quinta-feira, 7 de maio de 2015

Politicamente Quieto


Política é a arte de roubar sem as mãos
Viver é a arte de caminhar sem os pés
Isso já faz muito tempo muitas estações
Em que vamos todos vivendo ao invés

A maldade tem sempre qualquer dono

E a dor sempre é a parceira da ferida
Há multidões com seu pleno abandono
E é isso que ainda chamamos de vida

Fique quieto e não me fale mais nada

Veja a sua televisão sentado no sofá
O lado que você quis foi só mancada
Não espere não há mais o que esperar

Política é a arte de falar sem sentido

Viver é enganar a morte em cada dia
É fingir que dói qualquer um gemido
Possuindo a mais egoísta das alegrias

A maldade vai andando feito vagabundo

Vai jogando sua fumaça em todos ares
Queiram ou não queiram é este o mundo
Com suas carpideiras e com seus apesares

Fique quieto e mantenha esse segredo

Veja as novas modas da velha estação
Pois que o prato do dia é o nosso medo
E o medo só pode morar no seu coração

Política é a arte de mandar sem poder

Viver é ser o mais corajoso dos covardes
Isso foi há muito tempo sem esquecer
Mas já caíram todas as nossas cidades...

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A Descoberta da Descoberta


Finalmente fiz a descoberta das descobertas
Minha vida é ela com as pernas bem abertas
Minha arte é um poço sem fundo mas bem raso
Onde claras coisas eu vejo e assim me atraso
Esqueço de toda a hora e esqueço de todo o dia
Há mais flores na minha febre e na minha agonia
Eu tremo e deliro debaixo de todas as cobertas
Minha vida é ela com as pernas bem abertas

Finalmente fiz a descoberta das descobertas

Que tenho várias mentes todas elas alertas
Minha arte é o choro de um cigarro já aceso
Onde eu entrei em muitos tiroteios e saí ileso
Estudos feitos comprovam a minha verdade
E eu vou seguindo de braços com a felicidade
Vou atirando com mais miras mais incertas
Porque tenho várias mentes todas elas alertas

Finalmente fiz a descoberta das descobertas

Vamos deixar todas as vontades bem quietas
Rosas são azuis e violetas sempre multicores
Respirar é como um grande parto sem dores
Mas em quase todos os caminhos vou sozinho
Tirei meus sapatos pra caminhar no espinho
Enquanto eu afrouxo mais o tempo me aperta
Vamos deixar todas as vontades bem quietas

Finalmente fiz a descoberta das descobertas

Me deixe feliz sob as todas essas cobertas...

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Ano Que Vem


Ano que vem num dia indeterminado
Ano que vem qualquer hora pode acontecer
Enquanto o tempo corre eu aqui parado
Eu fico vivo e aos poucos estou à morrer

Ano que vem seja um menino comportado

Ano que vem ganharei novos brinquedos
Enquanto o mundo vai girando todo errado
E bailando vão todos estes meus medos

Ano que vem ano que vem ano que vem

As promessas são feitas cheias de falsidade
E o veneno que me mata vai fazendo bem

E eu assim estou aqui só e só esperando

Coisas bem vindas e só vindas do além
Ano que vem será que existo até quando?

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Bebê e Fumá


Eu tenho todas as maneiras de escolha daquilo que não posso mais escolher. E ando em esquinas mais marditas do que sei onde está meu viver. Não faço mais graças e com as desgraças deste mundo sei ainda conviver. Marditos sejam os home com seus sistemas que me fazem sofrer. Um trago um copo mais um escapole dessas paredes à escorrer. De lírio delírio meu círio não parou de arder. É esta a festa que vamos fazer. O mar o ar andar até não mais poder. É lida é vida suicida que não pode morrer. Eu quero eu lero até não mais socorrer. História inglória que me foi acontecer. Sem espaço sem abraço que me faça adormecer. Vadio no frio no cio sem ninguém pra satisfazer. Ataca defende e corre sem se socorrer. É claro sim claro é raro o que mais fazer. Viagem vantagem na margem o que vai ter. Espaço março peito de aço pra me defender. Eu tenho todas as maneiras de escapulir daquilo que me ameaça mas não posso correr. E encho a cara na esquina pra nunca mais te ver...

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Insaneana Brasileira Número 72 - Apenas Mais Um

Mais um. Hoje tem nova invenção. Aviso na rede social. E humanos que somos apenas um mais carnaval. Invertendo palavras e invertendo medidas. É o nosso solo patético. E a primeira das últimas vezes em que choramos. Nada pode ser mais engraçado do que isto. Um nome. Um número. E uma lembrança eterna que passará rápido como num desenho animado. Não façam isso. Curtam a moda e olhe lá. A moda que se distribui pelas ruas nas bancas de mais outros infelizes. Nunca estamos aqui. Mas estamos aí na mais incongruente lógica sem medidas específicas. Adjetivando todos os dados que pudermos. Tudo muito lindo. Mesmo quando nosso coração reluta em brados mais covardes. Não sabemos quais letras formam as novas palavras nossas novas invenções mais caras. Quebrem-se todas as estruturas. Que os sinais tenham mais algum valor. Somente ecos e bandeiras estendidas nos varais. E muros pulados em segredos mais públicos. Eu me esqueci de tudo que um dia senti e ainda de tudo que eu quis. Só sei atitudes sábias de um douto ignorante. Nada mais senão a falta de paz. E um abrigo de secas folhas sem dano algum. Caíram todas do pé. Mas não eram frutas. Eram espelhos quebrados e outros vidros afins. Um baticum bate a batida de florestas que não existem mais. Um cigarro e meio é aceso em todos os rituais. Palmas para quem te quero. E pernas em balanços tranquilos em célebres cadeiras de balanço. Até o monstro emerge sem lagoa alguma. Momentos de pura expectativa. Se o time perde há muito luto. Mas se nossos antepassados se vão nem vemos. É uma ficha é um pano rasgado sem vírgulas. Ísis perdeu seu véu anteontem mesmo. E anda nua pelos bosques de um tempo sem tempo. O que aconteceu? Nada. Nada mesmo. Os cigarros queimam rápido e ainda assim permanecem no ar. Não tenho canções. Nada entendo de idéias geniais. Mas sou invencível. Já que não se pode vencer aquilo que já se perdeu faz tanto tempo. Era a hora exata quando eu perdi o ônibus. Era o tempo exato aquele que eu deixei pra trás. Eram luas e sóis enfeitados num papel colorido e brilhante. Até metálico talvez. E os aviões em jogos mais infantis num ar que desconheço. Eram os pontos cardeais me enganando. E tudo mais que na verdade eu não queria. Doces amargos e estações sem propósitos maiores. Não tenho cultura alguma e as descobertas que fiz tiraram até a alma do faraó. As cinzas queimam novamente e au até quase me alegro com isso. Artificialmente natural. Todos são alegres carpideiras numa peça de teatro ao ar livre. Todos são inocentes até que se prove ao contrário. Todos estão logados até que a bateria se esgote. Eu não sei fazer mais nada à não ser respirar. E tento fazer isso muito bem. Eu admiro frases de efeito e xingo até a minha mais escondida sombra. Sou eu que gritou sem desespero e ri sem temer nada. Eu o fiz e assumo toda a culpa possível. Sou o Golem nascido de um ventre. E o aborto poderia ter sido divino sem culpa alguma. Sou eu mais um número e bença e tchau...

Eu Tenho Mais de Um Motivo


Eu tenho mais de um motivo de estar vivo
Mesmo que meu choro seja o mais frequente
E este choro não foi nenhuma encomenda
Eram dias que a chuva caía fina na calçada
E meus olhos ficavam mais longos que o caminho...

Eu tenho mais de um motivo de estar aqui

Não sou belo como nenhum enredo de romance
E nem como as margaridas que enchem o chão
Apontadas que são para um céu mais manso
Onde pássaros e nuvens compõem nova tela...

Eu tenho mais de um motivo de estar cantando

Ainda que não saiba cantar e eu nunca soube
A voz que sumiu da garganta não mais voltará
É o fim da festa ao ar livre com fogueiras mortas
E todas as cinzas que alguém pode não querer...

Eu tenho mais de um motivo de estar dançando

Apesar de nunca ter aprendido como se dança
Tudo no universo não passa de um grande baile
Olhem as folhas mortas que o vento vai levando
E mesmo que desconhecemos os passos estão lá...

Eu tenho mais de um motivo de estar existindo

As tristezas fazem parte do nosso dia à dia
O lamento faz parte de tudo que sai de nossa boca
E vamos nos encontrando por aí às vezes
Com as mais novas velhas notícias que temos
E no final das contas é só isso que tenho pra falar...

domingo, 19 de abril de 2015

C.I.D.A.D.E.

Resultado de imagem para cidade de lego
Cidade seis letras malditas
Letras que me fazem chorar
Com seu corpo de concreto
Não conhece o meu penar

Cidades prédios apontando

Do primeiro ao último andar
Que não temos mais chances
Nem mesmo pra se amar

Cidade carros indo loucos

Ninguém querendo mais parar
E a fumaça cobrindo tudo
Não dá nem pra respirar

Cidade conspiração humana

Somos peças brinquedo de armar
Com cruzes pesadas nos ombros
E não dá pra se reclamar

Cidade nascedouro do nada

E choros lá na sala de estar
A ambição certamente afoga
Pois se joga sabe também roubar

Cidade seis letras benditas

Letras me fazendo gargalhar
Com seu corpo de concreto
Não conhece o meu penar...

Carliniana CXXXIII ( O Grão Nosso de Cada Dia )

Cada dia um grão... Olha o trem chegando na estação! Vou no armarinho comprar uma estrela de papel Vou colocar as velhas asas pra poder entã...