Enlouquecidos são
Enlouquecidos tão...
O barco afunda mesmo fora d'água
Atire a primeira pedra sem ter mágoa
Todo instante tem o seu próprio custo
Toda e qualquer madrugada o seu susto
Sou bem menos que quaisquer marginais
Daqueles que brincavam pelos carnavais...
Enlouquecidos são
Enlouquecidos vão...
Cada um vai comer aquilo que tem
Agora tanto faz tanto mal quanto bem
O trem está correndo sozinho no trilho
Mesmo sem poder andar sou andarilho
E o vento agita as folhas dos coqueirais
Enquanto há sangue jorrando nas capitais...
Enlouquecidos são
Enloquecidos não...
Eu me contradigo no que falo ou penso
Qualquer passo mal dado é o mais imenso
Vamos contar as estrelas antes que acabe
E este muro que nos cerca então se desabe
Como eram aqueles enigmas tão mais iguais
Que eram cantados por todos os festivais...
Enlouquecidos são
Enlouquecidos cão...
(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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