quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Insaneana Brasileira Número 55 - Humano Açougue

Essa confusão toda. Os camelôs gritam desesperados em alto volume. O ministro é sinistro. E alguns levantam suas bíblias apontando pro céu. Divinas ilusões. Divine Brown. James Brown. E outros produtos comestíveis trancados em memórias esvoaçantes com menos possibilidades de acordar. Nunca chega a hora de saber coisa alguma. E é a mentira da mentira da mentira. Pergaminhos em uma língua desconhecida e totalmente esquecida. Saladas culturais. Eu danço maxixe pelas calçadas de New York. Não importa se agora neva. Eu me confundo com letras e números. E tenho a capacidade de um cameleão. Vamos macacada! Os velhos discos tocam numa vitrola daquelas bem antigas. A dança é a mesma que nossos avós dançaram. Só se trocou a inocência. Falta essa no mercado. Como brinquedos antigos que nunca mais vi. As ordens estão lá. Para serem obedecidas. Mesmo que o preço seja a nossa dignidade. Não queremos. Mas queremos. Não pedimos. Mas aceitamos. Nada disso estava incluído em nossas orações. Nossas novenas eram bem diferentes. Mas tudo foi como um passe de mágica. Presto! Você está aqui e você não está aqui. Abracadabra! Você prestava e agora não presta. Vice versa é a palavra de ordem. Falamos em inglês mesmo dormindo. As cartas do truque estão marcados. E os dados estão benzidos. As marés determinam qual o lado que escolhemos. Essa é a mais democrática das escravidões. Sorrimos sempre. A piada foi boa. Mesmo quando não queremos rir. Sons de viola caipira tocam a polca que enche os salões. E ser apenas um fantoche é a mais nova de todas as drogas. Essa confusão toda. Bem organizada. Limpa e cheirosa apesar dos cheiros ruins das ruas. Mijo. Merda. Comida estragada. E rostos montados pro grande teatro sem platéia. Só existem atores. Tanto em cima quanto em baixo. Não há descanso. Só existem pesadelos mesmo quando nossa cabeça jaz confortavelmente em nossos travesseiros. Todo protesto teve seu ataque de riso. E um rosto moreno com franja escondendo parte da testa. Sem pudor. Sem pendor. Sem nada...

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O Amor Dói


O amor destrói corrói e dói
Principalmente dói
Dói como dói a tristeza
Como dói a morte que é certeza
Como dói também a solidão
Que é estar sempre na escuridão

O amor destrói corrói e dói

Principalmente dói
Dói e nos passa a perna
Como dói a traição é eterna
Como dói também a loucura
Que se sentir estar sob tortura

O amor destrói corrói e dói

Principalmente dói
Dói e não nem tem alguma pena
Como dói ficar nesta arena
Como dói ser comido pelas feras
Essas nossas intermináveis esperas

O amor destrói corrói e dói

Principalmente dói
Mas assim o queremos...

sábado, 8 de novembro de 2014

Perfumes do Jardim


Não é questão de ser moral ou imoral
Ser um demônio ou viver no céu
Se na verdade é tudo muito igual
E o meu silêncio é apenas escarcéu

Mesmo com qualquer dor eu danço

Mesmo sem tesão eu também quero
Mesmo parando eu vou e alcanço
Mesmo sem paciência eu espero

Não é dilema de ser bom ou ser mal

Viver acertando ou então viver errando
É apenas esperar esse meu carnaval
E meu carnaval vem de vez em quando

Mesmo com qualquer fim eu começo

Mesmo batendo asas eu também desço
Mesmo o bem e o mal que eu professo
Mesmo sempre trocando o endereço

Não é problema de ser tal ou ser qual

Ser educado ou ainda ser sem maneiras
Estou olhando e vejo chegar o temporal
Os sábios homens e suas grandes besteiras

Mesmo com qualquer grito silencioso

Mesmo sem ter paz comigo mesmo
Mesmo com o parto mais que doloroso
Mesmo com tiros que se fazem à esmo

Não é questão de ser normal ou anormal

Ser um demônio ou viver no céu
Se na verdade é tudo muito igual
E o meu silêncio é apenas o meu papel!!!

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Insaneana Brasileira Número 54 - Terones

Matarangos boleiros em bando sobrevoam as covas dos apaixonados. Em bandos de mil em mil. Fazem sombreados bons de se ver. É ali o entremeio de toda verdade. Dindim e Tiquim vão jogar bola! Ficar parado nada resolve... Ficar triste é só uma condição escolhida. Menos se o sorvete caiu não chão... Menos se a roda quebrou... E os amores foram de ladeira abaixo na chuva malvada... Está enterrado o tesouro e ali está o mapa! É simples vencer tantas batalhas! Bastar rir diante da tempestade do mar à noite sozinho agarrado na tábua. Eu nem sei quantas vezes senti saudade. Mas deve ter sido pelo menos uma vez por dia. Capriche aí no rebolado sua maleita. Entremenos fiquei sabendo de coisas e cosas que só o el tiempo nos ensina. É o poder escondido nas balinhas de anis e nos envelopes de figurinhas premiadas. Atraso sem goma eu quantas vezes suspirei num canto qualquer rezando pra que ninguém visse. Há olhos em muitas e muitas partes. E a decisão se tira num pulejo só. Pablos é que sabem e eu não me meto nesse questionado nem que me paguem um milhão! Mais vale a fé que o pau da barca. Mais vale o tinado do campo que a menina de olhos enganodos. Que eu me enrole no que falar do que no que pensar! Na dança da chuva sou novato. Mas não em sinais de fumaça. Fui índio em muitas vidas! In nessa tamém. É uma grande tribo. Um querendo papar o outro. Que nem a botija da cegonha convidando a raposa pra tomar caldo. É. Uma pelada levada à vera. O problema é que vai na chuteira. Aí lasca tudo. Pula com tudo pra cima. Fratura exposta. Fulejo dos bons. Melhor que agulhas novinhas e linha macia da marca que a gente gosta. E mais ainda que carinho de gato no colo. Somos humanos. E aí nasce o perigo do toque do dedinho. Tá contigo. Num tá. Sai correndo e rindo como se a experiência do maluco tivesse dado certo. E como deu! Havia razão naquela matungada só. Salve lá meu malungo de beira. Meu abure de jura. Guerreiro de dois. Palmas pra quem te quero! Cada instante que foge foi documentado. E cada suspiro sufocado valia o mais doce de todos. Demorou foi tempo pra essa arve crescer o bastante pra ter passarinhada de tardim. E olha que quase que caio do cavalo!...

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Poesia


Poesia...
 escorrendo entre meus dedos
 como meus sonhos perdidos
 motivo para todos os enredos
 meus abismos mais divertidos!

Poesia...

brincando em meu rosto
com minhas lágrimas salgadas
eu vim em pleno agosto
em meio às águas geladas!

Poesia...

era em meio àquele labirinto
que era também minha casa
aquilo que vejo e que sinto
não há mais chama e nem brasa!

Poesia...

meus versos eram meus amigos
eram amigos que sempre ficaram
e em meio à tantos e tantos perigos
foram os soldados que me restaram!

Poesia...

eu sigo e sigo por todos os países
ando por terras que nunca andei
e tenho desejos de todas as matizes
como outros que nunca mais terei!

Poesia poesia poesia...

eu morro em cada um instante...

Insaneana Brasileira Número 53 - A Nova


Hum. Olhe lá. Olhe lá. Uma nova ideia. Um nova plateia. E mais o que? Tudo igual. Tudo igual. Biologicamente reverenciado com necessidades e belos ponteiros. Estamos em palavras bonitas. Viva a ciência! E viva tudo aquilo que conhecemos e aquilo que ainda vamos conhecer. Os gatos saíram para passear e os ratos dançam em cima do fogão. Novas teorias em velhos alicerces. Tudo é bom enquanto mau não é. É do carnaval passado a fantasia que vai ser reaproveitada. Eu não sou nada. Mas sei de onde vem a chuva. Eu já visitei várias nuvens e nem todas eram água. Algumas eram de fumaça. E não eram todas sinais de fumaça. Algumas eram de sonhos destruídos e outras eram mesmo de corpos. Eu optei por ser feliz mesmo que isso significasse ser um triste. Eu entrei sem novelo algum em tormentosos labirintos. Eu fiquei sentado na beira do abismo esperando a queda. Mas a queda não veio. E tampouco a tempestade. Temos muito pouco tempo para isso. Eu sei quase todas as coisas. Porque fiquei olhando coisas simples. Eu contei as pétalas que haviam no jardim. E suspirei todos os amores possíveis. Haviam muitos dragões em mim e os matei todos. Não me deixe com saudades. Vamos rir deliciosamente por todas as coisas. Deliciosamente no canto da boca. Deliciosamente com os olhos. Sem problemas. Em entrelinhas como sempre foi. Perseguido pelos bons. Pelos corretos. E por tudo aquilo que representa o normal. De boas intenções há lugares cheios. E a caretice assiste o programa de domingo na sala de estar. Um sono só, Confortavelmente tecnológico, Hi-tech como foram os brinquedos do filhinho do faraó. Nunca sabemos o final feliz de intermináveis discussões. Era a era que era, E a hera sobe nos muros, Toda a sua experiência é menor do que o álcool que sobe em meus neurônios! Toda a juventude é pálida e proparoxítona, Unissilábica em berço esplêndido. Não queremos fábricas de deuses, Os carros já bastam para aturdir nossas mentes,Luzes demais, No meio está o vale que vale, Eu sou humano até que se prove ao contrário, E como espero também a folia todos os anos, São certas as certezas que acertamos certamente? Atrás do trio elétrico os alquimistas sambam, A pedra filosofal é a alegria de muitas coisas. Pornograficamente saborosa. Como cabelos artificiais mais soltos, E dentes artificiais com um belo sorriso...

sábado, 1 de novembro de 2014

Sem Lirismo, Sem Flores, Sem Cores


Eu hei de ser sempre apenas um sujeito rude
Chegando aonde pude chegar como eu pude
Com os pés cheios de pó e as mãos calejadas
Conhecendo como conheço todas as estradas

Não parei pelo caminho para colher as flores
E nem reparei sequer quais eram as suas cores
Eu sou apenas isso eu sou apenas um bruto
Com lágrimas nos olhos e um peito em luto

Eu sou apenas isso apenas mais um caminhante
Apenas mais um alguém que segue adiante
Eu não conheço alguns versos cheios de lirismo
Eu conheço apenas as tocaias e todo o abismo

Eu não conheço rimas e metrificações perfeitas
Conheço armadilhas na noite e as ruas estreitas
Conheço quem sofre e quem quer e quem deseja
Conheço a calçada e a cachaça e a cerveja

Conheço a putaria que existe em todos carnavais
Conheço a picardia e conheço até bem mais
Os gritos que permaneceram mortos na boca
E uma alegria contida que foi bem mais louca

Sei de cor a fala que possuem todos os artistas
Conheço todos os crimes e também suas pistas
Fiquei nos andaimes e escalei montanhas altas
Rezei com os pecadores por todas as suas faltas

Senti fome e senti frio e ainda senti o medo
Vi os velhos morrendo e os novos morrendo cedo
Vi também as crianças que a guerra maltrata
E a minha amada foi das putas a mais barata

Eu hei de ser sempre apenas um sujeito rude
Chegando aonde pude chegar como eu pude...

Carliniana CXXXIII ( O Grão Nosso de Cada Dia )

Cada dia um grão... Olha o trem chegando na estação! Vou no armarinho comprar uma estrela de papel Vou colocar as velhas asas pra poder entã...