segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Poesia Gráfica VIII

FASTFOOD

FASTNUDE

FASTFAST

ACABOUAFEST

EOFESTIVAL


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OTEMPORIA

ORIORIA

ENQUANTOCHORAVA

CHORAVAOMARALTO

ACALÇADARIA

AFOLHARIA

ENQUANTOCHORAVA


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NÃOTEMPO

NÃOTEMRISO

NÃOTEMSOSSEGO

NÃOTEMQUEMTEMPENA

ASSIMOPOBREMORRE

PARAQUETENHAETERNIDADE


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AFLORDODIA

NÃOTEMMAISDIA

TEMTODOSELES

ATÉQUECAIA

ATÉQUEMERGULHE

ATÉQUEMORRA


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APITOSDEFÁBRICAS

TÃOGRITOS

RUÍDOSDAFOME

TÃOGRITOS

BOMBASCAINDO

TÃOGRITOS

AAÇÕESDABOLSA

TÃOGRITOS

OSTIROSNOSPOBRES

TÃOGRITOS

ASPIRUETASDAVIDA

TÃOGRITOS


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FADO

ENFADO

LEMBRODELÁGRIMASBONITAS

TODOTEMPOCORRE

SOBRETUDO

OQUECHOREI

EMESPINHO...


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PROCURA-SE

OQUEMAR

PROCURA-SE

OQUECANTAR

PROCURA-SE

OQUECONTENTAR

PROCURA-SE(SOBRETUDO)

OQUEAMAR


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PASSARIMTRAGANOTÍCIAS

SEAVIDAVENCEU

SEAMORTEMORREU

SEACABOUOESQUEMA

SESURGIUOPOEMA

NESSACADEIRA-MORTALHA

NEMTEUCANTO

ESCUTOMAIS


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terça-feira, 19 de outubro de 2021

Seu Eusébio


 Seu Eusébio,

poeta e barbeiro

(mais poeta ou mais barbeiro?

Não sei...)

Lenda viva

que não conheci...

Onde estão teus versos?

Os que conheceram

também já partiram...

A barbearia

(tão velha quanto tempo)

nem existe mais...

Mas os versos o universo gravou

(Muitos sonetos

que faziam 

dona Maria Augusta chorar...)

Tudo vai embora

e mesmo assim permanece...

Cadeiras na estreita calçada,

chapéu de palha,

festas na igreja de Neves,

a farra dos meninos...

A memória dos homens tão curta,

do tempo inapagável...

Boa noite,

Vô Eusébio...


(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida)

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Alguns Poemetos Sem Nome N° 112

 

Flores indeterminadas assim

O começo? Mais um fim...

Numa lógica trocada

Dia de muito véspera de nada...

Eu cá brinco com antagonismos

Nos mais arriscados malabarismos...

Tantas sílabas não conto

E tudo termina com um ponto.


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Quase mil anos

O relógio penosamente tiquetaqueteia 

Como o animal segue na estrada

Com seu peso nas costas

Vamos dançar nesse cordão de desvalidos

Em que o desvario vale algum esforço

Quase mil anos

O menino espera ansiosamente

O brinquedo prometido...


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Cada retângulo nessa parede

Significa algo ou simplesmente nada

Risos dementes enchem meus ouvidos

E enigmas simples me fazem chorar

Não posso dormir um minuto sequer

Conheço cada centímetro de minha pele

Mas desconheço minha própria alma

Um disparato à mais ou à menos

Não tem tanta importância assim


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Desconheço abismos

O frio a dor e a fome

São apenas detalhes

Não me matarei

Ainda quero desamores

Que sejam novidades


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A fumaça teima em subir

Para onde irá?

Faltaram curiosos

Para tal empenho

O tempo teima em correr

Para onde irá?

Para infinitos abismos

De um constante continuar...


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Cada poema parece bicho ou coisa

Tem uma história de dor ou não

Cada palavra parece cor ou som

Tem seu jeito de ir e vir

Cada sílaba parece símbolo ou sinal

Tem gosto amargo ou doce...


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Edição limitada

Diz o rótulo do produto

Como reza ou praga

Ou como os dois

Qualidades mirabolantes

Vindas do nada

De qualquer capital

Há um sarcasmo 

No barulho das moedas

Edição limitada


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Longe demais é logo ali

Abismos e montanhas se alternam

Milhares de águas por aí

E eu ainda procuro meus passos

Meu desatino me acompanha

E tem preguiça de me dar adeus


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Todos Os Poemas Morreram...

Luz acesa sob o sol

Instantes corriqueiros em qualquer tempo

Eu não sei embaralhar as cartas

Mas acabo ganhando o jogo

Na teimosia dos dias

E nos sonhos sem talvez

Suor e lágrimas são semelhantes

Dois rios para o mesmo mar

Nada de novidade na China

Os camelôs desesperaram-se 

Como se fossem pobres viúvos

Os raios da tempestade são punhais

E acariciam como espinhos

Mês sim e mês não eles aparecem

De alguma outra dimensão

Eu mesmo invento meu idioma

Como quem come margaridas

Mesmo que faltem aplausos no baú

E a poeira das gavetas ensurdeça

Tenho a idade de um viajante perdido

E olho a barba que cresce

Até que eu vire pó de uma vez por todas

O improviso me visita às vezes

E conversamos longamente sobre tudo

Mesmo que um não entenda o outro

Sem meninos e sem passarinhos

Todos os meus poemas morreram...

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Soltas

Soltas quase sem medida

Surpresa a vida

Soltas quase um corte

Faltalidade a morte

Goteiras em cima da cama

Um trama um drama

Cai e não escorre

O poeta é o que corre

Toda palavra é façanha

Todo poema é montanha

Seja qual o tamanho

Mesmo estranho

Doce feito um limão

Pouco sim muito não

É uma nova novidade

É quase feliz cidade

Enredo de filme repetido

Minha amada meu querido

Soltas quase sem medida

Fatalidade é a vida

Soltas quase sem suporte

Realidade é a morte...


(Extraído do livro "Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida). 

Luz Que Se Apaga

Bailado bonito de vela que se apaga

Fogueira em seu último suspiro

A fumaça acabou subindo...

Um pirilampo foge na madrugada

Sem saber aonde vai

Como meus sonhos também foram...

Bailarina triste que acabou a dança

As cortinas desceram

E ela se pôs a chorar...

Palavras que tentaram fazer até rir

Mas enquanto existem guerras

O único riso é o da maldade...

As ruas estão cheias de pedintes

Mas até nos castelos

Acabam parando algumas respirações...

O coveiro faz suas diárias tarefas

Enquanto a terra abre sua boca

Para engolir mais um bocado...

Tento esquecer algum pesadelo

Mas as feridas que não tive

Acabam me doendo bem mais...

Faço versos como a velha cigana

Que prevê dias mais aziagos

E acaba tendo que mentir um pouco...

Arrumo minhas velhas roupas

E no espelho sujo e quebrado

Tento disfarçar antigas mágoas...

O sangue corre cansado nas veias

Como o atleta que mesmo cansado

Tenta chegar ao final ainda perdendo...

Eu sou aquele que acaba incomodando

O velho espinho que entrou no pé

E se acostumou não querendo sair mais...

A velha canção que teima e teima

De ecoar pelos ouvidos já surdos

Como um fantasma feito de lençol...

Suspiro da borboleta que cai do alto

Suas asas de nada mais servem

Talvez apenas um túmulo colorido...

Um bacurau canta na madrugada

E não há mais menino para assustar

E nem pequena casa para sobrevoar...

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Certas Certezas

 

Certa só a tristeza,

Só a pobreza,

O desengano

Entra ano e sai ano...

Certa só a maldade

Da humanidade,

Toda sina

tem um quê de assassina...

Certa só a falta,

A febre alta,

Calor e sede,

A cabeça na parede...

Certa só a traição,

Maldição,

Sem amanhã, 

Apenas febre terçã...

Certa só o ausência,

A demência,

Que aos poucos

Constrói loucos...

Certa só a fome,

Do homem,

Apenas moedas

Que nos dão quedas...

Certa só a doença,

Sua presença,

Matou semana

E jogou na cama...

Certa só a apatia,

A avaria,

Fiquei apático,

Nada simpático...

Certo só o final,

Do carnaval,

Acabou folia,

Mas quem diria?...

Certa só a incerteza,

A chama acesa,

Que se apagou

E por aí eu vou...

Carliniana CXXXIII ( O Grão Nosso de Cada Dia )

Cada dia um grão... Olha o trem chegando na estação! Vou no armarinho comprar uma estrela de papel Vou colocar as velhas asas pra poder entã...