indeciso!

Será que sou?

Ou não?...


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Final


Toda estrada vai...

Para onde chega?

Para seu final...

E depois?

Começa outra...

sábado, 24 de janeiro de 2026

Laranja da Festa

Quanto maior, menor!

Quanto mais sábio, mais tolo!

Quanto mais fundo, mais raso!

Quanto mais simples, complicado é!


Gente que não vale um peido!

Gente que não vale um guaraná!

Nem um caroço de manga chupado!

Nem uma coçada no meio dos bagos!


Quanto mais doce, salgado!

Quanto mais macio, feito pedra!

Quanto mais seguro, perigoso!

Quanto mais novo, envelhecido!


Gente que mal sabe cagar!

Gente que mal sabe mijar!

Num vale o prato de merda que come!

Nem vale o chão que cai duro!


Quanto mais culpado, inocente!

Quanto mais vivo, quase morto!

Quanto mais comedido, exagerado!

Quanto mais chuvoso, mais praia!


Gente que não sabe latir!

Gente que não sabe nem miar!

Que não fala nem o que pensa!

Se falasse só sairia besteira!


Quanto maior, pior!

Quanto mais sábio, mais dolo!

Quanto mais rápido, mais atraso!

Quanto mais simples, complicado é!...


(Extraído do livro "Pane na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Minimalismos 6

Toda Fome


Toda fome é ingrata

Toda fome é bravata

Toda fome maltrata

Toda fome mata...


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Porque Nada


Porque não houve festa

mais alguma

E todos os rostos partiram

ficando mal os nomes...


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Tema e Variações


Uns foram mortos por aqui

Outros serão mortos por lá

Mas lá ambos serão a mesma...


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Todos Os Carnavais


Todos os carnavais

Não são parecidos

Todos os carnavais são iguais

Alegres ou entristecidos

Acabam e não têm mais...


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Morreu e Não Sabia


Muita gente morre e não sabe

Não sabiava 

Não sabeu

Até o próximo episódio

(Se tiver...)


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Presos


Presos sem cela

Presos com sela

Presos com tela

Presos em novela...


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Ai, Que Eu Vou Morrer!


Ai, que eu vou morrer de dor!

Ai, que eu vou morrer de amor!

De doença, de sede e de fome...

Sem grana, sem teto e sem nome...

Vou morrer mesmo de qualquer jeito.

Do lado esquerdo ou do lado direito.

Num dia triste ou num dia alegre?

Vou pro céu ou pro Diabo que me carregue?

Pombo aos Milhos

Ledo engano achar que a queda não traz a dor

Bobagem perder o sonho que estava pela metade...


Minha loucura

Minha sensatez

A idade das pedras

Menos que um mês...


Esquecer que tudo tem seu perigo até a nossa praça

Otimismo demais também pode ser como uma droga...


Olho atento

Olho cego

O eu vai embora

Só ficou o ego...


A facilidade tira o valor de muitas coisas que existem

Eu posso debochar de mim quantas vezes eu quiser...


Caixa de sapato

Caixa de Pandora

O ontem foi hoje

O hoje é o agora...


O silêncio é uma febre que não tem remédio pra curar

Os dentes dos ratos conseguem roer o ouro dos ricos...


Minha malícia

Minha inocência

Às vezes a tolice

Também é ciência...


Tantas vezes que meu amor foi só sofrimento voluntário

E a minha paixão foi uma roleta-russa com todas as balas...


É este mar

É este deserto

Quem eu queria

Não está perto...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Aeternum 3

 


Há mais sonhos tortos do que se possa imaginar...

As pessoas passam pelas ruas com traumas nos bolsos...

Cada esquina é um encontro que não queremos ter...

Tenha muito cuidado para não entrar na contramão...

A ternura é um produto que perece com facilidade...


Sob os tapetes não existem apenas simples sujeira...

A pele é a maquiagem e a carne somente a máscara...

A banda não irá mais passar em sete dias da semana...


Dizer adeus é apenas mais uma força do hábito...

A internet é a nossa grande metrópole de esperanças...

É preciso menos de trinta pratas para nos vendermos...

Dia desses darei um passei descalço sobre o fogo...

Minha covardia tomou coragem em certos momentos...


A certeza aprendeu a abraçar com desejo a dúvida...

Só destruímos aquilo que deveria ser apenas intocável...

Todo poeta é mais uma obra de insistência dos versos...


Ler epitáfios é uma arte como qualquer uma outra...

O especial foi apenas o comum que acabou sendo notado...

Todos os dias se repetem para quem os pôde vivê-los...

Os olhos só ficam abertos quando existe a escuridão...

As formigas só cantam para aqueles que podem ouvir...


Eu cato os restos das minhas fúrias com cerimônia...

Minha inocência é mais um Demônio que me condena...

De repente eu sou o toureiro de uma tourada fictícia...


Há muitas latas vazias e também corpos sem respirar...

Cada estação tem seus dias de festa e de luto também...

Os aniversários são nossas preocupações que passam...

Assim como tudo que me faz mal acaba me ensinando...

Me arrependo de não ter feito nada que me arrependa...

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Aeternum 2

A paisagem vista da janela do apartamento.

Os livros na estante que nunca irei ler.

Os muitos detalhes que escapam das mãos.

O café que esfriou na cafeteira antiga.


Onde está o tempo?


Versos que nunca mais poderei escrever.

Um beijo que fugiu da boca pra nunca mais.

Meus olhos nunca puderam enxergar o longe.

Até o novo acaba se tornando antigo.


Onde está o tempo?


Manchetes que deixaram de acontecer.

Mentiras que acabaram sendo confirmadas.

Uma luz que se apagou sozinha no quarto.

A poeira e os insetos fizeram um pacto.


Onde está o tempo?


Talvez todo caminho não seja um caminho.

E as brincadeiras nunca tenham tido graça.

Eu lavo minhas mãos pela minha própria culpa.

Todo dia seguinte terá sua própria festa.


Onde está o tempo?


Os cabelos perderam a cor que possuíam.

Cada ruga irá me contar uma aventura triste.

Minha ternura acaba abraçando o mundo.

Acabei perdendo a chave da gaveta do medo.


Onde está o tempo?


Alguma coisa não me desce de garganta abaixo.

Talvez eu quisesse ficar mais um pouco por aqui.

Ainda existem muitas estrelas para poder contar.

E talvez eu encontre um novo par para dançar.


Onde está o tempo?

Carrego comigo todo aquele que preciso...

 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Aeternum

Gim no copo. Pouco dinheiro.

Sonhos sempre nebulosos. Perigo.

Corra que a polícia não vem aí.

Os mortos nunca param de sorrir.

Cerveja na mesa. Um milagre.

Estamos todos aí. Ou talvez não.

Eu sou o mágico sem mágicas.

E a esperança que se desespera.

O bar sempre sujo. Sem piedade.

Não conheço essa rua. Perdido.

Rir é o nosso único e fatal remédio.

Aqui não existe nenhuma moeda.

Um nome entre as rosas. Margaridas.

Vamos então comemorar. O nada.

Um cão geme pela fria escuridão.

O leiloeiro acabou de bater o martelo.

Meus sapatos estão sujos. Nem tenho.

Queremos mais uma dose. Ou duas.

A flecha apontou direta em meu peito.

Meu coração tirou férias faz tempo.

Escuto as fogueiras clarearem. Minhas.

Cada pedaço vira o todo. Há milagres.

Até a mentira pode ser algo verdadeira.

E a fama é uma forma má de anonimato.

Não vou para lugar nenhum. Fico por aqui.

Meus pés estão mais cansados. Pobre deles.

A vida foi um doce que jogamos sempre fora.

Venha qualquer hora tomar café comigo...

É Que Todo Dia Acaba Quando Começa

É que todo dia acaba quando começa

Todo sorriso se desfaz depois de dado

Tudo fica atrasado quando se tem pressa

Tudo só começa depois de encerrado


Só tem perfume o que não tem cheiro

Toda planta terminará pela raiz

Só permanece o que for passageiro

Tudo que é triste um dia foi feliz


É que em todo carnaval teremos luto

Toda carícia é que vai nos machucar

Só o relativo é que pode ser absoluto

E a tempestade é uma cantiga de ninar


Não há problema nenhum de ter problema

Desde que ele seja por nós bem vindo

Tudo que nos apavora é fora do sistema

Aquilo que é hostil é sempre bem vindo


No final do sal é que vem o que é doce

A noite tem mais luzes do que se imagina

Toda a vida foi a morte quem nos trouxe

Tudo que estava programado é a sina


É que todo dia acaba quando começa

Todo sorriso se acaba antes do segundo

Tudo fica atrasado quando se tem pressa

Existe um final menos paro o fim do mundo...

Impiedade

Eu hoje acordei tipo acordando

Procurando restos de beijos sobre lençóis

Mas não encontrei mais nenhum...


Era um dia frio como qualquer verão

Desses que a gente tem medo de rir

No meio do todo nosso choro...


E quis ser famoso que nem novela

Mas a vida se parece com um depósito

Onde recordações são objetos quebrados...


Chamei seu nome mais uma vez

Mas o vento era surdo como uma janela

Que se fecha para tudo que nos é caro...


A mentira é como uma roupa nova

Que se quebra logo na primeira chuva

Enquanto tenho febre porque melhorei...


Todo poeta é mais um cão sem dono

Que nunca sabe se tem fome ou tem sede

E vigia as madrugadas com seus uivos...


A beleza dela era ilusória feito bondade

E os meus passos agora todos controlados

Por qualquer uma maldita rede social...


Talvez eu pense numa música tão famosa

Que enxerguei como uma ponta de cigarro

Que catei na rua em um dia mais vagabundo...


Todo sacrifício é uma aventura desnecessária

Porque o herói da trama está de folga

E o vilão aproveita para incendiar o circo...


Um livro velho ainda é apenas um livro

Mas com um sonho não acontece isso

Pois um sonho antigo acaba virando pesadelo...


E aquele beijo que você nunca me deu

Naquelas tardes tão bonitas que agora inexistem

É apenas a impiedade de quem me matou...

domingo, 18 de janeiro de 2026

Eu, Mais Um Idiota


Mais um na fila,

Mais um para a queda,

Mais um para o tombo...


Abuso das reticências,

Abuso das entrelinhas,

Abuso da inexistência,

É fim de mês...


Mais um no trote,

Mais um para o engano,

Mais um para o engodo...


Capriche no molho,

Capriche na ferida,

Capriche no deboche,

É fim da linha...


Mais um simples brinquedo,

Mais um pesadelo comum,

Mais uma susto normal...


Rasgue a fantasia,

Rasgue os céus,

Rasgue o verbo,

Até não poder mais...


Mais um tapa na cara,

Mais uma mão na bunda,

Mais uma desculpa inútil...


A peça com defeito,

A peça não-estreada,

A peça quebrada,

A máquina parou de vez...


Mais uma ideologia barata,

Mais um simples engabelo,

Mais uma vela acesa...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 17 de janeiro de 2026

Declarações

- Querida, você é mais linda do que um pterodátilo!

Falava um campista urbano com seus vários joanetes

Enquanto bebia um copo d'água com coliformes fecais...

(Isso é que dá estar na hora certa no lugar errado...)

- Sonhei com o número da minha cova e joguei no pato!

Eu desperdiço o tempo pelo dinheiro e até vice-versa

Enquanto faço excelentes colares de mamões maduros...

(Já guardou suas melecas para os dias vindouros?)

- A felicidade mora no boteco ali da nossa esquina!

Doravante só falaremos em um português hispânico

Enquanto ainda existir alguma gasolina no tanque...

(Ele se masturba apenas dez vezes diariamente...)

- Agora suco de pedra bem salgado é o mais fitness!

Em todos os abris carmesins andaremos só de joelhos

Enquanto desenhamos obscenidades nas paredes...

(Lança-perfume será servida no nosso café da manhã...)

- O tatu-bola se tornou um grande tatuador de elite!

Na natureza encontramos coisas bem mais naturais

Como toneladas de plástico emporcalhando mares...

(Existe uma tal de raça humana fazendo muita merda...)

- Meu jovem, essas cáries parecem mais o mapa-múndi!

E esse calo no canto esquerdo do meu pé esquerdo

Parece um martírio dos condenados de eternas galés...

(Nem um pão posso comprar quanto mais pagar o calista...)

- Um dia sentirei seu gozo escorrendo entre meus dedos!

Nunca duvide dos loucos e também dos que desesperam

Assim como dos ratos que têm que escapar dos gatos...

(Ainda existem vários copos que ainda terei que beber...)


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Minimalismos 5

O Ser


Sou aquilo que se pode ser

o Ser

e se não fosse o ser

não o seria...


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Divisão


Dividido como civil guerra

Mira no alvo e erra

Declara que ama e não ama

Só tem anônima fama...


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Solenitude


De hoje até um dia

Só matarei os mosquitos

Que ousarem 

Hora dessas me picarem...


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A Praia


Na saia da praia

desmaia...

Na baia da praia

é laia...

Na maia da praia

é paia...


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Mungango


Não manga de eu

Chega de marmota

O destino arrudeia tudo

Cabra pirangueiro...


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Brinquedo


Somos apenas brincadistas

(Ou seria brincadeiros?)

Que cirandeiam dia sim

E no adiante também

De lembranceios é a nossa

Mais preciosa bagagem...


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É O Acaso


É o acaso que faz

qualquer escolha

como alguém apressado

numa feira livre

daqui do bairro...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Minimalismos 4



Vai


Vai que cola

vai que assola

vai que esfola

vai que esmola

vai que trola

vai que bola...


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O Bambu Tá Bambo


O bambu tá bambo

pensa que eu sambo

pensa que é o Rambo

pensa que é jambo

pensa que eu lambo

pensa que é mambo

O bambu tá bambo...


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Merchandising


Coma comida enlatada

Coma comida enlutada

Coma comida entalada

Coma comida esganada

Coma comida enganada


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Radicalismo


Flores baratas aos montes

Dó inexistente para as dores

Manhãs com algum atraso

Repetimos a mesma cena

Só os palhaços choram

Os olhos recusam seu ofício


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Nada Mudou


Opressores engolindo oprimidos

Racistas fazendo suas merdas

Homofobia sem motivo algum

O sangue dos feminicídios pelos chãos

O dinheiro comprando tudo

A moda tornando feio tudo que há

Os burgueses comprando caixões

As guerras como novos pesadelos...


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Fofice S/A


Esconder a maldade com ternura

Dar conselhos infalíveis e idiotas

Criar falsas esperanças e sonhos

Enfiar uma fé de goela abaixo

Não mostrar a realidade da vida


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Aleatório 1


O que não é acaso? Não é?

Morangos silvestres

para urbanos leões...

Liberdade de correntes

compromissos sociais...

Cães miando em cima

de mais sidéreos muros...

Meu amor que foi embora

porque nunca chegou...

O que não é acaso? Não é?

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Minimalismos 3

Os Mamíferos


O mamífero

Mama

Mas que mamata!


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As Duas


Pois eram duas

irmãs bem moderninhas

que não valiam uma:

Tati e Ana...


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Tecnologia MãoDerna


Acabo de inventar

a invenção mais inventiva:

Um elefante

movido à carvão...


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Goteira Poética


Ping-ping ping-ping ping-ping

Quero trocar cada gota

por um apenas verso

Ping-ping ping-ping ping-ping

Que saco...


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Circense


Hoje tem marmelada?

Tem sim sinhô!

Hoje tem goiabada?

Tem sim sinhô!

E o palhaço o que é?

É ladrão da minha fé!!!


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Nova Literatura


Antalogias baratas

Poemas fofinhos

Talentos medíocres

Analfabetismo douto

Higiene reciclada


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O Último dos Jornais


Qualquer notícia

é uma delícia

Qualquer notícia

só com malícia

Qualquer notícia

falta perícia...


Compre "Notícias Prapulares"

e vá pular...

Mortos Não Querem Palmas

  Em qualquer lugar... Em qualquer lugar... A plateia está vazia? Nada posso fazer... Nada esperava mesmo... Nada mesmo... Quando muito o me...