Blusas que não dizem nada
Bicos que acabam dizendo tudo
No modernismo mais vintage de todos
Cada passo que foi dado
Poderia ser gasto com gestos simples
Como contar estrelas ou grãos de areia
Coxas que reclamam beijos
Transporte imediato de tanta saliva
Para os porões de certa inconsciência
Idade Média que chegou
Meu computador fala de coisas
Que nem mesmo eu acabo entendendo
Cigarro aceso pelo olhar
Quem me dera poder sair por aí
Como qualquer pássaro vagabundo sai
Ou chutar algumas latas
Como as que não existem mais
Mas ainda são meio que folclóricas
Este calor quase invernal
Faz nossos esqueletos sambarem
Em cima de lajes que nunca existem
E um novo tango grego
Traz a frisson de montanhas de queijo
Que fumegavam em certas cidades do sul
Procuro o que não conheço
Como uma formiguinha num dique
Clamando por uma qualquer multidão
As escolas não me ensinaram
Como deve ser fácil apagar ventos
Num breve idioma que também desconheço
Faça logo essa bendita conta
E me dê qualquer um desses resultados
Melhor que mascar chicletes de sabor anis
Verbos fumegantes serão servidos
Por essas tardes com cara de manhãs
Em que a priori nada existe mais a priori
Data vênia essa minha modéstia
É grande como o pico do monte Everest
E bem mais confortável que qualquer sardinha
Há muitos peixes nestas águas
Que afinal não foram e nem nunca serão
Como certas televisões feitas de algum papelão
Vejamos qualquer cena de novela
Como quem faz as várias teias da aranha
E desfila em muitos labirintos quase obscuros
Os últimos afinal serão os primeiros
Sem que isso seja garantia mais garantida
Que tipo haja algum empate técnico...
(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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