sexta-feira, 17 de julho de 2020

É Melhor Morrer Do Que Estar Morto

Menino, adolescente, olhos fechados, careta, beijo. Menino ...
Há muitos que andam de cabeça baixa
enquanto alguns nunca abaixam a cabeça
Há muitos com segredos trancados na caixa
enquanto outros não esperam que aconteça
Há muitos que vibram numa mesma faixa
enquanto outros assinam sua própria sentença

Muitos vivem na sua idiota zona de conforto
mas é melhor morrer do que estar morto...

Há muitos que lutam para não terem nada
enquanto outros tem tudo e o tudo não tem valor
Há muitos que a vida só lhes dá porrada
enquanto outros vivem tão cheios de amor
Há muitos que acham que a vida é uma caçada
enquanto outros até agora só conhecem a dor

Muitos embarcam mas não encontram porto
mas é melhor morrer do que estar morto...

Há muitos que são escravos do dinheiro
enquanto outros nunca o teve em sua mão
Há muitos que vendem a alma por inteiro
enquanto outros só vendem só uma fração
Há muitos que o ano todo é só um fevereiro
enquanto outros preferem somente escuridão

Muitos fazem o que é reto se tornar torto
mas é melhor morrer do que estar morto...

Há muitos que comem o dia todo todo dia
enquanto outros comem só de vez em quando
Há muitos que são parceiros da alegria
enquanto outros nunca estão comemorando
Há muitos que são escravos da monotonia
enquanto outros estão o tempo todo voando

Eu vejo tanta coisa que até fico absorto
pois é melhor morrer do que estar morto...

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Paradoxo Segundo C.A.

Esse é o mínimo do máximo
tantas palavras bonitas 
num quadro tão feio
minha loucura ao extremo
minha natureza conforme
paradoxalmente rude e terna
transcendente porém ordinária
As roupas nos varais
as bandeiras em seus mastros
e as fitas nos pandeiros das ciganas
ou no cetro dos mortos
esqueci de tudo porém sorrio
acertei fora do alvo
chutei o traseiro da prudência
perdi todo o cuidado
Nem todo belo embeleza
as amenidades talvez agridam
e a surpresa é mais normal
tenho asas para não voar
e minhas orações são negadas
com o maior dos afincos
a derradeira das tristezas
acabou me dando a melhor
de todas as crises de riso
Filmes de terro no chá das cinco
a amizade todos os meus inimigos
tapamos a peneira com o sol
eu nunca fui o que sou
mesmo se assino algum contrato
a solenidade veio de qualquer jeito
e eu me lambuzo de mentiras
como um qualquer marciano
que nasceu ali na esquina
logo agora há mais meio século
Dois desconhecidos apaixonados
a vista cega para mais enxergar
tantos tiroteios pelos silêncios
e a minha confissão de culpa alguma
certamente a certeza não é certa
e é muito amarelo o meu lilás
é coisa fina é coisa boa
tudo aquilo que o dinheiro paga
mesmo não sendo moralmente certo
os números sabem gritar alto
e calam até o que eles fizeram
Eu sou apenas um saltimbanco...

(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Aflição Por Aí

Eu fui bucólico como a morte
nas piruetas mais mortais possíveis
Nem tempo longe e perto
que nem eu mesmo sei mais dizer
Só sei que pulei os abismos
para aqui mesmo estar...

Muitos desenhos pelas paredes
e palavras-chaves que não esclareciam
Mas por que isso?
Respostas só existem para perguntas
E você bem o sabe
eu não costumo perguntar nada...

Talvez ainda haja alguma dor
guardada escondida em meus bolsos
Mas não sei se o fogo acenderia
no meio de um temporal tão grande
Talvez o meu riso debochado
queira fazer alguma nova pantomina...

Eu olhei para o alto certas vezes
como quem deflora nuvens sem maldade
Explodi muitas e muitas bombas
sem ter ao menos noção exata disso
Foi apenas puro desespero
ao ver o sangue que escorria nas mãos...

O destino ri agora da minha cara
e as andorinhas acabam fazendo coro
Tudo é possível para a tristeza
e os sonhos ajudam a matar-me mais
Escute meu grito pela noite afora
na mais inútil das procuras por você...

(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Poema da Pedra do Sino

Olhos verdes: 5 coisas para saber sobre essa rara cor de olhos ...
Pedra do Sino
onde numa primavera rasgada
em muitos pedaços
deixei minha alma
Em sinais incompreensíveis
meu silêncio foi bem maior
que o próprio mundo
descobrindo o que já conhecia
Eu não tinha mais o mar
nem mais a Marina
mas do verde dos teus olhos
vi nascerem as flores
Eu não sabia a saída
de todos os eternos labirintos
mas segurava em suas mãos
mesmo não havendo voo
A maldade me acompanhou
até que pudesse me ferir
e te levar pra bem longe
para nunca mais te ver
O tempo passou e passou
nem sei os sons que houveram
mas o desamor me consumiu
e ao te ver nada mais sinto
Pedra do Sino
o mundo é dos maus...

(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Música Para Cegos

Meu Menino Cego! (Imagine Taehyung - Bts) - Vampira187 - Wattpad
Eu careço de toda a lógica
deitado nessa cama de pregos
ainda prefiro a ternura
mas os homens andam cegos...

Meus instintos adormeceram
e os outros cultuam seus egos
eu vou andar por aí na vida
mas os homens andam cegos...

Não sou bom e não sou mal
isto é verdade eu não nego
mas me esforço até a exaustão
mas os homens andam cegos...

Fazem tanto desamor
esse pecado eu não carrego
é o amor que me feriu
mas os homens andam cegos...

Não sei se haverá amanhã
mas a minh'alma entrego
só quero a luz das estrelas
mas os homens andam cegos...

Febre Número 1

Menino, criança, infancia, contemporâneo, febre Banco de Imagem ...
Tenho saudade da saudade da saudade e os ardis de minha temperatura colaboram com tal obra. Paredes cruéis estas, transformaram-se de sólidos tijolos em zinco tremulante. E o calor chega mesmo quando frio demais.
Não há jogos de bola na rua com ou sem. Eu espero meu parabéns atrasado por todos os anos que não lhe conheci. Tudo é tão extremamente vicioso, sobretudo palavras. Serei um gato ou um cão? Dos dois o que mais molhado estiver. 
Meus dedos agora endurecem sobre as teclas, mesmo que sejam velhas conhecidas. Um suor quase inexistente corre pela testa que nem um leve inseto pelas areias sem deixar rastro algum. Invento ventos que não existem, sinto uma tontura por algo que desconheço. 
Tenho nojo do nojo do nojo e os odores piores chegam em bando com seus altos brados. Tudo é comum e raro ao mesmo tempo. Uma colcha velha num canto da rua me aparece com uma tela famosa exposta no Louvre. Uma cena pornográfica é tão banal numa cidade onde sangue, suor, urina, fezes e pus são apenas a mesma essência.
Levemente quase tudo é proibido, sobretudo sorrir de contentamento. Os rebeldes já depuseram suas armas e agora professam os mesmos argumentos falhos de seus opositores. Quase ninguém vê isso, mas eu vejo com esses olhos que a terra talvez coma ou talvez recuse.
Juro por todas as mentiras que disse até agora que não jurarei mais nada. Será o amor uma grande farsa? Não sei, alguns venenos são bem apreciados mesmo com aviso em seu rótulo. Boca fechada não entra comida. Os verdes não são mais azuis como já foram um belo dia.
Tenho medo do medo do medo. E as minhas unhas estão amareladas da nicotina do cigarro barato que posso comprar. Assim como a minha alma com tantas dívidas quanto qualquer um que possa existir. Ladrão de mim mesmo, é isso que eu sou. A minha sombra me persegue de teimosa e destemida que é.
A maciez de certas garras é admirável, assim como a inocência de algumas putas. A piedade não escolhe pacotes, nem a ternura foge de  certos enigmas. Uma letra pode mudar tudo, nisto consiste a força imensurável das palavras. Tudo que é invisível é o que temos de mais evidente.
A sanidade geralmente é perigosa, principalmente na mão dos sábios. É um brinquedos podem também nos ferir. O tempo está em falta no mercado há muito tempo, mesmo sendo isso imperceptível. Já o lirismo, estragou nas prateleiras, mas ainda não foi devolvido para as fábricas,
Tenho a febre da febre da febre. E em algumas ruas me escondo da forma mais visível que posso, mesmo quando erro acentos e vírgulas, agora isso não é mais anormal, virou regra. Quase tudo se inverteu, até mesmo as necessidades mais básicas. Até morrer pode ser a última moda.
Pretendia fugir em breve, mas acabei desistindo, aonde for também estarei lá e eu sou o maior dos meus estorvos. Eu me fantasio com o ridículo que tenho medo em todos os meus diários carnavais. Podem anotar aí, nenhuma ferida que tive alguém senão eu mesmo a fiz.
Numa ilusão mais que humana penso que tenho tudo, mas não há mais nada que possa chamar de meu, só os meus sonhos. Esses esquentam-me a alma como se ela fosse apenas mais um corpo e podem até fazer o favor de me matar sem que eu passe nenhuma vergonha...

(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 14 de julho de 2020

Nem Eu Mesmo Sei Como Cheguei Por Aqui

Menino com a rosa na mão - Home | Facebook
Nem eu mesmo sei como cheguei por aqui...
Só sei que foi numa madrugada de tempestade, cheia de ventos frios como só podem ser os de agosto. Uma madrugada de cara bem feia, dessas parecendo menino antes de chorar. Só sei que a minha mãe sentiu dores quase um dia inteiro antes (ela que me contava isso), fugindo do medo e das loucuras de meu infeliz pai.
Nem eu mesmo sei como cheguei por aqui...
Me lembro do menino franzino que o clarão do lampião entortou os olhos não mais azuis e que nem o médico conseguiu endireitar. O menino que vivia sob o medo constante, na pequena casa isolada do resto do mundo (que também deveria ser cruel), que fazia mágicas no seu quintal e desenhava sóis risonhos para que ele viesse espantando o tempo feio.
Nem eu mesmo sei como cheguei por aqui...
A casa pequena, o poço que dava medo, o canto do bacurau nas noites de eternidade. Os gibis velhos que minha mãe lia repetindo histórias memoráveis enquanto em nem sabia o que bem sonhar porque nada conhecia direito. O mundo era apenas o caminho entre que o carro preto antigo fazia até chegar ao mar.
Nem eu mesmo sei como cheguei por aqui...
As roupas pobres que eu nem podia escolher, os infinitos corredores de alegria e medo (elas andavam sempre de mãos dadas). Os inimigos amigos que partiram de um em um, assim são os ventos da vida. O amor que se recusou a ter alguma pena de mim. Eis o dedo da maldade apontada para mim - é ele!
Nem eu mesmo sei como cheguei por aqui.
Os muitos caminhos que tropecei e as feridas que nunca fecharam e não fecharão mesmo com toda a eternidade possível. As loucuras feitas do mais frágil dos papéis. Eram muitas as mentiras que eu engoli como quem engole o mortal veneno, mas acaba não morrendo. Era um silêncio de palavras gritantes onde só o paradoxo era o permitido.
Nem eu mesmo sei como cheguei por aqui...
Valas negras, caminhos tortos, quase solidão, psicopatias urgentes para a minha alma de rastreador solitário. Um belo conjunto de nuvens no céu. O paciente ainda vivo está. Não tem previsão de melhoras, mas isso seria pedir demais.
Nem eu mesmo sei como cheguei por aqui.
Talvez um barco, talvez um trem, talvez asas emprestadas de algum decaído, nunca se sabe o que será. Talvez pior, talvez melhor, lembrado ou esquecido, será o mesmo. O arrependimento pelo que deixei de fazer falará mais alto. Este sim, será um grito surdo que ecoará até não sei quando.
Nem eu mesmo sei como cheguei por aqui...
Se ficarei ou não, isso é uma outra história...

(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Carliniana CXXXIII ( O Grão Nosso de Cada Dia )

Cada dia um grão... Olha o trem chegando na estação! Vou no armarinho comprar uma estrela de papel Vou colocar as velhas asas pra poder entã...