quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Mais Uma De Camaleão

Eu sou onde estou

movimentos de bote

e já era presa...

Quase raio de sol...

Cores e cores

numa profusão

mais que explosiva...

Não me faça perguntas

eu posso respondê-las...

Eu capturo os momentos

e os paraliso

em minha saudade...

A conta exata

da mira infalível...

Numa guerra

quase não-declarada...

Não sou falso

apenas sobrevivo...

Bonecos de Olinda

e mais algum...

Gerais feições

vivos e mortos...

Escolho palavras

para nada dizer 

mas tudo sentir...

Sou eterna repetição

que se transforma

em novidades...

Até meus cigarros

são únicos...

Nada há além de mim

eu engulo tudo

com a voracidade 

de um certo desespero...

Espelho sou

e nele reflito até

aquilo que amo ou odeio...

Acenda a luz

o show começou...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Tristeza É Tudo Igual

Trança que nunca vi

Tristeza é tudo igual 

Escuridão em que nasci

Debaixo de um temporal


Deixe-me por aqui mesmo

Recordando e chorando...


Fato que não vivi

A esperança é um mal

Não sei porque não parti

Vai que seja no carnaval


Deixe-me por aqui mesmo

Resmungando e delirando...


Quantas vezes caí

Sofrer é tão natural

Não sei porque não desisti

Numa teimosia anormal


Deixe-me por aqui mesmo

Sonhando e desesperando...


O livro fechou e não vi

Tristeza é tudo igual

Escuridão em que cresci

Eu sou esse temporal


Deixe-me por aqui mesmo

Recordando e chorando...

Desespero Em Qualquer Cor

Você só conhece quando põe a mão, seu sem cacau. A fuzarca quando fica pronta, é isso. Desaforo de meio e perfume barato, daqueles de revista pra enganado. Eu que o diga ou me cale, os dois, eu caio no rio de cabeça e não se fala mais nisso. 

Foi quase ontem mesmo, num sabe? Eu sambava em cima do prego que nem calango quando avoa pela primeira vez e dá de focinho na parede. Aí sim! Doeu? Fedeu... O mármore só é gelado enquanto é, bobagem pouca é besteira. 

Amanheci com vontade de miar que nem um sapo dos grandes, mas sapão não! Longe de mim pelo menos um centímetro, que seja. É que às vezes tou de pião pra lá. Adianta nada ser de boa, a moçada acaba estragando o desenho. Não perco mais meu tempo, só se for fazendo nadinha como gosto.

Tomou, papudo? Verso e versico é o que mais tenho, nem que seja só pro forma, bolo e café. Tantas vezes fiz que acabei nem fazendo. Me dá uma peste braba que sai de perto. Nem eu me conheço, até que me apresentam novamente. Aí a conversança não pára até cair os dentes. Sempre acontece quando acontece.

Estalei os dedos na chuva, Deus me perdoe, livre e guarde, sou perigoso até pra mim. Só sonho sonhando. Já viu que absurdo? Além de burro, sou abusado. Nem quero, mas encho a barriga de doer respiro. Misericórdia, My, quase que eu caio em cima e ia bem gostar...

Todo pedaço é um inteiro, só faltou verem isso. Empurrei o cabra de ladeira abaixo e nem viram... É nota de cem, malandro, nota de cem! Faz até festa e macaco sai andando só na birra. De um tanto pra lá, eu sei bem muito. Já dei surra em jacará com violão.

É de monstro pra lá. Quem quiser corte o barbante e diga que eu enlouqueci que o charuto já está aqui. Quero doce e meio, sou muito exigente, isso lá e cá sou mesmo. Chato que nem bola cheia, sou sim.

Troco de canal direto pro padre xingar em latim.

É de merengue pra lá, me dê logo o troco, seu sem graça, senão eu aponto o dedo. Nuvem boa esse, engana até pobre. Rico não, rico só se engana quando respira. Tô precisado de todo ouro do mundo, me dá? Napoleão e seus cem soldados, Napoleão e seus cem soldados, Napoleão e seus sem salgados...

Nem é mais, saiu da reta, curva é. Tragédia grega é lição de casa, até faço de mão pro alto. Jujuba é banquete, não sabe? Então sabe agora, anota aí. Posta de peixe e camarão, pirão sem falta. E morango pro tango, isso sim.

Sou doce que nem jiló, isso sou, muito e até mais. Nem rondó eu faço mais, me bondó, é isso aí. Sem café eu mato mil, sai de perto, eu mato mesmo. Percorro os cinco cantos do mundo pra encontrar uma nova encrenca. Por isso, sou de muita paz.

Não tem bebedeira que me vença, é parquinho toda hora. O vento fora de hora me derruba e a cabeça dói. Linda, linda e mais linda ainda, pena que é pena e nem começa quando acaba. Vou numazinha só e que me dê por rogado.

Não vejo a hora porque o relógio morreu. Tá enterrado no meu pulso. É cigano se não me engano. A Bahia fica quase no Pará, pertim de Olinda. Pra mim é pouco ou demais, sem piscina, eu dispenso a despensa. Tão humilde quanto o rei.

A festa acabou antes de começar, assim são todas elas. Jerico meia mula sumiu na poeira e sem explicações. Eu mesmo sinto saudades da saudade que acabou se esquecendo de mim. Não quero falar bonito, a maioria nem isso consegue. De repente, acabou o sorriso, é a mesma oração que não faz milagre...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Alguns Poemetos Sem Nome Número 95

 


Cicatrizes enganam...

Carregam consigo a memória de choros

que nem mesmo o tempo destrói

ainda que ele seja o responsável...

Saudade mata...

Mesmo que a morte não apareça

e assim continuemos andando

achando que estamos vivos...

Os sonhos gargalham...

São fantasmas que atormentam

e gargalham em nossos ouvidos

até que cheguemos na loucura...

Cicatrizes enganam...


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Eu sou o paciente

que a sobreviva maltratou

antes acabasse quase tudo

Parem o canto dos passarinhos

congelem o dia por inteiro

eu quero um silêncio absoluto

Se é que ele pode existir...


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Façam de conta que é ontem

que o dia nem mesmo nasceu

Façam de conta que é festa

mesmo que o silêncio nos engula

Façam de conta que o esquecido

foi apenas um erro de percurso

Façam de conta que é amor

o desejo que nasceu quase agora

Façam de conta que eu escrevi

um poema e esqueci onde foi...


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Eu escolhi morrer quase agora

sem sintoma algum

sem mal algum

porque você nem veio

por isso não partiu

Eu escolhi morrer quase ontem

sem medo algum

sem tristeza alguma

isso dói bem menos

que qualquer impossibilidade...


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Eu não sou nada

e por isso mesmo

acabo sendo alguma coisa...

Eu não vivi alegrias

e por isso mesmo

sei o valor que elas têm...

Eu não sonhei

e por isso mesmo

uma vertigem me acerta...

Eu não pulei do abismo

e por isso mesmo

sei calcular as distâncias...

Eu não fui amado

e por isso mesmo

conheço de perto o desamor...

Eu não sou nada

e por isso mesmo

acabo sendo alguma coisa...


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Os domingos morrem

as segundas festejam

É tudo uma caçada

mesmo que invisível

Os domingos agonizaram

as segundas riram

Há crueldade em tudo

como a forma mais natural

Os domingos desconheciam

as segundas e seus ardis

O tempo é uma sucessão

de inúmeros abismos

Os domingos vieram

as segundas fizeram tocaia

Só se esquecem 

que as terças também virão...


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A chuva caiu!

Bem feito pra ela!

As nuvens bonitas

viraram água...

Andarão por terras

ou ficarão paradas

mas nada falarão...

Antes conversavam

sobre o que viam

aqui em baixo...

Brincavam juntas

de fazer desenho...

Agora são apenas

um choro apenas

de vida ou morte...


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Nada mata mais que a vida

nada mais deixa insone que o sonho

O caminho tem todas as cores

mas a que queremos faltou

A pressa é apenas mais um medo

o medo do relógio que dispara


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domingo, 7 de fevereiro de 2021

Intransponível Barreira de Tristeza

 

Ando levando comigo esse fardo pesado de mim mesmo como uma besta de carga - e é o que sou... Fico desejando alegrias que poderão nunca vir - e decerto não virão... Tento rotas de fuga da maldade que manda nos homens - mas também sou humano...

Intransponível barreira de tristeza que os sonhos ajudaram a construir...

Canto canções que foram esquecidas há muito e perderam o sentido - mas ainda assim canto... Erro as datas e acabo pensando que todos os dias são carnaval - mas talvez sejam... Fico olhando os edifícios (bestas de concreto) que construíram e não entendo - acho que ninguém...

Intransponível barreira de tristeza que a vida sempre nos oferece e não podemos recusar... 

Tento entender filosofias baratas de um otimismo exagerado - mas a prática é outra...  Em vão desejo arrancar o tumor da ternura e toda tentativa é inútil - ela há de me matar... Corro desesperado do amor que me aniquila - mas essa fera é mais ligeira do que eu...

Intransponível barreira de tristeza que me trouxe de presente a solidão...

Levanto o dedo quando chamam por um idiota - sou o maior deles... Tento me desviar dum tapa na cara - a verdade me agride... O destino me deu tantas negativas - como um indigente...

Intransponível barreira de tristeza que comeu minhas carnes e agora rói-me os ossos...

Não consigo conter as minhas taras - elas são simples demais... Os meus bolsos andam sempre vazios - muito mais a minh'alma... Acordo pelas manhãs tentando me livrar dos pesadelos - mas o dia será mais um deles...

Intransponível barreira de tristeza onde a misericórdia já foi embora faz muito tempo...

A chuva que cai agora de mais nada adianta - morreu o jardim... Eu olho em todas as direções - todos já partiram... Até respirar se torna um fardo - um dos mais pesados...

Intransponível barreira de tristeza feita de um óbvio que me foi uma grande surpresa...

Aquela que eu amava se tornou mais um espectro - agora é apenas isso... O veneno que corre em suas veias - é o que me mata mais... A paz é um muro alto que não consigo subir - sei que me machucarei demais...

Intransponível barreira de tristeza que cada segundo aumenta de tamanho até que me sufoque de vez...


(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Ferido

Andar por ruas que não quero

Ter o resultado que não espero

Um sonho abortado na maternidade

Perder o amor para a eternidade

Procurar pelo que não tem sentido...

Ferido! Ferido! Ferido!...


Ir por sob a chuva que não posso

Encher-me de ternura até dar um troço

O meu carro vai indo pela contramão

Eu sinto tanto e não tenho coração

Eu sou o anjo que foi corrompido...

Ferido! Ferido! Ferido!...


Não deixo meus passos pela areia

Me transformo em fera na lua cheia

Perdi a minha fé e continuo à rezar

Dar um passeio sobre as ondas do mar

Não sou o vencedor, apenas o vencido...

Ferido! Ferido! Ferido!...


Cortei minhas carnes, mas não sangro

Dispensei a valsa, agora quero um tango

Quero a embriaguez de quem nada tem

Acabo confundindo o mal com o bem

A vida é uma selva, eu estou perdido...

Ferido! Ferido! Ferido!...


Grito enquanto muitos ficam calados

Eis mais um privilégio dos desesperados

Gritar até não poder mais e ficar rouco

Entre ali na fila, é apenas mais um louco

Não é só de prazer que se tem o gemido...

Ferido! Ferido! Ferido!...


Vou parando estes tristes versos por aqui

Não sei mais em que floresta eu me perdi

Igualmente tristes me são a morte e a vida

Eu tenho a dor, mas não dói mais a ferida

Talvez seja mais uma dádiva ser esquecido...

Ferido! Ferido! Ferido!...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Alguns Poemetos Sem Nome Número 94


Se me perguntarem 

porque ando,

eu não sei...

Se me perguntarem

porque insisto,

também não...

Os pés já estão feridos

com feridas absolutas,

dessas que não fecham...

O suor escorre da testa,

entra nos olhos

e queima junto às lágrimas...

Se me perguntarem

porque ando,

eu não sei,

pode ser por 

simples força do impulso...


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O medo da morte ficou lá atrás,

numa curva qualquer

velando o cadáver dalgum sonho...

A tristeza de ficar velho foi embora,

junto com a vaidade

que já pediu as contas há muito tempo...

O desengano de não ter amor,

não consegue me ferir mais

me viciei com certos espinhos...


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O tiro se desviou e não foi por sorte,

foi apenas maldade do tempo

que quis me castigar mais e mais...

A doença queria me aniquilar de vez,

mas o destino chegou e disse:

- Agora não! Deixa sofrer ainda!

A minha memória tentou me aliviar,

fazendo que eu esquecesse velhas histórias

e agora me pergunto: Quem sou eu?...


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Um tic-tac diferente enche o ar

sufocante ser que nos sufoca

Eu engulo pedras

como qualquer condenado

E me satisfaço agora

com menos nada do que antes

Certeiras miras nos espaços

como noites que nem vi passar

Onde estão os pirilampos?

Esconderam-se em estrela qualquer

Lantejoulas não brilham mais

no vermelho da minha fantasia

Um tic-tac diferente enche o ar

é um marca-passo acabando a bateria...


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A carne não é culpada pela tristeza

os espinhos simplesmente estavam lá

A incerteza é nossa única certeza

e nós podemos apenas chorar...


Os versos é tudo aquilo que nos resta

o vento leva as folhas pra lá e pra cá

Toda vida acaba num final de festa

e nós podemos apenas chorar...


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Eu vejo a vida como uma serpente

que rasteja na areia quente

esperando um pé para picar...

Eu vejo a ilusão como um veneno

aguardando num frasco pequeno

a hora de nos matar...

Eu vejo o amor como uma fera

que na tocaia no espera

vai nos engolir sem mastigar...


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Espirais de fumo

sobem tranquilas

até chegarem ao céu

eu não quero mais nada

espero em silêncio

porque o grito morreu

antes de sair da boca

Bando de nuvens

passeiam até cansarem

e se jogarem 

em abismos líquidos

alguns dias sim

alguns dias não

tristes ou alegres...


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Minha única certeza

é a incerteza

Meu amor

recebe ódio de volta

Essa é a vida

é tudo que temos

Meu choro 

é riso de alguns

Bondade?

Isso não é coisa nossa...


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Carliniana CXXXIII ( O Grão Nosso de Cada Dia )

Cada dia um grão... Olha o trem chegando na estação! Vou no armarinho comprar uma estrela de papel Vou colocar as velhas asas pra poder entã...